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quinta-feira, dezembro 31, 2009

Divulgando ciências cientificamente (6)


Espero que o título desta série esteja claro: avaliar a divulgação científica usando estudos de ciências sociais e argumentos baseados em evidências, em vez de apenas reciclar nossos preconceitos sobre o tema.

Um dos preconceitos mas renitentes é o "modelo de deficit" de conhecimento, que a esta altura do campeonato já deveria estar superado e aposentado, dada toda a discussão e refutação do mesmo realizadas durante a década de 90 e anos 00. Infelizmente, quase toda a literatura que Roberto e eu temos discutido neste debate se baseia no modelo de deficit. Mas se o modelo já foi refutado, qual o valor dessa literatura?

Para uma visão mais aprofundada da questão da popularização da ciência, eu começaria com este artigo, e o report a ele associado:

Public understanding of science: lessons from the UK experience

Jane Gregory

3 December 2001 | EN

This paper offers an analysis of trends in policy on the public understanding of science in the UK over the last 15 years. It traces the interaction of scientists, social scientists and the public in the move from early 'deficit model' conceptions of public understanding to current positions in which the public are seen as active participants in democratic and personal decisions about science. It argues that an early emphasis on a public in need of information and education and on the media as antagonistic to science was misplaced, and that it was instead the scientists who had much to learn about the media and the public.

Um comentário:

none disse...

Vamos por partes:

1) *Não* se assumiu o modelo de déficit nesta discussão. Em: http://genereporter.blogspot.com/2009/12/divagacao-cientifica-divulgando.html - explicitamente desconsiderei a análise sob o modelo de déficit;

2) O modelo de déficit não é exatamente um preconceito, mas um modelo que tem sua validade - ainda que bastante limitada como a crítica a partir da década de 90 demonstrou (seus pressupostos não são sempre verdadeiros - ainda que haja espaço para discussão de quão restrito isso é: p.e., em muitos casos, um maior conhecimento científico se relaciona com uma *maior* crítica às ciências: ao contrário do pressuposto do modelo de déficit, por outro lado, parece ser verdade que muitas críticas estão relacionadas a um desconhecimento a respeito das ciências - vide, p.e., Sturgis & Allum 2004);

3) Os trabalho apresentados *não* trabalham com modelo de déficit. Estão apenas medindo efeitos e não modelando formas de divulgação/difusão;

4) A validade dos *dados* não dependem deste ou daquele modelo;

Ref:
Sturgis & Allum 2004: http://pus.sagepub.com/cgi/content/abstract/13/1/55
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[]s,

Roberto Takata