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sexta-feira, outubro 02, 2009

Ateísmo Bíblico e Criacionismo não-fundamentalista

Acredito ser possível um diálogo proveitoso entre ateus não-xiitas e criacionistas não-xiitas. A nota adicionada neste post do blog criacionista Sinais dos Tempos parece ser razoável e ponderada. Talvez seja possível um diálogo entre ateístas bíblicos como eu e criacionistas mais esclarecidos (que apoiem Marina Silva, claro!). Mesmo ela se declarando não-criacionista...

Isso me lembra o sermão de John Wesley “The Case of Reason Impartially Considered


Escolas adotam criacionismo em aulas de ciências


Polêmicos nos Estados Unidos, onde são defendidos por movimentos religiosos como mais do que explicações baseadas na fé para a criação do mundo, o criacionismo e o design inteligente se espalham pelas escolas confessionais brasileiras - e não apenas no ensino religioso, mas nas aulas de ciências. Escolas tradicionais religiosas como Mackenzie, Colégio Batista e a rede de escolas adventistas do País adotam a atitude de não separar religião e ciência nas aulas, levando aos alunos a explicação cristã sobre a criação do mundo junto com os conceitos da teoria evolucionista. Algumas usam material próprio.
Outros trabalham com livros didáticos da lista do Ministério da Educação e acrescentam material extra. "Temos dificuldade em ver fé dissociada de ciência, por isso na nossa entidade, que é confessional, tratamos do evolucionismo com os estudantes nas aulas de ciências, mas entendemos que é preciso também espaço para o contraditório, que é o criacionismo", defende Cleverson Pereira de Almeida, diretor de ensino e desenvolvimento do Mackenzie.
O criacionismo e a teoria da evolução de Charles Darwin começam a ser ensinados no colégio entre a 5ª e 8ª séries do fundamental. Na hora de explicar a diversidade de espécies, por exemplo, em vez de dizer que elas são resultados de milhares de anos do processo de seleção natural, se diz que a variedade representa a sabedoria e a riqueza de Deus.
No Colégio Batista, em Perdizes (SP), o entendimento é semelhante. "Ensinamos as duas correntes nas aulas e deixamos claro que os cientistas acreditam na evolução, mas para nós o correto é a explicação criacionista. O importante é que não deixamos o aluno alienado da realidade", afirma Selma Guedes, diretora de capelaria da instituição.
A polêmica está no fato de os colégios ensinarem o criacionismo e o design inteligente não como explicações religiosas, mas como correntes científicas que se contrapõem ao evolucionismo. Nos EUA, a polêmica parou na Justiça. Em 2005, tribunais da Pensilvânia decidiram que o design inteligente não era ciência, recolocando Darwin nas escolas. No Brasil, onde o debate não é tão acirrado, esse tipo de ensino tem despertado dúvidas sobre a validade na preparação dos alunos. Os conteúdos de ciências exigidos em concursos e vestibulares são baseados em consensos de entidades científicas, que defendem a teoria da evolução.
Já nos cerca de 2 mil colégios católicos, segundo dados da Rede Católica de Educação, não há conflitos entre fé e teoria evolucionista. No material usado por cerca de cem colégios do País, as aulas de ciência trazem a teoria da evolução e explicam o papel de Darwin.

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Nota: Acredito que defender ideais criacionistas nas aulas de Ciências, seja uma verdadeira incongruência. Definitivamente não se apresenta como o melhor caminho para alcançarmos a tão sonhada "credibilidade científica", até porque, ela nunca virá. O criacionismo deve sim, como citado em um trecho da reportagem, oferecer o contraditório à teoria da evolução, pesquisando a veracidade das informações prestadas, duvidando daquilo que é passível de dúvida, porém crendo naquilo que realmente pode-se dizer científico, comprovado. O criacionismo não dever ser radical a ponto de tentar "colocar Deus em um tubo de ensaio", pois jamais conseguiremos. Lembremos: apesar de todo o avanço na sustentação da teoria de que há indubitavelmente um agente criador inteligente por trás de tudo o que vemos, para cremos que este criador é o Deus cristão, inegavelmente devemos nos valer da fé, atributo dos que crêem naquilo que não se pode ver (Hb. 11). Ao nos valermos da fé, saímos do campo da ciência; daí a incongruência citada ao início da nota. [M.G]

4 comentários:

Renato disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Renato disse...

Osame, fiquei curioso sobre qual seria o proveito tirado de um diálogo entre um criacionista e um ateu. Confesso que não pude vislumbrar.
O argumento de que o criacionismo pode oferecer o contraditório às teorias científicas não convence. O próprio meio científico já se encarrega disso muito bem.

Quanto ao comentário do autor da nota, é interessante ver que ele admite não ser adequado o ensino do criacionismo nas escolas. No entanto ele afirma que há um "avanço na sustentação da teoria de que há indubitavelmente um agente criador inteligente por trás de tudo o que vemos". Ou seja, ele afirma que há sim um criador e a única dúvida que resta é se este criador é o deus cristão ou não. Note que não é a existência de um criador que depende da fé, e sim se este criador é o deus no qual ele acredita.
Como um ateu pode ter um diálogo proveitoso com alguém que afirma isso?
Quem sabe essas teorias que ele menciona acabem sustentando que o "criador" é o deus muçulmano ou os deuses hindus. Se assim fosse, será que ele se converteria?

Osame Kinouchi disse...

Renato, minha motivação é estratégicca e politica. Como eu escrevi: "Talvez seja possível um diálogo entre ateístas bíblicos como eu e criacionistas mais esclarecidos (que apoiem Marina Silva, claro!)."

Ou seja, é a questão é de não perder o apoio dos adventistas a Marina Silva, mesmo depois dela ter se declarado não criacionista. Quanto mais voto, melhor...

Não sei se você sabe, mas eu defendo a ideia de um criador finito, não onipotente nem onibondoso (ou melhor, uma civilização criadora) que teria feito nosso universo por meios tecnologicos (assim como nós, um dia, faremos alguns nos Super LHCs da vida).
O post é

Eu chamo essa ideia de Terceira Via, mas infelismente os ateus convencionais não tem discutido essa possibilidade. É uma ideia defendida por varios fisicos, inicialmente proposta por Alan Guth e defendida atualmente por Edward Harrison.

Seria interessante vc ler o post e opinar a respeito...

A terceira via propoe que o universo nao surgiu por acaso nem que lhe falta (potencialmente) proposito: o proposito minimo é engendrar civilizações capazes de gerar universos-bebes...

Osame Kinouchi disse...

O post é: http://comciencias.blogspot.com/2009/08/fisicos-ets-criaram-o-universo.html