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quarta-feira, julho 29, 2009

O pânico faz bem à Saúde?


Bom, para a Saúde com "S" maiúsculo parece que faz:


Unidades devem oferecer 2 leitos para pacientes com sintomas de gripe.
Segundo ministério, rede federal oferece cem leitos para casos do vírus.

Uma epidemia testa o sistema de saúde, expondo suas falhas. O tema da Saúde recebe mais atenção da mídia, novas verbas são alocadas, a importância do sistema de saúde público fica mais aparente.

Vejamos algumas coisas boas que o pânico sobre a gripe suína está trazendo para o Brasil:

1. Novos leitos de UTI (existe uma deficiência crônica no sistema quanto a isso).
2. Mais verbas para o Ministério da Saúde.
3. Maior educação da população referente a higiene e conceitos básicos de saúde.
4. Foi chamada a atenção sobre a mortalidade altissíma da gripe sazonal (duas vezes e meia maior que nos EUA).
5. Experiência e treinamento dos agentes de saúde no enfrentamento de uma epidemia.
6. Aprimoramento do plano de enfrentamento da Influenza do Ministério da Saúde.
7. Transferência de tecnologia de encapsulamento de Tamiflu para laboratórios brasileiros.
8. Transferência de tecnologia para produção de vacinas.
9. Aumento da capacidade de monitoriamento e volume de exames de influenza no Brasil.
10. Aprimoramento das condições de higiene e acompanhamento de vírus na suinocultura.

Se eu pensar um pouco mais, acho que faço mais uma lista de dez itens. Na área de divulgação científica, acho que uma boa fração de pessoas agora sabe a diferença entre um vírus e uma bactéria... Na área científica, a gripe suína é um prato cheio para estudos de modelagem computacional de epidemias (minha aluna de mestrado Ariadne está trabalhando nisso).

Ou seja, a gripe suína fez bem para a Saúde do Brasil. Mas para isso foi necessário um certo pânico. Se ela passasse desapercebida e minimizada pela mídia, nem todos os benefícios da lista teriam sido alcançados...

3 comentários:

Dedalus disse...

Caro Osame,

Talvez agora uma boa fração de pessoas agora saiba a diferença entre um vírus e uma bactéria, mas esse não é o padrão geral: vendo um episódio de "Fringe" (série de ficção da Warner) encontrei um sujeito (o cientista da série) analisando um organismo estranho, gigante (uma geléia do tamanho de um gato) que ele dizia ser uma célula única, gigante, de um vírus da gripe mutante - ou seja, segundo o seriado era a célula de um vírus...

Um abraço!

juliana disse...
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Osame Kinouchi disse...

Acho que a educação é um fenomeno altamente não linear: Monteiro Lobato disse que o livro erótico Justine fez mais pela alfabetização do Brasil (o livro virou moda no seculo XIX e a molecada queria ler) do que todos os programas do governo.
Imagino que Harry Potter tenha tido um efeito similar na questao das crianças perderem o medo de ler "livros grossos". Que pena que Artemis Fowl ainda não virou filme...