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quinta-feira, junho 04, 2009

O Preço da Inteligência


Essa teoria do James Watson eu já vi em um livro que não recordo a referência. Nesse livro havia uma análise biográfica de Newton e Einstein, com a sugestão de que eles sofriam de Síndrome de Asperger.

A notícia da Folha é interessante por informar que Watson tem um filho esquizofrênico. Sabemos que Einstein também tinha, Ferreira Gullar tem dois. Newton não teve filhos por ser homossexual, portanto nunca saberemos (mas talvez fosse interessante estuda sua árvore genealógica). Obviamente, casos isolados não provam nada. Os psiquiatras e psicólogos não gostam da teoria dos gênios criativos loucos porque, estritamente falando, a maior parte dos pacientes psiquiatricos não é nem criativa nem inteligente nem genial.

Isso se deve a um equivoco primário (mas parece que os psicólogos não gostam de prestar atenção nas suas aulas de estatística...). A probabilidade condicional de uma pessoa ser genial dada que tem problemas psiquiatricos, P(G|P), é baixa ou baixíssima. Mas o que a teoria (de Aristóteles) de que os gênios (como ele, Platão e Sócrates) sofrem de transtornos mentais se refere à P(P|G) = probabilidade que, dado que você é um gênio, sofra de distúrbios mentais.

Ou seja, você deve fazer a pesquisa estatística apenas dentre o subconjunto de pessoas com talento reconhecido, como por exemplo a amostra de poetas inglêses (hum, Gullar é poeta) examinada por Kay Jamison (que trabalhou recentemente com Watson) e que revela uma alta prevalência de depressão unipolar e bipolar (cuja consequência muitas vezes é o suicídio).

Uma candidata que coloco nessa lista é Florbela Espanca, tida como a maior poetisa portuguesa, cuja obra completa acabei de ler.

A teoria de Watson vem de encontro com os vários posts que já coloquei aqui sobre o assunto: minha tese é que a inteligência e a criatividade extrema não dão bom fitness biológico para seus portadores (por que, mesmo que eles se dêem bem, seus filhos sofrerão). Os muito inteligentes e criativos são como os X-men, à margem da sociedade. Mas se no futuro outras mutações sanarem suas deficiências e tendências autistas, novos níveis humanos de capacidade serão atingidos.

Dado que não sou favorável à eugenia ou engenharia genética de humanos (não em princípio, mas por causa da complexidade do genoma, pois você muda um gene e seus efeitos se propagam na rede de forma desconhecida), meu conselho para os que se acham inteligentes e criativos é: case com uma loira com alto QI emocional e social.

03/06/2009 - 08h16

Autismo é o preço da inteligência, diz descobridor da estrutura do DNA

CLAUDIO ANGELO
enviado especial da Folha de S.Paulo a Cold Spring Harbor (EUA)

James Watson, codescobridor da estrutura do DNA, pai da biologia molecular e polemista profissional, tem uma nova teoria para explicar a suposta genética da inteligência. Os genes que predisporiam algumas pessoas a habilidades intelectuais elevadas seriam os mesmos que disparam doenças como autismo e esquizofrenia.

Coincidentemente, é essa a hipótese que um grupo de pesquisadores da Universidade do Colorado está desenvolvendo. Os dados foram apresentados na semana passada nos Estados Unidos, logo depois de Watson ter delineado suas ideias.

"Isso é muito especulativo. Não posso provar", admitiu à Folha o biólogo, de 81 anos. Mas a inteligência, continuou, é rara porque casais inteligentes têm probabilidade mais alta de terem filhos com problemas. "E esses genes tendem a ser eliminados pela seleção natural."

Watson apresentou sua tese durante o 74º Simpósio de Cold Spring Harbor sobre Biologia Quantitativa, organizado pelo laboratório do qual ele era chanceler --até ser demovido do posto no fim de 2007 por ter feito comentários racistas.

Longe de se retratar pelo episódio, Watson ainda sugeriu, durante sua apresentação, que outro motivo pelo qual a inteligência é rara é que "as pessoas inteligentes pagam por dizerem a verdade. Sei disso por experiência pessoal".

Autorreferência

O cientista começou a desenvolver sua hipótese depois de ter sido o primeiro ser humano a ter o genoma sequenciado.

"Fiquei assustado, descobri que tinha mutações em três genes ligados ao reparo do DNA".

Esses genes, como o BRCA1 e o BRCA2, entram em ação para corrigir danos causados durante a replicação do DNA ou por uma agressão do ambiente, como radiação. Mutações neles estão ligadas ao câncer.

"Pessoas com essas mutações tendem a ter filhos especiais", disse. Watson tem um filho esquizofrênico.

Os mutantes são mais inteligentes que a média e têm menos filhos --e, de acordo com Watson, têm problemas para se relacionar com as outras pessoas. Veja os cientistas.

Supostamente, os genes da inteligência seriam eliminados pela seleção natural. "Mas por que eles não somem e a humanidade não fica mais estúpida?"

Elementar, afirma Watson. As sociedades que têm indivíduos com alta cognição, como Einstein e Darwin, se beneficiam. O processo evitaria o expurgo da inteligência -e da esquizofrenia- do "pool" genético dessas populações.

Faca de dois gumes

Menos especulativa é a ligação entre cognição e doenças mentais feita pelo grupo de James Sikela (Universidade do Colorado). Ele e seus colegas descobriram uma correlação entre o alto número de cópias de um gene numa certa região do DNA humano e o desenvolvimento do cérebro. Essa região, dizem outros estudos, estaria também implicada com autismo e esquizofrenia.

Os pesquisadores identificaram que uma região instável do genoma chamada 1q21.1 concentrava um número alto de cópias de um gene chamado DUF1220. "A relação de causa e efeito não está provada, mas nós relatamos uma correlação" entre o aumento do número de cópias desse gene na linhagem humana e o aumento do cérebro, disse Sikela à Folha.

Essa instabilidade é "uma faca de dois gumes". "Ela teria permitido mais cópias do DUF1220 e, portanto, teria sido retida na evolução. Por outro lado, essa instabilidade não é precisa e pode gerar um embaralhamento deletério de sequências.

É por isso que os vários estudos recentes que têm relacionado variação no número de cópias na região 1q21.1 no autismo e na esquizofrenia chamaram nossa atenção: isso se encaixa na ideia de que os indivíduos com essas doenças são o preço que a nossa espécie paga pelo mecanismo que permitiu e permite a geração de mais cópias da DUF1220."

Sikela disse que Watson não sabia de seus dados e que o mecanismo sugerido por ele é diferente. "Mas, em teoria, outras regiões do genoma poderiam se encaixar no modelo."

6 comentários:

none disse...

Tem um artigo publicado em periódico científico sobre a especulação a respeito de Einstein e Newton sofrerem de Asperger:
http://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi?tool=pubmed&pubmedid=12519805
----------------

Nessas horas que fico feliz em não ser nenhum gênio.

[]s,

Roberto Takata

none disse...

"meu conselho para os que se acham inteligentes e criativos é: case com uma loira com alto QI emocional e social."

Patrulha censória-matriz, ativar!

3 preconceitos em uma frase... rere

*só homens são inteligentes;
*pessoas sociáveis e felizes são burras;
*loiras são burras.

[]s,

Roberto Takata

Osame disse...

Calma, olha o jeito que usei os artigos "o" e "a".

"Meu conselho para os [homens] que se acham inteligentes..."

Ou seja, eu dei um conselho para os homens inteligentes, nao me dirigi às mulheres inteligentes, apenas isso (afinal, quem sou eu para dar conselh para mulher inteligente???) Talvez eu pudesse adicionar um vice-versa, mas acho que mulheres como Marilia Gabriela já usaram este conselho.

"Case com L com alto QIE e QIS".

Isso é a descrição de uma classe, não implicacoes logicas. É claro que o inverso, ou seja, (QIE AND QIE) implica L ou B (burra), não é uma afirmativa que segue logicamente da minha. Lógica, Takata, lógica!

OK, eu assumo que sugeri que L implica B. Mea Culpa, Erramos, chamem o Ombusdman! (engraçado que as feministas não são conhecidas por defenderem as loiras...)

E justo eu que sou fã do filme Legalmente Loira (I) ! Imperdoável!

none disse...

Como não há gênero neutro em português, a forma masculina desempenha essa função. Assim, sem uma especificação em contrário, o "os que se acham inteligentes" contempla tanto homens quanto mulheres.

"(QIE AND QIE) implica L ou B (burra), não é uma afirmativa que segue logicamente da minha."

QIE ^ QIS -> B é uma afirmativa que se segue logicamente da *construção*. Uma vez que seu argumento é da forma:

P1) Se pessoa inteligente tem filho com pessoa inteligente, terão propensão a terem filhos mentalmente 'especiais', para usar a expressão de Watson;
P2) Então pessoa inteligente tem que ter filhos com pessoas não-inteligentes (isto é, burras).
C) Por isso tenha filhos com loiras de alto QIE e QIS.

A premissa oculta é:
P3 "Pessoas de alto QIE e QIS são não-inteligentes (isto é, burras)".

(Há ainda a premissa oculta P1a - pessoas inteligentes tendo filhos com pessoas não-inteligentes não terão tendência a terem filhos mentalmente especiais. E uma premissa oculta P1b - as pessoas devem evitar ter filhos mentalmente especiais.)

[]s,

Roberto Takata

none disse...

Só deixando claro, as observações acima são uma brincadeira.

[]s,

Roberto Takata

Osame Kinouchi disse...

Roberto,

É claro que sei disso, e o post também era ua brincadeira (eu sou pós-politicamente correto, não pré-pliticamente correto).

Mas amigos me disseram que daqui a 10 anos irão desencavar o que eu disse quando eu estiver concorrendo a Prof. Titular...
Portanto, ainda esta semana colocarei o post no rascunho... E todas os seus comentários se perderão como lágrimas na chuva...