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domingo, maio 10, 2009

Oh dia, oh azar!



Meu antigo orentador Nestor Caticha me chamava de Lippy quando eu ficava pessimista sobre uma pesquisa ou sobre o estado do mundo. Para as novas gerações que nunca assistiram Lippy e Hardy, coloco o episódio acima.

Hoje acordei com dor de cabeça e depois de tentar pela enésima vez restabelecer minha conexão e internet em casa, desisti. Como eu estava atrasado para dar o parecer para o Journal of Physics A, e como vou viajar amanhã cedo para o Encontro Nacional de Física da Matéria Condensada em Lindóia, vim correndo para a USP, no domingo. Apenas para encontrar que o site do JPA está fora do ar para receber pareceres. O mouse do meu computador também está com problemas, de modo que é melhor eu voltar para casa.

O dinheiro do mês acabou hoje (que dia estamos?) e não parece provável que o programa de pós-graduação vá me reembolsar os gastos de gasolina e pedágio para ir para o Encontro. E chegou a invoice do artigo a ser publicado no PLoS Computational Biology, cobrando U$ 2200. É nessas horas que seria bom ter o grant de pesquisador nível I. Vejamos daqui a alguns anos...

Isso quanto ao dia das mães (nota: ligar para minha mãe ainda hoje). Quanto ao estado do mundo, Nelson Alves me mandou este report da Reuters:

CHICAGO (Reuters) - The Federal Reserve reduced the size of capital deficits facing several banks before releasing the results of "stress tests" on the financial institutions, according to a story in the Wall Street Journal on Saturday [a reportagem original encontrei aqui no site do WSJ].

The changes came after days of negotiations with the banks, the story said. The Federal Reserve used a different method than analysts and investors had expected to calculate the required capital levels.

U.S. regulators told top banks on Thursday to raise $74.6 billion to build a capital cushion officials hope will restore faith in financial firms and set a course out of the deepest recession in decades.

The results of the tests -- which involved more than 150 regulatory officials poring over the books of the 19 largest firms -- effectively drew a line between healthy and weak, and quantified exactly how much those institutions struggling under the weight of souring loans must raise.

At least half of the banks pushed back against the preliminary findings of the tests, the Wall Street Journal said, citing people with direct knowledge of the process.

Citigroup's capital shortfall was reduced to $5.5 billion from about $35 billion after bank executives persuaded the Fed to include future capital-boosting impacts of pending transactions, the story said.

Wells Fargo's shortfall was cut to $13.7 billion from $17.3 billion and Fifth Third's was reduced to $1.1 billion from $2.6 billion.

(Reporting by Mark Weinraub)
Engraçado o uso da palavra fé neste contexto (em vermelho). Há anos que eu discuto com meus companheiros que a palavra "fé" (tanto no contexto secular como religioso) tem mais a ver com "confiança" e não com "crença em afirmativas cognitivas". Pela fé Abrãao saiu de sua terra em busca de uma utopia ou "terra prometida", diz a Bíblia. Não era uma crença cognitiva, é mais a fé que um empreendedor precisa ter em seu novo negócio ou a fé de Che Guevara em uma nova sociedade.

E agora ficamos sabendo que o sistema financeiro sobe ou desce devido à fé (confiança) dos agentes econômicos... E que, para induzir essa fé, o FED está mentindo sobre o real estado do sistema bancário...

Um comentário:

Dedalus disse...

Caro Osame,

Acho que temos mais em comum do que eu poderia imaginar: também eu tive como professor o Nestor caticha, e também eu já fui ligado à hiena do desenho... E, para terminar, estaremos na mesma sessão de painéis do encontro de Lindóia.

Um abraço!