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quarta-feira, abril 29, 2009

Serra fala sobre o gripe suína


"Ela é transmitida dos porquinhos para as pessoas só quando eles espirram. Portanto, a providência elementar é não ficar perto de porquinho nenhum" (José Serra, sobre a gripe suína). 
Este post pertence à Roda de Ciência. Por favor, deixe seus comentários lá.
Eu estou tentando entender a atitude de meus colegas blogueiros científicos sobre a questão da gripe suína e estou meio atônito. Afora alguns poucos posts informativos (ver aqui , aqui e aqui), boa parte da reação da blogosfera científica é uma mistura de ceticismo que apela para teorias conspiratórias e ridicularização do hype da mídia. Em contraste, vários blogueiros sérios do ScienceBlogs americano (aqui ,  aqui aqui) estão fazendo discussões aprofundadas e o próprio site do SB dá destaque ao assunto.

Acho que poderiamos e deveríamos fazer mais do que isso. Ando desconfiado que o namoro que muitos blogueiros científicos possuem com o movimento cético acabou por afetar suas capacidades críticas. Lembram o comportamento dos "céticos do clima" em relação às mudanças climáticas etc. Acho que vou escrever um post sobre isso, para lembrar que ceticismo não é sinônimo de ciência, mas talvez da pseudociência.

Sim, o grande problema da pseudociência não é que ela acredita em bobagens, mas sim que ela não acredita em coisas sérias: os criacionistas são "céticos" em relação à teoria da evolução, o pessoal da Terra Oca é "cético" em relação à geofísica, os espiritualistas são "céticos" em relação às descobertas das neurociências, os ufólogos são "céticos" em relação à comunidade científica, acreditando que Nature e Science estão mancomunadas com o governo americano para esconder da população a realidade dos UFOs...

Em vez de posts "céticos" em relação à gripe suína, eu gostaria de ver:

1. Entrevistas via-email com especialistas da área;
2. Análise das medidas preventivas do governo brasileiro;
3. Traduções ou comentários sobre os bons posts colocados no ScienceBlogs americano;
4. Popularização de conceitos de epidemiologia;
5. Artigos sobre a gripe comum, causada por um vírus mutável interessantíssimo;
6. Artigos sobre a história das pandemias;

É engraçado que quando o assunto é, por exemplo, a possibilidade de um meteoro se chocar com a Terra e afetar a biosfera, temos um sem número de posts chamando a atenção sobre essa possibilidade e usando esse gancho para divulgar a astronomia etc. Ninguém acha que tais artigos sejam alarmistas. Mas se pensarmos bem, ao longo da história da humanidade, muito mais gente morreu de pandemias do que de queda de meteoros... 

Em relação à pandemias, a probabilidade de surgimento das mesmas é cada vez maior, não menor. Vejamos alguns fatores:
1. Aumento da concentração populacional;
2. Aumento da movimentação de pessoas através do globo (viagens aéreas, turismo, migração etc.);
3. Maior contato com animais silvestres (culpa dos esportistas radicais, turistas ecológicos etc.);
4. Aumento da população de suínos e aves em contato com seres humanos;
5. Aumento do transporte coletivo (que imagino deve facilitar o contágio);
6. Resistência progressiva de novas cepas frente a antibióticos e anti-virais;
7. Aumento da população de animais domésticos (já imaginou se houvesse uma gripe canina ou felina transmissível para os humanos?)
8. E outras coisinhas mais...

Sendo assim, imagino que epidemias são como terremotos, acontecem em todas as escalas, com uma probabilidade tipo lei de potência P(x) = C/ x^a para a probabilidade de uma epidemia matar x pessoas. Numa situação dessas, que as últimas pandemias tenham sido fracas é irrelevante. Assim como no caso dos terremotos, a questão sobre uma pandemia forte não é "se", mas "quando". A atitude de governos responsáveis deveria ser se preparar para o pior e torcer pelo melhor... 


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