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quinta-feira, dezembro 28, 2006

Terremotos e Tecnomotos

Eu não me lembro direito, mas me parece que o tema do meu projeto de pós-doc no grupo do Fontanari no IFSC era sobre sistemas críticos auto-organizados acoplados. Ou será que foi no pós-doc com o Salinas? Não lembro e estou com preguiça de consultar meu currículo Lattes...

Ou seja, se eu tenho dois sistemas críticos auto-organizados (o que quer que isso signifique) e eu os acoplo ainda que de maneira fraca, de que modo as avalanches em um deles podem se propagar para o outro? Ainda de outro modo, será que sistemas críticos, quando acoplados, já não são separáveis (no sentido de teoria de perturbação) e se tornam um só sistema devido à ausência de escalas espaço-temporais típicas, flutuações críticas etc e tal?

Se você não está entendendo esse monte de jargão, não faz mal, eu também não sei o que seja Fenomenologia (em Filosofia) e levei anos para entender (acho) o que seja Dialética, embora sejam termos que todo mundo que escreve no Caderno Mais da Folha usa e os leitores não reclamam.

Em todo caso, consulte a Wikipédia no tema Self-organized Criticality, veja este artigo na Revista Brasileira de Ensino de Física ou, melhor ainda, leia o livro do Mark Buchanan. Agora, uma referência indispensável para os pesquisadores da área são os trabalhos do Ronald Dickman da Universidade Federal de Minas Gerais e colaboradores, que integram os modelos com SOC (self-organized criticality) ao resto da Física Estatística usual de transições de fase fora do equilíbrio.

The Day the Pixels Froze: When a Digital World Was Stopped by a Natural Disaster


By SETH MYDANS do New York Times
Published: December 28, 2006


BANGKOK, Dec. 27 — It was a natural disaster for the digital age that radiated through much of Asia and beyond after an undersea earthquake late Tuesday off the coast of Taiwan.

People awoke Wednesday to find themselves without e-mail or the Internet and, in some cases, without telephone connections, cut off from the rest of the world. The earthquake ruptured undersea cables that are part of a communications fabric that circles the globe. Coming on the second anniversary of the Asian tsunami that killed 230,000 people, it was a reminder of the world’s increasing dependence on communications technology. Financial companies and technology services suffered most directly. Operations from travel agencies to newspapers to schools struggled to maintain their routines.

“You don’t realize until you miss it how much you rely heavily on technology,” said Andrew Clarke, a sales trader in Hong Kong. “Stuff you took for granted has been taken away and you realize, ‘Ah, back to the old way, using mobiles.’ ”

In this time of rapid change, it is easy to forget how quickly innovations have become necessities, including cellphones, the Internet, e-mail and instant messaging on both the computer and telephone. “I’m completely dependent on the Internet,” said Robert Halliday, an American writer based in Bangkok. “If the Internet goes down for half a day, people can just stay in bed in terms of getting any work done.” On Wednesday, he was frustrated in trying to get information for a review he was writing of a Romanian DVD. It takes a moment to realize what a task that would have been just a few years ago. The words “instant” seems to have lost some of its edge. It has become the norm, and anything else seems agonizingly slow.

The word “global” has shrunk to the size of a computer screen. When Mr. Halliday’s mother, who is in her 80s, wants to reach him, she taps an instant message into her telephone from the United States. “All of a sudden,” he said, “there’s a message on the phone, ‘Oh, you should be here, the azaleas are out.’ ” Without e-mail, Ken Streutker, a Dutch-Canadian actor and producer in Thailand, had no way to arrange a meeting with a friend who was arriving at the airport in Bangkok. “Now I’ll have to stand there at the airport with the traditional handwritten sign and hope that someone notices,” he said.

Many enterprises found themselves paralyzed without the Internet. In Beijing, Wang Yifei, an independent television producer, sent instant telephone messages when her Internet connection was down. “I had a horrible day,” she said. “I’ve been complaining about this all day. This high-tech world of ours. It didn’t happen in the old days. In the end I can’t do anything.” In Manila, Abe Olandres, who owns and runs a Web-hosting company, just about gave up. He said he planned to try a Wi-Fi hot spot in a coffee shop after struggling at the office all day. “This is killing me,” he said. For his customers, it may have been worse. When their service went down, they tried to reach his help desk, but it was down, too.

Niall Phelan, the creative director of APV, a media production company inHong Kong, said he usually received about 300 e-mail messages a day. On Wednesday, he said, he got none. Without e-mail, he was back to the old-fashioned way of communicating, by telephone, which greatly multiplied his work. “Usually, one e-mail is cc’d to lots of people,” he said. “But, with calling, you have to contact all six involved people individually.” With their work day disrupted, he said, “Most people I spoke to in Hong Kong today are just twiddling their thumbs.” He made the best of it. “What I didtoday was eight hours of filing,” he joked. “I had a year’s worth of paperwork. If the Internet is still down tomorrow, maybe I will finish it.”

Even without the help of technology, work seems to have its own momentum. Lucy Fennell, regional business development director at APV, stayed late in the office despite the enforced slowdown. “What I did do today was, well,” shelaughed, “I’ve filled in my diary for all of next year, you know, with friends’ birthdays and things. I guess you have to do that.” Carolyn Mison-Smith, director of a language center in Singapore, found in the communications crash a concrete demonstration of the interconnectedness of the world. “Cables all over the seabed,” she said. “I don’t know if your average dude appreciates thatfact. “Who puts them there and how long does it take and how many kilometers is it?” she said. “If they’ve got cords going all over the seabed, I think that’s fascinating. Who designs it all, who’s the engineer that designs it and who are the laborers who go down and do that?”



Foto: Per Bak (8 de Dezembro de 1947- 16 de Outubro de 2003). Vários obituários interessantes feitos por colegas e revistas científicas estão aqui.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Fractais para crianças

Bom, parece que não conseguirei escrever mais nada sobre a questão da escrita simples na divulgação científica, especialmente depois que o João Alexandrino, com seu poema iconoclasta, fez a pergunta fatal: simples para quem?

