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quinta-feira, maio 21, 2009

Tecnologia Social


Copiado descaradamente do blog Ciência Brasil

A tecnologia social e os gols da ciência

Oi pessoal,
Mais um post relacionado com o grande avanço do Brasil em publicação de paper, alardeada pela Capes da forma mais desonesta possivel. Agora já sabemos que o que aumentou foi a base da dados e não a quantidade de papers.
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Lógico que o MEC e a CAPES não irão se desculpar pela desinformação, pois este é o comportamento típico da PTzada (já entrou no imaginário popular que o Brasil está em 13o lugar do rank mundial graças à Capes...). Marcelo Hermes-Lima.
PS: Lendo o posto completo aqui, encontrei que MHL é dois anos mais novo do que eu! Nossa, como estou ficando velho...

O Campeonato Mundial da Ciência
RENATO DAGNINO
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O NÚMERO de artigos de brasileiros que aparecem nas 10 mil melhores revistas que constituem a base considerada para o campeonato cresceu 56% no último ano. O país agora ocupa a 13ª colocação no ranking.
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Sem querer estragar prazeres dos que festejam a notícia, vale recomendar moderação: o número de revistas brasileiras que integram a base passou de 63, em 2007, para 103, em 2008 (conforme o artigo "Inusitado aumento da produção científica", de Rogerio Meneghini, publicado em 12/05/2009 [clique aqui]).
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Os mais otimistas dizem que, com 30 mil artigos (2,12% do total mundial), estamos próximos da Coreia, um posto acima, com 35 mil. Um país que, por usar sua ciência para fazer tecnologia e desenvolver a economia, estaria nos mostrando o caminho que vai dos artigos ao bem-estar social.
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Mas há setores da comunidade de pesquisa que questionam o significado disso que é visto como o Campeonato Mundial da Ciência, no qual os artigos publicados nas revistas em que se joga o jogo são os gols marcados pelos cientistas-jogadores. Quase todas essas revistas, aliás, em países desenvolvidos. Os questionamentos podem ser entendidos como associados a outros quatro campeonatos.
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O primeiro, interno ao "campo" da ciência, sugere que o Campeonato da Ciência Publicada é a "segunda divisão". A primeira seria oCampeonato da Ciência Citada. Nele, o gol não é o número de artigos publicados, mas o número de vezes que ele é citado. Dizem os críticos [neste caso, o MHL seria um deles]: os artigos de brasileiros são citados bem abaixo da média mundial, e estimativas mostram que a superioridade coreana nesse campeonato é de quase 3 para 1.
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O segundo questionamento avança para o Campeonato da Tecnologia. Os gols, aqui, são as patentes depositadas nos EUA. Os artilheiros, diferentemente do que ocorre lá, não são as empresas, mas as universidades. Apesar do seu paradoxal esforço, a superioridade coreana é de 30 para 1.
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O terceiro envolve o Campeonato da Produção, entendido pela comunidade de pesquisa como o penúltimo elo da cadeia linear de inovação que ela usa como modelo para elaborar a política de ciência e tecnologia. Nele, o gol é a participação dos produtos "high-tech" nas exportações do país. Aqui, a superioridade do país tomado como modelo (Coreia) é de 3 para 1.
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Como no Campeonato da Tecnologia, os críticos estão mais interessados no jogo que ocorre no "campo" da empresa, da produção. Eles têm mostrado aos que elaboram a política de C&T, e que só jogam no "campo" da ciência, que seus campeonatos são de outros esportes. E que o sucesso no Campeonato da Ciência Publicada pode ser bom para quem dele participa, mas não para o que eles alegam ser os "interesses do país".
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O quarto questionamento tem a ver com o Campeonato da Tecnologia Social. Nele, o "campo" não é o da empresa, mas o dos movimentos sociais. Aqui, fazer gol é aplicar diretamente nosso potencial de C&T para o desenvolvimento social sem esperar que ele ocorra por meio das empresas. É lutar para sair da "lanterna" nesse torneio.
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Os críticos sabem que isso exige muita criatividade, originalidade e conhecimento. Não há receita de como desenvolver, com os empreendimentos solidários, soluções adequadas do ponto de vista social, técnico e ambiental. Isso que é imprescindível na nossa situação e nunca foi feito antes.
