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segunda-feira, abril 13, 2009

Reforma agrária = mudar o expoente fractal da distribuição de terras?


Há alguns anos eu e meu irmão Marcelo R. Kinouchi, agrônomo que atualmente trabalha no Instituto Chico Mendes,  discutíamos sobre se a distribuição dos tamanhos de propriedades no Brasil seria fractal, e com que expoente. Sim, ela é, na época determinei isso mas perdi os arquivos com os dados e os gráficos. Se alguém quiser refazer, esteja à vontade, mas se quiser colocar nossos nomes nos agradecimentos, eu não me importaria...

Lembre-se que uma boa reforma agrária não mudaria o caráter de lei de potência da distribuição de terras, mas apenas aumentaria o expoente de sua Lei de Pareto. Se o expoente atingisse um valor acima de 2, isso equivaleria a variância finita, o que parece ser um alvo bastante razoável para uma política do PSDB...


Moderno e arcaico convivem nessa parte do País, que abriga 16,4 milhões de pessoas

Agência Estado

O Brasil agrário é um mundo ainda marcado por grandes fluxos migratórios, disputas territoriais e contradições. O moderno e o arcaico convivem nessa parte do País, que abriga 16,4 milhões de pessoas e onde a concentração da propriedade permanece alta, apesar das políticas de redistribuição de terras. É isso o que sinaliza o recém-lançado Atlas da Questão Agrária Brasileira - conjunto de quase 300 mapas, acompanhados de análises, resultante da tesede doutorado do geógrafo Eduardo Girardi, desenvolvida no Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (Nera), da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Poucas vezes um conjunto tão abrangente de informações sobre a questão foi reunido num estudo. Ele mostra que em determinadas partes do Brasil predominam relações trabalhistas avançadas, em termos capitalistas, envolvendo assalariados com altas rendas, enquanto em outras é possível encontrar empregados submetidos a condições de trabalho sub-humanas, semelhantes às da escravidão. Existem zonas de alta produtividade agrícola, com notável índice tecnológico, ao lado de terras sub-exploradas, mantidas como reserva de valor.

O Atlas combina informações conhecidas com outras inéditas e utilizando técnicas cartográficas, ele procura flagrar o que ocorre nesse mundo, que abrigava 44% da população do País 30 anos atrás e hoje contém o equivalente a apenas 8,2% do total. O foco principal de Girardi é a questão da propriedade da terra. Um dos capítulos mais detalhados do Atlas é o que trata da estrutura fundiária do País - com mapas inéditos sobre a situação dos Estados e municípios. 

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