Ocorreu um erro neste gadget

domingo, julho 18, 2010

Quem é melhor? Michel Temer, Indio da Costa ou Guilherme Leal?










Da Folha: Vice de Serra liga o PT à ‘guerrilha’ e ao ‘narcotráfico’

Sobre o palanque montado na Cinelândia, no Rio, Dilma dissera que o vice dela, o pemedebê Michel Temer, “não caiu do céu”. Uma estocada no ‘demo’.

É Índio, no twitter: “Candidata do PT diz que eu caí do céu na chapa do Serra. Para uma atéia, deve ser duro ter um adversário que cai do céu...”

Em resposta à observação de uma internauta que o “seguia”, Índio cutucou: “É o que nos diferencia: tenho quatro eleições e ela um padrinho...”.

Noutra nota, Índio escreveu que respeita “todas as crenças e opções”. E voltou a escalar sobre Dilma: “Ela lá é que dissimula sobre religião”.

Mais adiante, acrescentou: “O correto é assumir o que você é. Ela nem consegue olhar nos olhos do eleitor. Esfinge do pau oco”.

Procurada, Dilma mandou dizer, por meio da assessoria, que não responderia às provocações de Índio. 

Em sabatina realizada pela Folha em 2007, Dilma dissera que não estava convencida da existência de Deus:

"Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há?" Agora, em campanha, ela se diz “católica” sempre que inquirida sobre o tema.

Guilherme Leal, o vice que satisfaz

Afinidade da candidata com ele é tanta que quando usa o pronome 'nós' significa, sempre, Marina e Guilherme

18 de julho de 2010 | 0h 00
Roldão Arruda - O Estado de S.Paulo

Nenhum candidato a presidente parece mais satisfeito com seu vice do que a senadora Marina Silva. A afinidade com o empresário Guilherme Peirão Leal é tanta que, quando recorre ao pronome "nós", ela não está se referindo à junção com seu partido, o PV, nem abusando do plural majestático. O "nós" da senadora significa Marina e Guilherme. Assim como "nossa estratégia" e "nosso projeto" são sempre referências aos dois.

A satisfação é compreensível. Em primeiro lugar porque foi ela quem elegeu o vice, sem aceitar interferências do PV nem barganhar nada com partidos aliados. Na reta final, quando a lista de possíveis candidatos ficou reduzida aos nomes de Leal e Roberto Klabin, empresário dos mais poderosos no setor de papel e celulose e presidente da Fundação SOS Mata Atlântica, foi ela quem definiu o jogo a favor do primeiro.

Outra razão para o contentamento de Marina está no figurino do escolhido. Leal é discreto e muito rico, veste-se com estudada elegância, não contabiliza escândalos políticos e financeiros no passado, apoia causas ambientais com entusiasmo e ainda possui estofo intelectual para debates e conversas inteligentes sobre os rumos do Brasil. Na opinião do economista, escritor e velho amigo Eduardo Gianetti da Fonseca, ainda podem ser acrescentadas às suas qualidades "o gosto pela interlocução e a abertura para novas ideias".

No meio empresarial ele também é admirado como self made man. Sua fortuna cresceu escorada no trabalho e na sagacidade para os negócios, sem grandes heranças nem injeções de dinheiro público.

De cabeça. A senadora e o vice se conhecem há 12 anos. Ele foi um dos principais incentivadores de sua candidatura à Presidência e, após aceitar o convite para o posto de vice, deixou de lado todas as outras atividades para se filiar ao PV e mergulhar na campanha. Além da experiência como administrador e empresário, contribui com dinheiro do próprio bolso, põe um helicóptero à disposição para a senadora se deslocar, discute o programa e está sempre disposto para acompanhá-la em eventos públicos. Na opinião de um executivo que já trabalhou ao lado de Leal, essa disposição para mergulhar de cabeça nas causas que escolhe é a principal característica do empresário.

A sua principal missão, no entanto, é abrir caminho na elite do empresariado, onde persistem desconfianças por causa da intransigência de Marina nas causas ambientais. Leal assegura a seus pares que se trata de candidata confiável, sem gosto pelo aventureirismo ? especialmente na área econômica.

