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quinta-feira, dezembro 24, 2009

Meu comentário sobre as previsões do Rainha Vermelha para gripe suína



Ótimas previsões. Precisariamos agora considerar se a concentração populacional (na 25 de março e no metro, por exemplo) e os transportes aéreos, não conhecidos em 1918, poderiam compensar a questão da I Guerra e da falta de antibióticos.

Afinal, se a causa de morte principal é pneumonia viral (e não pneumonia bacteriana), então antibióticos são inúteis. Além disso, a gripe de 1918 matou no mundo todo, enquanto que o conflito basicamente se deu na Europa.

Assim, enquanto possibilidade teórica, imagino que uma onda de gripe suína mutante com letalidade de 1% não seja tão implausível assim. A questão seria: em um mundo hipertecnológico e interconectado como o nosso, qual seria o impacto social e econômico de uma gripe com letalidade de 1% ? Em especial, qual seria o impacto sobre o sistema de saúde brasileiro?

Acho que isso seria um bom trabalho para estatísticos (esses parentes "sérios" dos astrólogos e advinhos...)
PS: Você conhece alguma teoria sobre por que um aumento de letalidade poderia ser bom para a disseminação de um vírus? Será que o aumento da letalidade é apenas um epifenomeno de um aumento do período de transmissão T (ou seja, uma pessoa em um estado mais grave transmitiria o virus por mais tempo), e é o parâmetro T que seria maximizado durante subsequentes ondas epidêmicas?

Uma coisa interessante daquele estudo recente dos chineses é que T pode durar até 17 dias [não sei se transmissão equivale a deteção por teste de RT-PCR, mas arrisco aqui, me corrijam por favor], ou seja, a variância é grande. Será que existe correlação positiva entre T e a gravidade da infecção nos pulmões?


ABSTRACT

Background The first case of 2009 pandemic influenza A (H1N1) virus infection in China was documented on May 10. Subsequently, persons with suspected cases of infection and contacts of those with suspected infection were tested. Persons in whom infection was confirmed were hospitalized and quarantined, and some of them were closely observed for the purpose of investigating the nature and duration of the disease.

Methods During May and June 2009, we observed 426 persons infected with the 2009 pandemic influenza A (H1N1) virus who were quarantined in 61 hospitals in 20 provinces. Real-time reverse-transcriptase–polymerase-chain-reaction (RT-PCR) testing was used to confirm infection, the clinical features of the disease were closely monitored, and 254 patients were treated with oseltamivir within 48 hours after the onset of disease.

Results The mean age of the 426 patients was 23.4 years, and 53.8% were male. The diagnosis was made at ports of entry (in 32.9% of the patients), during quarantine (20.2%), and in the hospital (46.9%). The median incubation period of the virus was 2 days (range, 1 to 7). The most common symptoms were fever (in 67.4% of the patients) and cough (69.5%). The incidence of diarrhea was 2.8%, and the incidence of nausea and vomiting was 1.9%. Lymphopenia, which was common in both adults (68.1%) and children (92.3%), typically occurred on day 2 (range, 1 to 3) and resolved by day 7 (range, 6 to 9). Hypokalemia was observed in 25.4% of the patients. Duration of fever was typically 3 days (range, 1 to 11). The median length of time during which patients had positive real-time RT-PCR test results was 6 days (range, 1 to 17). Independent risk factors for prolonged real-time RT-PCR positivity included an age of less than 14 years, male sex, and a delay from the onset of symptoms to treatment with oseltamivir of more than 48 hours.

Conclusions Surveillance of the 2009 H1N1 virus in China shows that the majority of those infected have a mild illness. The typical period during which the virus can be detected with the use of real-time RT-PCR is 6 days (whether or not fever is present). The duration of infection may be shortened if oseltamivir is administered.

Um comentário:

Atila Iamarino disse...

Osame,

Que medida corresponde à transmissibilidade é algo bem controverso, alguns estudos usam RT-PCR, outros infectam ferrets, outros cultivam em célula, varia bastante. Mas já vi estudos (não tenho os links, infelizmente) mostrando que o H1N1 novo infecta por mais tempo e sobrepõe outros vírus (H3N2, H1N1) no sistema respiratório de ferrets.

Dê uma olhada no http://www.virology.ws/