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sábado, dezembro 20, 2008

Metáforas científicas I


As férias estão chegando, de modo que talvez eu consiga escrever verdadeiros posts em vez de cut and paste (ou "cortar e colar", segundo o Charles Morphy). Em favor do cut and paste em blog de ciência, posso dizer que acredito serem os blogs (também) filtradores de notícias: eu escolho com critério as notícias a serem colocadas, esperando produzir reverberação das mesmas, ou seja, um direcionamento de atenção dos meus leitores.


Nos idos de 1998 (já fazem dez anos!), no livro impublicável O Beijo de Juliana, eu discuto com Mauro Copelli sobre uma função nobre da divulgação científica que aparentemente nunca foi colocada na literatura: o fato de que conceitos científicos, ao virarem metáforas linguísticas, ampliam a capacidade de expressão das pessoas.


Cuidado: eu não estou falando do uso de metáforas de linguagem comum para explicar ciência (algo que já foi discutido na literatura), mas sim do processo contrário: as pessoas se apropriam, mesmo inconscientemente, da linguagem científica.


Vejamos o nível mais básico (talvez o mais antigo): o uso de termos de geometria Euclidiana na linguagem cotidiana (isso deve vir dos gregos). Exemplos:



  • Ponto de vista


  • Linha de pensamento


  • Círculo de amizades


  • Plano espiritual


  • Esfera de poder


  • Triângulo amoroso

e assim vai... O interssante é que, devido à divulgação científica, as pessoas estão começando a falar em "sociedade fractal" etc. Exemplos:




  • Cidade Fractal: Em 1990, para o PROJETO NÚCLEO URBANO DE CAMPINAS, cidade de SP, o arquiteto Shigueo Torigoi propôs a aplicação da Geometria Fractal ao Urbanismo. A então denominada CIDADE FRACTAL propõe um complexo estrutural auto-similar, na qual a casa, o bairro e a cidade são repetições de um mesmo padrão fractal auto-organizado e auto-gestionado, configurando uma Sociedade Aberta (Flávio Calazans).


  • O Projeto Fractal pode ser definido como um compêndio. É um poderoso instrumento de pesquisa que reúne aspectos significativos do saber previdenciário. Ele começou a ser elaborado a partir da percepção de que era fundamental compartilhar esses conhecimentos com os gestores e técnicos da Previdência Social, do INSS, da DATAPREV, advogados públicos e cidadãos (Luiz Marinho, Ministro de Estado da Previdência Social).



2 comentários:

Mauro Rebelo disse...

Oi Osame, a Angelica me falou desse trabalho de vocês. Acho muito interessante! Espero ver o artigo publicado um dia! Um abraço, Mauro

Charles Morphy disse...

Olá, Osame!
Hehe... no EWCLiPo eu não disse que blogs de ciência não devem ser APENAS portais de notícias ou clippings, mas que uma postura crítica sobre o que se divulga é interessante (e aproveita o que o blogue tem de melhor, que é a possibilidade de interação e reverberação do conhecimento). Preparei o negócio pensando também em um público não blogueiro, não necessariamente afeito à blogosfera! Foi só uma provocaçãozinha...
Agora, quanto ao cut-and-paste, acho melhor melhor copiar-e-colar. E viva o português (com acentos e tremas!).
Abraço