Assim, acho que talvez pudessemos pensar a questão em termos de um emissor (o jornalista ou cientista) que tenta enviar uma mensagem para um receptor (vários grupos a serem definidos, por exemplo, leitor de jornal, estudante do ensino médio, espectador do Fantástico etc.). Assim, a nossa questão seria: como diminuir o nível de "ruído" ao longo da transmissão da mensagem, ruído produzido pelo uso de termos e conceitos que não fazem parte da bagagem cultural do público alvo? Você concorda com esta redefinição do problema, Maria?

Bom, há algum tempo atrás, informado por um editor da Ediouro de que o verdadeiro filão do mercado editoral brasileiro é o setor de paradidáticos (por exemplo, as edições em geral têm entre 100.000 e 500.000 exemplares, na maior parte comprados pelo governo), e cabisbaixo por meu eterno cheque especial negativo, pensei se teria capacidade de escrever um livro desses. Ok, minto, na verdade foi puro idealismo, eu achei que seria um importante trabalho de divulgação científica e extensão universitária etc. Pois bem, não consegui terminar o livro, mas tentei realmente escrever sobre Fractais de modo que pudesse ser lido e apreciado por estudantes do ensino fundamental (note, fundamental, nao médio! Você já tentou explicar o que são logarítmos para crianças de 12 anos?). Os dois capítulos iniciais de minha tentativa você pode encontrar aqui (Kentaro Mori, do Ceticismo Aberto, me pediu permissão para hospedar o texto, não sei se isso vai comprometer a venda do livro (será que isso detona com o Copyright?) quando eu acabar de escrevê-lo daqui a cinco(?) anos, vender para a Ediouro e ficar zilionário...

PS: Se você é de alguma outra editora e acha que o livro pode ser viável, e quiser fazer um contrato com pagamento antecipado... hum... ok, eu acabo o livro em oito meses! Sim, eu sei que o tema não faz parte do currículo nacional etc, mas as apostilas do Positivo contém três páginas sobre fractais (minhas filhas viram isso ao cursarem a quinta série).

PS2: Vitório me informa que é dois anos mais velho que Pedro, de modo que não sei exatamente quem era quem no capítulo inicial do texto.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Excêntricos (II): Luca Turin

Ok, ok, sim eu li o livro do Luca Turin. Achei que, se ele estiver certo, sua história seria mais um exemplo interessante da afirmativa Kuhn-Plankiana de que novas teorias só vencem quando os defensores das velhas teorias envelhecem e morrem (na verdade, acho mais plausível que a mudança se de via comportamento de manada, ou seja, quando coletivamente os cientistas começam a ponderar, de forma agnóstica, os ganhos e perdas de uma mudança de posição. Ou seja, para se fazer pesquisa sobre uma dada teoria, não é necessário acreditar nela, mas apenas ficar motivado por sua possível fertilidade, facilidade de ataque de problemas e obtenção de resultados (mesmo negativos), financiamento, recompensa para quem chegar primeiro (ou em segundo) caso a teoria esteja correta. Tudo isso, claro, fica facilitado se alguns lideres científicos (os caras do extremo da distribuição de status científico e intelectual -os dois status não necessariamente coexistem) derem seu aval sinalizando aos jovens pesquisadores que aquele tópico é quente. Ah sim, essa sinalização também tem sido feita, ultimamente, por jornalistas científicos da Nature e Science...

Entretanto, usando os critérios usuais de detecção de cranks, eu fiquei achando que Luca Turin certamente apresenta todos os sintomas de ser um crank segundo Gardner, a saber:

(1) First and most important of these traits is that cranks work in almost total isolation from their colleagues. Cranks typically do not understand how the scientific process operates that they need to try out their ideas on colleagues,
attend conferences and publish their hypotheses in peer-reviewed journals before announcing to the world their startling discovery. Of course, when you explain this to them they say that their ideas are too radical for the conservative scientific establishment to accept.

(2) A second characteristic of the pseudo-scientist, which greatly strengthens his isolation, is a tendency toward paranoia, which manifests itself in several ways:(a) He considers himself a genius. (b) He regards his colleagues, without exception, as ignorant blockheads.... (c) He believes himself unjustly persecuted and discriminated against. The recognized societies refuse to let him lecture. The journals reject his papers and either ignore his books or assign them to "enemies" for review. It is all part of a dastardly plot. It never occurs to the crank that this opposition may be due to error in his work.... (d) He has strong compulsions to focus his attacks on the greatest scientists and the best-established theories. When Newton was the outstanding name in physics, eccentric works in that science were violently anti-Newton. Today, with Einstein the father-symbol of authority, a crank theory of physics is likely to attack Einstein.... (e) He often has a tendency to write in a complex jargon, in many cases making use of terms and phrases he himself has coined.


Outro sintoma é publicar suas idéias em livros de divulgação dirigidos ao público. Sim, eu sei, Galileu apresentava todos esses sintomas também... Afinal, escrever livros populares em italiano corrente sem peer review em vez de usar a linguagem acadêmica internacional da época (latim) me parece muito suspeito. Mas quem disse que Galileu não era, psicologicamente, um crank?
A teoria de Turin, chamada de Vibratory Theory of Smell (hummm, vibratory é uma palavra bem crank) consta da lista de teorias pseudocientíficas da Wikipédia. Talvez isto se deva devido aos resultados negativos referentes às previsões de Turin encontrados por Leslie Vosshall, da Universidade de Rokfeller, em 2004, comentadas aqui:
(...) Turin never undertook a series of experiments that he said, in a theoretical paper, would prove his theory. “Since Turin’s theory was based solely on his unverified reports about the smell of certain odorants, the scientific community rejected it as a universal theory of smell based on one man’s olfactory impressions,” says postdoc Andreas Keller, first author of a report on the research published in the April issue of Nature Neuroscience. A few months ago, Keller and Vosshall — who normally study olfaction in fruit flies — decided to conduct the human studies that Turin never did.

