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quinta-feira, fevereiro 22, 2007

As Máquinas do Prazer de Deus

Post mensal da Roda de Ciência. Por favor, deixe os comentários lá.

Como vocês devem ter notado (e me perdoar), este mês eu apenas coloquei aqui alguns posts sobre ciência e religião com material não original. É que eu pretendia escrever um post longo sobre a questão de que uma precondição para se ser um bom cientista seria o de ser ateu (uma afirmativa que acredito que Richard Dawkins endossaria).
Obviamente tal afirmativa é absurda por deixar muita gente boa de fora, desde Newton, Maxwell e Faraday até, na atualidade, o cosmólogo George Ellis (quaker) e mesmo meu avô em doutorado (o orientador do meu orientador), Barry Simon (judeu ortodoxo).

Mas fica para outra vez. Estou indo para o Simpósio do IINN daqui a pouco, não sei quando poderei blogar de novo. Fica aqui algo que escrevi um tempo atrás.

Não seremos nós as máquinas do prazer de Deus?

Poeta cujo nome não me lembro, citado por Ray Bradbury no livro As Máquinas do Prazer (The Machineries of Joy).


DENNIS OVERBYE, do New York Times:


DISPLAYING ABSTRACT - I was a free man until they brought the dessert menu around. There was one of those molten chocolate cakes, and I was suddenly being dragged into a vortex, swirling helplessly toward caloric doom, sucked toward the edge of a black (chocolate) hole. Visions of my father's heart attack .... There was one of those molten chocolate cakes, and I was suddenly being dragged into a vortex, swirling helplessly toward caloric doom, sucked toward the edge of a black (chocolate) hole. Visions of my father's heart attack (...)

Humpft! Meses atrás eu li este artigo por completo no NYT, mas agora ele está protegido e inacessível. O pessoal do CopyRight de jornal podia ser mais camarada, não?

Bom, o artigo do NYT era sobre o livre arbítrio, ou sua ausência, segundo alguns neurocientistas que talvez precisassem ler o artigo de Maxwell para perceber que a Física não é tão de terminista assim - na verdade, a Física contemporânea não é determinista de forma alguma, algo que parece que vai demorar décadas para o pessoal absorver...)

Acho que Maxwell está correto: ao contrário do que Sartre dizia, somos livres em apenas cerca de 0,1 por cento de nosso comportamento. É claro que isso faz uma grande diferença, pois é nesses pontos críticos que você decide a sua vida. Agora, tente provar que você é livre interrompendo o sexo com sua mulher... Não, amigos, somos todos cativos, a maior parte do tempo.

Então, acredito que não existe problema nenhum em uma religião como o judaismo e cristianismo primitivos sugerirem que somos máquinas, entes puramente materiais, que respiram ("ruah", vento, traduzido infelizmente por "espírito") e dependem essencialmente do sangue (traduzido do hebraico como "alma").

Somos todos cilônios! É isso o que a ciência diz. Ou "criaturas", como diz a Bíblia, feitas de humus ("homo") e que retornarão ao humus. E é por isso que os cilônios estão certos. Eles, como nós, somos as máquinas do prazer de Deus.

PS: Retiro o que eu disse em parte: aqueles soldados torturadores da Galactica não são nada humanos...

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