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domingo, março 18, 2007

Paleo-futuro


Ok, ok, então você não gosta de ficção científica? Eu tenho uma explicação para isso. Você tem tendências ao escapismo, não gosta de olhar de perto a sociedade atual tal como ela é. Você vive em uma torre de marfim.

Sim, exato. Explico. Se você gosta apenas de livros literários e filmes artísticos, então o que você está procurando é algo que represente uma visão não convencional, não usual, da realidade. Todo verdadeiro artista está à frente do seu tempo. Assim, tais artistas são mentes do amanhã exiladas no hoje ou mesmo no passado.


Por outro lado, a maior parte da ficção científica é datada, às vezes de forma extrema: você consegue saber a época de um filme pelo seu tema: invasões alienígenas (década de 50), viagens espaciais (60´s), catastrofes nucleares (70´s), andróides e ciberespaço (80´s), uma mistura pos-moderna disso tudo (90´s).


O mesmo acontece com os livros. E a razão é que a FC, na verdade, é uma literatura filosófica que reflete as obsessões e os medos da época na qual foi escrita. Não consegue escapar disso: a coleção Argonauta (> de 600 volumes) está aí para provar. Além do fato, claro, de ser escrita com a estrutura e linguagem romanesca do passado, não da vanguarda.


Conclusão: se você quer conhecer o seu mundo atual ou o passado, especialmente a ideologia de nossos antepassados (atitudes frente ao sexo, machismo, racismo, ecologia etc), leia ficção científica. Mas se quiser apenas uma literatura escapista, que te leve para os braços da eternidade, leia os clássicos!


Um blog que traz comentários e imagens interessantes sobre como nossos pais ou avós imaginavam o futuro é o Paleo-Future Blog. Reproduzo abaixo seu primeiro post:




I first came across the word "Paleo-Future" in a Flickr group of the same name. However, the topic first sparked my interest when I visited Walt Disney World's EPCOT Center, (now Epcot), and realized that Disney's version of the future was based upon what they thought the future would look like in the 1980s. As is important when depicting the future, your opinions must change with the times, unless you happen to be omnipotent, which means you have no need to revise your vision of the future and have probably used your powers for such noble endeavors as guessing my weight at the local carnival or writing horoscopes that tell me, "you should find time for yourself tonight."


While I might poke fun at the outlandish ideas of 1950s America, corporate puffery, or Jules Verne I do it with an admiration for the idealism we seem to be losing in our post-modern society. The belief that technology has the potential to improve the lives of everyone on Earth seems rare. Just remember that an optimism for the future and the attempt to better the world for all humanity is hidden somewhere within each sarcastic comment about flying cars and space farms. In that same vein, I will always remember that the dystopian societies depicted by George Orwell or Alan Moore are just as plausible if we surrender freedom in the name of security. Here's to a "great big beautiful tomorrow."


Thanks for reading,Matt

2 comentários:

Caio de Gaia disse...

Curioso, que você fale nisso. Enquanto procurava algo para ler nas muitas horas que o avião demora a cruzar o Atlântico encontrei na livraria do aeroporto um livro que tinha lido há n anos, o Brave New World de Aldous Huxley. Para além dos aspectos de paleo-future da obra, há ainda a visão de como a minha percepção da obra mudou em qualquer coisa como 25 anos. Dei por mim logo no início da obra a pensar que com a clonagem o tal máximo de 96 gémeos nos grupos Bokanovsky podia ser facilmente ultrapassado hoje em dia.

BB disse...

Pois é, Caio. Acho que a FC é um locus previlegiado para se conhecer uma epoca (no caso, 1932, preocupada com o hiper-behaviorismo e eugenia). E, sim, os livros que achavamos maravilhosos antigamente hoje nos parecem uma droga. Mudaram os livros ou mudamos nós?