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sábado, julho 25, 2009

Roleta Russa e Tamiflu




Apresentadora diz que filha e marido também apresentaram sintomas.
Ela recebeu medicamento e, com a família, está 'internada' em casa.

A taxa de complicações (principalmente pneumonia) na gripe suína deve estar por volta de 4%, ou seja uma chance em vinte e cinco. É mais ou menos assim: têm quatro revólveres em cima de uma mesa, sendo um deles está carregado com uma bala. Daí você segue a recomendação do Ministério da Saúde e não toma Tamiflu, digo, escolhe um revolver e dispara na sua cabeça. Você faz isso n vezes, onde n é o número de pessoas da sua familia...

Acho que o Ministério da Saúde se colocou numa sinuca de bico. Em outros países o Tamiflu está sendo usado sem racionamento. Se isto se mostrar a estratégia acertada, o MS teria que voltar atrás em suas recomendações. Mas isso traria descrédito para toda a atuação do MS. Sinuca mesmo...

25/07/2009 - 09h26


ANGELA PINHO
JOHANNA NUBLAT
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Pelo menos sete de cada dez pacientes com quadro grave de gripe A (H1N1) diagnosticados no Brasil até o final desta semana não tinham nenhum fator de risco. A conclusão foi feita com base em dados do Ministério da Saúde que consideram como fatores de risco gravidez, idade (mais de 60 anos e menos de dois) e doenças crônicas como hipertensão e diabetes.

O protocolo da pasta estabelece que só pacientes com essas características ou com quadro grave poderão tomar o Tamiflu, remédio para gripe suína.

O Brasil já registrou 222 pessoas com quadro grave da doença. Dessas, no máximo 65 tinham algum fator de risco. Algumas delas podem estar enquadradas em mais de uma categoria. Não há dados disponíveis para fazer a mesma análise em relação à gripe comum.

Os fatores de risco aumentam a possibilidade de os pacientes infectados piorarem e passarem a ter dificuldade para respirar, além de tosse e febre.

Por isso, o Ministério da Saúde recomenda que essas pessoas intensifiquem as medidas de prevenção - evitar ficar em ambientes fechados ou aglomerações por período longo, lavar as mãos e não compartilhar objetos de uso pessoal.

A orientação do ministério é que quem não se enquadra nesses critérios não tome o Tamiflu por conta própria. Embora não esteja à venda nas farmácias brasileiras, o remédio pode ser comprado no Uruguai e em alguns sites na internet.

Jovens

Os dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde sugerem que os jovens com idade entre 10 e 19 anos estão mais vulneráveis à nova epidemia.

Dos casos graves já diagnosticados, 17,7% estão nessa faixa etária, o que só ocorre em 7,9% dos piores casos de gripe comum. A faixa que concentra mais casos, para ambos os vírus, é a de 20 a 49 anos.

Análise do ministério mostra que o vírus da gripe A atinge 60% das pessoas que apresentaram algum vírus respiratório confirmado em exame dos laboratórios credenciados. Isso pode sugerir que a nova gripe está tomando o lugar da gripe sazonal, segundo o governo.




Chefe do serviço de doenças infecciosas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o infectologista Edimilson Migowski chama de centralizadora a política que o Ministério da Saúde adotou em relação à gripe suína. "Impedir que pessoas tenham acesso ao medicamento e ao diagnóstico me faz parecer que estamos num regime de exceção." Membro da Sociedade Europeia de Infectologia Pediátrica e presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações do Rio, Migowski vem sendo um dos principais críticos dessa política.

O senhor concorda com a política de só medicar os casos graves? Tiraram o medicamento das farmácias e clínicas. Só disponibilizam para casos graves e esquecem de quem não é de risco, mas pode agravar subitamente. No início, medicavam todos os casos de H1N1, esquecendo das outras gripes. O ministério alega não querer estimular a automedicação porque pode criar uma cepa resistente. Mas o Tamiflu (oseltamivir) é tarja vermelha, só pode ser vendido com receita. Nessa lógica deveriam tirar os antibióticos das prateleiras. Ao mesmo tempo, permitem a propaganda de ácido acetilsalicílico, que não deve ser dado a crianças com gripe. Também disseram que o preço iria quadruplicar, mas é o ministério que controla o preço. Falta critério de conduta.

Um comentário:

Jeferson Martinho disse...

Veja só, Osame: a Annenberg tem "fragilidade pulmonar", segundo a imprensa. Por isso recebeu de pronto o Tamiflu...

Curioso, isso. Prá alguns, qualquer argumento vale o antiviral...

E tem mais uma informação que está faltando, sobretudo para a classe médica: estatísticamente falando, na faixa dos 10 aos 59 anos, QUAL É DE FATO a causa da morte? Pneumonia bacteriana secundária/oportunista é bem diferente, na forma de tratar, que uma pneumonia viral. É a tal "tempestade de citocinas"? O que é afinal?