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terça-feira, junho 30, 2009

O milagre dos números da gripe suína


Gráfico: o dia 1 corresponde a 7 de maio. O comportamento exponencial sugere que a marca de um milhão de casos (não necessariamente confirmados) será atingida por volta de 10 de agôsto. Um número que é compatível com o caso americano, onde a marca de 1 milhão de casos foi atingida no final de junho (três meses depois dos primeiros casos).

A gripe suína no Brasil apresenta estatísticas milagrosas. Por exemplo, em pleno deslanche da epidemia, não foi confirmado nenhum caso na segunda-feira (o número de 625 se refere na verdade ao domingo). E hoje, terça-feira, também não foi confirmado nenhum caso em São Paulo (que tem 308 casos). Ou seja, o pessoal do Emílio Ribas está reclamando a toa, deve ser falsa a informação de que o atendimento no pronto socorro do hospital triplicou. Em comparação, o Reino Unido confirmou 1500 casos nos últimos três dias, em pleno verão.

Esse milagre aparece claramente no meu gráfico. O comportamento exponencial dos últimos 15 dias dá lugar a uma saturação. Algo está acontecendo em São Paulo. Será que o Serra interviu? O pessoal do Adolfo Lutz está de greve?

Ou você acredita que a gripe espontaneamente estacionou em São Paulo? Se isso aconteceu, é um fenômeno digno de entrar para os anais da medicina. Será que isso dá um paper?


Do G1:

O Ministério da Saúde confirmou nesta terça-feira (30) 55 novos casos de pessoas infectadas pelo vírus Influenza A (H1N1) no Brasil. Com os novos registros, chega a 680 o número total de pacientes infectados pela doença, também conhecida como gripe suína, no país. Até a tarde de segunda-feira (29), havia 625 casos da nova gripe no Brasil.

Veja a cobertura completa sobre a Influenza A(H1N1)

Confira os casos pelo país

Os novos registros da doença foram confirmados nos estados do Rio Grande do Sul (45), Piauí (3), Santa Catarina (3), Alagoas (1), Distrito Federal (1), Paraná (1) e Sergipe (1).

Segundo o Ministério, os números divulgados nesta tarde se referem aos resultados acumulados desde os primeiros registros de infecção no Brasil, no dia 8 de maio. “A quase totalidade desses pacientes já recebeu alta ou está em processo de recuperação”, destaca nota enviada pelo órgão.
PS: Sugestão para o Ministério: parar de usar termos vagos. "A quase totalidade significa quanto? 95% ? 99%? Se for 99% que já recebeu alta e está em processo de recuperação, isso significa que 1% não está em processo de recuperação: uma taxa bastante alta por sinal...

Dúvidas sobre o Tamiflu


Como vocês podem ver pelo gráfico Technorati aí do lado, a blogosfera não registra aumento de comentários sobre a gripe suína. Portanto, acho que a política de contenção dos blogs e do jornalismo investigativo na imprensa feita pelo Ministério da Saúde está dando certo.

Mas ficam aqui três questões sobre o Tamiflu:

1. O Tamiflu só é eficaz se administrado até 48 horas após a contaminação. Mas o governo pretende usá-lo apenas nos casos graves. Mas para um caso se configurar grave, imagino que isso só acontece depois de 48 hs. Ou não?

2. Tamiflu é remédio tarja preta? Porque o governo tirou o mesmo do mercado? A explicação de que é para prevenir o surgimento de cepas resistentes ao Tamiflu parece mais uma racionalização: é verdade, mas não toda a verdade. Será que a verdadeira razão é que os estoques do governo estão muito baixos?

3. A notícia dada pelos jornais de que o governo teria comprado 800.000 caixas de Tamiflu é aparentemente falsa. O custo no mercado de uma caixa é de R$ 160. Se o governo comprasse com um super desconto, por R$ 100, seria necessária uma verba de R$ 80 milhões para comprar as 800.000 caixas. A única notícia sobre verba extra para a gripe suína foi a de R$ 140 milhoes aplicados na politica de contenção em aeroportos e fronteiras, e folhetos de propaganda.

Essas dúvidas sobre o Tamiflu dariam uma ótima reportagem no G1 ou na Folha. Mas parece que todo mundo fica apenas repetindo os comunicados oficiais do Ministério da Saúde.

Outra dúvida: por que o Ministério não informou ontem o novo número de casos confirmados?

