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segunda-feira, agosto 11, 2008

Texas Hold´em, Sociologia e Física Estatística

O que a Física Estatística e a Termodinâmica tem a ver com a Sociologia? Bom, o conceito de propriedades coletivas (ferromagnetismo e outras fases da matéria, especialmente as fora do equilibrio) é muito similar aos conceitos de representações coletivas de Durkhein e representações sociais de Moscovici (foto). Ou seja, esses autores tem uma visão termodinâmica da sociedade, onde o conhecimento fino dos indivíduos (átomos sociais) não é necessário para a compreensão de propriedades globais.

A visão social oposta é o individualismo metodológico. Se ele não enfatizar a força de interação entre os indivíduos, e que esta interação produz fenômenos coletivos não-lineares tais como "fases sociais", transições abruptas de comportamento coletivo etc, o IM corre o risco de se tornar uma teoria de gás ideal (partículas independentes) ou, no melhor dos casos, fracamente interagentes (teoria da perturbação), o que impossibilita a compreensão das transições de fase sociais, por exemplo.


Fenômenos coletivos como transições de fase (que já podem ser vistos em modelos simples como o gás de Van der Walls) mostram que o individualismo metodológico radical (comportameto social como soma - linear - do comportamento individual) é bobagem.


Então, a Física Estatística seria um individualismo metodológico esclarecido, onde os fenômenos coletivos que ocorrem devido à interação forte (sejam campos locais seja campos externos) poderiam ser estudados. Da mesma forma, a Física Estatística também pode ser vista como uma sociologia de representações coletivas das partículas onde, além de uma visão top dow termodinâmica, os modelos específicos seriam feitos em termos de partículas(agentes) mas onde as propriedades emergentes não são totalmente determiadas pela dinâmica microscópica (o ingrediente novo, não microscópico, é a quebra espontânea de simetria).

Ou seja, a Física Estatística não é nem reducionista nem holística, é ambas.

A new model of poker player behavior reproduces results from actual games
By Christopher Mims

Clément Sire isn't just a statistical physicist—he's also a champion bridge player. Combining his love of physics and games, he has created a model of the poker variant Texas hold 'em that enables him to do everything from predicting the length of a tournament to figuring out his ranking simply by assessing the average size of his opponents' fortunes.
It may seem like an odd way to spend his time. After all, isn't physics supposed to be about particle colliders and superconductivity? "Physicists," Sire explains, "are now more than ever involved in the study of complex systems that do not belong to the traditional realm of their science."

Sire, of the Laboratory of Theoretical Physics, University of Toulouse, France, published his work Universal Statistical Properties of Poker Tournaments on arXiv.org. He used real data from online poker tournaments and found that it matched the results of his model.

"What's exceptional about this paper is that Clément somehow took what seems to be a complex and mysterious system and quantified it [with the tools of statistical mechanics] in a very precise way," says Sidney Redner, a physicist at Boston University who works on related problems.

Um comentário:

João Carlos disse...

Você que é fã de sci-fi, deve ter visto o mesmo conceito exposto em The Squares of the City, do John Brunner.

BTW, eu vou procurar o artigo nos ArXives... Eu sou viciado em Texas Hold'em... :D