“This is a theory that has been universally rejected by every scientist, so you might ask why we bothered,” Vosshall says. “We felt that his theory has been given, by virtue of press coverage, some degree of credibility although it was never been put up to scientific scrutiny.”

(...) “In order for science to have integrity, you have to do studies properly. You can’t just sniff the substances yourself, decide in advance what the answer is supposed to be, confirm by testing it yourself and then publish a paper,” says Vosshall. “I did the boring work of actually doing Turin’s experiments and showing what the real answer is,” says Keller, with a laugh. Because the study was not designed to prove either theory, the results say only how smell doesn’t work. They don’t bring us any closer to knowing how it does work. “This is a paper of solely negative results,” Vosshall says. “We didn’t disprove the vibration theory, we just didn’t find anything to support it. The results show that molecular vibrations alone cannot explain the perceived smell of a chemical. And while all of our data are consistent with the shape theory, they don’t prove the shape theory.”
Qual então foi a minha surpresa em ver esses dias essa nota na Nature News:


December 7, 2006


Rogue theory of smell gets a boost
Physicists check out a bold hypothesis for how the nose works.
by Philip Ball
http://www.nature.com/news
RELATED SITES

Could humans recognize odor by phonon assisted tunneling?

A controversial theory of how we smell, which claims that our fine sense of odour depends on quantum mechanics, has been given the thumbs up by a team of physicists.
Calculations by researchers at University College London (UCL) show that the idea that we smell odour molecules by sensing their molecular vibrations makes sense in terms of the physics involved.
That's still some way from proving that the theory, proposed in the mid-1990s by biophysicist Luca Turin, is correct. But it should make other scientists take the idea more seriously.
"This is a big step forward," says Turin, who has now set up his own perfume company Flexitral in Virginia. He says that since he published his theory, "it has been ignored rather than criticized."

Physics, abstractphysics/0611205
From: Andrew Horsfield [view email]
Date: Wed, 22 Nov 2006 08:04:17 GMT (22kb)


Could humans recognize odor by phonon assisted tunneling?
Authors: Jennifer C. Brookes, Filio Hartoutsiou, A. P. Horsfield, A. M. StonehamComments: 10 pages, 1 figureSubj-class: Biological Physics
Our sense of smell relies on sensitive, selective atomic-scale processes that are initiated when a scent molecule meets specific receptors in the nose. However, the physical mechanisms of detection are not clear. While odorant shape and size are important, experiment indicates these are insufficient. One novel proposal suggests inelastic electron tunneling from a donor to an acceptor mediated by the odorant actuates a receptor, and provides critical discrimination. We test the physical viability of this mechanism using a simple but general model. Using values of key parameters in line with those for other biomolecular systems, we find the proposed mechanism is consistent both with the underlying physics and with observed features of smell, provided the receptor has certain general properties. This mechanism suggests a distinct paradigm for selective molecular interactions at receptors (the swipe card model): recognition and actuation involve size and shape, but also exploit other processes.
Full-text: PostScript, PDF, or Other formats
Update: O artigo será publicado pelo Physical Review Letters, ver link aqui.

sábado, dezembro 23, 2006

Excêntricos (I)

Eu ainda preciso achar aquela referência de um historiador da matemática, que o Daniel Ferrante achou horrível, dizendo que os grandes avanços nessa área se devem a apenas meia dúzia de pessoas a cada século. Acho que isso talvez seja plausível, não sendo louvação do mito do gênio histórico mas sim apenas mais um caso de eventos extremos em leis de potência aplicadas a impactos científicos (ou seja, as revoluções Kuhnianas justificadas pela física estatística).
Interessante comparar esta notícia da Folha, redigida pelo Ricardo Bonalume, com esta outra da Revista FAPESP. Notar o uso diferente de analogias, simplificações e ênfase em fatos curiosos (como o título já diz).


Gênio excêntrico fez descoberta do ano

RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S.Paulo

A resposta para um enigma secular da matemática, a conjectura de Poincaré, foi considerada pela revista científica americana "Science" o mais importante avanço científico de 2006.

O feito foi obra de um excêntrico e recluso matemático russo, Grigori Perelman, e trouxe na esteira polêmicas e conflitos de egos entre outros pesquisadores. Perelman ganhou a Medalha Fields, prêmio considerado o "Nobel" da matemática, mas recusou.

Mas não foi esse o único fato que demonstrou mais uma vez como a ciência é uma atividade humana, sujeita aos mesmos caprichos de outras, como o esporte, a política ou a arte.

(...)

Geometria de borracha

A conjectura foi proposta pelo matemático francês Jules Henri Poincaré em 1904. Durante sete anos, Perelman trabalhou na sua demonstração, que expôs em três artigos em 2002. "Em 2006, quase quatro anos depois", diz a "Science", "pesquisadores chegaram a um consenso de que Perelman tinha resolvido um dos mais veneráveis problemas da área".

Poincaré é o fundador da topologia, disciplina que estuda as propriedades mais fundamentais das formas, aquelas que não são perdidas com deformações. É uma espécie de "geometria de borracha", na qual um objeto pode ser esticada e comprimido, mas não rasgado ou remendado.

A conjectura, grosso modo, afirma que dadas três dimensões, é impossível transformar uma forma com um furo no meio, como uma rosquinha, numa esfera, sem apelar para cortes e remendas. Mas formas sem furos têm como ser deformadas até virarem esferas --considerando uma quarta dimensão espacial.

Um grande passo na resolução foi dado em 1982 pelo matemático americano Richard Hamilton, que criou uma técnica, o "fluxo de Ricci", que trata matematicamente as formas com uma espécie de ferro de passar, "alisando-as". Mas mesmo assim sobravam "caroços" no fluxo. Só Perelman conseguiu eliminar o problema.

