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sexta-feira, março 02, 2007

A tumba de Cameron


Bom, já estamos em março e portanto o tema de fevereiro Religião e Ciência da Roda de Ciência já terminou. Ainda bem, pois mais uns dias de debates acalorados e a Roda se desfazia (o Daniel e o Adilson ficaram chateados comigo, embora por motivos antagônicos!).

Em todo caso, acho que não poderia deixar de comentar a tese do documentário de Simcha Jacobovici e James Cameron (A tumba perdida de Jesus).

Do NYT: In recent years, audiences have demonstrated a voracious appetite for books, movies and magazines that reassess the life and times of Jesus, and there is already a book timed to coincide with this documentary, which will be on the air next Sunday.

“This is exploiting the whole trend that caught on with ‘The Da Vinci Code,’ ” said Lawrence E. Stager, the Dorot professor of archaeology of Israel at Harvard, in a telephone interview. “One of the problems is there are so many biblically illiterate people around the world that they don’t know what is real judicious assessment and what is what some of us in the field call ‘fantastic archaeology.’ ”

Professor Stager said he had not seen the film but was skeptical.

Mr. Cameron said he had been “trepidatious” about becoming involved in the project but got engaged out of “great passion for a good detective story,” not to offend and not to cash in.

“I think this is the biggest archaeological story of the century,” he said. “It’s absolutely not a publicity stunt. It’s part of a very well-considered plan to reveal this information to the world in a way that makes sense, with proper documentation.”

The documentary, “The Lost Tomb of Jesus,” revisits a site discovered by archaeologists from the Israel Antiquities Authority in the East Talpiyot neighborhood of Jerusalem in 1980, when the area was being excavated for a building.

Ten burial boxes, or ossuaries, were found in the tomb, and six of them had inscriptions. The Discovery Channel filmmakers say, and archaeologists interviewed concur, there is no possibility the inscriptions were forged, because they were catalogued at the time by archaeologists and kept in storage in the Israel Antiquities Authority.

The documentary’s case rests in large part on the interpretation of the inscriptions, which they say are Jesus, Mary, Mary Magdalene, Matthew, Joseph and Judah.

In the first century, these names were as common as Tom, Dick and Harry. But the filmmakers commissioned a statistician, Andrey Feuerverger, a professor at the University of Toronto, who calculated that the odds that all six names would appear together in one tomb are one in 600, calculated conservatively — or as much as one in one million.

Concordo que o documentário aproveita a onda de livros e filmes sobre Jesus, Maria Madalena etc, a maioria defendendo posições gnósticas. Eu mesmo pretendo entrar nessa onda com o livro (que já tem três capítulos escritos!) Deus e Acaso, colocarei uns trechos aqui futuramente.

Observação interessante: o diretor Simcha Jacobovici fez outro documentário no ano passado (The Exodus Decoded) tentando provar que o Exôdo era um fato histórico (não sei que fim levou isso).

Uma coisa curiosa e divertida é que o número de hipóteses sobre a morte de Jesus tem aumentado dramaticamente nos últimos anos. Por ordem cronológica:

Jesus, sábio hindu e asceta sexual: A revista Planeta costumava fazer reportagens enormes sobre a tumba de Jesus que estaria situada na India, ou seja, Jesus teria sobrevivido à cruz e emigrado para a Cashemira.

Jesus, o ET assexuado: A mesma revista Planeta (ou será a revista UFO?) defendeu a teoria de que Jesus era um ET que subiu os céus numa nuvem-UFO, sendo que um dia voltará para estabelecer o Reino dos Céus (ou seja, implantar a sociedade galáctica aqui, composta por anjos etc).

Jesus, o homossexual: Esta tese foi defendida pelo movimento gay. O companheiro de Jesus seria João, "o discipulo a quem Jesus amava".

Jesus, uma mulher? Já algumas feministas radicais defendiam que o crucifixo deveria ter uma mulher em vez de homem, a fim de combater o machismo. Seria Jesus um fruto de partenogênese de Maria?

Jesus, amante de Maria Madalena, que fugiu para a França: Esta é a tese de Dan Brown e seu Código Da Vinci. Mas se Cameron estiver correto, então Maria Madalena foi enterrada em Jerusalém em vez da França, e o filho de Jesus seria Judas e não Sara. E por consequência, cai também a tese de que os reis merovíngeos eram descendentes do "Sang Real" (Santo Graal).

Acho que alguém precisa avisar o pessoal que essas idéias todas são incompatíveis entre si... É interessante também como, mais que a filosofia de Jesus, é sua sexualidade a que desperta maior interesse. Será que Freud explica isso?

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