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quarta-feira, setembro 16, 2009

Vacina da Gripe Suína: o Brasil vai vacinar 70% da população?


10/09/09 - 15h01 - Atualizado em 10/09/09 - 15h47

Vacinação antigripe nos EUA deveria iniciar por crianças este mês, diz estudo

Eficácia depende do ‘timing’ da campanha de imunização.
Cobertura populacional ideal seria de 70%.


Se 70% da população americana for vacinada contra o vírus H1N1, começando pelas crianças em idade escolar, será possível mitigar o impacto da nova gripe no inverno, baixando sua taxa de infecção para 15%, nível compatível com uma temporada leve de gripe comum. Um grupo multidisciplinar da Universidade de Washington, em Seattle (EUA), fez o primeiro cálculo de transmissibilidade do vírus no ambiente escolar e concluiu que, no melhor cenário de combate, as crianças deveriam receber a vacina primeiro, seguidas dos adultos e dos profissionais de áreas expostas à doença, como saúde, e de serviços essenciais (mais uma vez saúde, mas também polícia e transporte, por exemplo). 

 

Um “detalhe”: o início da campanha de imunização não poderia passar deste mês. “Embora o distanciamento social e o uso de antivirais possam ser parcialmente eficazes para tornar a disseminação (da gripe suína) mais lenta, a vacinação continua o meio mais efetivo de controle da influenza pandêmica”, diz o artigo que resume a pesquisa, publicado nesta quinta-feira (10) pela revista “Science”. Contrariando o que foi feito no Brasil, por exemplo, os cientistas avaliam que fechar escolas e outros espaços de aglomeração pública é o expediente com a menor relação custo/benefício na luta contra a nova gripe. A estratégia com a melhor relação custo/benefício, insistem os especialistas, é vacinar. O problema é quantas pessoas, qual é a prioridade e, acima de tudo, quando.

 

A alta transmissibilidade do novo vírus foi mais uma vez atestada: a taxa é de 1 para 1,3 a 1,7. Ou seja, cada gripado infecta quase outros dois. Essa taxa equivale à infecção de 25% a 39% da população mundial por gripe suína em um período de 1 ano.

 

As crianças se destacaram neste quesito: os estudantes doentes infectam colegas a uma taxa de 1 para 2,4. Ainda assim, de 30% a 40% das transmissões do influenza ocorrem em domicílios. Depois vêm as escolas, com cerca de 20%. Os demais espaços mais importantes de infecção são locais de trabalho e a “comunidade em geral”, diz o texto.

 

Os pesquisadores usaram um modelo de computador para simular os efeitos da vacinação nos EUA. Diferentes combinações de cenários alimentaram o sistema. Por exemplo: pré-vacinação (antes da retomada da multiplicação de casos, prevista nos EUA para breve) cobrindo 30%, 50% e 70% da população; vacinação universal, mas por etapas, com ou sem 30 dias de atraso em relação à retomada; vacinação em etapas, priorizando crianças, com ou sem atraso.

 

O estudo estima que atualmente mais de 20 laboratórios farmacêuticos estão na corrida para a produção do imunizante ( o Instituto Butantan, em São Paulo, é um deles ). Nos Estados Unidos, a vacinação pode começar em setembro e cobrir, por mês, 20% da população americana, isso por “muitos meses”. Mas o início da campanha de imunização pode ser adiado para outubro, admitem os pesquisadores – e só esse adiamento já traria prejuízos de saúde pública. Mesmo uma vacinação universal, mas com 30 dias de atraso em relação à repique de casos, tem pode de fogo reduzido. O trabalho parte do pressuposto de que serão necessárias duas doses, com um intervalo entre a 1ª e a 2ª dose de no mínimo três semanas. Outra premissa é que a disseminação limitada do H1N1 nos EUA na primavera e verão resultou “em uma imunidade em nível populacional muito limitada no outono”.

 

Acompanhe a cobertura completa sobre a nova gripe

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