Don´t Panic! A economia não sente a gripe suína


Todos devemos reconhecer os esforços do Ministério da Saúde do Brasil na contenção e minimização de danos da gripe suína. Afinal, estão fazendo tudo o que é possivel com pouco dinheiro e parca infra-estrutura. Infelizmente, uma epidemia é como um terremoto (embora seja um terremoto anunciado), ou seja, as medidas necessárias (por exemplo, número de leitos necessários) não podem ser mantidas em períodos normais, devido aos custos.

O que este blog critica não é todo este esforço, mas o uso de falácias nas informações de relações públicas do MS, criando um clima de falsa segurança. O mais incrível é que os jornalistas da mídia convencional aparentemente não estão fazendo trabalho investigativo algum, mas apenas assumindo o mesmo tom oficialesco do Ministério. Pessoal, acordem, a gripe suína vai trazer consequências de saúde e econômicas (absenteísmo etc) muito maiores que o caso Sarney, que ocupa páginas dos jornais.

Devemos lembrar que, já que é dificil minimizar os danos à Saúde, o ministério pode pelo menos minimizar os danos à Economia: isso é feito criando-se esse clima de falsa segurança. A estratégia tem obtido muito sucesso, conforme noticia o G1:

Gripe A não reduz produção de carne suína, diz IBGE

Abate de suínos cresce 7,1% no primeiro trimestre.
Crise econômica faz abate de bovinos cair 11%.


Entretanto, sugiro uma pauta para os jornalistas investigativos:

1. Confirmar ou não a compra de 800.000 tratamentos Tamiflu pelo MS. Aparentemente essa compra não foi realizada (imagino que ela custaria R$ 80 milhões se o MS conseguisse um descontinho da Roche de R$ 160 para R$ 100 por caixa). Pelo que me lembro, esse tipo de verba não foi liberada ao Ministério.
2. Divulgar o plano de contenção do Ministério da Saúde de 2005, que estima que 20% da população pode contrair a gripe e que seriam necessários de 1 milhão a 200.000 leitos durante a epidemia. Imagino que o Brasil dispõe de 2.000 leitos se tanto.
3. Lembrar que a hiper-reação quanto à gripe suína é responsável por perdas econômicas, enquanto que a hipo-reação é responsável pelas mortes das pessoas.

Você que é adepto da estratégia de hipo-reação (Don´t Panic strategy) consegue assumir que poderá ser responsável pela morte de jovens e adolescentes sadios, os mais afetados pela gripe?

Parabéns ao Ministério da Saúde pelo sucesso na Economia, e torço para que o Ministro Temporão não tenha o mesmo destino de sua colega da Argentina. Afinal, a estratégia do Don´t Panic não funcionou muito bem no nosso país vizinho.


segunda-feira, junho 29, 2009

Gripe Suína no ArXiv


Será que Adriadne e eu seremos os primeiros a publicar um artigo sobre gripe suína no ArXiv? Bom, saiu este, mas acho que ainda não conta:

Were people imitating others or exercising rational choice in on-line searches for 'swine flu'?

Abstract: Two general patterns have been identified for the adoption and subsequent abandonment of ideas or products within a population. One is symmetric, so that concepts or products which are adopted rapidly then decline rapidly from their peak, and those which are slower to move to their peak decline more slowly. The other is asymmetric, where the decline from the peak is considerably slower than is the rise to the peak, and vice versa. We posit that these contrasting patterns arise from two fundamentally different modes of behaviour which are used by humans in making choices in different contexts. Namely, choice based on the imitation of the choices of others versus purposeful selection based upon the inherent attributes of the concept or product. We illustrate the proposition with the example of internet searches for the phrase 'swine flu' in a wide range of countries across the world. The methodology offers a general heuristic for distinguishing between these two general and contrasting modes of behavioural choice.
Comments: 8 pages, 3 figures, 1 table
Subjects: Physics and Society (physics.soc-ph)
Cite as: arXiv:0906.2255v1 [physics.soc-ph]

Knowledge versus SciAm


Comprei a revita Knowledge para dar uma olhada. Não, eu não tenho grana para comprar a Scientific American, a Mente e Cérebro e a Knowledge, na verdade até a SciAm estou comprando esporadicamente. Será que se eu por um banner da SciAm no blog eles me dão uma assinatura?

De início fiquei na dúvida: a Duetto vai competir consigo mesma? Mas acho que a Knowledge tenta abocanhar uma fatia de mercado dominada pela SuperInteressante. As reportagens são feitas por jornalistas em vez de artigos por cientistas como na SciAm.