Outros autores, nos EUA e na China, confirmaram o trabalho de Perelman, mas começaram a brigar entre si por causa de supostos méritos, plágios, e declarações polêmicas. O próprio Perelman ficou indignado com os "padrões éticos" dos colegas.

Da Wikipedia:

The Fields Medal and Millennium Prize
In May 2006, a committee of nine mathematicians voted to award Perelman a Fields Medal for his work on the Poincaré conjecture.[2] The Fields Medal is the highest award in mathematics; two to four medals are awarded every four years.
Sir John Ball, president of the International Mathematical Union, approached Perelman in St. Petersburg in June 2006 to persuade him to accept the prize. After 10 hours of persuading over two days, he gave up. Two weeks later, Perelman summed up the conversation as: "He proposed to me three alternatives: accept and come; accept and don’t come, and we will send you the medal later; third, I don’t accept the prize. From the very beginning, I told him I have chosen the third one." He went on to say that the prize "was completely irrelevant for me. Everybody understood that if the proof is correct then no other recognition is needed."[2]
On August 22, 2006, Perelman was publicly offered the medal at the International Congress of Mathematicians in Madrid, "for his contributions to geometry and his revolutionary insights into the analytical and geometric structure of the Ricci flow".[11] He did not attend the ceremony, and declined to accept the medal.[12][13]
He had previously turned down a prestigious prize from the European Mathematical Society,[13] allegedly saying that he felt the prize committee was unqualified to assess his work, even positively.[10]
Perelman may also be due to receive a share of a Millennium Prize (possibly together with Hamilton). While he has not pursued formal publication in a peer-reviewed mathematics journal of his proof, as the rules for this prize require, many mathematicians feel that the scrutiny to which his eprints outlining his alleged proof have been subjected exceeds the "proof-checking" implicit in a normal peer review. The Clay Mathematics Institute has explicitly stated that the governing board which awards the prizes may change the formal requirements, in which case Perelman would become eligible to receive a share of the prize. [citation needed] Perelman has stated that "I’m not going to decide whether to accept the prize until it is offered."[2]

Withdrawal from mathematics
As of the spring of 2003 Perelman no longer works in the Steklov Institute.[3] His friends are said to have stated that he currently finds mathematics a painful topic to discuss; some even say that he has abandoned mathematics entirely.[14] According to a recent interview, Perelman is currently jobless, living with his mother in St Petersburg.[3]
Although Perelman says in the New Yorker article that he is disappointed with the ethical standards of the field of mathematics, the article implies that Perelman refers particularly to Yau's efforts to downplay his role in the proof and play up the work of Cao and Zhu. Perelman has said that "I can’t say I’m outraged. Other people do worse. Of course, there are many mathematicians who are more or less honest. But almost all of them are conformists. They are more or less honest, but they tolerate those who are not honest."[2] He has also said that "It is not people who break ethical standards who are regarded as aliens. It is people like me who are isolated."[2]
This, combined with the possibility of being awarded a Fields medal, led him to quit professional mathematics. He has said that "As long as I was not conspicuous, I had a choice. Either to make some ugly thing" (a fuss about the mathematics community's lack of integrity) "or, if I didn’t do this kind of thing, to be treated as a pet. Now, when I become a very conspicuous person, I cannot stay a pet and say nothing. That is why I had to quit.”[2]

Bom, é interessante notar que Poincaré também era um "excêntrico".

Da Wikipédia:

Character: Poincaré's work habits have been compared to a bee flying from flower to flower. Poincaré was interested in the way his mind worked; he studied his habits and gave a talk about his observations in 1908 at the Institute of General Psychology in Paris. He linked his way of thinking to how he made several discoveries.
The mathematician Darboux claimed he was un intuitif (intuitive), arguing that this is demonstrated by the fact that he worked so often by visual representation. He did not care about being rigorous and disliked logic. He believed that logic was not a way to invent but a way to structure ideas and that logic limits ideas.

Toulouse' characterization
Poincaré's mental organization was not only interesting to Poincaré himself but also to Toulouse, a psychologist of the Psychology Laboratory of the School of Higher Studies in Paris. Toulouse wrote a book entitled Henri Poincaré (1910). In it, he discussed Poincaré's regular schedule:
He worked during the same times each day in short periods of time. He undertook mathematical research for four hours a day, between 10 a.m. and noon then again from 5 p.m. to 7 p.m.. He would read articles in journals later in the evening.
He had an exceptional memory and could recall the page and line of any item in a text he had read. He was also able to remember verbatim things heard by ear. He retained these abilities all his life.
His normal work habit was to solve a problem completely in his head, then commit the completed problem to paper.
He was ambidextrous and nearsighted.
His ability to visualise what he heard proved particularly useful when he attended lectures since his eyesight was so poor that he could not see properly what his lecturers were writing on the blackboard.
However, these abilities were somewhat balanced by his shortcomings:
He was physically clumsy and artistically inept.
He was always in a rush and disliked going back for changes or corrections.
He never spent a long time on a problem since he believed that the subconscious would continue working on the problem while he consciously worked on another problem.
In addition, Toulouse stated that most mathematicians worked from principles already established while Poincaré was the type that started from basic principle each time. (O'Connor et al., 2002)
His method of thinking is well summarized as:
Habitué à négliger les détails et à ne regarder que les cimes, il passait de l'une à l'autre avec une promptitude surprenante et les faits qu'il découvrait se groupant d'eux-mêmes autour de leur centre étaient instantanément et automatiquement classés dans sa mémoire. (He neglected details and jumped from idea to idea, the facts gathered from each idea would then come together and solve the problem.) (Belliver, 1956)

Miguel Nicolelis e Mayana Zatz começam a blogar


Os mundialmente conhecidos cientistas brasileiros Miguel Nicolelis, da Universidade de Duke e Mayana Zatz, atual pró-reitora de pesquisa da USP, lançaram recentemente seus blogs no portal de notícias da Globo. Isso é uma ótima notícia para nós blogueiros científicos!

