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segunda-feira, novembro 30, 2009

FEBiC - Física Estatística e Biologia Computacional


Está fundado o Laboratório de Física Estatística e Biologia Computacional (FEBiC), onde os coordenadores são os Profs. Ubiraci P. C. Neves e Osame Kinouchi Filho, do DFM-FFCLR-USP.

Se você está pensando em pós-graduação ou pós-doutorado e tiver interesse em nossas linhas de pesquisa (ver aqui e aqui), por favor entre em contato!

quarta-feira, novembro 25, 2009

O Ponto da Virada


Estou lendo "O Ponto da Virada", de Malcolm Gladwell, um exemplo de divulgação científica em formato auto-ajuda que talvez seja o formato viável para o atual público brasileiro.

A tese central do livro é que muitos comportamentos coletivos são do tipo epidêmico (eu diria, são avalanches em meios excitáveis - porque a sociedade humana é um meio excitável). Ele estuda vários casos de modas, propagação de comportamentos etc, todos com ingredientes característicos de uma epidemia ou comportamento contagiante:

1. Uma variação lenta em um parâmetro (por exemplo, número de formadores de opinião que adotam uma posição) de forma a nuclear a epidemia;
2. Uma fase de decolagem ou crescimento exponencial por contágio social (o ponto de virada ou turning point;
3. Uma saturação devido ao fato de que as pessoas adquirem imunidade a uma mensagem se ela for repetida muitas vezes.

O item 3 me fez refletir: talvez eu devesse falar menos de Marina Silva ou da gripe suína, deixar tais posts para o momento mais certo e necessário, a fim de evitar a saturação (imunidade) nos meus leitores...

Em todo caso, recomendo o livro aos ativistas do Movimento Marina Silva e ao pessoal que vai fazer o marketing de sua campanha: o efeito Obama foi um típico caso de contágio social mediado pelos jovens via SMS, redes sociais, blogs e Twitter. Dado que Marina não tem dinheiro ou tempo de TV para a campanha, o que lhe resta é esta estratégia (muito eficiente, por sinal) de propaganda boca-a-boca (twitter-a-twitter, melhor dizendo).

Neste livro, você verá que, ao contrário do que estamos habituados a pensar, nossa maneira de ser e agir não é algo orientado unicamente por nossos genes. Sofremos uma influência extrema do meio em que vivemos e da personalidade e do comportamento das pessoas que nos cercam.

Em grande parte, é graças a isso, segundo Malcolm Gladwell, que se propagam os fenômenos que ele chama de epidemias sociais. O Ponto da Virada, explica o autor, é justamente o momento em que pequenas mudanças entram em ebulição, fazendo com que a trajetória de uma tendência ou de um comportamento dê uma guinada e se alastre. Ou se acabe.

Desempenhando um papel essencial nessas epidemias estão três tipos interessantes: os Experts − indivíduos que atuam como "bancos de dados", fornecendo a mensagem −, os Comunicadores − ou "cola social", aqueles que espalham a informação − e os Vendedores − pessoas capazes de nos convencer quando não acreditamos no que estamos ouvindo.

Gladwell nos apresenta ainda a outros dois elementos fundamentais nesse processo. Um deles é o Fator de Fixação − aquilo que evita que a mensagem entre por um ouvido e saia pelo outro, garantindo a assimilação de uma mudança ou inovação. O segundo é o Poder do Contexto − as fortes influências que o tempo e o ambiente exercem sobre nós.

O objetivo de toda essa reflexão, afirma o autor, é, em suma, responder a duas perguntas: "Por que alguns comportamentos, produtos e idéias deflagram epidemias e outros não? E o que podemos fazer intencionalmente para desencadear e controlar as nossas próprias epidemias positivas?"

Gladwell responde às duas questões dizendo basicamente o seguinte: o mundo, por mais que queiramos, não corresponde àquilo que a nossa intuição nos diz. As pessoas que têm sucesso na criação de uma epidemia social testam sua forma de ver as coisas e a adaptam para que a inovação possa ser assimilada e disseminada.

"Quando procuramos fazer com que uma idéia, uma atitude ou um produto alcance o Ponto da Virada, estamos tentando mudar o nosso público em algum aspecto, pequeno porém crítico: pretendemos contaminá-lo, arrebatá-lo com nossa epidemia, fazer com que passe da hostilidade para a aceitação", conclui ele.

Computadores, bibliotecários, confiabilidade e mulheres


Seja por capacidades inatas vindas de uma psicologia evolucionária (hiperdesenvolvimento de destreza e acuidade visual devido à coleta de grãos e ervas), seja por um grande treinamento e educação cultural (tapeçaria, artesanato, crochê e tricô etc), mulheres são mais confiáveis em tarefas que exigem meticulosidade, precisão, atenção, acuidade visual e destreza. É por isso que a maior parte dos operário/as são mulheres nas fábricas de microprocessadores.

É também por este motivo que elas foram os primeiros computadore/as, ou seja, o antigo ofício (agora extinto) das pessoas que faziam cálculos antes da invenção do computador mecânico eletrônico. Talvez ainda pelo mesmo motivo, elas se dão bem em trabalhos que exigem grande grau de organização e perfeccionismo, como no caso do/as bibliotecário/as.

Mas quem sabe, em breve, robots venham a libertar as mulheres de tais ofícios (como as máquinas as libertaram das oficinas de tecelagem). O futuro está chegando, e já podemos ver que as meninas de uma nova geração, em vez de se tornarem bibliotecárias, estão se tornando "cientistas da informação". Não é apenas uma mudança de nome ou rótulo, mas de conceito: é o mesmo que aconteceu entre ser uma calculadora (ou computadora) não-mecânica, simples auxiliar em um trabalho que os homens não queriam ou não conseguiam fazer a contento, e uma desenvolvedora de software, com todas as possibilidades de um trabalho mais criativo e inovador...


da Reuters, em Londres

A Biblioteca Nacional do Reino Unido irá remanejar parte de seu acervo em um novo prédio, onde a responsabilidade pelo armazenamento e coleta de 7 milhões de itens passará de um bibliotecário a uma grua --aparelho para levantar pesos, como um guindaste-- robotizada.

O centro climatizado de 30 milhões de libras na cidade de Boston Spa, no norte da Inglaterra, irá abrigar o equivalente a 262 quilômetros de estantes, em um tipo de armazenamento de alta densidade que normalmente é usado mais por varejistas do que por bibliotecas.

O diretor de finanças e serviços corporativos da biblioteca, Steve Morris, afirmou que os livros serão armazenados em contêineres, que serão empilhados seguindo um algoritmo que calcula a demanda por certos títulos.

"As gruas, na verdade, são a única parte da organização agora que saberão onde está o material", disse Morris.

"Ao longo do tempo, com o material sendo acessado, o sistema irá lembrar de quais livros são mais pesquisados e irá guardar esses livros na frente no prédio, para que sejam acessados mais facilmente".

Já livros que são raramente procurados acabarão ficando no fundo do prédio.

Oito pessoas

A nova tecnologia significa que apenas oito pessoas serão necessárias para acessar o acervo que será mantido no centro.

"Antigamente, andávamos pelos andares e buscávamos os livros nós mesmos, mas com isso, quando estiver tudo lá, tudo o que precisamos fazer é apertar um botão e ele vem até nós", disse a bibliotecária Alison Stephenson.

Stephenson e seus colegas estão checando os livros que chegam de Londres antes de serem colocados nos contêineres e levados para dentro do prédio pelos robôs.

"Se você colocar um livro na caixa errada nesse prédio, então, de fato, você nunca mais irá encontrá-lo", disse Morris.

A construção do centro deve ser concluída até meados de 2011, complementando sua sede no bairro de St. Pacras, em Londres, onde os livros estarão disponíveis 48 horas após serem solicitados de Boston Spa.



terça-feira, novembro 24, 2009

Como não alienar da ciência as pessoas religiosas


Mike Rozulek

Mike Rozulek /
O aniversário é hoje: A origem das espécies faz 150 anos. Por isso, o Tubopublica, na sequência do seu especial Darwin, a entrevista exclusiva que Karl Giberson concedeu, por e-mail, ao blog. Uma versão mais curta foi publicada na edição desta terça no caderno Mundo da Gazeta do Povo. Aqui ela está na íntegra.

Quem visitou o blog ontem descobriu que Karl Giberson é o atual presidente (com a saída de Francis Collins) da Fundação
BioLogos
, uma entidade sediada nos Estados Unidos que promove a conciliação entre a ciência, especialmente evolucionista, e o cristianismo evangélico. Giberson também é autor de Saving Darwin, o livro que eu
resenhei
ontem aqui no blog. Claro, falamos um pouco do livro, mas principalmente sobre qual é exatamente o papel de Deus no processo evolucionário e sobre as melhores abordagens na hora de promover a ciência entre pessoas cuja fé é arraigada.

O subtítulo do seu livro é "como ser cristão e acreditar na evolução". Mas não se "acredita" na evolução como se "acredita" em Deus, em anjos ou em Papai Noel...


Divulgação/HarperCollins

Divulgação/HarperCollins / Giberson acredita em uma evolução guiada, mas que Deus não interfere nos detalhes dos processos naturais.
Giberson acredita em uma evolução guiada, mas que Deus não interfere nos detalhes dos processos naturais.

Exato, e isso ressalta um aspecto muito importante desta controvérsia: que significado as pessoas pensam ver nas palavras que usamos? Muitas pessoas pensam que "evolução" significa "uma história ateísta sobre as origens". Se perguntarmos a uma pessoa religiosa se ela acredita em evolução, muitos se sentirão levados a responder "claro que não!"

Mas há dois sentidos de "acreditar" que, para mim, são relevantes aqui. No sentido literal, quer dizer simplesmente "aceitar como verdadeiro". Todos "acreditam" que dois mais dois são quatro. Esse sentido mais leve poderia se aplicar, penso eu, às pessoas que acreditam em Deus, mas para quem essa crença não tem consequências. Muitos deístas acreditam em Deus como acreditam nas leis da Física – há alguma coisa "lá fora" que existe, mas que efetivamente não significa nada de profundo para eles.

Mas há outro significado de "acreditar" que tem uma carga mais profunda. Minha crença em Deus tem implicações que minha crença na gravidade não tem. Mas eu acrescentaria que minha "crença" na evolução também me afeta em maneiras muito mais pessoais que a mera aceitação da teoria. Ela me leva a refletir sobre como eu me relaciono com os outros seres vivos, como eu me insiro na história natural do universo, como eu devo tratar os animais, o que eu deveria pensar sobre os primatas, e assim por diante. A evolução tem um poder transformador que muda a maneira como uma pessoa se relaciona com o mundo a seu redor – de formas que não se diferem muito da crença em Deus.

Uma
pesquisa recente
do Pew Forum apontou que 31% dos norte-americanos dizem que o homem e outros seres vivos foram criados exatamente como são, desde o início dos tempos; 32% dizem que eles evoluíram por processos naturais; e outros 22% falam em evolução "guiada por um ser supremo". Isso é possível, ou o termo esconde visões como o Design Inteligente?

Uma "evolução guiada" é aceita por muitas pessoas, especialmente cristãos com conhecimento científico. Ela aparece sob nomes diversos, como "evolução teísta", "criacionismo evolucionista", ou "BioLogos", o termo que usamos para nosso projeto (e que escolhemos para escapar da bagagem negativa que vem com o termo "evolução").

Mas a ideia de que Deus guia a evolução é bem complexa. Para ela ser relevante, não podemos simplesmente pegar a versão secular da história e dizer "foi Deus quem fez". É preciso fazer afirmações teologicamente sólidas sobre o que Deus fez ou está fazendo, e sobre como Ele está envolvido no processo.

Eu diria que nós, no BioLogos, defendemos uma versão limitada dessa "evolução guiada". Nós acreditamos que ela é guiada no sentido de que o cenário como um todo está cumprindo as intenções do criador, mas, dentro dessa noção ampla, os detalhes incluem vários eventos aleatórios e contingentes.

Permita-me contar uma anedota para me fazer entender: quando ensino evolução a estudantes evangélicos no Eastern Nazarene College, eles normalmente se incomodam com a ideia de que Deus pode trabalhar de forma invisível através das leis naturais. Isso não se parece com o Deus bíblico que fala na sarça ardente, criou Eva tirando uma costela de Adão e fez chover fogo sobre Sodoma e Gomorra. Então eu pergunto aos alunos: "quantos de vocês creem que Deus os guiou até aqui?", e muitos levantam as mãos. Em seguida pergunto "quantos de vocês foram guiados por meio de interrupções dramáticas e sobrenaturais do curso natural da vida?", e ninguém levanta a mão.

A conclusão é óbvia: se Deus pode guiar pessoas através dos eventos corriqueiros do dia-a-dia, Ele pode guiar a história natural trabalhando por meio das leis da natureza. E aqui temos uma diferença fundamental em relação às alegações do Design Inteligente: não é necessário que Deus interrompa o curso natural das coisas para, de vez em quando, fazer diretamente parte do trabalho criativo. Em vez disso, temos um Deus que permeia todo o processo.

Além disso, o DI não é exatamente um ponto de vista particular. O saco de gatos deles é tão grande que inclui gente muito diferente: intervencionistas que aceitam a evolução desde que Deus dê as caras de tempos em tempos de forma detectável; criacionistas da Terra jovem; criacionistas da Terra antiga; e até gente que não crê em Deus. O livro de DI mais recente (Signature in the cell, de Stephen Meyer) diz que Deus criou a primeira célula, e daí em diante a seleção natural se encarregou do resto. É um tipo de "deísmo biológico". O DI não passa de um movimento político em que antievolucionistas concordaram em deixar de lado suas divergências para combater a evolução. O caráter político do DI está se tornando cada vez mais evidente, e há sinais de que o movimento esteja perdendo força.

Mas se o processo evolucionário é movido a competição, seleção natural e mutações genéticas aleatórias, a "atividade criativa de Deus" não tem um papel pequeno demais para um ser todo-poderoso?

No fim das contas, precisamos olhar para a ciência. Parece mesmo que Deus está intervindo de formas dramáticas ao longo da história natural? Nós não podemos colocar Deus numa caixa feita de acordo com nosso interesse e insistir que Suas ações se conformem à nossa ideia de como Deus deveria se comportar.

Eu perguntaria, a quem prefere uma "presença" maior de Deus na história, de que modo eles procuram por Deus no mundo. Essas pessoas buscam um Deus das lacunas, que aparece naquilo que a ciência não explica? Ou buscam por Deus na grandeza de um pôr-do-sol, na nobreza de um voluntário de sopão, ou no sorriso de uma criança? Sem saber, nós aderimos à teologia de um Dawkins quando insistimos que Deus deve funcionar como um engenheiro cujas ações devem ser claramente identificadas pela ciência.

Seu livro relata casos de ridicularização dos criacionistas na mídia, como em episódios dosSimpsons, mas o senhor acredita que essa estratégia não é muito adequada para levar as pessoas a aceitar a evolução. Como, então, levar o público a ver a compatibilidade entre evolução e fé religiosa?

A chave, para a maioria, é desenvolver uma compreensão da Bíblia que vá além do que aprenderam no catecismo ou na escola dominical. O catecismo conta histórias sobre o Gênesis que são adequadas para crianças, mas depois ninguém revisita essas histórias para ajudar os jovens adultos a criar uma visão madura do Gênesis. Descobrir que o livro sagrado tem várias indicações de que não se trata de história literal é uma experiência libertadora para os cristãos. Se nosso primeiro contato com a criação segundo o Gênesis ocorresse na vida adulta, não aceitaríamos tão rapidamente a literalidade das histórias de cobras falantes, jardins mágicos e Deus "descendo do céu" para conversar com Adão e Eva diariamente. Mesmo os nomes dos personagens principais são pistas. A palavra hebraica para Adão significa apenas "homem", e Eva significa "vida". Pense numa história em português, ou inglês, sobre um casal chamado Homem e Vida num jardim mágico. Será que não entenderíamos imediatamente que não se trata de registro histórico?


Reprodução autorizada / The Brick Testament / www.thebricktestament.com

Reprodução autorizada / The Brick Testament / www.thebricktestament.com /
"Se nosso primeiro contato com a criação segundo o Gênesis ocorresse na vida adulta, não aceitaríamos tão rapidamente a literalidade das histórias de cobras falantes"

Também é importante – embora não tanto quanto a questão da Escritura – o fato de que existe uma montanha de evidências a favor da evolução. O mapeamento do genoma comprova sem sombra de dúvida que os humanos e outros primatas têm um ancestral comum. Apresentar essa evidência é muito importante para ajudar as pessoas a fazer essa transição.

O que funciona melhor para quem nega a evolução: mostrar a evidência favorável à evolução, apelando para a razão? Ou mostrar que a evolução não prejudica a crença em Deus, apelando para a religiosidade?

É fundamental proteger a religião dos supostos "ataques evolucionistas". A maioria das pessoas está mais preocupada em estar de acordo com sua religião do que em estar cientificamente atualizadas. O problema no caso dos cristãos evangélicos, infelizmente, é que existem prateleiras sem fim de livros argumentando que a ciência comprova o criacionismo. Para a maioria das pessoas leigas no assunto, a batalha nem é entre ciência e religião, e sim entre "a ciência de que eu gosto" e "a ciência que ataca minha religião".

No seu livro o senhor parece um tanto pessimista e desiludido sobre o rumo da discussão sobre a evolução, que deixou de ser uma busca pela verdade científica e se tornou uma guerra cultural, onde o que importa é desmoralizar o adversário. Nós realmente chegamos a um ponto sem volta?

Temo que sim. Algumas semanas atrás eu estava em um impressionante museu no Kentucky, mantido pelo
Answers in Genesis
, o maior e mais eficiente promotor do criacionismo de Terra jovem em todo o mundo. Eles têm uma livraria enorme e, enquanto eu a explorava, era esmagado pelo gigantismo do esforço feito para atacar a evolução. Havia centenas de livros, DVDs, material didático para todas as séries (até pré-escola), canecas, camisetas com mensagens antievolução... Answers in Genesis é uma máquina de propaganda multimilionária, com o propósito de convencer cristãos de que eles não devem acreditar em evolução. Eles têm revistas, um site cheio de informações, workshops, um time de "cientistas", livros sem fim e muito mais. Tudo isso ruiria se eles se convencessem de que a evolução é real. Por outro lado, eu não consigo imaginar como fundamentalistas científicos como Richard Dawkins e Daniel Dennett fariam as pazes com fundamentalistas religiosos como Ken Ham, o chefe de Answers in Genesis.


Divulgação / Answers in Genesis

Divulgação / Answers in Genesis / Parte do Museu da Criação, mantido pela organização criacionista Answers in Genesis.
Parte do Museu da Criação, mantido pela organização criacionista Answers in Genesis.

Bento XVI, quando era cardeal, pediu que houvesse um debate honesto sobre a legitimidade das afirmações metafísicas feitas em nome da teoria de Darwin. Na sua opinião, cientistas como Dawkins "sequestraram" Darwin como fizeram os eugenistas descritos em seu livro?

Certamente Dawkins e o Novo Ateísmo sequestraram Darwin, e nós deixamos que eles dessem o tom do debate em termos de explicação científica, e não de Metafísica. A ciência leva crédito pelo que pode explicar, e Deus leva crédito pelo resto. Se Deus não é necessário para explicar o que a ciência vai desvendando, Ele não é mais necessário para nada. Nós deixamos um "antiteólogo", Dawkins, nos dizer o que a Teologia pode ou não fazer.

Apesar de descrever o criacionismo como um fenômeno norte-americano, o senhor alerta que ele está se tornando global. De fato, um dos criacionistas mais famosos do mundo hoje é um muçulmano turco,
Harun Yahya
. É possível frear a expansão do criacionismo?

Se o criacionismo, profundamente hostil à ciência, conseguiu fincar raízes nos Estados Unidos na mesma década em que pusemos o homem na Lua, é impossível impedir que ele finque raízes num país como a Turquia. O criacionismo tem uma vantagem injusta sobre a ciência: ele continua reciclando qualquer alegação que funcione, ainda que já tenha sido refutada. Isso é tão prevalente que até Answers in Genesis tem uma página em seu site com argumentos antievolução que já foram rebatidos, mas muitos criacionistas não estão nem aí e continuam usando esses mesmos argumentos.

No caso de Harun Yahya nós podemos receber socorro de outra direção. Ele tem sido acusado de ligação com o crime organizado. Se ele fosse para a cadeia, a causa da ciência na Turquia ganharia tanto quanto ganhou nos Estados Unidos quando
Kent Hovind
(um criacionista da Terra jovem acusado de diversos crimes de ordem fiscal) foi preso.

2009 é o ano de Darwin, pelo bicentenário de seu nascimento e pelos 150 anos de A origem das espécies. Com o ano quase no fim, qual sua avaliação dos esforços feitos para contra-atacar os argumentos criacionistas e promover a conciliação entre religião e evolução?

Esse foi um ano interessante. Por um lado, o Novo Ateísmo dominou a agenda, alinhando-se tanto contra o criacionismo quanto contra a religião em geral. A reação por parte de pensadores religiosos consolidou a polarização, que provavelmente responderá pela parte mais ruidosa do debate nos próximos anos.

Mas, entre esses dois extremos, vozes moderadas se levantaram. Intelectuais agnósticos ou não-religiosos contestaram a posição ateísta de que "a religião é má e deve sumir". Michael Ruse, Chris Mooney, Eugene Scott e outros afirmam que alienar as pessoas religiosas em nome da ciência só pioraria as coisas para a própria ciência ao alimentar o antievolucionismo. E também – e nisso eu tenho um papel relevante – houve o surgimento da Fundação BioLogos, criada por Francis Collins para incentivar a conciliação entre evolução e cristianismo. Apesar de – ou talvez por causa de – ser uma ponte entre ciência e fé, temos sido criticados pelos dois extremos, enfurecendo todo mundo, de Ken Ham (do Answers in Genesis) e Bill Dembski (do
Discovery Institute
, promotor do DI) até Sam Harris e Jerry Coyne, dois líderes do Novo Ateísmo.

A experiência do BioLogos tem sido estimulante. Somos a única voz dentro do cristianismo evangélico lutando pela harmonia entre ciência e fé – o que inclui, claro, a aceitação da evolução. Nós esperávamos ser um pequeno e solitário grupo que cresceria com o tempo, mas descobrimos que já existe um número considerável de cristãos, geralmente entre as camadas mais instruídas, que já compartilhavam da nossa posição, mas estavam marginalizados porque não havia quem os representasse em público. Nós estamos emergindo como o Flautista de Hamelin da Ciência, atraindo cristãos e conseguindo enorme apoio. Quase diariamente alguém nos manda um e-mail querendo saber como participar. Isso é encorajador e me faz pensar que talvez haja uma luz no fim deste longo túnel da anticiência.

Serra é criacionista?

A candidatura de Marina Silva está lentamente acumulando forças e convencendo formadores de opinião, rumo ao Ponto de Virada (Turning Point) epidêmico (comento o livro Ponto de Virada no próximo post). Essa será uma campanha em que o boca a boca (via Twitter, SMS e blogs) será decisivo para uma candidatura como a dela.

Mas, antes disso, é preciso diminuir sua taxa de rejeição. Segundo a entrevista que ela deu para a revista TMP, parece que sua taxa de rejeição está vinculada ao preconceito que colaram nela de evangélica criacionista.

Pre-conceito? Sim, um conceito prévio, cheio de estereótipos. Vejamos porque:

1. Marina era católica até cinco anos atrás, vinculada à Teologia da Libertação.
2. Hoje, acho que ela poderia ser melhor descrita como uma pentecostal de esquerda, ainda fortemente orientada pela TL. Um de seus principais amigos é Leonardo Boff.
3. Tem ampla experiência em dialogar com ateus (muitos de seus amigos dentro do PT) e pessoal da New Age (muito de seus amigos no movimento ambientalista).
4. "Acredita em Deus" mas não é criacionista nem apóia o criacionismo científico e nem mesmo o Desígnio Inteligente. Acredito que sua posição seja mais próxima do Teísmo Evolucionista da Fundação BioLogos, do cientista e chefe do NIH Francis Collins.