É animador verificar que o mercado para divulgação científica e cultural parece que cresce a cada dia no Brasil. Mas se as revistas fossem um pouco mais baratas, acho que o mercado seria bem maior.

Uma idéia simples para aumentar a divulgação científica no Brasil. Depois de ler, doe a sua SciAm, Mente e Cérebro ou Knowledge para o seu dentista ou cabelereiro. Você pode doá-las também para escolas ou mesmo para os vendedores de esquina e flanelinhas. O público potencial das revistas será multiplicado por cem...

Do site AdOnline:

Ediouro investe no lançamento de revistas

Uma intensa campanha de marketing marca o lançamento no Brasil das revistas "Lonely Planet", focada em turismo, e "Knowledge", com assuntos de Ciências, Natureza e História. As duas publicações da BBC Magazine - estrutura editorial do Grupo BBC Worldwide, - foram licenciadas pela Ediouro e chegam às bancas e livrarias brasileiras pelo selo Duetto - a "Lonely Planet", em 26 de junho, e a "Knowledge", lançada recentemente em 19 de junho.

Inovar e investir na área de revistas faz parte da nova estratégia da Ediouro, que tomou força no início de abril com a aquisição dos 50% restantes da editora de revistas Duetto. Até então, a Ediouro dividia o controle da Duetto com a editora Segmento. De acordo com Bernadette Caldas, gerente de novos negócios da Ediouro, o lançamento das duas revistas envolve investimentos de R$ 2 milhões.

“Estamos encantados por termos feito este acordo com a Ediouro, principalmente porque é a primeira licença concedida para a “Lonely Planet”. Temos todos os motivos para acreditar que os dois títulos serão um grande sucesso, já que há no Brasil um grande apetite pelas revistas de conteúdo real, escritas por especialistas de uma maneira informativa e divertida”, disse James Hewes, diretor de desenvolvimento internacional da BBC Magazines.

(...)

A "Knowledge", por sua vez, é dirigida a todos que têm a mente curiosa, querem se encantar com as diversidades do universo e ampliar o conhecimento. Com textos sobre Ciências, Natureza e História, além de fotos e infográficos, a revista possibilita ao leitor compreender melhor o mundo em que vivemos, a partir da evolução do homem, de nossa história, dos fatos e manifestações da natureza, das descobertas médicas e científicas.

Pesquisadores são vetores de gripe suína?


A gripe suína é "igual a uma gripe sazonal". Já afetou o tráfego aéreo e derrubou a ministra da saúde da Argentina, o que acontece sazonalmente, como todos sabemos. Será que vai afetar também a participação de pesquisadores em congressos científicos?

São Paulo, 26 de junho de 2009.



Prezados(as) Servidores(as),



Informamos a todos os procedimentos gerais a serem tomados, em relação ao Vírus Influenza A (H1N1) e eventual estado gripal, conforme recomendações da Secretaria da Saúde.


1- Toda e qualquer viagem ao exterior, cujo país de destino tenha casos confirmados da gripe, é recomendado seu adiamento.


2- Caso o indivíduo já esteja febril, ou com diagnóstico de gripe, é aconselhado suspender a viagem.


3- Caso adoeça em outro país, sugere-se que o retorno seja adiado e complete o tratamento já, evitando-se contaminação de passageiros ou de outras pessoas após a chegada.


4- Se o indivíduo é saudável não há problema com o retorno.


5- Caso haja suspeita de gripe, é necessário a avaliação médica e seguir as orientações da Secretaria da Saúde.


6- Os Centros de referência para diagnóstico da presença do vírus são:


Capital: Hospital das Clínicas da FMUSP, Hospital Emílio Ribas e UNIFESP.


Interior: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Hospital das Clínicas da UNICAMP, Hospital de Base de São José de Rio Preto, Hospital de Bauru, Hospital Guilherme Álvaro - Santos.


Maiores informes, com atualização diária, no site: cve.saude.sp.gov.br


Atenciosamente,


Prof. Dr. José Antonio Franchini Ramires


Diretor do Departamento de Saúde da USP

domingo, junho 28, 2009

Juscelino da Luz não prevê morte por gripe suína, mas G1 sim.