Isto porque ambos cientistas são pessoas extremamente ocupadas mas duvido que alguém vá criticá-los por estarem desperdiçando seu tempo. Que tenham iniciado seus blogs poderia ser explicado pelas seguintes razões:

  • Blogs já podem ser considerados ferramentas consagradas de divulgação científica, especialmente se hospedado por um portal de notícias (o portal da Globo contém mais meia dúzia de outros blogs científicos que comentarei no futuro);

  • Manter um blog de ciências é uma atividade de extensão universitária que complenta o ensino e a pesquisa: o pesquisador divulga a sua área mas também presta contas ao público refletindo sobre as implicações do seu trabalho e de seus colegas;

  • Ok, ok, eles postam apenas a cada semana ou quinze dias;

  • Outras razões que vocês podem colocar nos comentários.

Blog do Nicolelis: Neuroblog.

Blog da Mayana: Transcrições.

    quarta-feira, dezembro 20, 2006

    Artemis Fowl - Uma sugestão de livros para as férias

    Você tem filhos na pré-adolescência e não sabe o que conversar com eles? Bom, a culpa é de quem? Sei, sei, você não tem tempo para compartilhar o universo deles, existe o tal gap geracional etc. Ok. Bom, dou aqui uma sugestão que funcionou comigo: dividir com eles, durante as férias, a experiência de leitura de livros de fantasia, os tais livros de múltiplos níveis de interpretação.

    Então eu recomendo, para começar, a série do Artemis Fowl, que acho muito mais criativa que a do Harry Potter (ok, eu não li Harry Potter, só vi os filmes com as crianças e talvez esteja sendo injusto). Qualidades da série? Uma mistura de ação e mitologia irlandesa (onde as fadas usam armas e computadores de alta tecnologia!). Artemis é um menino de 12 anos, gênio do crime e anti-herói. A fada policial Holly Short é inteligente e sexy. O livro foi proibido e excluido das bibliotecas em várias escolas americanas. Mariana, que se orgulhava de detestar ler (para contrariar o pai), agora trocou a novela e o Orkut pelo segundo livro da série. Quer mais?

    Bom, se você precisa do aval intelectual de autoridades literárias para ler esse tipo de "subliteratura", então forneço extratos de um texto encontrado aqui.

    Tales of talking animals and fantastical adventure aren't just for children, argues Ursula Le Guin - we can and should return to them throughout our lives

    (...)

    The modernists extended this misconception by declaring fantastic narrative to be intrinsically childish. Though modernism is behind us and postmodernism may be joining it, still many critics and reviewers approach fantasy determined to keep Caliban permanently confined in the cage of Kiddie Lit. The voice of Edmund Wilson reviewing J R R Tolkien is still heard, bleating: "Oo, those awful Orcs!" There should be a word - "maturismo", like "machismo"? - for the anxious savagery of the intellectual who thinks his adulthood has been impugned.

    To conflate fantasy with immaturity is a rather sizeable error. Rational yet non-intellectual, moral yet inexplicit, symbolic not allegorical, fantasy is not primitive but primary. Many of its great texts are poetry, and its prose often approaches poetry in density of implication and imagery. The fantastic, the marvellous, the impossible rode the mainstream of literature from the epics and romances of the Middle Ages through Ariosto and Tasso and their imitators, to Rabelais and Spenser and beyond. This is not to say that everybody approved of it. Conflict with religion and with realism always loomed. In the first great European novel, imagination and realism meet head-on, and their contest is the very stuff and argument of the book. Don Quixote is driven mad by chivalric fantasies - but what is he without his madness?

    Shakespeare may have influenced English literature towards fantasy in a rather particular way. Spenser has Continental counterparts, but A Midsummer Night's Dream and The Tempest do not. Nowhere else in Europe did folk tale, legend, medieval romance, travellers' tales and individual genius coalesce in such works of imagination as those plays. That may be one reason why the literature I am talking about is very largely an English-language phenomenon.

    It begins with, say, George MacDonald's At the Back of the North Wind and runs on through Alice in Wonderland and Through the Looking Glass, The Wind in the Willows, the Just So Stories and The Jungle Book, the Pooh books, Dr Dolittle, The Hobbit, The Once and Future King, Charlotte's Web, to my first three Earthsea books and all the serious imaginative fiction that continues to be published "for children" but is often read by adults. Does any other kind of fiction cross age-lines this way?

    Realism does not. Realism comes in three separate age categories, fully recognised by publishers. Didactic, explanatory, practical and reassuring, realistic fiction for young children hasn't much to offer people who've already learned about dump trucks, vaccinations and why Heather has two mommies. Realistic "Young Adult" novels tend to focus tightly on situations and problems of little interest to anyone outside that age group. And realistic fiction for adults, with its social and historical complexities and moral and aesthetic ambiguities, becomes accessible to adolescents only as and if they mature.

    (...)

    Not all fantasy, of course. Few eight-year-olds get much out of Borges, Calvino or García Márquez. As the grip of realism weakened, the fantastic element began returning into adult fiction by various routes, magical realism being one of them. Borges and Calvino followed an older tradition, that of Voltaire and Kafka, the satiric or philosophic tale, or conte. Yet that form, when it uses fantasy, may become accessible to children, even if not intended for them. Animal Farm is read by kids of nine or ten, as is Gulliver's Travels.

    Saint-Exupéry's The Little Prince is a lovely example of the conte deliberately written (and illustrated) for both the child and the adult, enigmatic yet entertaining to the child, ambiguously transparent to the adult, fully satisfying to both. Such "duplicity" certainly helps explain the durability of the books I am talking about. Lewis Carroll wrote to and for the child, with no winks and sniggers over her shoulder at the grown-ups. He clearly took pleasure in making the story equally absorbing for Charles Dodgson, the professor of mathematics, and for any adult who was ready to appreciate his jokes, tricks, politics and chess moves, his half-hidden intellectual game-playing.

