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terça-feira, agosto 04, 2009

Temporão versus Hélio Schwartsman

Fig: O dia 1 corresponde a 7 de maio. Estamos por volta do dia 90.

Hélio Schwartsman teve a coragem de publicar na Folha os cenários pandêmicos do Plano do Ministério da Saúde. Foi criticado pelo ombudsman da Folha como "irresponsável", mas teve direito a réplica.

Hoje, o Ministro Temporão o chamou (sem citar nomes) de "patético":

Temporão criticou previsões de expansão da doença. "Existem os futurólogos do caos que escrevem um monte de besteira. Saiu na imprensa que nós teríamos milhões de casos, [projeção] em cima do modelo matemático feito para um vírus diferente de uma doença que não existiu. Chega a ser patético.

Bom, eu acho que nada como um dia atrás do outro. Basta esperar o fim da epidemia para ver se o cenário de 35 milhões de casos se verifica. Este número corresponde a 17,5% da população.

É bom lembrar que as previsões dos Ministérios da Saúde (ou seu equivalente) nos EUA, Reino Unido, Bélgica, Espanha são todas por volta de 30% ou mais. Imagino que o ministro acredita que Deus é brasileiro e no Brasil será diferente. Mas é engraçado que com cerca de 100 óbitos, uma taxa de letalidade igual à da gripe sazonal (= 0,05%, mas o ministro diz que é menor) prevê que atualmente estamos por volta de 150/0,0005 = 300.000 casos. O que por sinal bate com as previsões do patético futurólogo autor deste blog (a menos de um fator dois).

De: Helio Schwartsman

Assunto: Ajuda
Para: "'bbjenitez@yahoo.com.br'"

Data: Quinta-feira, 30 de Julho de 2009, 15:50

Osame,

Tudo bom? Vi que vc defendeu minha matéria em seu blog, pelo que agradeço. Está difícil entender qual é a do Ministério da Saúde. Eles é que deveriam defender aquele trabalho deles, que, por sinal, é anormalmente bem feito (minha sensação atual é de que são um bando de amadores).

Mas escrevo-lhe porque o ombudsman caiu na onda “tranquilista” do ministério e detonou minha matéria em sua última coluna dominical. Estou cogitando de responder. Vi q vc cita predições britânica e dos EUA. A ministra da saúde da Galícia (Espanha) também falou esta semana que espera 30% de infectados. Minha pergunta é se vc viu mais alguma coisa recente nesta linha para incluir no texto que estou preparando.

Abração,

H.

From: osame kinouchi [bbjenitez@yahoo.com.br]
Sent: Friday, July 31, 2009 11:30 AM
To: Helio Schwartsman
Subject: Re: Ajuda


Pois é, não entendi a posição do ombudsman também, dado que a taxa de infecção usada no plano do governo foi feito para gripe aviária, que tem taxa de infecção menor que a da nova gripe.

Também acho um absurdo o MS dizer que o cenario do seu proprio plano não é realista, dado que do cenario otimista ao pessimista cobre-se uma ampla faixa de parametros. E me parece que a manchete da Folha, inspirada na sua reportagem, citava na frase de chamada apenas o número otimista.

Abraços.

PS: Eu poderia citar seu email em um post no SEMCIENCIA?

Achei isso aqui:

Gripe suína pode atingir um terço da população da Bélgica


Pandemic infection rate could hit 50 per cent: EU agency


Isso com dois minutos de procura. Deve ter mais estimativas de outros paises.

Osame

De: Helio Schwartsman

Assunto: RE: Ajuda
Para: "osame kinouchi"

Data: Sexta-feira, 31 de Julho de 2009, 12:13

Osame,
Pois é. Os caras estão meio malucos, ou baixou aquela coisa de governos autoritários que tratam de epidemias escondendo-as da população...
Cite à vontade o e-mail (só que ainda não tenho certeza se responderei ou não ao ombudsman; devo chegar a uma conclusão hoje à tarde). Gosto muito de seu blog. Frequentemente, quando pesquiso algum assunto em ciência valendo-me de palavras portuguesas, o google me leva a ele --e eu nunca me arrependo de abrir.
Abração,
H.



Um comentário:

none disse...

Alguém reparou que o MS parou de falar que a taxa de mortalidade da gripe A é de 0,4% muito similar à gripe comum? Se você divide o número de mortes pelo número de casos confirmados no último boletim epidemiológico - atualizado até o dia 3 de agosto - a taxa está em mais de 3%... Mas como mudaram a taxa de cálculo de mortalidade e introduziram a letalidade...

[]s,

Roberto Takata