OK, OK, daqui a pouco o Juscelino coloca no site dele uma carta dizendo que tinha previsto isso. Mas o mais intrigante é que o portal G1 anunciou a morte de um brasileiro por gripe suína com dois dias de antecedência:


26/06/09 - 17h44 - Atualizado em 26/06/09 - 22h05




Pelo mundo, o número de casos da doença não para de crescer. A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou em seu boletim desta sexta-feira (26) um aumento de 3.947 casos da gripe em relação ao último registro, de quarta-feira. Segundo a agência da ONU, há hoje no mundo 59.814 infectados pelo vírus influenza A (H1N1) e 263 pessoas mortas em decorrência da doença, sem contar o caso brasileiro. O maior aumento de casos ocorreu no Chile, que registrou mais 871 casos em apenas dois dias.


Por falar em paranormalidade, a SuperInteressante deste mês tem uma reportagem sobre o assunto, contendo inclusive declarações do "estatístico da USP" Osame Kinouchi sobre exemplos de coincidências estatísticas. A conferir...

Redatora Web da SciAm Brasil


A SciAm Brasil tem agora uma redatora que sugere pautas para os blogueiros. Isso é curioso, porque eu pensava que o público dos blogs fosse menor que o da SciAm. É um canal interessante, pois imagino que os blogueiros poderão também sugerir pautas para a SciAm...


Olá,

Segue sugestão de pauta que pode ser usada em seu blog:

Ondas gigantes dão pistas sobre enigma solar


Os cientistas deram um grande passo para entender porque a atmosfera solar é muito mais quente que sua superfície


sexta-feira, junho 26, 2009

Índice de centralidade baseado no índice de Hirsch


Inventei um índice de centralidade local para cientistas e nodos de redes em geral. Você tem índice K se existem K papers que citam você, cada um deles possuindo pelo menos K citações. A apresentação powerpoint está aqui e o paper será enviado na semana que vêm.

A grande vantagem deste índice (além de ser facilmente calculado usando a ISI - Web of Science) é que ele não é limitado pelo número de papers do pesquisador. Vamos supor que Einstein tivesse morrido em 1905. Ele teria 9 papers mais sua tese de doutorado (me corrijam se estiver errado), ou seja, h=10 no máximo.

Entretanto, como esses papers receberam um número enorme de citações, com muitos desses papers citadores também recebendo muitas citações, o índice K de Einstein seria altíssimo. Update 08/01/2010: O índice h de Jorge Hirsch é 52, enquanto que Einstein tem apenas h = 49. Que injustiça! Mas temos que K(Hirsch) = 150 enquanto que K(Einstein) = 250 aproximadamente. Ou seja, o índice K parece ter um poder de discriminação maior que o índice h...

Se você quiser calcular seu índice K, faça o seguinte:
1. Busque seus papers no ISI Web of Science
2. Clique no citation report
3. Clique no link "citing articles"
4. Ordene os artigos citantes por "times cited" (use a janela de opções da esquerda)
5. Vá descendo pela lista, comparando o ranque do artigo com seu número de citações. Quando os dois baterem, ou o ranque ficar inferior ao numero de citações, pare.

Muita gente ficou feliz com este novo índice, pois ele não é redundante com o índice h. Você pode ter um índice h baixo mas um índice K alto (ou seja, ser um falso negativo).

Do Physics ArXiv Blog:

The world's greatest physicists (as determined by the wisdom of crowds)

Posted: 23 Jun 2009 09:10 PM PDT
No prizes for guessing who gets top billing. But who comes bottom?


Who are the most accomplished physicists of the 20th century?

There's no real dispute over the top berth: Einstein trumps all-comers. But the rest of the list is harder to draw up.

Of course there are various ways of measuring performance: by the number of published papers or by citations, for example. But these have well known drawbacks.

Now Mikhail Simkin and Vwani Roychowdhury at the University of California, Los Angeles have come up with a way of ranking physicists by equating their achievements with their fame as measured by hits on Google. (We've come across these guys before here.)

They've tried their idea using a list of Nobel Prize winners for physics from before the Second World War. Top of the Google hit list comes Einstein with almost 23 million hits--easily the most famous physicist of his generation and probably of all time. At the bottom with only 4490 hits is the Swedish physicist Nils Dalen who won the Prize in 1912 for inventing an automatic gas valve.

The question is whether the intervening list is an accurate ranking of achievement. Simkin and Roychowdhury say it is because it matches, with reasonable accuracy, a list drawn up by the Soviet physicist Lev Landau who ranked theoretical physicists using a logarithmic scale of his own invention.

Simkin and Roychowdhury say the correspondence between Google hits and Landau's list is an example of the wisdom of crowds. Google hits are simply pages that mention the names in questions. "Every webpage about a particular person expresses its creator's opinion that the person in question is worthy of it," they say. "Thus, the fact that our estimate of achievement of Nobel Prize winning physicist based on statistical analysis of numbers of webpages mentioning them agrees fairly well with an expert's (Landau's) opinion may be another demonstration of the wisdom of crowds."

