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quarta-feira, janeiro 17, 2007

Milagres

Minha definição de milagre: evento extremal de uma distribuição com cauda em lei de potência (preferencialmente com expoente entre 1 e 2).

Ok, ok, sim, eu interpreto tudo em termos estatísticos. Afinal, o ajuste fino dos parâmetros cosmológicos poder ser um milagre estatístico, o surgimento da vida pode ser um milagre estatístico e o surgimento da linguagem e cultura humana pode ser um milagre estatístico. Mas não descarto a hipótese de que tais milagres se devam a processos evolutivos de seleção natural ou mesmo artificial, dado que nós, seres humanos, o faríamos se tivéssemos tecnologia suficiente.

Já ganhar na loteria ou no bingo não seriam milagres, pois a cauda da distribuição é binomial, acho. Embora, quem ganhe na Loteria, sempre agradece a Deus...

Vocês já perceberam que sou uma espécie de detetor ambulante de coincidências. Sim, elas despertam minha curiosidade mais profunda, mas imagino que o mesmo ocorra com todo mundo. E eu sempre tento encontrar uma explicação para elas a fim que que elas não nos cegem e dominem pelo seu fascínio. Afinal, acho que essa é a tarefa básica do cientista.

Sendo assim, aqui vai mais uma que ocorreu agora, a dez minutos: Alexandre apareceu na minha sala para dizer que o conceito de persistência inicia-se a partir do trabalho de Flory em polímeros. Eu discordei, achando que tem a ver com o problema da ruina do jogador (quanto tempo um jogar leva para perder todo seu dinheiro no bingo, por exemplo).

Daí eu me toquei de que, por coincidência, o meu trabalho antigo sobre persistência de estrelas não visitadas pela civilização galática está de certa forma relacionado à minha presente curiosidade sobre as séries temporais produzidas por máquinas caça níqueis, despertada por causa do novo emprego da Nice (sim, a Nice está envolvida na origem de cerca de metade das minhas idéias científicas...).

Coincidência? Nem tanto. Acho que a explicação é a seguinte: eu, minha consciência, sou apenas a pontinha do iceberg dos processos que estão tendo lugar no meu cérebro. Ou seja, o nosso cérebro é maior que nós, mais inteligente, incrivelmente capaz de detetar correlaões estatísticas e fica computando direto em modo automático. Jung diria que existem ali arquétipos vivos, tipo as Musas, ou seja, processos cerebrais parcialmente auto-conscientes mas não acessíveis à consciência de vigília comum. Isso não é de se estranhar: a maior parte das coisas que fazemos é de modo inconsciente (dirigir, conversar - ou você fica planejando a sua conversa de barzinho? - caminhar, usar talheres etc.).

Sendo assim, o que seriam os milagres de inspiração artística, sabe aquelas histórias de pessoas que criaram sinfonias, livros ou teorias científicas em apenas um dia, cuja fonte são as Musas (que, aposto, habitam nosso hemisfério não verbal) ? Bom, minha aposta inspirada seria que tais milagres são eventos extremais, super-avalanches ou terremotos mentais em um preparadas por longo período de acumulação de tensao (incubação) em um sistema de processamento de informação na borda da criticalidade... :o))

Ok, ok, a idéia não é original minha, mas de Turing.
A.M. Turing, Computing machines and intelligence, Mind 59 (1957) 236.

A ser lido:


The brain near the edge
Dante R. Chialvo
Department of Physiology, Feinberg Medical School, Northwestern University, 303 East Chicago
Ave. Chicago, IL 60611, USA
Abstract.
When viewed at a certain coarse grain, the brain seems a relatively small dynamical system composed by a few dozen interacting areas, performing a number of stereotypical behaviors. It is known that, even relatively small dynamical systems can reliably generate robust and flexible behavior if they are possed near a second order phase transition, because of the abundance of metastable states at the critical point. The approach pursued here assumes that some of the mostfundamental properties of the functioning brain are possible because it is spontaneously possed at the border of such instability. In this notes we review the motivation, the arguments and recentresults as well as the implications of this view of the functioning brain.
Keywords: Brain, critical phenomena, complex networks
PACS: 87.19.La, 89.75.-k , 89.75.Da

Foto: Urânia, musa da Astronomia. Não estou conseguindo postar fotos neste Blogger velho. Alguem sabe como é que se transfere um blog inteiro para o novo Blogger?

PS2: Não publiquei meu artigo de Darwinismo Cosmológico Forte por medo do ridículo... e sendo assim publicaram primeiro...

Louis Crane has proposed a meduso-anthropic principle, which suggests that universes could be fine-tuned for life by intelligent beings themselves manufacturing new universes. He argues that the destiny of highly evolved intelligence (perhaps our distant progeny) is to infuse the entire universe with life (similar to what Ray Kurzweil proposed in The Singularity is Near, eventually to accomplish the ultimate feat of cosmic reproduction by spawning one or more “baby universes,” which will themselves be endowed with life generating properties.


Smolin's fecund universes theory was the subject of a science fiction short story by David Brin, entitled "What Continues, What Fails ...", and was a common theme in Stephen Baxter's novel Manifold: Time and the rest of the manifold trilogy.

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