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segunda-feira, julho 27, 2009

Projeções sobre a gripe suína



Estou repetindo aqui o gráfico postado em 30 de junho. Alguns amigos me criticaram na época dizendo que não era possível fazer uma extrapolação exponencial a partir dos dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Vejamos se acertei (minha taxa de acerto está bem melhor do que o do Jucelino da Luz!)

O dia 1 do gráfico corresponde ao dia 7 de maio. Hoje, portanto, corresponderia ao dia 81 do gráfico. O comportamento exponencial, que eu creio ser justificável por estarmos no início da epidemia e pelo fato de que os números do governo na época refletiam de perto os números de casos reais, prevê para hoje cerca de 60 mil casos.

Agora vejamos as notícias:

27/07/09 - 08h40 - Atualizado em 27/07/09 - 08h40

Osmar Terra confirmou mais cinco mortes, no domingo.
Ele disse estado vive 'epidemia aberta' da doença.


O secretário da Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, confirmou, no domingo (26), mais cinco mortes em decorrência da nova gripe. Com isso, subiu para 16 o total de óbitos no estado.


Em entrevista coletiva, Terra disse que o estado vive uma "epidemia aberta" da doença. "Estamos estimando hoje, no Rio Grande do Sul, em torno de dez mil casos que já tiveram ou estão tendo a gripe."


O número de óbitos sugere que a situação é similar no estado de São Paulo, ou seja, acho que podemos fazer uma estimativa de 10 mil casos também para este estado. Uma estimativa de mais 10 mil casos para o resto do Brasil não seria desproporcional. Assim, acho que 30 mil é uma estimativa do número acumulado de casos, de modo que a projeção de 60 mil casos "erra" por um fator dois.

Errar por um fator 2 não é pecado em física e muito menos em epidemiologia (errar por um fator 10, seria sim!). E lembrando ainda a possibilidade de um grande número de casos leves que não chegariam a ser notados, acho que a projeção está dentro da barra de erros.

A boa notícia é que se 60 mil for o número verdadeiro, então a taxa de letalidade seria de 55/60000 = 0,09%, ou seja, apenas o dobro da gripe sazonal (que é menor que 0,05% e não 0,5% como divulgado na mídia).

Mas é claro que estou cometendo um pecado estatístico aqui, pois o número de 55 óbitos ainda é pequeno para fazer comparações, os óbitos provavelmente têm um atraso de uma semana em relação ao número de infecções (ou seja, as pessoas morrem em média sete dias depois de contrairem a gripe), e o número de mortes confirmadas também apresenta um atraso em relação ao número de mortes reais (pois é necessário algum tempo para proceder a confirmação).

A má notícia é que com uma taxa de 2% de hospitalizações e 30% de contaminação da população (como estimado no Reino Unido - e olha que lá eles estão em pleno verão), teríamos a necessidade de 0,02 x 0,3 x 200000000 = 1,2 milhão de leitos durante a temporada de gripe.

PS: Outra evidência a favor desse cenário é que o número de óbitos no Reino Unido (31) é menor que o do Brasil. No Reino Unido o número oficial de casos é de 11159, mas a estimativa é de 100 mil casos novos apenas na semana passada. Por outro lado, talvez devessemos levar em conta que o Tamiflu pode ser obtido lá sem passar por consulta médica.

5 comentários:

none disse...

Viu que o MS mudou a forma de cálculo da mortalidade?

Designou de letalidade o número de óbitos pelo número de *casos graves*. E mortalidade o número de óbitos pelo número de *habitantes*.

Potencial de confusão...

[]s,

Roberto Takata

Osame Kinouchi disse...

OK, depois que o MS mudar a definição na página da Wikipedia inglesa, eu mudarei no meu post...

Você teria uma sugestão sobre um novo nome para o número de óbitos dividido pelo número de casos estimados?

Carlos Hotta disse...

Eu pensei em uma coisa Osame, vê se tem sentido: sempre aparecem pessoas fazendo estimativas do número de casos atuais da gripe. No entanto, nunca mostram o método utilizado para a estimativa. E se vc e o especialista estão usando exatamente a mesma metodologia?

Osame Kinouchi disse...

Uma boa pergunta, mas duvido que ele tenha feito o que eu fiz. Ele se referiu apenas aos casos no Rio Grande do Sul, provavelmente baseado na procura pelos centros de saúde...

none disse...

"Você teria uma sugestão sobre um novo nome para o número de óbitos dividido pelo número de casos estimados?"

Hmm, letalidade potencial? Upper lethality? (Sou melhor em nomear super-heróis.)

[]s,

Roberto Takata