Se assim é, o rótulo de que "Marina é criacionista porque todo teísta é por definição criacionista", veiculado por alguns amigos blogueiros neoateístas, precisa ser repensado. Afinal, segundo este critério, José Serra é criacionista. Mais ainda, ele acredita em milagres!

Sobre futuro, tucano diz Deus é quem sabe
Da Redação

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), não comentou a pesquisa CNT/Sensus. Ao lado do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), participou de cerimônia que deu início a obras de prolongamento da Linha 2-Verde do Metrô. Acredito piamente que Kassab vai poder participar da sua inauguração quando for feita sua entrega, disse em referência a 2012, quando a obra deve terminar.

Serra foi então questionado se participará também da inauguração. Deus é que sabe, respondeu. Indagado se dependeria de Deus ou do eleitor, rebateu: A essa altura do campeonato, só Deus. Kassab emendou: Meu sonho é que ele venha aqui como presidente inaugurar.

Argh! Kassab vai ser o que em um futuro governo presidencial do PSDB? E, alé de acreditar em milagre (tipo a inauguração dessa obra do metrô em 2012!), ele é contra o estado laico, pois afirma que depende de Deus para se eleger, em vez de depender dos eleitores. Pode????


Our Mission

Dr. Francis Collins established The BioLogos Foundation to address the escalating culture war between science and faith in the United States. On one end of the spectrum, “new atheists” argue that science removes the need for God. On the other end, religious fundamentalists argue that the Bible requires us to reject many of the conclusions of modern science. Many people — including scientists and believers in God — do not find these extreme options attractive.

BioLogos represents the harmony of science and faith. It addresses the central themes of science and religion and emphasizes the compatibility of Christian faith with scientific discoveries about the origins of the universe and life. To communicate this message to the general public and add to the ongoing dialog, The BioLogos Foundation created BioLogos.org.

Funded by a grant from the John Templeton Foundation, the Web site is a reliable source of scholarly thought on contemporary issues in science and faith. It highlights the compatibility of modern science with traditional Christian beliefs. BioLogos.org features responses to a myriad of questions received by Collins, author of "The Language of God", Karl Giberson, author of "Saving Darwin", and Darrel Falk, author of "Coming to Peace With Science" since the publication of their books.

To learn more about BioLogos in the media, be sure to visit our "About BioLogos" articles section.


About Our Founder

Dr. Francis Collins is a physician and geneticist known for spearheading the Human Genome Project and for his landmark discoveries of disease genes. With Collins at the helm, the Human Genome Project produced a finished sequence of human DNA in 2003. He then used this new data to help create powerful tools and strategies to advance biological knowledge about humans and improve their health. Along with his research, Collins has also stressed the importance of considering the ethical and legal issues surrounding genetics.

Collins founded the BioLogos Foundation in November 2007 and served as its president until nominated by President Barack Obama and confirmed by the United States Senate as the 16th Director of the National Institutes of Health. He resigned from the BioLogos Foundation on August 16, 2009, and was sworn in as NIH Director the following day.

Formerly an atheist, Collins became a Christian in his 20s after realizing his perspective did not provide answers to profound questions about the meaning of life and was inconsistent with observations about the nature of the universe and humankind. He wrote about finding harmony between the scientific and spiritual worldviews in The Language of God: A Scientist Presents Evidence for Belief, which spent 20 weeks on The New York Times bestseller list. Collins coined the term BioLogos to define the conclusions he reached about how life, or bios, came about through God’s word, or logos. DNA, therefore, may be considered God’s language.

Collins received a Bachelor of Science from the University of Virginia, a doctorate in physical chemistry from Yale University and a medical degree from The University of North Carolina. He was elected to the Institute of Medicine and the National Academy of Sciences, and in November 2007 was awarded the Presidential Medal of Freedom, the highest civilian honor given by the president, for revolutionizing genetic research.

Collins gives frequent lectures about science and faith on college campuses that regularly attract more than 1,000 people. His book on personalized medicine will be published by HarperCollins in January 2010.