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sábado, dezembro 20, 2008

Metáforas científicas III


Eu tenho uma teoria sobre porque as metáforas científicas, especialmente as de física clássica, estão presentes do discurso jornalístico e político. Acho que essas pessoas absorveram uma linguagem vinda de Marx e Weber, mesmo que de segunda mão. E esses autores usam de forma constante termos científicos de seu tempo em seus escritos. Citando Engels (A precursor of the sciences of complexity in the XIX century):


A História se faz ela mesma de tal maneira que o resultado final é sempre oriundo de conflitos entre muitas vontades individuais, cada uma das quais, por sua vez, é moldada por um conjunto de condições particulares de existência. Existem inumeráveis forças que se entrecruzam, uma série infinita de paralelogramos de forças que dão origem a uma resultante: o fato histórico. Este, por sua vez, pode ser considerado como o produto de uma força que, tomada em seu conjunto, trabalha inconscientemente e involuntariamente.


Pois o desejo de cada indivíduo é frustrado pelo de outro, e o que resulta disso é algo que ninguém queria. Assim é que a História se realiza como se fosse um processo natural e está sujeita, também, essencialmente às mesmas leis de movimento.

Mas, do fato de que as diversas vontades individuais – cada uma das quais deseja aquilo a que a impelem a constituição física dos indivíduos e as circunstâncias externas (sejam pessoais ou da sociedade em geral que, em última instância, são econômicas) – não atinjam o que querem, mas se fundam numa média coletiva, numa resultante comum, não se deve concluir que o seu valor seja igual a zero. Pelo contrário, cada uma dessas vontades individuais contribui para a resultante e, nesta medida, está incluída nela. Eu pediria ao senhor que estudasse mais a fundo esta teoria nas suas fontes originais e não em fontes de segunda mão. Marx raramente escreveu alguma obra em que ela não tivesse seu papel, mas especialmente o 18 Brumário de Louis Bonaparte é um excelente exemplo de sua aplicação (carta de Engels a Konrad Schmidt, 5/8/1890).


O fato de que nossos políticos, sociólogos e jornalistas se expressam com uma liguagem da física do século XIX (ou anterior) poderia indicar um empobrecimento de sua linguagem conceitual. Parafraseando Engels: "Quem diz que não gosta de ciência acaba sendo escravo de ciência morta..."

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