Visto por esse ângulo, seu papel lembra o dos empresários Ivo Rosset (Valisère) e Lawrence Pih (Moinho Pacífico) na jornada de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Mas a semelhança só vai até aí. O papel de Leal é mais importante e cresce a cada dia. Na verdade não existe ninguém mais influente na campanha do que ele. Sozinho tem mais força do que toda a cúpula do PV.

Foi Leal quem indicou o empresário e amigo Álvaro de Souza, ex-presidente do Citibank, para dirigir a área financeira da campanha. No grupo de intelectuais, economistas e simpatizantes que preparam o programa de governo de Marina, a maior parte foi convidada por ele. O advogado Eduardo Matias, que cuidou das diretrizes de relações internacionais, é seu amigo. Giannetti, na área de economia, também. A lista vai longe.

Sem tempo nem voto. O "defeito" na escolha de Leal para o cargo é ele não ter vindo de nenhum partido aliado ? ou seja, não agrega votos nem tempo na TV no horário de propaganda gratuita.

O peemedebista Michel Temer não é, do ponto de vista da afinidade política, o vice dos sonhos da ex-ministra Dilma Rousseff, do PT. Mas foi recebido com festa por levar com ele quase um terço dos 10min36s que a candidata terá em cada bloco de 25 minutos de propaganda gratuita. O deputado fluminense Índio da Costa, do DEM, que só foi aceito como segundo de Serra após o fracasso de todas tentativas para uma chapa tucana puro-sangue, agrega 2m17s a cada bloco de 7m16 do ex-governador.

Já Marina, que não tem aliança com nenhum partido, terá apenas o 1m12seg do PV para fazer propaganda. Ela tenta converter essa enorme desvantagem em vantagem e diz que, desobrigada de barganhas, pôde escolher um vice comprometido com suas propostas.

Leal nasceu em 1950, no Boqueirão, bairro da classe média de Santos, litoral paulista. Era o mais novo de uma família de quatro irmãos. Cresceu acompanhando na Vila Belmiro o time que fascinou o mundo nos anos 60, com os garotos de ouro da época, Pelé, Pepe, Coutinho, mais Gilmar, Zito e outros cujos nomes ele ainda desfia de cor. Vem de lá também sua paixão pelo futebol ? a única das duas diversões que os mais próximos conseguem citar quando falam dele.

A outra diversão reconhecida pelo próprio é o refúgio que vem construindo desde 2005 em Uruçuca, no litoral sul da Bahia, ao lado de Ilhéus ? uma área paradisíaca com quase 80 hectares, coberta por coqueirais, riachos, mangues e uma faixa de Mata Atlântica que ele vem tentando recuperar.

Filho de um funcionário público da alfândega do porto de Santos, Leal cursou o ensino médio no Colégio Rio Branco, em São Paulo, e formou-se em administração de empresas pela USP. Como universitário, estudava à noite e trabalhava de dia. Em 1979, já casado e com dois filhos, juntou as economias, vendeu um terreno e tornou-se sócio de uma pequena empresa de cosméticos, a Natura, localizada na rua Oscar Freire, em São Paulo.

O momento era péssimo para negócios. A década de 80, conhecida como década perdida, foi marcada por planos econômicos fracassados, inflação descontrolada e incertezas políticas. Mas foi no meio desse vendaval que Leal e Luiz Seabra, seu sócio até hoje, impulsionaram a Natura. Para dar uma ideia do que foi isso, ele conta que iniciaram a década com faturamento anual de US$ 5 milhões e fecharam com US$ 170 milhões.

Enfarte. Do ponto de vista pessoal, isso teve um preço alto: Leal sofreu um enfarte aos 37 anos. O susto levou-o a alterar o ritmo de vida. Ele reconhece que foi depois disso que passou a dar mais atenção às reuniões de pais na escola dos filhos e a se interessar por causa sociais. Como parte dessa revisão, apostou na mudança de rumos da Natura.

A empresa embicou para uma trilha ecológica e fez do uso de matérias-primas oriundas de fontes renováveis a sua principal diferença no mercado. E mais uma vez deu certo. O negócio encorpou, espalhou-se pela América Latina e, em 2006, Leal passou a ser listado pela revista americana Forbes no ranking das mil maiores fortunas do planeta. Na edição deste ano, a revista avaliou sua fortuna em US$ 2,1 bilhão e qualificou a Natura como a versão brasileira da Avon, por causa da vendas de porta em porta.

