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quinta-feira, novembro 12, 2009

Sobre Antônio Vieira e Natalie Portman


Por puro acaso encontrei o livro "História do Futuro" (1718) do padre Antônio Vieira em um CD com 1300 livros sem copyright que comprei para ajudar Mariana no vestibular.

Fiquei interessado especialmente pelo título (dei uma lida na introdução) porque, se o que a introdução promete se concretizar, então talvez este seja o primeiro exemplo de Proto-Ficção Científica Histórica (FCH, tipo The Shape of Things to Come (1933) de H. G. Wells - o livro, não o filme) escrito no Brasil (supondo que tenha sido escrito no Brasil em vez de Portugal!).

É interessante que o texto é contemporâneo aos textos de Isaac Newton sobre profecias bíblicas, versando sobre os mesmos assuntos (os tais quatro impérios históricos, o surgimento de um quinto império temporal que seria a contraparte do Reino de Deus espiritual - um tema caro ao Socialismo do século XIX e à Teologia da Libertação). Talvez seja uma tese defensável de que tanto textos do gênero de Utopia socio-política (que irão inspirar o ideario socialista) quanto a FC história tenham tido origem na abundante literatura sobre profecias bíblicas produzida no século XVIII tanto por escritores como por proto-cientistas, e onde o "Reino de Deus" configura o ideal utópico.

Alguns fatos encontrados na biografia da Wikipedia de Vieira me animam a considerá-lo um precursor de Richard Dawkins em terras tupiniquins (isso mesmo, embora os discipulos de RD irão me crucificar por esta frase!). Explico: Vieira é um intelectual com visões politicamente liberais (para a época), cuja luta se centra na defesa dos direitos dos índios Tapuias (e na defesa teológica de que eles não seriam ofensores de Deus mas sim tinham absoluta ("invencível") ignorância de Deus, e que portanto, não poderiam receber condenação eterna mas apenas condenação temporária (essa tese sua recebe condenação da Inquisição).

Vieira também se destaca na crítica ao anti-semitismo e perseguição aos cristãos-novos, e no combate à Inquisição Portuguesa (uma das mais violentas da Europa, tendo sido condenado várias vezes pela mesma). É um intelectual versado em ciência, lógica e matemática, que usa como ferramenta principal argumentos racionais e é um escritor profícuo...

O fato de Dawkins ser ateu e Vieira um teólogo parece ser, comparado com as outras similariedades, uma diferença histórica acidental, digamos assim. Para ilustrar melhor meu ponto (o de que as posições políticas são mais importantes do que a dicotomia simplista teísmo-ateísmo), proponho o seguinte experimento mental:

Quem você escolheria para ficar em uma ilha deserta após um acidente de avião?

1. Richard Dawkins.
2. Marina Silva.
3. Tom Cruise, mesmo ele sendo Cientologista.
4. Natalie Portman, mesmo no caso em que ela fosse evangélica (ela não é!).

Eu fico com a opção 4, não precisei pensar cinco segundos! E vocês?

Respondam nos comentários...

António Vieira

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

António Vieira
António Vieira
Retrato do Padre António Vieira, de autor desconhecido do início do século XVIII.
Nascimento6 de fevereiro de 608
Lisboa
Morte18 de Julho de 1697
Bahia
NacionalidadeBandeira de Portugal português
Ocupaçãoreligioso, escritor e orador

António Vieira (Lisboa, 6 de fevereiro de 1608Bahia, 18 de Julho de 1697) foi um religioso, escritor e orador português da Companhia de Jesus. Um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política, destacou-se como missionário em terras brasileiras. Nesta qualidade, defendeu infatigavelmente os direitos humanos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização. Era por eles chamado de "Paiaçu" (Grande Padre/Pai, em tupi).

António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição.

Na literatura, seus sermões possuem considerável importância no barroco brasileiro e português. As universidades frequentemente exigem sua leitura.

Índice

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[editar]Biografia

Nascido em lar humilde, na Rua do Cónego, perto da Sé, em Lisboa, foi o primogênito de quatro filhos de Cristóvão Vieira Ravasco, de origemalentejana cuja mãe era filha de uma mulata ou africana, e de Maria de Azevedo, lisboeta. Cristóvão serviu na Marinha Portuguesa e foi, por dois anos, escrivão da Inquisição. Mudou-se para o Brasil em 1614, para assumir cargo de escrivão em Salvador, na Bahia, mandando vir a família em 1618.

[editar]No Brasil

António Vieira chegou à Bahia com seis anos de idade. Fez os primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas em Salvador, onde, principiando com dificuldades, veio a tornar-se brilhante aluno. Ingressou na Companhia de Jesus como noviço em maio de 1623 [ou seja, com 15 anos de idade. Gênio precoce?]

