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quinta-feira, abril 16, 2009

O primeiro genocídio patrocinado pela Nova Era?



Isto é um extrato do livro BAD SCIENCE por Ben Goldacre


Publicado por Harper Perennial 2009.


Você tem a liberdade de copiar, colar, cozinhar, reimprimir, ler em voz alta, contanto que não modifique o conteúdo - inclusive esta parte - de forma que as pessoas saibam onde podem encontrar mais idéias de graça emhttp://www.badscience.net/



Sanção Penal Apropriada


Tendo em vista a escala e a gravidade do crime de Achmat e sua responsabilidade criminal direta pelas “mortes de milhares de pessoas”, para usar suas próprias palavras, respeitosamente propomos à Corte Criminal Internacional que deve ser imposta ao réu a pior sentença prevista no Artigo 77.1 (b) do
Estatuto de Roma, especificamente, o confinamento permanente em uma pequena jaula de concreto e aço, pintada de branco, com uma brilhante luz fluorescente ligada permanentemente para mantê-lo sob vigilância, com seus carcereiros pondo-o a trabalhar todos os dias na prisão para cultivar verduras ricas em nutrientes, inclusive quando estiver chovendo. Para que ele pague seu débito com a sociedade, que lhe sejam administradas diariamente as drogas ARV que ele alega tomar, sob supervisão médica, na totalidade da dosagem prescrita, pela manhã, tarde e noite, sem interrupção, para impedí-lo de fingir que está seguindo o tratamento, enfiadas, caso necessário, por sua goela abaixo com os dedos, ou, se ele morder, chutar e gritar demais, injetadas em seu braço, depois que ele tenha sido amarrado em uma padiola pelos tornozelos, pulsos e pescoço, até que ele entregue sua alma, de forma a erradicar este veneno, o mais desprezível, inescrupuloso e malevolente que já infestou e envenenou o povo da África do Sul, em sua maioria negros, em sua maioria pobres, por quase uma década atualmente, desde que sua TAC entrou em cena.
Assinado na Cidade do Cabo, África do Sul, em 1 de janeiro de 2007
a) Anthony Brink



Este documento foi descrito pela Fundação Rath como “inteiramente válido e já devido há muito tempo”.


Esta história não é sobre Matthias Rath, ou Anthony Brink, ou Zackie Achmat, ou mesmo sobre a África do Sul. Ela é sobre a noção cultural sobre como as idéias funcionam e como ela pode deixar de funcionar. Doutores criticam outros doutores, acadêmicos criticam acadêmicos, políticos criticam políticos: isso é normal e saudável, é como as idéias melhoram. Matthias Rath é um terapeuta alternativo, feito na Europa. Ele é semelhante em cada pedacinho aos operadores britânicos que vimos neste livro. Ele pertence ao mundo deles.


Apesar dos extremos deste caso, nem um único terapeuta ou nutricionista alternativo, em qualquer parte do mundo, se levantou para criticar um único aspecto das atividades de Matthias Rath e seus colegas. Na verdade, longe disso: ele continua sendo festejado até hoje. Eu fiquei perplexo em ver figuras eminentes no movimento de terapia alternativa no Reino Unido aplaudirem Matthias Rath em uma conferência pública (eu tenho ela em vídeo, só para o caso de alguém duvidar). Organizações de saúde natural continuam defendendo Rath. A propaganda dos homeopatas continua a promover o trabalho dele. A Associação Britânica de Terapeutas Nutricionais tem sido convidada por blogueiros a comentar, mas declina. A maior parte, quando interpelada, responde evasivamente: “Oh!... Eu não sei realmente muito sobre isso”. Nenhuma pessoa dá um passo à frente e discorda.


O movimento pela terapia alternativa, como um todo, se demonstrou ser tão perigosamente, sistematicamente incapaz de auto-crítica que não consegue fazer frente nem a um caso como o de Rath: nesta conta eu incluo dezenas de milhares de praticantes, escritores, administradores e outros. É assim que as idéias vão de mal a pior. Na conclusão deste livro, eu argumento que os piores perigos colocados pelo material abordado são de natureza cultural e intelectual.
Eu posso estar errado.


/.


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O texto todo em português está no Chi Vó Non Pó, aqui.

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