    (...)

    The Harry Potter phenomenon, a fantasy aimed at sub-teenagers becoming a great best-seller among adults, confirmed that fantasy builds a two-way bridge across the generation gaps. Adults trying to explain their enthusiasm told me: "I haven't read anything like that since I was ten!" And I think this was simply true. Discouraged by critical prejudice, rigid segregation of books by age and genre, and unconscious maturismo, many people literally hadn't read any imaginative literature since childhood. Rapid, immense success made this book respectable, indeed obligatory, reading. So they read it, and rediscovered the pleasure of reading fantasy - which may be inferior only to the pleasure of rereading it.

    Ursula Le Guin is the author of many fantasy novels and short stories, including "The Earthsea Quartet" (Puffin) [e dos premiados A Mão Esquerda da Escuridão e Os despossuídos]

    terça-feira, dezembro 19, 2006

    Dawkins no blog da Nature


    Legenda: Snapshot of faith. People in the UK are less likely to believe in God than those in any other country, according to a BBC-commissioned global survey of religion. The survey was conducted in January 2004 by independent research company ICM for the BBC's What the World Thinks of God programme.

    Gráfico retirado deste site da BBC.

    Não sei porque mas não estou tendo acesso a este post do blog da Nature aqui na USP. Se alguém tiver acesso, me mande um pdf.
    Delusions of faith as a science
    Dawkins's attempt to test the existence of God is as silly as using logic to tear down Santa Claus in the eyes of a child, says Henry Gee.

    In his book Unweaving The Rainbow, Richard Dawkins boasts (boasts!) that he told a six-year-old that Father Christmas doesn't exist. His logic was purely scientific - there wouldn't be time for Santa to reach the homes of all the good children in the world in one night.

    Achei os comentários nesse post meio cansativos (a conversa de surdos de sempre, além de alguns cranks que apareceram para divulgar suas idéias). Mas este comentário valeu:

    To all sides: When my daughter was a toddler and asked me "does God exist?", I answered that it is purely a matter of faith. She went on "can you prove one or the othyer?" I explained that any proof is based on premisses which themselves require proof, which require premisses, and so on. In the end, there is always a beginning which is adopted without proof. They may be declared evident "by thmselves" (axioma). Therefore, the proof of any "truth" depends on those axioma which you choose (or are inspired) to believe. For a discussion to be valid, there must first be an agreement on those axioma (premisses). The "truth" that will be "proven" is implicit in those premisses. Because the premisses of science and of theism are inconsistent with each other, each will prove a different truth. A discussion under such conditions cannot be conclusive: the 2 (or more) sides are not discussing with each other, but at each other, sometimes killing the other. Each side has its own faith: the theist has faith in (a) God, and the scientist has faith in science: philosophically, there is no difference.

    A real incident may illustrate the point. A young school drop out and drug user (and seller) found God. Ben was saying: "God chose me and loves me over all others, and inspires me so that I know things without the effort of study." He worked as a technician in a lab. He asked what results I expected from an experiment he was carrying out. I told him, but he disagreed, predicted a different outcome and that the resuts will prove him right, as he is inspired by God "because God loves me over everyone else." The results agreed with my prediction. Ben became very depressed. I asked if I could help (I thought explaining the experiment complexity of electrochemical/viscous flow dynamics). He said: "No, there is nothing you can do: God loves you more than he loves me"
    Posted by: Jacques Leibovitz November 13, 2006 11:04 PM



    Jaques Leibovitz parece ser um físico-químico aposentado que deu um seminário sobre matéria escura no 2006 APS April Meeting.


    Gostaria de comentar a frase "Each side has its own faith: the theist has faith in (a) God, and the scientist has faith in science: philosophically, there is no difference". Me parece que o que Leibovitz quiz dizer não é que não haja diferenças, mas sim que não existe diferença em termos filosóficos (ou seja, apenas considerando o nível lógico, não empírico). Exemplificando: Dawkins diz que a concepção que o que existe é "Universo + Deus" é menos parcimoniosa do que a concepção "Universo apenas" e que os cientistas deveriam adotar essa posição devido à navalha de Occan, mesmo antes de olhar qualquer questão empírica (tais como o já famoso fine tuning das constantes universais).

    Mas o problema é que a Navalha de Occan é uma tese filosófica não demonstrada, e só parcialmente validada, por exemplo, em Estatística. Sim, devemos diminuir a complexidade do modelo para evitar overfitting, mas hipersimplificação também é um problema. Exemplo (para os entendidos): Dado um conjunto finito de dados gerados por uma rede neural multicamadas - ou mesmo por um processo totalmente aleatório, eu posso fitar esse conjunto usando um modelo mais simples (perceptron de única camada com N entradas, capaz de implementar apenas classificações linearmente separáveis) e ficarei muito satisfeito até o limiar crítico alfa = 2N pois estarei, com meu modelo simples, explicando tudo o que é conhecido. Mas disso não decorre logicamente que o processo que eu esteja modelando seja linearmente separável. Muito provavelmente (no sentido a priori Bayesiano) o sistema a ser modelado não será tão simples assim, e isso só será revelado após ultrapassarmos o alfa crítico.

    Será que as crenças básicas, político ou religiosas, seriam equivalentes a probabilidades P(A) a priori da hipótese A? Bom, se isso for o caso, então sabemos por um teorema que a probabilidade a posteriori da hipótese A ser valida dado o conhecimento acumulado B, P(A/B) = P(B/A)P(A)/P(B), pode ser mudada por novos dados empíricos dentro do conjunto B de conhecimento acumulado desde que P(A) esteja entre zero e 1. Precisamos apenas evitar os casos extremos P(A) = 0 (Dawkins) e P(A) = 1 (fundamentalistas religiosos). Mas, se você quiser ter um a priori de 0.01 ou 0.99, tudo bem, no problem.