Before you judge for yourself, spare a thought for Charles Wilson, who won the Prize in 1927 for his development of the cloud chamber. Wilson has such a common name that Simkin and Roychowdhury could not determine his fame using Google hits and so had to exclude him from the survey. So we'll never know where Wilson ranks.

Here's the Top 10 (minus Wilson). The full list is in the paper linked to below).

1. Albert Einstein
2. Max Planck
3. Marie Curie
4. Niels Bohr
5. Enrico Fermi
6. Guglielmo Marconi
7. Werner Heisenberg
8. Erwin Schrodinger
9. Pierre Curie
10. Wilhelm Rontgen

Ref: arxiv.org/abs/0906.3558 : Estimating Achievement From Fame

Don´t panic! Blogosfera ignora gripe suína

A gripe suína não desperta a mínima atenção na blogosfera brasileira. O Ministério da Saúde parece ter feito um bom trabalho. Dados do Technorati:


Keyword popularity across the Blogosphere
This chart illustrates how many times blog posts across the Blogosphere contained the following keywords.

Você é cético em relação à hipnose?


Pesquisadores da Universidade de Genebra, na Suíça, conseguiram mostrar como um hipnotizador consegue paralisar membros do corpo, como um braço, apenas usando as palavras. A ideia é fazer com que uma parte do cérebro interfira no processo que normalmente faz esses membros se mexerem --a região cerebral que está pronta para fazer o braço de mover ignora os estímulos e "ouve" apenas o "intrometido", que diz: "Não se mova".

"É uma espécie de reconexão entre diferentes regiões do cérebro", afirma o pesquisador Yann Cojan, autor de um estudo publicado nesta quinta-feira (25) pela revista "Neuron" [ver artigo aqui]. Ele usou imagens do cérebro para mostrar o que acontecia quando 12 voluntários tentavam mover uma mão paralisada pela hipnose.

Os resultados mostraram que o córtex motor direito se preparava, como de costume, para fazer com que a mão esquerda se movesse. Mas a região parecia estar ignorando as partes do cérebro com que geralmente se comunica para controlar o movimento. Em vez disso, ele atuava em sincronismo com uma diferente região do cérebro chamada precuneus, relacionada a imagens mentais e memórias sobre si mesmo. "Isso foi uma surpresa", diz.

Cojan sugere que o precuneus estava "com capacidade esgotada" pelas metáforas que os voluntários haviam ouvido do hipnotizador, como "sua mão é muito pesada e está apoiada sobre a mesa". Então, afirma o pesquisador, a mensagem para o córtex motor era: "Sua mão está muito pesada, então você não consegue movê-la".

"É como se o córtex motor estivesse conectado à ideia de que ele não consegue mover a mão, então não manda a mensagem para que ela se mexa", diz Cojan.

No estudo, os 12 participantes tinham seus cérebros analisados enquanto realizavam uma tarefa que exigia que eles apertassem um botão com uma mão ou a outra. Em algumas sessões, eles foram hipnotizados e informados de que sua mão esquerda estava paralisada. Em outras ocasiões, a condição mental deles estava normalizada. Para que a comparação fosse feita, seis outros participantes simplesmente fingiram que a mão esquerda estava paralisada.


quinta-feira, junho 25, 2009

Casos de gripe suína crescem exponencialmente no Brasil


Parece que o número de casos confirmados agora está crescendo a uma taxa exponencial constante. O número de casos é dado por y = 0.016 * 1.23^x, onde x é o número de dias desde a primeira notificação. Acredito que o crescimento exponencial irá se manter até atingirmos alguns milhões de casos, quando os efeitos de saturação (imunidade da população) começam a aparecer.

Isso significa que atingiremos a marca de 1 milhão de casos em cerca de 38 dias. Não que isso vá aparecer nas estatísticas oficiais, pois em breve a capacidade máxima de confirmação de casos por testes laboratoriais será atingida (se já não o foi).

Até agora não entendi a estratégia do ministro Temporão. A tática de minimização dos fatos ("Esta é uma gripe similar a uma gripe comum sazonal", disse anteontem em entrevista na CBN) leva apenas ao descrédito e perda de confiança no Ministério da Saúde, gerando insegurança e paranóia na população. Seria muito melhor o ministro errar por superestimação da gripe do que por subestimação.

Uma história que ficou mal contada é a (possível) compra de 800.000 caixas de Tamiflu pelo Ministério. Essa notícia não ficou confirmada, dizia apenas que o Brasil estava em negociação com a Roche. Acho que vou perguntar para a Fernanda, do Ministério da Saúde e que está comentando nos blogs, se a compra foi realmente realizada.

Se foi, teremos gasto este estoque em cerca de 40 dias...

Se não foi, então o estoque do governo de 12.000 tratamentos dá para até dia 13 de julho...

segunda-feira, junho 22, 2009

Um dia a teoria de Crick-Mitchison voltará...

A teoria de Crick-Mitchison sobre desaprendizagem durante o sono REM foi descartada prematuramente. Talvez por ela mesma ser prematura, dado que as novas evidências sobre mecanismos neuronais de unlearning estão surgindo apenas recentemente.

Até lá, vamos juntando evidências...

Nature Reviews Neuroscience 10, 470-471 (July 2009) | doi:10.1038/nrn2676

Sleep: What goes up, must come down

Claudia Wiedemann

SleepWhat goes up, must come down

The exact functions of sleep are unknown, but it is widely accepted that sleep is important for learning and memory. Two recent studies published in Science found that synaptic connections and synaptic protein markers that respectively increase their numbers and expression levels during wakefulness are downregulated during sleep in Drosophila melanogaster.

Shaw and colleagues investigated the interdependency of increased sleep need after social enrichment and training-induced long-term memory. They showed that the number of synaptic terminals on axons projecting from ventral lateral neurons (LNvs) — clock neurons that regulate the circadian rhythm — to the medulla increased after social experience. The number then decreased during sleep, but it remained unchanged when flies were sleep deprived. Increased sleep need after social interactions or training-induced long-term memory was not observed in flies that carry mutations in the adenylyl cyclase-encoding gene rutabaga or the clock genes period and blistered (the D. melanogaster homologue for serum response factor). Expression of each of the wild-type genes in the LNvs of the mutant flies rescued this phenotype.

Further evidence of a role for sleep in downscaling synaptic connections that were potentiated during wakefulness is provided by a study by Cirelli and colleagues that investigated the expression of pre- and postsynaptic molecules in the D. melanogaster brain during normal day–night cycles and in flies that were sleep-deprived. The authors found that proteins that regulate the presynaptic secretory machinery or the postsynaptic density increased in expression after periods of prolonged wakefulness. In sleep-deprived flies the levels of these proteins remained elevated, but when flies were allowed to sleep the protein levels declined, suggesting that sleep is required for the downregulation of synaptic proteins. Furthermore, sleep-deprived flies had larger antennal lobes — structures that are known to increase in size on activity-induced plasticity — than flies that had slept.

These studies parallel previous studies in the rat suggesting that periods of wakefulness and social enrichment are associated with a net increase in synaptic strength and numbers. Furthermore, they indicate that sleep has a role in downscaling the net increase and thus in normalizing synapses, potentially to keep the system in an 'unsaturated' state.

A "Autoridade" Technorati e avaliação por pares?


A blogosfera científica brasileira é relativamente pequena (200 blogs?). Dado que a maior parte das citações recebidas por um blog vem da própria comunidade, podemos encarar os índices baseados em citações como medida de avaliação por pares? Ou seja, popularidade entre blogueiros é diferente de popularidade entre leitores?

Acredito que sim. Mas seria preciso fazer um estudo para ver a correlação (ou não) entre número de visitas (algo difícil e discutivel de medir).

Em todo caso, parece que a Autoridade é um dos poucos índices disponíveis. Em breve colocaremos uma lista com a Autoridade Technorati de todos os blogs do Anel de Blogs Científicos. Se você ainda não está cadastrado no site do Technorati e deseja participar, faça o seu cadastramento ainda esta semana.

Outra idéia para avaliação (qualitativa) dos blogs poderia ser um prêmio anual para os blogs de ciência. Ainda nesse espírito de avaliação por pares, uma possibilidade seria uma eleição (para um prêmio em cada categoria do ABC) onde cada eleitor é um blog do próprio portal. Vamos desenvolver essa idéia e aguardamos sugestões. O prêmio poderia ser entregue durante o EWCLiPo.


domingo, junho 21, 2009

Crescimento super-exponencial da gripe suína no Brasil

Este post pertence à Roda de Ciência. Favor deixar comentários apenas lá.

Obviamente isto é um artefato do processo de confirmação de casos, a menos que reflita um aumento da transmissibilidade da gripe. Ariadne, minha estudante de mestrado, está trabalhando em um modelo epidêmico que poderia reproduzir tal curva.

É claro que mais cedo ou mais tarde a capacidade do país de confirmar casos irá saturar (como já aconteceu em outros países). Mas se usarmos o conjunto de dados da última semana como preditor, podemos esperar atingir 1 milhão de casos (reais, que não serão necessariamente confirmados) na primeira semana de agôsto. Isso implicará em 10.000 casos graves (usando uma taxa super conservadora de 1% de hospitalização - a taxa real está entre 5 e 10%). Dado que temos atualmente 1.000 leitos para os casos graves, eu sinceramente não sei o que vai acontecer com os outros 9.000.

O pico da epidemia provavelmente se dará no final de agôsto, especialmente se as ondas de frio permanecerem até o final daquele mês.

É claro que isto é apenas um "educated guess". Mas se você olhar com cuidado os posts sobre gripe suína deste blog, verá que tenho tido um acerto de quase 100% nos meus chutes educados.

Editorial do PRL sobre fator de impacto


Editorial: Is PRL Too Large to Have an ‘‘Impact’’? (February 9, 2009)

(Published 9 February 2009)

Impact factors are a bit like television’s Nielsen ratings. You scrutinize them and take credit if you are a beneficiary, but they are a tad unsavory! Physicists ostensibly do not write to garner citations; they merely prefer topublish in journals with high impact factors.

If as an editor you were overcome by a desire to raise your journal’s impact factor, how should you go about it? (A journal’s impact factor is defined for a given year. PRL’s impact factor for 2006, for instance, is the number of citations in 2006 to Letters published in 2004–2005 divided by the number of those published Letters.) In essence, you should aim to publish at most a few dozen papers a month and focus on areas that are trendy and have adherents with good citing practices.

PRL’s mission is unique, with somewhat conflicting aims: publish in “all fields of physics” but only “important fundamental research.” During PRL’s existence physics has become broader and more international, and at the same time physics publishing has become more fragmented and more hurried. With the advent of better software and the Internet, generating and submitting (though not writing) a manuscript is easier. All of this means that PRL, in particular, has grown steadily over the years despite an increasing rejection rate, and now publishes 4,000 papers per year.

PRL’s impact factor hovers around 7. Journals with significantly higher impact factors typically publish no more than a twentieth of the number of physics papers that PRL does. Reviews of Modern Physics, which had an impact factor of 33.5 in 2006, published just over 30 papers last year.

In Fig. 1 we plot the “cumulative impact factor” ρc(n) for PRL, the sum of all citations in 2006 to each of the n most-cited 2004–2005 Letters, divided by n: ρc(n)=∑i=1ncitations(i) / nwhere citations(i) are the citations to theith most-cited paper.

You can think of ρc(n) also as the “citation density” of the journal, which drops as we stack up more and more less-cited papers. The curve shows the hypothetical impact factor that PRL’s n most-cited Letters would have, if published separately. The rightmost point in the curve (corresponding to ρc(N) where N is the total number of Letters published in 2004–2005) shows the average citation density for the whole journal, which is PRL’s actual impact factor.

A consequence of PRL’s growth is that it now publishes a significant number of Letters that are cited many fewer times than its average impact factor would suggest. While one can think of many reasons to reduce this tail of least-cited Letters, raising the impact factor significantly is not one of them. As you can see from Fig. 1, rejecting the 1000 least-cited Letters per year would raise the impact factor by only 2 units (assuming that one could identify beforehand most papers that would get low citations). By contrast, the 500 most-cited Letters—if published separately, and again assuming one could spot them a priori—would have an impact factor of around 20. (No high-impact journal publishes more than 500 physics papers a year.)

And there’s the rub: even a journal that publishes very many highly cited papers cannot achieve an impact factor above 20 in physics unless it publishes at most only a few hundred papers per year. The averaging process that the impact factor entails means that attracting even dozens of stellar papers each year will not significantly increase the impact factor of a journal that publishes thousands of papers. Newer bibliometric measures, such as the h-index, the Eigenfactor, etc., provide different perspectives.

All journals—even scholarly physics journals—strive to increase readership, attract top-notch authors, and discourage unsuitable submissions. While we at PRL intend to tackle its long tail soon, we are not about to ramp up its impact factor in the short term to, say, twice its current value. To do so would entail drastically changing the scope of what we publish. However, as noted above, each year PRL contains several hundred Letters that as a set surpasses in citations any other physics journal in the world. We hope to attract even better submissions and more readers by highlighting this set. The new online publication Physics and PRL Suggestions are significant steps in that direction.