Em 1624, quando na invasão holandesa de Salvador, refugiou-se no interior da capitania, onde se iniciou a sua vocação missionária. Um ano depois tomou os votos de castidade, pobreza e obediência, abandonando o noviciado. Prosseguiu os seus estudos em Teologia, tendo estudado ainda Lógica, Metafísica e Matemática, obtendo o mestrado em Artes. Foi professor de Retórica em Olinda, ordenando-se sacerdote em 1634. Nesta época já era conhecido pelos seus primeiros sermões, tendo fama de notável pregador.

Quando da segunda invasão holandesa ao Nordeste do Brasil (1630-1654), defendeu que Portugal entregasse a região aos Países Baixos, pois gastava dez vezes mais com sua manutenção e defesa do que o que obtinha em contrapartida, além do fato de que os Países Baixos eram um inimigo militarmente muito superior à época. Quando eclodiu uma disputa entre Dominicanos (membros da Inquisição) e Jesuítas (catequistas), Vieira, defensor dos judeus, caiu em desgraça, enfraquecido pela derrota de sua posição quanto à questão da Região Nordeste do Brasil.

[editar]Em Portugal

Após a Restauração da Independência (1640), em 1641 regressou a Lisboa iniciando uma carreira diplomática, pois integrava a missão que ia ao Reino prestar obediência ao novo monarca. Sobressaindo pela vivacidade de espírito e como orador, conquistou a amizade e a confiança deJoão IV de Portugal, sendo por ele nomeado pregador régio. Ainda como diplomata, foi enviado em 1646 aos Países Baixos para negociar a devolução do Nordeste do Brasil, e, no ano seguinte, à França. Caloroso adepto de obter para a Coroa a ajuda financeira dos cristãos-novos, entrou em conflito com o Santo Ofício, mas viu fundada a Companhia Geral do Comércio do Brasil. O pai, antes pobre, foi nomeado pensionista real.

[editar]No Brasil, outra vez

Em Portugal havia quem não gostasse de suas pregações em favor dos judeus. Após tempos conturbados acabou voltando ao Brasil, de 1652a 1661, missionário no Maranhão e no Grão-Pará, sempre defendendo a liberdade dos índios.

Diz o Padre Serafim Leite em "Novas Cartas Jesuíticas", Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1940, página 12, que Vieira tem "para o norte do Brasil, de formação tardia, só no século XVII, papel idêntico ao dos primeiros jesuítas no centro e no sul», na «defesa dos Indios e crítica de costumes". "Manoel da Nóbrega e António Vieira são, efectivamente, os mais altos representantes, no Brasil, do criticismo colonial. Viam justo - e clamavam!"

[editar]Naufrágio nos Açores

Em 1654, pouco depois de proferir o célebre "Sermão de Santo António aos Peixes" em São Luís, no Estado do Maranhão, o padre António Vieira partiu para Lisboa, junto com dois companheiros, a bordo de um navio da Companhia de Comércio, carregado de açúcar. Tinha como missão defender junto ao monarca os direitos dos indígenas escravizados, contra a cobiça dos colonos portugueses. Após cerca de dois meses de viagem, já à vista da ilha do Corvo, a Oeste dos Açores, abateu-se sobre a embarcação uma violenta tempestade. Mesmo recolhidas as velas, à exceção do traquete, correndo o navio à capa, uma rajada mais forte arrancou esta vela, fazendo a embarcação adernar a estibordo. Em pleno mar revolto, na iminência do naufrágio, o padre concedeu a todos absolvição geral, bradando aos ventos:

"Anjos da guarda das almas do Maranhão, lembrai-vos que vai este navio buscar o remédio e salvação delas. Fazei agora o que podeis e deveis, não a nós, que o não merecemos, mas àquelas tão desamparadas almas, que tendes a vosso cargo; olhai que aqui se perdem connosco."

Após essa exortação, obteve de todos a bordo um voto a Nossa Senhora de que lhe rezariam um terço todos os dias, caso escapassem à morte iminente. Ainda por um quarto de hora o navio permaneceu adernado até que os mastros se partiram. Com o peso da carga, estivada até às escotilhas, o navio voltou à posição normal, permanecendo à deriva, ao sabor dos elementos.

