Ocorreu um erro neste gadget

sábado, novembro 07, 2009

Folha de São Paulo e o suposto plágio na USP (I)


O plágio é o ato pelo qual um indivíduo faz crer aos outros, mesmo que por omissão, que um determinado trabalho intelectual é de sua autoria (isto é, assinando-o com o seu nome sem declarar explicitamente que porção ou porções são pertencentes a determinado autor através de uma referência de rodapé ou melhor, na bibliografia), quando na verdade ele é cópia de algum outro anterior.
Tal ato é normalmente considerado antiético (ou mesmo imoral, em praticamente todo o mundo), chegando a ser classificado como crime em vários países, especialmente no meio académico. Em determinadas áreas da academia, como a de humanas, é comum citar na íntegra o conteúdo de determinados trechos de uma obra, desde que obviamente seja citada a fonte e, nesse caso, até mesmo a paginação onde aquelas linhas foram transcritas.
Por sua vez, em se tratando de textos científicos da área de ciências da vida (Biologia, Medicina, etc), não é usual fazer uso desse expediente, sendo necessário proceder nova redação, portanto, com novas palavras; sobre o conteúdo e a contribuição de interesse de uma dada publicação científica, sendo necessário, ainda, a citação da fonte bibliográfica consultada. Encontrado aqui, não sei se é plágio!

Do blog Laboratórios:

05/11/2009

Suely e o plágio

Caros leitores, algum de vocês pode achar que é uma coisa óbvia, mas acho importante falar: não dá para engolir a defesa que a reitora da USP, Suely Vilela, apresenta para as acusações de plágio que pairam sobre seu grupo de pesquisa, relatadas ontem em reportagem de Eduardo Geraque.

Ao que parece, a história em que a magnífica se envolveu é um daqueles casos clássicos em que um pesquisador júnior apronta uma molecagem, copiando trechos de outros trabalhos, e os cientistas seniores coautores do estudo acusado acabam sofrendo as consequências por tabela, depois que a travessura é descoberta. Pode ser verdade, mas seria uma injustiça tão grande condenar Suely?

Qualquer cientista sabe que, em um estudo com número muito grande de autores, poucos são aqueles que escreveram mesmo algo ou atuaram efetivamente na pesquisa que originou ou trabalho. Muitos nomes entram por razões bem paroquiais e pouco “autorais”, como empréstimo de material para experimentação, cessão de dados etc.

É comum até mesmo o etéreo “empréstimo de prestígio”, quando se trata de um cientista mais conhecido. Um nome de fama no meio acadêmico abre muitas portas --sobretudo portas de revistas científicas cujos artigos são revisados por outros cientistas. E um cientista, como qualquer outro ser humano, é um animal político. Em troca de emprestar seu nome, o figurão engorda seus números de produtividade de artigos sem ter muito trabalho. Alguns cientistas acham isso errado, outros acham que faz parte do jogo. Tanto faz.

O problema é que essas particularidades do sistema de publicações científicas nunca são debatidas quando o que está em evidência é o mérito de um trabalho, e não sua desgraça. Se o plágio do referido estudo nunca tivesse sido descoberto, provavelmente o artigo serviria apenas para entrar na conta do cientista sênior, engordar os valores de suas bolsas de estudo e somar pontos em avaliações acadêmicas.

Não é possível dizer de antemão, claro, que isso é o que aconteceu no caso da reitora da USP. Abrir uma sindicância para investigar tudo foi a decisão correta. Se foi assim, porém, dá para entender por que Suely Vilela se esforçou tanto para tentar abafar outra denúncia de plágio, aquela contra o diretor do Instituto de Física, Alejandro Szanto de Toledo, episódio com algumas semelhanças. Talvez a reitora tenha tido algum tipo de empatia ao saber do caso. Talvez ela tenha pensado que para nós, pobres leigos financiadores da universidade pública, seria difícil entender que às vezes é preciso sujar um pouco as mãos para conseguir publicar um artigo.

É. Seria mesmo.

Escrito por Rafael Garcia às 16h00

Comentários (2) | Enviar por e-mail | PermalinkPermalink #

Nenhum comentário: