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terça-feira, junho 02, 2009

Erramos: Raios não derrubam aviões


O bom do uso de blogs e janelas de comentários é que as informações podem ser rapidamente corrigidas. Eu reproduzi em outro post o anúncio da Air France de que um raio poderia ter derrubado o avião. Roberto Takata e João Carlos rapidamente me chamaram a atenção de que isso é improvável (e eu realmente dei marcada, porque aviões são gaiolas de Faraday, e eu deveria saber isso. Um texto sobre isso pode ser encontrado aqui.


Fica a curiosidade sobre por que a Air France teria solto esta informação exdrúxula. A menos que tenham informações internas (uma da "caixas pretas" da aeronave envia online informações técnicas (centenas de parâmetros) via satélite para a central da Air France.

Uma especulação minha seria sobre a magnitude dos raios. Será que alguém já traçou uma distribuição de  magnitude (energia liberada?)  dos raios? Eu aposto que dá uma lei de potência, porque raios parecem lembrar avalanches com características fractais. 

Em termos de extensão espacial, eu sei que relâmpagos (não raios, mas relâmpagos, OK!) podem se extender por centenas de quilometros (veja no filme acima como os eventos não são aleatórios, alguns relâmpagos parecem induzir outros a quilometros de distância, ou seja, os eventos estão correlacionados e não seguem uma distribuição de Poisson). Eu gostaria de fazer um paper sobre isso um dia... Algum leitor tem acesso aos dados do radar de Bauru?

Então, sei lá, talvez os sistemas de segurança dos aviões só aguentem raios até uma certa magnitude M e esta aeronave foi atingida por um raio de altissima magnitude. Tipo assim um prédio que aguenta terremoto de magnitude 6 mas não de magnitude 7, entendem? 

Se o comunicado da Air France não se baseia em dados comunicados pela caixa preta, então foi apenas uma especulação tecnicamente pobre e na verdade absurda. Será que os porta-vozes da Air France não entendem nada de aviões? 

No meu post, então esqueça a história de raios atingindo aviões. Mas o raciocínio sobre como ser atingido por um raio (em um campo de futebol?) está conectado com buracos negros a milhões de anos luz daqui continua válido...

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