Nesse transe uma outra embarcação foi avistada, mas sem que prestasse qualquer auxílio. Ao cair da noite a mesma retornou, mas tratava-se de um corsário neerlandês que recolheu os náufragos a bordo e pilhou a embarcação à deriva, que acabou por ser afundada. Nove dias mais tarde, quarenta e um portugueses, despojados de seus pertences pessoais, foram desembarcados na Graciosa, onde o padre António Vieira, com o auxílio dos religiosos da Companhia de Jesus, procurou providenciar-lhes roupas, calçado e dinheiro durante os dois meses que permaneceram na ilha. Dali, também, creditou Jerónimo Nunes da Costa para que este fosse a Amesterdão resgatar os papéis e livros que lhe haviam sido tomados pelos corsários, o que se acredita tenha sido cumprido uma vez que dispomos hoje de cerca de duzentos sermões (este naufrágio é relatado no vigésimo-sexto) e cerca de 500 cartas do religioso, muitas das quais anteriores ao naufrágio.

O grupo passou em seguida à Ilha Terceira, onde Vieira obteve o aprestamento de uma embarcação para que os seus companheiros de infortúnio pudessem seguir para Lisboa. Instalado no Colégio dos Jesuítas em Angra, ele aqui permaneceu mais algum tempo, tendo instituído a devoção do terço, que pela primeira vez foi cantado na Ermida da Boa Nova. Entre os sermões que pregou em diversos locais da ilha, destacou-se o que proferiu na Igreja da Sé, na Festa do Rosário, celebrada anualmente a 7 de Outubro, com aquele templo repleto.

Uma semana mais tarde, Vieira passou à Ilha de São Miguel, onde proferiu o sermão de Santa Teresa, um dos mais destacados de sua autoria. Dali partiu para Lisboa, a bordo de um navio inglês, a 24 de Outubro. Após atravessar nova tempestade, o religioso chegou finalmente ao destino, em Novembro de 1654. [Idéia: um paper a ser escrito: a influencia na história humana do Caos Determinista e do Acaso presentes na Meteorologia, com exemplos como o desvio da frota de Cabral, os grandes personagens históricos mortos precocemente em naufrágios, o efeito de invernos intensos durante as guerras (Napoleão, Hitler etc).]

[editar]Em Portugal, outra vez

Voltou para a Europa com a morte de D. João IV, tornando-se confessor da Regente, D. Luísa de Gusmão. Com a morte de D. Afonso VI, Vieira não encontrou apoio.

Abraçou a profecia sebastiana e por isso entrou de novo em conflito com a Inquisição que o acusou de heresia com base numa carta de 1659 ao bispo do Japão, na qual expunha sua teoria do Quinto Império, segundo a qual Portugal estaria predestinado a ser a cabeça de um grande império do futuro. Expulso de Lisboa, desterrado e encarcerado no Porto e depois encarcerado em Coimbra, enquanto os jesuítas perdiam seus privilégios. Em 1667 foi condenado a internamento e proibido de pregar, mas, seis meses depois, a pena foi anulada. Com a regência de D. Pedro, futuro D. Pedro II de Portugal, recuperou o valimento.

[editar]Em Roma

Seguiu para Roma, de 1669 a 1675. Encontrou o Papa às portas da morte, mas deslumbrou a Cúria com seus discursos e sermões. Com apoios poderosos, renovou a luta contra a Inquisição, cuja atuação considerava nefasta para o equilíbrio da sociedade portuguesa. Obteve um breve pontifício que o tornava apenas dependente do Tribunal romano.

[editar]Em Portugal

Regressou a Lisboa seguro de não ser mais importunado. Quando, em 1671, uma nova expulsão dos judeus foi promovida, novamente os defendeu. Mas o Príncipe Regente passara a protetor do Santo Ofício e o recebeu friamente. Em 1675, absolvido pela Inquisição, voltou para Lisboa por ordem de D. Pedro, mas afastou-se dos negócios públicos.

[editar]No Brasil, pela última vez

Decidiu voltar outra vez para o Brasil, em 1681. Dedicou-se à tarefa de continuar a coligir seus escritos, visando à edição completa em 16 volumes dos seus Sermões, iniciada em 1679, e à conclusão da Clavis Prophetarum. Possuía cerca de 500 Cartas que foram publicadas em 3 volumes. Suas obras começaram a ser publicadas na Europa, onde foram elogiadas até pela Inquisição. [Como se mede o índice de produtividade de um cara como esse? Receberia ele a bolsa PQ do CNPq?]

Já velho e doente, teve que espalhar circulares sobre a sua saúde para poder manter em dia a sua vasta correspondência. Em 1694, já não conseguia escrever de próprio punho. Em 10 de junho começou a agonia, perdeu a voz, silenciaram-se seus discursos. Morre a 18 de julho de 1697, com 89 anos.

Um comentário:

André disse...

Caramba, coitado do Pe. Vieira... compare-se ao menos com o Saramago ou com o Chomsky. Dawkins é maldade!