O valor mencionado pela Forbes difere do que Leal apresentou dias atrás ao Tribunal Superior Eleitoral, ao registrar a chapa do PV. Ele declarou R$ 1,1 bilhão ? uma quantia, diga-se de passagem, 7 mil vezes superior às posses de Marina, que declarou modestíssimos R$ 149 mil.

Os números são diferentes, diz Leal, porque os critérios são diferentes. "O que apresentei é o mesmo que consta na declaração de Imposto de Renda, de acordo com os critérios legais. O da Forbes é uma estimativa de mercado do valor das ações que tenho. Não é exato."

Admiração. Não foi, é claro, a fortuna de Leal que encantou Marina. Ela o admira pela participação em projetos sociais e ambientais levados adiante por grupos organizados no chamado terceiro setor.

Em 2008, após desentender-se com o governo Lula e o petismo e deixar o Ministério do Meio Ambiente, Marina foi convidada por Leal para participar dos encontros de um grupo de grandes empresários envolvidos com responsabilidade social, denominado Brasil Com S (de sustentabilidade). Nasceram ali a candidatura dela e a decisão de alguns empresários de se envolverem com política. O caso mais evidente é o de Leal. Mas vale citar ainda Ricardo Young, dono da rede de idiomas Yázigi e candidato ao Senado pelo PV de São Paulo.

"O Leal não é um recém-chegado", diz o amigo e empresário Oded Grajew, uma das referências no Brasil quando se trata de responsabilidade social e ética no meio empresarial. "Ele atua na área social e ambiental desde os anos 80."

Leal já tentou se aproximar de um projeto político em outra ocasião. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, aceitou um convite para sentar-se à mesa do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Saiu, desencantado, em 2005, ano do escândalo do mensalão.

Casado pela segunda vez e construindo uma nova casa nos Jardins, Leal tem cinco filhos ? dois com a primeira mulher e três que a segunda trouxe de um casamento anterior. Seu primeiro dissabor na carreira política apareceu dias atrás, com a denúncia de que estaria violando a legislação ambiental na propriedade da Bahia. Justo na Bahia, reclamou para os amigos, onde realiza o projeto dos sonhos, ou, segundo expressão dele, "onde tudo é do bem". Estranhou o fato de a denúncia aparecer agora, cinco anos depois de iniciado o projeto, e em plena campanha, mas não se assustou. Na sexta-feira, o Ibama, que vistoriou o lugar, disse não ter achado nenhuma irregularidade.

Leal ainda tem dificuldade com o assédio da imprensa e não figura, certamente, na lista dos dez políticos mais simpáticos da campanha. Detesta falar da vida particular: prefere discorrer sobre projetos para o Brasil. Proclama a urgência de uma reforma fiscal e tributária e da melhoria da qualidade do ensino. Acha que o País vive um excelente momento na economia, mas pode se perder por falta de cérebros do ponto de vista intelectual e tecnológico.

Se isso ocorrer, adverte, será a terceira grande janela da história que se abre para o Brasil e se fecha por falta de estrutura interna. As outras duas teriam ocorrido nas décadas de 50 e70. Indagado sobre livros que tem lido, lembrou dois autores: o amigo Giannetti, de quem lê tudo, e o filósofo francês Edgard Morin ? especialmente seus textos sobre educação. 

Nilson Oliveira
18 DE JULHO DE 2010 | 8H 40DENUNCIAR ESTE COMENTÁRIO

Em um evento em 2008 no qual participei na sede da Natura, em Cajamar/SP, envolvendo ONGs ligadas à educação, acabei testemunhando uma cena que pode ajudar a mostrar quem é Guilherme Leal. Ao entrar no W.C. coletivo acabei flagrando-o limpando e enxugando a pia que acabara de usar. Como não havia ninguém mais por perto para quem o empresário poderia estar "vendendo"uma atitude de responsabilidade, deduzi que a aquela ação era resultante de elevado altruísmo, um exemplo de humildade e de genuíno respeito ao próximo. Acho que a candidatura Marina Silva-Guilherme Leal à Presidência eleva a um nível inigualável a qualidade do debate político no Brasil.

Nenhum comentário: