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segunda-feira, setembro 21, 2009

Testando a hipótese de correlação entre autismo e ateísmo


Autismo é o preço da inteligência, diz descobridor da estrutura do DNA

CLAUDIO ANGELO
enviado especial da Folha de S.Paulo a Cold Spring Harbor (EUA)
Fonte:  http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u575851.shtml   em 02/fev/2010. 

James Watson, codescobridor da estrutura do DNA, pai da biologia molecular e polemista profissional, tem uma nova teoria para explicar a suposta genética da inteligência. Os genes que predisporiam algumas pessoas a habilidades intelectuais elevadas seriam os mesmos que disparam doenças como autismo e esquizofrenia.

Coincidentemente, é essa a hipótese que um grupo de pesquisadores da Universidade do Colorado está desenvolvendo. Os dados foram apresentados na semana passada nos Estados Unidos, logo depois de Watson ter delineado suas ideias.

"Isso é muito especulativo. Não posso provar", admitiu à Folha o biólogo, de 81 anos. Mas a inteligência, continuou, é rara porque casais inteligentes têm probabilidade mais alta de terem filhos com problemas. "E esses genes tendem a ser eliminados pela seleção natural."

Watson apresentou sua tese durante o 74º Simpósio de Cold Spring Harbor sobre Biologia Quantitativa, organizado pelo laboratório do qual ele era chanceler --até ser demovido do posto no fim de 2007 por ter feito comentários racistas.

Longe de se retratar pelo episódio, Watson ainda sugeriu, durante sua apresentação, que outro motivo pelo qual a inteligência é rara é que "as pessoas inteligentes pagam por dizerem a verdade. Sei disso por experiência pessoal".

Autorreferência

O cientista começou a desenvolver sua hipótese depois de ter sido o primeiro ser humano a ter o genoma sequenciado.

"Fiquei assustado, descobri que tinha mutações em três genes ligados ao reparo do DNA".

Esses genes, como o BRCA1 e o BRCA2, entram em ação para corrigir danos causados durante a replicação do DNA ou por uma agressão do ambiente, como radiação. Mutações neles estão ligadas ao câncer.

"Pessoas com essas mutações tendem a ter filhos especiais", disse. Watson tem um filho esquizofrênico.

Os mutantes são mais inteligentes que a média e têm menos filhos --e, de acordo com Watson, têm problemas para se relacionar com as outras pessoas. Veja os cientistas.

Supostamente, os genes da inteligência seriam eliminados pela seleção natural. "Mas por que eles não somem e a humanidade não fica mais estúpida?"

Elementar, afirma Watson. As sociedades que têm indivíduos com alta cognição, como Einstein e Darwin, se beneficiam. O processo evitaria o expurgo da inteligência -e da esquizofrenia- do "pool" genético dessas populações.

Faca de dois gumes

Menos especulativa é a ligação entre cognição e doenças mentais feita pelo grupo de James Sikela (Universidade do Colorado). Ele e seus colegas descobriram uma correlação entre o alto número de cópias de um gene numa certa região do DNA humano e o desenvolvimento do cérebro. Essa região, dizem outros estudos, estaria também implicada com autismo e esquizofrenia.

Os pesquisadores identificaram que uma região instável do genoma chamada 1q21.1 concentrava um número alto de cópias de um gene chamado DUF1220. "A relação de causa e efeito não está provada, mas nós relatamos uma correlação" entre o aumento do número de cópias desse gene na linhagem humana e o aumento do cérebro, disse Sikela à Folha.

Essa instabilidade é "uma faca de dois gumes". "Ela teria permitido mais cópias do DUF1220 e, portanto, teria sido retida na evolução. Por outro lado, essa instabilidade não é precisa e pode gerar um embaralhamento deletério de sequências.

É por isso que os vários estudos recentes que têm relacionado variação no número de cópias na região 1q21.1 no autismo e na esquizofrenia chamaram nossa atenção: isso se encaixa na ideia de que os indivíduos com essas doenças são o preço que a nossa espécie paga pelo mecanismo que permitiu e permite a geração de mais cópias da DUF1220."

Sikela disse que Watson não sabia de seus dados e que o mecanismo sugerido por ele é diferente. "Mas, em teoria, outras regiões do genoma poderiam se encaixar no modelo."



Isso me lembra um argumento sobre a porcentagem de cientistas ateus entre os grandes cientistas, ou entre os cientistas que são da National Academy of Sciences.

A porcentagem de cientistas ateus é maior nesta amostra do que na população usual de cientistas. Uma possível explicação é que tais cientistas são mais corajosos intelectualmente e são fortes o suficiente para assumirem seu ateísmo. É uma explicação possível, mas de dificil testabilidade científica e parece ser mais uma hipótese lisongeira self-serving.

Existe porém uma outra explicação mais pedestre e mais testável: As mutações no DUF1220 predisporiam ao alto QI, ao autismo e ao ateismo.

Dado que as experiencias religiosas em geral envolvem um "sentimento oceanico" de ligação com outras pessoas e com o universo, parece plausível que autistas tenham menos experiências religiosas (pois a principal caracteristica do autismo é a falta de empatia pelo sofrimento ou pelas emoções das pessoas).

Isso pode ser testado, simplesmente determinando a porcentagem de autistas religiosos ou não.

A hipótese prossegue supondo que a mutação genética C = mutação no DUF1220 é a causa tanto de A (alto QI) quanto B (geekeness). A hipótese é testável, bastando para isso examinar o genoma dos cientistas da National Academy of Science. Eu aposto um kit Colorado como eles tem uma proporção maior dessa mutação do que a população geral, ou mesmo a população de cientistas, em acordo com James Watson. Lembremos que empresas comerciais estão fazendo tais tipos de exames genéticos a US$ 300 hoje em dia.

Uma evidencia adicional é que aparentemente mulheres são mais religiosas (ou mais preocupadas com a "espiritualidade") do que os homens. A fração de atéias e céticas nos fóruns céticos é absurdamente desproporcional (10%?).

É sabido que a porcentagem de autistas homens é de duas a três vezes maior que de mulheres. Assim, conjecturo que mutações tipo as do gene DUF1220 são mais frequentes em homens (isso também pode ser testado - desconfio que isso já foi comprovado).

Finalmente, a hipótese se fecha, prevendo que haverá maior proporção de mutantes DUF1220 entre os ateus. Eu aposto um kit Colorado que Dawkins tem essa mutação genética (isso é facilmente testável, basta apenas Dawkins fazer o teste genético que Watson fez). Afinal, todos reconhecemos que Dawkins tem alto QI...

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