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Nesse caso, o poder dos críticos é muito menor. Mas eles estão conseguindo mostrar a seus pares que querem um país mais justo e sustentável que seu campeonato é o mais importante. E que centenas de trabalhos científicos já mostraram que vencê-lo não é consequência linear de bons resultados nos campeonatos anteriores.
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O fato de não sabermos produzir conhecimento científico e tecnológico compatível com valores morais (e ambientais) e interesses econômicos alternativos nem conceber mecanismos institucionais para fomentá-lo exige uma reorientação da política de C&T. É injustificável que nosso plano de C&T aloque menos de 2% de seus recursos para o seu quarto eixo, "C&T para o Desenvolvimento Social".
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Depende da capacidade de mobilização e convencimento desses jogadores-críticos que estão entrando em campo para transformar o Campeonato da Ciência Publicada no Campeonato da Tecnologia Social, nossa chance de construir um país melhor.
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RENATO DAGNINO , 59, mestre em economia do desenvolvimento e doutor em ciências humanas, é professor titular de política científica e tecnológica da Unicamp.
Os meus comentários (Osame Kinouchi):
1. Para a comparação Brasil e Coréia, talvez seja melhor usar o índice h de países (eu e o Roque o definimos assim: você pega a produção total no ano t do pais (basta usar a tag de endereço na Web of Science) e faz um gráfico h(t), ou seja, determina na lista de N papers publicados, os primeiros h papers que tem pelo  menos h citações. Eu tenho esses gráficos em algum lugar, publicarei aqui. Obviamente a mudança no banco de dados deste ano não será refletida neste gráfico de longo prazo.
2. O fato de que o Brasil mudou para 13 lugar devido principalmente a um aumento do banco de dados (inclusao de mais revistas brasileiras) não é uma falácia em si. A questão é: a) a inclusão dessas novas revistas é injusta ou foi feita para corrigir uma injustiça (o proverbial descaso do ISI com a ciência dos países não desenvolvidos). Acho que MHL precisaria provar que a inclusão dessas revistas foi injusta, porque se ela foi justa, então no ano que vem, e depois, e depois, continuaremos em 13 ou até passaremos a Coréia. Acho que o erro da Capes não foi proposital nem político, me parece mais uma certa incompetência com conceitos de estatística...
3. O jogo da ciência não se confunde com o da tecnologia capitalista nem com o da tecnologia social. Acho que as pessoas precisam entender melhor isso, porque se criou um mito de que o imbricamento entre ciência e tecnologia é definidor do que é ciência (ou do que é ciência útil(itária)), e isso é meio ridículo: seria o mesmo que dizer que o objetivo do futebol é vender tenis da Nike ou fazer escolinha de futebol na favela. Sim, de ambos os pontos de vista são ótimas iniciativas, mas não é isso o que "define" o futebol, minha gente, será que é dificil entender isso? 
4. Também poderíamos concluir que precisamos de mais cinema blockbuster para dar lucro para o Brasil (vejam o caso da India!) ou que precisamos de mais cinema político para apoiar os movimentos sociais (essa fase do cinema político chatinho me parece que passou. E a estética da pobreza parece apenas uma estética oportunista pra europeu bonzinho se comover... O cinema político-social "de qualidade" permanecerá, mas o resto irá para o lixo da história, não importa suas boas intenções.
5. Finalmente, dado que é impensável realizar hoje a sétima arte (cinema) sem tecnologia de ponta, poderíamos inverter a relação e dizer que o imbricamento cinema-tecnologia é o que define o cinema, uma afirmativa bastante estranha, não? E assim teríamos C&T (cinema e tecnologia), C&TS (cinema e tecnologia social), C&C (Cinema e Copyright, que seria o equivalente a patentes no caso da tecnologia). Sim, patentes e direitos autorais são bons para o Brasil, mas são eles que definem o que é Ciência e Cinema?
6. É hora de acabar com o mito da C&T: não, Leo, física de particulas atuais não permitirá nenhuma tecnologia nova, astrofísica de galaxias e buracos negros também não, arqueologia e paleontologia também não. Cinema custa caro, a maior parte dos filmes fracassa comercialmente, mas os poucos que fazem sucesso pagam o resto. Ciência custa caro, a maior parte das pesquisas não têm aplicação comercial, mas as poucas que têm pagam todo o resto (inúmeras vezes). Você deve ir para o cinema para se divertir com sua namorada e seus amigos, não para contribuir para o bem social do Brasil ou da industria cinematográfica brasileira...

Um comentário:

Marcelo Hermes-Lima disse...

Osame
Eu amei que temos mais revistas no WoS ! Só achei MUITO errada a forma como a Capes alardeou a noticia de "aumento de 56% da PRODUÇAO CIENTIFICA".

Isso é um papel de Pinóquio que a Capes está fazendo.