    Agora, isso nada tem a ver com a tese de Dawkins de que a religiosidade é um instinto geneticamente determinado, que era adaptativo no mundo pré-moderno mas não adaptativo no mundo moderno (na verdade, essa é uma tese de Jacques Monod exposta no livro Acaso e Necessidade). Pois precisamos lembrar que náo importa se um mem é verdadeiro ou falso, mas sim se ele se propaga com facilidade, tem poder de propagação, e se ele colabora para o aumento da prole fertil de seus hospedeiros.
    Exemplo: Eu acho que os mórmons e o pessoal do Bible Belt têm mais filhos que os liberais da costa leste, e que talvez isso explique a história política recente do USA. Outro exemplo: se a percentagem de ateus continuar a diminuir na população mundial como vem ocorrendo desde a década de 60, enquanto que a percentagem de religiosos aumentar, então o meme anti-religioso pode ser eventualmente "verdadeiro" de um ponto de vista cognitivo, mas patológico ou pelo menos não adaptativo do ponto de vista biológico-social para aqueles que o adotam.

    Quanto a estatísticas de crescimento populacional, parece que cristãos estão com população estável, budistas e religiões étnicas estão em declínio e islâmicos estão em crescimento, ver isso no interessante artigo sobre a Física Estatística das religiões:

    Physics, abstractphysics/0612032
    From: Filippo Petroni [view email]
    Date: Mon, 4 Dec 2006 16:56:25 GMT (35kb)

    Statistical Dynamics of Religions and Adherents
    Authors: Marcel Ausloos, Filippo PetroniComments: submitted to EPL
    Subj-class: Physics and Society; Adaptation and Self-Organizing Systems
    Religiosity is one of the most important sociological aspects of populations. All religions may evolve in their beliefs and adapt to the society developments. A religion is a social variable, like a language or wealth, to be studied like any other organizational parameter. Several questions can be raised, as considered in this study: e.g. (i) from a ``macroscopic'' point of view : How many religions exist at a given time? (ii) from a ``microscopic'' view point: How many adherents belong to one religion? Does the number of adherents increase or not, and how? No need to say that if quantitative answers and mathematical laws are found, agent based models can be imagined to describe such non-equilibrium processes. It is found that empirical laws can be deduced and related to preferential attachment processes, like on evolving network; we propose two different algorithmic models reproducing as well the data. Moreover, a population growth-death equation is shown to be a plausible modeling of evolution dynamics in a continuous time framework. Differences with language dynamic competition is emphasized.
    Full-text: PostScript, PDF, or Other formats

    Ainda do Blog da Nature:

    Two Jews are having a passionate discussion about the existence of God. In mid-sentence, one looks at his watch and says "irrespective of the existence of God, it's time for prayers". There is another story, which may or may not be apocryphal, of Jews in a concentration camp who put God on trial, find him guilty -- and then break for prayers.



    Legenda: Praying. In Nigeria, 95% of respondents said they prayed regularly. A quarter of those polled in the UK, and 29% in Israel said they never prayed. Nearly 30% of atheists questioned admitted that they prayed sometimes.

    domingo, dezembro 17, 2006

    Roda de Ciência

    Ok, ok, voltando e pedindo mil desculpas pelos links quebrados. Vou colocando aqui minhas colaborações para a Roda de Ciência. Depois escrevo um texto meu, por enquanto vai aqui uma notícia da USP online para quem não viu:


    Paulo Gama / USP
    Online

    Até pouco tempo atrás, quando um pesquisador decidia expor suas idéias em algum meio diferente das tradicionais publicações científicas, esbarrava em limitações técnicas, como por exemplo a dificuldade para construir um site pessoal ou criar um grupo de discussão.

    Blog no qual a professora Elizabeth Saad Correa, da ECA, é colaboradora Recentemente, com a popularização dos blogs, esses pesquisadores viram aberta uma nova porta, que impulsionou um tipo diferente de debate. Nessas páginas virtuais, surge uma discussão um pouco menos acadêmica e mais ligada a temas cotidianos, que consegue atingir um público diferente, menos ligado às universidades, mas maior em quantidade. “Com um blog você tem a coisa na mão. A ferramenta é pronta, é só chegar e escrever! Essa questão técnica foi um ponto a favor dessa popularização, que foi muito legal e deu um grande avanço na área”, explica a professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA), Elizabeth Saad Correa.

    A professora ressalta que os blogs não têm a função de fomentar, especificamente, discussões acadêmicas profundas, mas se tornam essenciais na difusão do conhecimento gerado por pesquisas. “O blog serve pra você difundir as idéias que foram trabalhadas por um tempo maior e por um grupo menor. A discussão em profundidade não se dá no blog. Ela se dá, em geral, em listas fechadas de discussão, nas quais você conhece quem participa”, afirma.

    Isso faz com que os assuntos tratados precisem se aproximar mais do cotidiano do usuário, possibilitando uma integração maior do mundo acadêmico com o público geral. “Você só consegue essa interação, essa troca de opiniões mais coletivas, se for um assunto de interesse desse freqüentador”, explica.

    Outro fator importante é o tipo de linguagem usada pelo pesquisador: “Um blog com palavras mais técnicas vai ter poucos freqüentadores. Mas à medida que o site vai simplificando a linguagem, ele vai ampliando a possibilidade de usuários e comentadores. Quanto mais próxima a linguagem do público, mais o blog agrega”. Essa linguagem, afirma a professora, acaba tornando o próprio blog mais atraente: “Ele deixa de ser técnico e passa a conversar num nível de entendimento mais amplo.


    Para continuar a ler, clique aqui.

    segunda-feira, junho 19, 2006

    Infinito

    Coincidência de novo. Eu estava aqui procurando uma figura para fazer este post sobre o volume especial "As diferentes faces do infinito" quando recebi um e-mail da Ana Cláudia Ferrari me dizendo que, sim, eu havia ganho duas assinaturas de graça, da SciAm e da Viver Mente e Cérebro. Tão vendo? Quem disse que não ganho nada com este blog?

