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A Petrobras caiu no centro de uma teoria conspiratória da ultradireita americana sobre o vazamento de petróleo no golfo do México, parte de uma cadeia de elos "suspeitos" que vai do megainvestidor George Soros até lucros oportunistas com a tragédia ambiental nos EUA.




O apresentador Glenn Beck, do canal a cabo Fox News, um ultraconservador adorado por reacionários, gastou seu programa na segunda-feira para explicar aos seus mais de 2 milhões de telespectadores tudo o que há de errado com a "malvada Petrô-bas" (como pronuncia o nome da estatal).

Ele sugere que a grande conspiração envolvendo Soros e a Petrobras tem a ver com o vazamento de petróleo na plataforma da BP.

O título do programa era "Crime SA: Petrobras". O grande problema parece ser o que Beck vê como "oportunidade" de aumento do valor da estatal brasileira.

A Casa Branca decretou moratória na exploração de petróleo em alto-mar nos EUA (atualmente suspensa pela Justiça), enquanto a Petrobras continua fazendo suas perfurações e dando lucros a investidores "maléficos" como Soros.

É preciso grande dose de boa vontade para fazer as conexões sugeridas, tão complicadas que o apresentador precisa de uma intrincada cadeia riscada a giz num quadro-negro para explicar tudo.

Beck começa dizendo que fundos de Soros investiram em 2009 US$ 900 milhões [R$ 1,6 bilhões] na Petrobras. Pouco depois, os EUA fizeram compromisso de empréstimo de US$ 2 bilhões [cerca de R$ 3,5 bilhões] à empresa para ajudá-la a perfurar em alto-mar.

Para Beck, não é coincidência -- Soros sabia que o dinheiro sairia devido a suas conexões com a Casa Branca.
Esse empréstimo já levantara polêmica em 2009, e o Exim Bank (de estímulo a exportações) dos EUA soltou nota afirmando que o dinheiro era um adiantamento para a Petrobras comprar material de indústrias americanas e será devolvido com juros.

As "conexões" e outros lucros potenciais da Petrobras com o vazamento também foram alvo de sites como "O Futuro do Capitalismo", FrontPageMazine e Investors.com. "Daqui a pouco vamos importar petróleo do Brasil", alerta o último.

Beck prefere partir para o ataque. "Nós não podemos perfurar, porque a Terra e [o ex-vice-presidente e ambientalista] Al Gore estão tendo ondas de calor", diz. "Mas o Brasil é louco: gosta de biquínis fio dental e perfuração profunda."