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terça-feira, abril 28, 2009

1000 a 200.000 leitos para a gripe suína no Brasil?


OK, OK, um post mais científico sobre a gripe suína. Existe um plano de contingência do governo para uma pandemia no Brasil, datado de 2005 e que usa um modelo epidemiológico meio superado, ver aqui. Em todo caso, vamos lá:

PLANO DE PREPARAÇÃO BRASILEIRO PARA O
ENFRENTAMENTO DE UMA PANDEMIA DE INFLUENZA

1.2.
Estimativa do Impacto de uma Pandemia de Influenza no Brasil

Os resultados preliminares do estudo de cenários pandêmicos de Influenza no Brasil que está em andamento, utilizando-se um modelo estático, indicam um impacto negativo importante na demanda aos serviços de saúde. Usando-se como modelo taxas de ataque entre 20 e 33% num período de 5 a 8 semanas, significaria a ocorrência de 37 milhões a 61 milhões de casos. Estimando-se 13% da população como pertencente ao grupo de maior risco para as complicações da doença e que, destes, 30% venham a requerer alguma intervenção médica, teríamos 5 milhões de casos complicados apenas entre indivíduos de alto risco. Dentre os doentes que não pertencem a nenhum grupo de risco, esperam-se 13 milhões de casos complicados, o que totaliza 18 milhões de pessoas requerendo atendimento para complicações em todo o Brasil (assumindo-se um cenário intermediário, com taxa de ataque de 25%).

Considerando-se somente o conjunto das capitais brasileiras, o número de casos esperados na faixa etária mais afetada (15 a 59 anos) varia de 4,5 milhões a 10 milhões de doentes, sendo que, destes, espera-se de 500 mil a 2,5 milhões com algum tipo de complicação.
Ainda de acordo com este modelo, o número total de leitos requeridos no pico da epidemia para esta faixa etária, para as 27 capitais, seria de 1.000 a 200 mil.

Esta análise preliminar indica ainda que, se houvesse indicação e disponibilidade de antivirais para o tratamento de todos os doentes, a taxa de hospitalização seria reduzida em 40%.

Os modelos estáticos têm a vantagem de serem de fácil compreensão e rápida execução, mas sofrem de diversas restrições:

– não são capazes de descrever a dinâmica da doença no tempo, e conseqüentemente predizer taxas de infecção. Na verdade, a taxa de infecção é definida a priori;
– não há representação dos processos no tempo. Conseqüentemente, esses modelos não podem ser utilizados para comparar estratégias que tenham um componente temporal explícito;
– não incorporam as não linearidades inerentes do processo e do efeito das estratégias de controle. Por exemplo, estratégias terapêuticas e profiláticas causam um efeito de imunidade de rebanho que não é captado pelo modelo estático, que apenas considera os efeitos diretos;
- não incorporam características epidemiológicas e biológicas da doença e, conseqüentemente, não permitem a atualização frente ao avanço do conhecimentos. Isto é, a adequação do modelo só poderá ser verificada a posteriori, quando a pandemia já tiver passado e a taxa de ataque tiver sido calculada.

Em resumo, dadas as várias incertezas que permeiam uma pandemia de influenza, nenhum modelo pode ser considerado completamente preditivo e nenhum método de controle pode ser identificado como ótimo a priori (Ferguson, 2003). O que se pode obter, a partir de modelos matemáticos, é identificar um pequeno conjunto de estratégias eficazes que cubram diversos cenários possíveis, junto com alguns indicadores que ajudem na identificação de qual cenário está sendo considerado.

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É interessante que segundo este documento, estamos no Brasil na fase 5 e não na fase 4 de uma pandemia:

Fase 5:
Detecta-se conglomerados de transmissão interhumana com maior número de casos em algum país de outro Continente e/ou detecção da cepapandêmica em algum país das Américas (exceto Brasil).

Atuação: Disparar nível de alerta no país: detecção, notificação e investigação oportunas de formas graves de doença respiratória em pessoas procedentes da região afetada em áreas estratégicas (grandes centros urbanos, portos e aeroportos internacionais e em outros pontos de ingressos de estrangeiros no país).



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