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sábado, maio 23, 2009

OMS: controle de gripe suína em país pobre é difícil


O ponto de vista da midia internacional sobre a gripe suína tem sido hemisfério-norte-centrico (isso existe?). Falar em taxa de mortalidade baixada gripe nos EUA ou Europa não leva em conta o que aconteceria nos países pobres, com população debilitada, atendimento médico precário, poucos leitos de UTI. Coincidentemente, a taxa de mortalidade no México é muito mais alta que nos EUA, algo não explicado até agora.


GENEBRA - A maioria dos países em desenvolvimento não tem boas condições para monitorar a gripe sazonal. A deficiência mostra os riscos potenciais e a dificuldade de se controlar uma possível pandemia - epidemia generalizada - de influenza A (H1N1), a gripe suína, pelo mundo, apontou hoje a Organização Mundial de Saúde (OMS). "Obviamente o que nos preocupa é que a maioria desses países em desenvolvimento não tem sistemas em funcionamento que nos dirão se a influenza H1N1 está lá", disse Ties Boerma, diretor de estatísticas de saúde da OMS. 

"Na maioria dos países não há um bom sistema para informar sobre as causas de mortes, então não recebemos qualquer dado sobre qualquer morte", alertou. "Portanto, há ainda uma grande lacuna em informação que nós e nossos parceiros estamos tentando suprir, mas é uma grande tarefa." Um relatório anual da OMS divulgado hoje lista o vírus H5N1, da gripe aviária, entre 18 doenças infecciosas mencionadas. Porém o texto aponta que a gripe aviária, bem como a malária e a encefalite japonesa, é difícil de se identificar sem testes de laboratório, muitas vezes indisponíveis nessas nações em desenvolvimento.

O México dependeu de testes canadenses para detectar o vírus da influenza A (H1N1). Mesmo em países não tão pobres, a doença é muitas vezes diagnosticada como pneumonia. "Em muitos países é muito difícil. Por exemplo, nós observamos estatísticas do México sobre gripe, mas na verdade a maioria dos casos de influenza são enterrados com o diagnóstico de pneumonia", notou Boerma. Desde o aparecimento da doença, então chamada de gripe suína, até ser rebatizada pela OMS, as autoridades do setor de saúde demonstram temor de que o vírus se espalhe no hemisfério sul, especialmente em países pobres.

A maioria dos casos de gripe é mais letal para os que já estão enfraquecidos por outras moléstias. Os países em desenvolvimento sofrem mais, com sua população empobrecida e o sistema de saúde pública ruim. A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, disse hoje que não hesitaria em elevar o nível de alerta para pandemia para a influenza A (H1N1), no momento em 5, em uma escala de 1 a 6. Porém deu algumas razões para esse alerta não ter sido elevado, entre eles o fato de a doença não estar se espalhando rapidamente pelo hemisfério sul.

O hemisfério sul está prestes a entrar em sua temporada de gripes sazonais. Especialistas temem que o vírus A (H1N1) possa sofrer mutações em contato com outros vírus, o que teria o potencial para gerar variedades mais perigosas da doença. Margaret também lembrou que o vírus até agora se mostrou relativamente brando. As informações são da Dow Jones.

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GENEBRA - A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou hoje que mudará as regras para considerar a Influenza A (H1N1), a chamada gripe suína, uma pandemia. Sob pressão política de muitos seus 193 países integrantes, a entidade irá considerar mais fatores além da disseminação do vírus antes de declarar uma epidemia global. A organização alega que "correções de curso" nos critérios são necessárias e estão sendo feitas.  "O que nós realmente procuramos são eventos que poderão significar um incremento substancial no risco de atingir as pessoas", disse o chefe de epidemiologia da OMS, Keiji Fukuda, em Genebra, na Suíça. "Agora os países nos dizem que mover a classificação da gripe da fase 5 para a fase 6 não ajudará", afirmou. Segundo ele, a letalidade do vírus poderá ser um dos critérios a ser constatado antes da enfermidade ser declarada uma pandemia. Muitos países temem que uma declaração de pandemia leve pânico às populações e tenha repercussões econômicas e políticas negativas. No começo desta semana, a Grã-Bretanha e outras nações pediram à OMS que reconsidere seus critérios para definir uma pandemia. Atualmente, a gripe suína é classificada na fase 5. Se passar à fase 6, será considerada uma pandemia pela entidade internacional. Os Estados Unidos registraram até agora o maior número de casos confirmados por testes de laboratório, 5.764 - aumento de 54 casos ante ontem -, enquanto o México segue em segundo lugar, com 3.892 casos confirmados. O Japão aumentou o número de casos confirmados de 35 para 294, enquanto no Chile, o número subiu de 19 para 24. Do total de 86 óbitos provocados pela doença, 75 aconteceram no México, nove nos EUA, um na Costa Rica e outro no Canadá.

O critério de letalidade depende do país, como é comentado em recente artigo da Nature. Letalidade não é uma medida absoluta e universal portanto não deveria entrar como critério da OMS. A questão é que todos os interesses dos governos, do comércio, do turismo, dos mercados, estão apontando na mesma direção: como não existem medidas efetivas para combater a epidemia no hemisfério sul (a vacina virá tarde demais), o que não tem remédio remediado está. Declarar estágio 6 não ajuda os países pobres mas prejudica os países ricos. 

Fico orgulhoso de pertencer à comunidade científica, que vai se sair muito bem desse episódio por não ter sido conivente com tais interesses. A revista Nature está de parabéns pela cobertura de alto nível da epidemia e de seus riscos reais e potenciais (afinal todo risco é potencial por definição!). Uma das tarefas dos cientistas é o aconselhamento esclarecido pelas informações disponíveis, de forma isenta: que as pessoas decidam democraticamente a partir desse aconselhamento. Não é tarefa dos cientistas decidir se as pessoas devem ser informadas de riscos ou não, isso é tarefa dos políticos. Quem sabe um pouco de pânico teria salvado New Orleans...

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