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terça-feira, março 10, 2009

Deuses como Inteligências Coletivas


Do G1: Ao pensar em Deus, pessoas usam regiões ligadas à interação com outros. Resultados indicam que não há 'órgão divino' único na mente humana.


Ando ficando pagão, pelo menos em termos de neuroteologia, memética e sociofísica. Ou seja, acredito que nossos deuses habitam não apenas nossas mentes (algo que qualquer ateu defenderia), mas a rede social-mental-cerebral dos diversos grupos sociais (algo que Levi Strauss, Edgar Morin, Pierre Levy e outros defenderiam, acho). E, como escritor de FC, eu levantaria a hipótese que esses memes coletivos poderia ter atingido o estágio de autoconsciência, milênios atrás, antes mesmo da indivudualização do ego humano - na verdade a hipótese é de Jaynes (A Mente Bicameral), que me foi recentemente lembrada por Sidarta Ribeiro. 

Afinal, de um punhado de neurônios que não pensam (mas interagem) emerge a consciencia humana, então parece ser muito mais plausível que deuses enquanto consciências emergentes possam aparecer um um rede de unidades (cérebros) que já pensam. Como dizia Strauss, "não somos nós que criamos os mitos, as sim os mitos que vivem através de nós..."

Como eu disse em um post anterior, eu tenho muitos amigos com as mais variadas visões de mundo: ateus militantes, agnósticos, existencialistas, teístas, panteístas, panenteístas, religiosos liberais, cristãos de esquerda, judeus anti-sionistas simpatizantes da New Age e simpatizantes de cultos afro-brasileiros. É uma bagunça!

Eu tive a triste experiência de perder meu melhor amigo de adolescência (que era espírita) depois que escrevi um trabalho entitulado "O Programa Kardecista visto pela Teoria dos Programas de Pesquisa de (Inre) Lakatos" onde a conclusão era de que, na melhor das hipóteses, o programa Kardecista estava cjeio de hipóteses ad-hoc e era decadente. 

Como não ando muito animado em repetir a dose (quanto mais velho você fica mais raros ficam os amigos), eu ando contemporizando, como todos do blog percebem. É porque, em certo sentido, discutir religião é como discutir futebol e mulher... religião não é um problema empírico (embora os neoateus construam um argumento-espantalho caracterizando o problema assim). 

Religião, assim como poesia, é uma questão de gosto. E não dá para chegar a conclusão que, dado que poesia não é ciência, então não é uma fonte de conhecimento (do mundo humano, da psicologia humana etc). É uma fonte de conhecimento não científica do mundo, e há muitas outras, que são essenciais: culinária, cuidado infantil, jardinagem, sabedoria para viver epara morrer, valores, política, ideologia etc. 

Mesmo assim, correndo o risco de perder um (grande!) amigo, continuo aqui o debate com Nestor (que fez comentários em um post anterior, em vez de debater privadamente esses assuntos).

OK, Nestor, concordo que o fundamentalismo americano clássico (1900-? , que nasce numa luta contra o Darvinismo Social), o movimento carísmático (1960 - ?, movimento mistico dentro de igrejas liberais) e o neopentecostalismo (1980-?, avivamento religiosos com doutrina neocalvinista - Teologia da Prosperidade) sao mais importantes em PIB e socialmente que o movimento New Age, a Teologia da Libertação (com a qual tenho simpatias) e as religiões afro-brasileiras. Mas não dá para você discutir "religiao" em abstrato, botando tudo no mesmo saco. Prefiro uma sociedade com Martin Luther King e a missionária que foi assassinada pelos fazendeiros do Amazonas do que uma sociedade que contenha apenas ateus (bonzinhos e mauzinhos). Ou seja, eu ainda prefiro uma sociedade plural, não acho que os cientistas deveriam, por exemplo, trabalhar ativamente para "educar" e extinguir os valores e visões de mundo indigenas, afro-brasileiros e neopentecostais tipo Igreja Universal (que não é uma igreja aceita pelas igrejas tradicionais mas encarada como seita e que, sociologicamente, realmente é um sincretismo entre a umbanda e o neopentecostalismo). 

Para discutir com propriedade o tema religião, é necessário dar nomes aos bois... Eu ainda acho que um ateu liberal está mais próximo de um religioso liberal e que um ateu conservador está mais próximo da TFP. O eixo liberal-conservador é mais relevante que o eixo religioso-arreligioso!

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