    É claro que isso não vai afetar minha atitude quanto à revista, pois a compro desde o primeiro número. Afinal basta eles manterem a qualidade e ocuparem o nicho da SUPERINTERESSANTE (pois esta está querendo substituir a PLANETA, que por sua vez trocou o esoterismo pela ecologia) já está ótimo! Todo apoio a você, SciAm!

    A Ana me perguntou se é verdade que meus alunos realmente lêem as revistas. Bom, alunos de Estatística I, respondam prá ela ai nos comentários. Em todo caso, conto aqui duas maneiras de usar a SciAm nas salas de aula que já testei.

    Bom, primeiro eu sou responsável por uma disciplina optativa do Departamento de Química aqui na FFCLRP chamada Tópicos de Ciência Contemporânea, cuja ementa está meio ambiciosa, concordo:

    Objetivos:
    Introduzir e incentivar o estudante a ter contato com a literatura científica e de divulgação científica, traçando um panorama da ciência contemporânea que permita uma visão contextualizada e crítica de diferentes áreas do conhecimento tais como a Cosmologia, a Física, a Química e a Biologia.
    Docente(s) Responsável(eis): Dráulio Barros de Araújo, Gláucia Maria da Silva e Osame Kinouchi Filho.
    Programa
    1. Introdução à Cosmologia: estrutura e história do Universo.
    2. Nascimento, vida e morte das estrelas e a origem dos elementos químicos.
    3. Propriedades emergentes e níveis de descrição científica.
    4. Evolução biológica.
    5. Cérebro e Mente: tópicos de neurociências.
    6. Relações contemporâneas entre Ciências Naturais e Humanas, Cultura e Tecnologia.
    Método: Aulas expositivas, debates sobre leituras programadas e material áudio-visual
    Critério de avaliação
    Média final: Média aritmética dos trabalhos realizados e do seminário apresentado.
    Norma de Recuperação: Apresentação de trabalho complementar pelos alunos regimentalmente habilitados, segundo prazos fixados pelo Calendário Escolar.
    Bibliografia:
    CHALMERS, Alan F. - O que é ciência afinal? 2. ed. Ed. Brasiliense (São Paulo, 1993).FEYNMAN, Richard P. - Física em seis lições. Ediouro (Rio de Janeiro, 1999).HAWKING, Stephen - O universo numa casca de noz. ARX (São Paulo, 2003).HERCULANO-HOUZEL, Suzana - O cérebro nosso de cada dia. Vieira & Lent (São Paulo, 2003).JONHSON, Stephen - Emergência: A dinâmica de redes em formigas, cérebros, cidades e softwares. Jorge Zahar Editor (Rio de Janeiro, 2003). MARGULIS, Lynn - O Planeta Simbiótico: uma nova perspectiva da evolução (Coleção Ciência Atual), Rocco (Rio de Janeiro, 2001). RIDLEY, Matt - As origens da virtude. Record (São Paulo, 2000). Artigos selecionados das revistas Nature, Science, Scientific American Brasil, Viver Mente & Cérebro, Pesquisa Fapesp, Química Nova.

    Dei apenas uma vez esse curso (tentarei dá-lo de novo nos próximos semestres) mas foi muito interessante. Notei que os estudantes não conheciam a SciAm mas depois que tinham contato pela primeira vez, ficavam apaixonados. O uso de livros de divulgação científica também é importante. Lembro-me de um aluno, já na faixa dos 35, dizendo que era professor secundário mas nunca tinha lido um livro de divulgação, mas que a partir das leituras do curso ficou fascinado e nunca mais pararia de lê-los e recomendá-los aos seus alunos.

    A segunda maneira que estou testando este ano é premiar trabalhos de classe, exercícios desafio etc, com exemplares da SciAm e Viver Mente e Cérebro, em vez de ficar dando ponto extra. Não gastei muito, na verdade a Mente e Cérebro, por engano, me enviou três exemplares do especial Sonhos (que tem o meu artigo sobre sonhos em redes neurais!) e três exemplares do especial Inteligência a mais, e não os cobrou de volta. Fiz isso com os alunos de Psicologia e parece que está funcionando. Ok, ok, eles dizem que eu os estou tratando como ratinhos Skinerianos, mas o reforço positivo funciona, mesmo assim.

    Minha conclusão é que a principal barreira para a divulgação científica é o primeiro contato, a perda de virgindade poderíamos dizer. Depois, os próprios estudantes criam um hábito e passam a ler. Descobrem que, além das baladas (que afinal são mais caras que livros e revistas), a ciência também pode ser fonte de prazer.

    Comments:


    Thyago F. Mangueira said...
    Tava passeando por aqui (afinal... férias enfim...) e achei esse comentário sobre a única edição especial que comprei. Muito interessante essas suas conclusões sobre os alunos... faz tempo que tenho a mesma opinião...Enfim sobre a edição nº 15 / Infinito, sempre achei que quantidades infinitesimais, o infinito, a divisão por zero e tudo mais retratam um grande furo na matemática coisa que essa edição meio que diz sem dizer.De resto só fiquei meio triste ao vê-los chamarem o físico Harold Puthoff de pseudocientista ou místico fervoroso apenas por pesquisar algo que eles acharam desconsiderável. Bem até onde eu sei foi assim que muitas boas idéias surgiram.Enfim... acho que este post jah tah quase um book. De qualquer forma ele vai servir pra ver se o prof. Osame responde realmente a todos que postam aqui... heheheheParabéns pelo Blogg... realmente muito bom... Parabéns pela atitude com alunos, mas cuidado, tijolos iguais em uma parede eh ruim mas a condição de ratos de laboratório também não eh boa...se bem q serve pra eles verem o outro lado...hehe... t+ ;)
    18 Julho, 2006 23:18