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terça-feira, novembro 03, 2009

Obama e o Prêmio Nobel da Paz



Dado que a realidade política-economica final é fruto do comportamento coletivo dos homens, dado que os resultados são frutos do acaso e da necessidade, talvez esteja correto que o Prêmio Nobel seja dado a pessoas com boas intenções e propostas, e não apenas às pessoas que efetivamente alcançaram resultados concretos. Afinal, tais resultados serão frutos da ação da sociedade como um todo, e não delas em particular.

A História de grandes heróis científicos criando uma civilização progressiva e teleologicamente rumando para uma civilização científica liberal, de preferencia ateista, é um exemplo clássico de História Whig, que já foi refutada cientificamente por qualquer historiador profissional.

2 comentários:

Roberto G. S. Berlinck disse...

Caro Osame,
Este texto da tua postagem me pareceu um tanto enigmático. Entendi, pelo que você escreveu, que a história é fruto da ação coletiva. OK. Mas não entendi quando você diz que "os resultados são frutos do acaso e da necessidade". Também não entendi a conexão entre as duas primeiras afirmativas e a outorga do Prêmio Nobel da Paz.
Porém, não concordo com tua colocação que o Prêmio Nobel seja concedido a possoas com boas intenções e propostas. Afinal, "o inferno está cheio de pessoas com boas intenções" (ditado popular). Também não concordo que tais resultados são frutos da ação da sociedade como um todo. Muitas vezes, tomamos conhecimento de iniciativas dignas de merecer tal prêmio, mas que nos passam totalmente despercebidas. Por exemplo, do falecido diplomata Sergio Vieira de Melo, quem, a meu ver, já deveria ter ganho o prêmio Nobel da paz, ainda que póstumo, ainda que não seja outorgado um prêmio póstumo. A outorga de um prêmio, seja qual for, no meu ver deve ser baseado única e exclusivamente no mérito. Se não, como saber de antemão quais intenções e propostas terão resultados concretos que sejam realmente positivos? Só com bola de cristal (e olhe lá).

Osame Kinouchi disse...

Roberto, o que eu quis dizer foi o seguinte:

Uma pessoa A sem boas intenções acaba por puro acaso a promover a paz no mundo (tipo Kissinger e a reaproximação com a China).

Uma pessoa B tem boas intenções, genuinas. Luta para implementa-la ainda mais que A. Mas fracassa, por motivos vários. Afinal, seu sucesso não depende apenas dela ou de seu esforço pessoal, mas do ambiente, do acaso, das condições objetivas. O seu merito pessoal é condição necessária, mas não suficiente para atingir o objetivo.

Quem tem mais mérito? Quem deveria receber o premio? O cara que por acaso e circunstancia contribuiu para a Paz, mesmo sem desejá-lo, ou o cara que lutou a vida toda mas não conseguiu atingir seus objetivos?

Acho que concordamos que B tem mais merito, então a frase "o inferno está cheio de boas intenções" deveria ser deletada do nosso vocabulario filosofico por ser um argumento de pessoas em geral usado por pessoas que ou não tem boas intenções ou não gostam de pessoas com boas intenções...

OK, a pessoa B é um fracassado, pois não atigiu seu objetivo, apesar de suas intenções. Então não merece o premio, OK, concordo.

Daí temos uma pessoa C que tem boas intenções e que efetivamente contribuiu para a Paz mundial. Premio Nobel para ele, ótimo!

Seja a pessoa D, que tem boas intenções, bom potencial, não fracassou ainda e já deu alguns passos na direção certa (especialemnte por ser uma pessoa muito influente, um formador de opiniao, mesmo um discurso pode mudar opinioes e contribuir para a paz). Acho que este é o caso de Obama.

Logo, no meu rol de merecedores do Nobel eu o daria na ordem C, D, B e A.

A pessoa A, que efetivamente contribuiu para a Paz, mas sem querer (ou seja, sem ter intenção de fazer isso), não deveria receber o premio. É minha opinião pessoal, apenas isso...