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segunda-feira, abril 16, 2007

Formigas saltadoras



OK, OK, eu sei que o que vou relatar agora pode parecer meio estranho. É que, às vezes, dou uma de naturalista, acho. Por exemplo, ficar observando as borboletas coletando néctar em um arbusto no quintal da casa do Marcelo Tragtenberg, tentando verificar se elas usam uma estratégia parecida com a do turista estocástico. Ou, no caso presente, ficar às três da manhã no banheiro acompanhando as peripécias de uma formiga da madeira.

Tudo aconteceu anos atrás, quando um referee reclamou que a caminhada deterministica do turista não tinha aplicações práticas. Tudo bem que o Stanley, num News and Views para a Nature, discordou dele. Bom, como na primeira vez que eu pensei sobre o turista eu falei em termos de uma formiga visitando pontos no espaço, fiquei um dia observando, insone, a trajetoria de uma formiga lá no banheiro de casa (que mais tarde, por e-mail, Carlos Brandão me informou ser uma formiga da madeira - das quais existem mais de mil espécies).

Primeiro notei que uma das formigas percorria sempre a mesma trajetória na parede do box do banheiro, em um ciclo fechado. Até hoje não sei porquê. Depois observei outra que repetiu cinco vezes (sim, cinco!) um trajetoria de Sísifo onde ela subia na privada e, ao chegar na borda, pulava lá do alto.

Eu achei que a formiga fazia isso porque era mais rápido pular do que andar. Notei outra que, na parede, pulava toda vez que eu aproximava meu dedo dela. Também achei que era uma boa estratégia para escapar de um predador.

Aquelas formigas, com suas cabeças e cérebros enormes, sempre me intrigaram. A Nice me contou que observou duas formigas aparentemente "conversando" na forma de uma dança. Bom, contei para algumas pessoas mas é claro que ninguém acreditou em mim. O Fontanari me disse que a formiga "caía de susto" quando o dedo se aproximava, que não era intencional, mas que mesmo assim funcionava como estratégia de fuga a ser selecionada pela evolução. Sim, há controvérsias sobre o problema de intencionalidade em formigas. Mas a Wikipedia me informa que:
Some ants are even capable of leaping. A particularly notable species is Jerdon's jumping ant, Harpegnathos saltator. This is achieved by synchronized action of the mid and hind pair of legs.[19]

É interessante que as formigas lá de casa são muito parecidas com a foto da Harpegnathos saltator e, como estas, andam sozinhas ou em pequenos grupos e suas colônias também são pequenas. Será que a saltator emigrou (com os portuguêses) da Índia para cá?

Um dos mistérios que observei é que tais formigas andam, andam, mas não parecem estar carregando nada. Mariana, futura bióloga, fez experimentos para determinar o que elas comiam e concluímos que elas preferiam Tekitos com coca-cola...

Mas por que estou relembrando tudo isso? Bom, recebi o seguinte aviso hoje, e acho que vou levar a Mariana para assistir esta palestra:


"Ecologia de comunidades de formigas da Mata Atlântica"
Prof. Dr. Carlos Roberto F. Brandão - Museu de Zoologia - USP
Data: 17 de abril de 2007 (terça-feira) - às 16 horas
Local: Anfiteatro André Jacquemin - FFCLRP-USP

Link: http://www.ffclrp.usp.br/divulgacao/db/palestramataatlantica.doc

Informações: Secretaria do DB - ramal 4445 - db-secretaria@ffclrp.usp.br



A novel mechanism for jumping in the indian antHarpegnathos saltator (Jerdon) (Formicidae, Ponerinae)

Cellular and Molecular Life Sciences (CMLS)
Volume 50, Supplement 1 / February, 1994
Category: Research Articles
DOI 10.1007/BF01992052
Pages 63-71
C. Baroni Urbani1, G. S. Boyan1, A. Blarer1, J. Billen2 and T. M. Musthak Ali3
(1)
Zoological Institute, University of Basel, Rheinsprung 9, CH-4051 Basel, (Switzerland)
(2)
Zoological Institute, University of Leuven, B-3000 Leuven, (Belgium)
(3)
Department of Entomology, University of Agricultural Sciences, GKVK, 560065 Bangalore, (India)


Abstract
The Indian antHarpegnathos saltator may be unique among insects in using its jumping capacity not only as an escape mechanism but also as a normal means of locomotion, and for catching its prey in flight. High-speed cinematography used to analyse the various phases of the jump suggests thatHarpegnathos employs a novel jumping mechanism to mediate these behaviours: namely the synchronous activation of its middle and hindlegs. Electrophysiological recordings from muscles or nerves in pairs of middle and hindlegs show remarkably synchronous activity during fictive jumping, supporting the synchronous activation hypothesis.Harpegnathos is not the only ant to jump, and a cladistic analysis suggests that jumping behaviour evolved independently three times during ant evolutionary history.

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