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quarta-feira, dezembro 23, 2009

Autópsias mostram que H1N1 lesiona o pulmão


SÃO PAULO - Os resultados das primeiras autópsias de brasileiros que morreram por causa da gripe suína mostram um cenário de danos ao organismo que remonta às epidemias de influenza de 1918, 1954 e 1968: destruição dos alvéolos pulmonares, hemorragia alveolar, inflamação necrótica dos bronquíolos e sinais de falência múltipla dos órgãos. Os exames indicam também ter havido uma resposta exagerada do sistema imunológico contra o vírus, o que acabou por prejudicar os pulmões das vítimas.

No trabalho inédito de análise dos tecidos de 21 pessoas mortas pelo H1N1, cientistas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) apontam ainda que os piores danos pulmonares ocorreram na única paciente grávida analisada, o que confirma a importância da priorização dada a essas pacientes durante a epidemia.

O estudo foi publicado em outubro na revista científica "American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine" e é um dos primeiros a revelar o resultado de autópsias de vítimas da nova gripe. "Em um cenário em que poucas autópsias foram realizadas, o estudo demonstra a extrema utilidade do procedimento (...) para o conhecimento da nova doença", afirmam os autores do trabalho, liderados por Thais Mauad. "Mostramos que o pulmão é o órgão mais afetado, o que não é diferente das outras pandemias."

Além disso, explica a pesquisadora, em alguns pacientes ficou demonstrado que o corpo, sem conseguir combater eficazmente o agente patogênico, tenta conter a replicação viral com um "armamento" imunológico tão pesado que acaba por lesionar os próprios pulmões.

Segundo o trabalho, os mortos pela gripe suína tinham em média 34 anos e eram em maioria homens. Além disso, 76% tinham comorbidades - problemas crônicos, como doenças cardíacas -, o que confirma que a infecção nesse público é muito perigosa. Os sintomas mais comuns foram falta de ar e febre, o que também condiz com as definições oficiais de casos graves. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Lung Pathology in Fatal Novel Human Influenza A (H1N1) Infection

Thais Mauad1, Ludhmila A. Hajjar2, Giovanna D. Callegari1,Luiz F. F. da Silva1, Denise Schout3, Filomena R. B. G. Galas2,Venancio A. F. Alves1, Denise M. A. C. Malheiros1,Jose O. C. Auler, Jr.2, Aurea F. Ferreira1,Marcela R. L. Borsato1, Stephania M. Bezerra1,Paulo S. Gutierrez4, Elia T. E. G. Caldini1,Carlos A. Pasqualucci1,5, Marisa Dolhnikoff1 andPaulo H. N. Saldiva1

1 Department of Pathology, 2 Department of Anesthesiology, 3 Department of Preventive Medicine, Epidemiology Service, Hospital das Clínicas, 4 Laboratory of Pathology—Heart Institute, Hospital das Clínicas, and 5 Autopsy Service of Sao Paulo City, São Paulo University, São Paulo, Brazil

Correspondence and requests for reprints should be addressed to Thais Mauad M.D., Ph.D., Department of Pathology, São Paulo University Medical School, Av. Dr. Arnaldo, 455 room 1155, CEP 01246-903 São Paulo SP, Brazil. E-mail: tmauad@usp.br

Rationale: There are no reports of the systemic human pathology of the novel swine H1N1 influenza (S-OIV) infection.

Objectives: The autopsy findings of 21 Brazilian patients with confirmed S-OIV infection are presented. These patients died in the winter of the southern hemisphere 2009 pandemic, with acute respiratory failure.

Methods: Lung tissue was submitted to virologic and bacteriologic analysis with real-time reverse transcriptase polymerase chain reaction and electron microscopy. Expression of toll-like receptor (TLR)-3, IFN-{gamma}, tumor necrosis factor-{alpha}, CD8+ T cells and granzyme B+ cells in the lungs was investigated by immunohistochemistry.

Measurements and Main Results: Patients were aged from 1 to 68 years (72% between 30 and 59 yr) and 12 were male. Sixteen patients had preexisting medical conditions. Diffuse alveolar damage was present in 20 individuals. In six patients, diffuse alveolar damage was associated with necrotizing bronchiolitis and in five with extensive hemorrhage. There was also a cytopathic effect in the bronchial and alveolar epithelial cells, as well as necrosis, epithelial hyperplasia, and squamous metaplasia of the large airways. There was marked expression of TLR-3 and IFN-{gamma} and a large number of CD8+ T cells and granzyme B+ cells within the lung tissue. Changes in other organs were mainly secondary to multiple organ failure.

Conclusions: Autopsies have shown that the main pathological changes associated with S-OIV infection are localized to the lungs, where three distinct histological patterns can be identified. We also show evidence of ongoing pulmonary aberrant immune response. Our results reinforce the usefulness of autopsy in increasing the understanding of the novel human influenza A (H1N1) infection.

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