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terça-feira, agosto 11, 2009

Mulheres otimistas e mulheres céticas


Assim como o futebol, o otimismo é uma espécie de fé religiosa, ou seja, confiança não científica e mesmo não empírica na sua sorte ou capacidade (ou nas do seu time). Existe uma experiência clássica onde pessoas normais e deprimidas se submetem a um teste de conhecimentos gerais. Pede-se em seguida para que elas avaliem o quanto foram bem. Os deprimidos acertam a sua pontuação (são realistas). Os "normais" superestimam seu desempenho consistentemente.

É conhecido que a população humana (especialmente a brasileira, em contraste com a portuguesa) possui tendências genéticas que favorecem o otimismo, e a explicação é evolucionariamente simples: otimistas têm mais filhos e portanto seu fitness biológico é maior.

Então fica um mistério para a biologia evolutiva (similar às tendências genéticas para o homossexualismo). Como explicar que ainda exista uma porcentagem considerável de realistas, pessimistas e deprimidos no mundo? Como se mantém essas tendências genéticas? Dizer que o mundo é deprimente não é resposta: o mundo é deprimente para vacas, porcos e galhinhas, mas eles nem estão aí...

Mulheres otimistas correm menos riscos de ter doenças cardíacas e vivem mais, de acordo com um estudo feito nos Estados Unidos.

Uma pesquisa anterior, feita por especialistas holandeses, já havia concluído que o otimismo reduz o risco de problemas cardíacos em homens.

Quase cem mil mulheres participaram do novo estudo, publicado na revista científica "Circulation". A investigação concluiu que as pessimistas tendem a apresentar pressão mais alta e índices mais altos de colesterol.

Mesmo quando esses fatores foram levados em consideração - ou seja, comparando-se grupos de mulheres com pressão alta e altos índices de colesterol -, a diferença de atitude alterou significativamente os riscos entre otimistas e não otimistas.

Mulheres otimistas tiveram 9% menos chances de desenvolver problemas cardíacos e 14% menos chances de morrer por qualquer causa após oito anos de acompanhamento.

Em comparação, mulheres cínicas, que cultivam sentimentos hostis ou não confiam nos outros apresentaram 16% mais probabilidade de morrer dentro do mesmo período.

Uma possível explicação, segundo os pesquisadores, é que as otimistas talvez sejam mais capazes de enfrentar adversidades e de cuidar de si próprias quando ficam doentes.

Eu gostaria de fazer uma pesquisa estatística sobre a proporção de mulheres no movimento cético, pois me parece estranhamente pequena. Será que o movimento cético poderia ser explicado por um excesso de testoterona? Ops, esqueci, Roberto Takata disse que não existe movimento cético no Brasil. Bom, abaixo dou uma força:

Oi Osame,

O email abaixo me foi enviado por um dos meus alunos de mestrado (fez graduacao em matematica em Edinburgo, Escocia). Dado o inusitado do fato neste ambiente intelectual em que vivemos, que tal darmos uma forca para ele e organizarmos um workshop sobre a abordagem racional da existencia, nos seus diverss aspectos: sociedade, ecologia, etc.
Um abraco,
Roque


Antonio Roque
Departamento de Fisica e Matematica
FFCLRP, Universidade de Sao Paulo
14040-901 Ribeirao Preto, SP
Brasil

---------- Original Message ----------------------------------
From: Andre Luzardo
Date: Wed, 05 Aug 2009 16:55:56 -0300

Ola Professor,

Eu venho tentando organizar um grupo ou sociedade de humanistas, racionalistas, ateus e agnosticos na USP, mas ateh agora tenho tido pouco sucesso. Como o senhor eh o presidente da comissao de cultura e extensao, pensei em lhe consultar pra saber se haveria possibilidade de promover algum evento, uma palestra de repente, ou mesmo apenas um espaco pra divulgacao do grupo. O website da lista de discussao eh
http://br.groups.yahoo.com/group/racionalistasusp/, que por enquanto conta com o impressionante numero de TRES associados!

Qualquer ideia ou sugestao eh bem vinda.

Abraco,

Andre


2 comentários:

none disse...

Bom explicar - para algum desavisado que não souber o contexto - eu disse que não existe movimento cético no Brasil porque não existe um comando central nem (=NOR) algum tipo de "carta manifesto", há vários grupos mais ou menos independentes e até um tanto isolados. Uma parte se fala pela internet e há uma sobreposição de membros, mas muitos céticos não se bicam - parte dos novos grupos são um tipo de cisão de grupos anteriores (em geral por discordâncias pontuais, rixas pessoais e coisas assim). São dados a idiossincrasias e particulares várias.

Os pontos em comum da maior parte são: algum grau de cientificismo (defesa do conhecimento científico - em geral como o único que vale), laicismo (não poucos até antirreligiosos) e racionalismo (não o filosófico, mas a defesa da racionalidade).

[]s,

Roberto Takata

Osame disse...

Isso me lembra as igrejinhas do PT...