O FIM DO FI?


A inadequação do Fator de Impacto (FI) tanto na avaliação de revistas como de um suposto impacto de artigos individuais está sendo reconhecida universalmente. Prevejo que o FI deve estar morto daqui a cinco anos no máximo. Acho que terão que reelaborar a tabela do Qualis totalmente. Como estamos no Brasil, prevejo que isto se dará por volta de 2020.

Avaliando revistas de ciência e cientistas

Postado por Alysson Muotri em 19 de junho de 2009 às 07:46

O progresso na ciência é fruto da publicação de novas ideias e experimentos, na maioria das vezes em periódicos ou revistas científicas que se baseiam na revisão anônima por outros cientistas da mesma área. Existem diversas opiniões sobre quais são as revistas científicas mais influentes. Infelizmente, tem sido difícil encontrar um método métrico simples para quantificar esse impacto.

A maioria dos cientistas acaba confiando no já desgastado Fator de Impacto (FI), que é publicado virtualmente pelo portal ISI Web of Knowledge. O FI consiste na média do número de citações num determinado ano dos trabalhos científicos publicados em revistas nos dois anos prévios. Diversos fatores podem influenciar o FI, como o número total de citações ou número total de trabalhos publicados por ano.

Um recente trabalho de estatística concluiu que nenhum dos parâmetros usados atualmente reflete com clareza a influência das revistas científicas (Bollen e colegas, e-Print Archive 2009). No entanto, um novo parâmetro foi recentemente proposto, o Eigenfactor, que tenta classificar a importância das revistas de uma maneira semelhante à usada pelo algoritmo do portal de buscas do Google.

A principal component analysis of 39 scientific impact measures

The impact of scientific publications has traditionally been expressed in terms of citation counts. However, scientific activity has moved online over the past decade. To better capture scientific impact in the digital era, a variety of new impact measures has been proposed on the basis of social network analysis and usage log data. Here we investigate how these new measures relate to each other, and how accurately and completely they express scientific impact. We performed a principal component analysis of the rankings produced by 39 existing and proposed measures of scholarly impact that were calculated on the basis of both citation and usage log data. Our results indicate that the notion of scientific impact is a multi-dimensional construct that can not be adequately measured by any single indicator, although some measures are more suitable than others. The commonly used citation Impact Factor is not positioned at the core of this construct, but at its periphery, and should thus be used with caution.
Subjects:Computers and Society (cs.CY)
Cite as:arXiv:0902.2183v1 [cs.CY]

sexta-feira, junho 19, 2009

Sexo, internet, mentiras e estatísticas


A Folha reporta hoje uma série de estatísticas referentes ao comportamento sexual do brasileiro. Imagino que pesquisas deste tipo devem ter os seus problemas metodológicos, mas me impressiona que tais problemas não sejam discutidos durante a reportagem.

Por exemplo, eu nunca entendi este tipo de dado:


Entre os homens, 10,3% afirmaram ter feito sexo com ao menos um parceiro que conheceu pela internet durante o período -- para as mulheres, a taxa é de 4,1%.

Descontando as relações homossexuais e com profissionais do sexo (que imagino não foram alvo da pesquisa específica sobre comportamento na internet), estes dados diriam, no mínimo (ou seja, na hipótese de apenas uma parceira por homem), que algumas mulheres são mais promíscuas, pois estariam fazendo sexo com uma média de 2,5 homens. Eu disse "no mínimo", pois a pesquisa reporta "ao menos um", ou seja, em média mais que um.

Isso parece pouco crível: ou homens, ou mulheres, ou ambos estão mentindo, como diria o Dr. Gregory House.

Será que ainda vivemos em uma cultura onde os homens contam vantagem sobre suas conquistas ou as mulheres escondem suas relações por medo de parecerem fáceis? Mas a metodologia da pesquisa não deveria ter previsto e evitado isto (por exemplo, garantindo anonimato etc).

É engraçado os responsáveis pela pesquisa divulgarem os números sem tentarem compatibilizar os resultados.

Uma terceira hipótese seria a de que mulheres e homens interpretam de forma diferente o significado da expressão "fazer sexo". Uma espécie conceito sexual a là Bill Clinton, só que ao contrário.


Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde aponta que ao menos 7,3% dos brasileiros já fizeram sexo com pessoas que conheceram pela internet --o estudo, realizado entre setembro e novembro de 2008, questionou entrevistados sobre os hábitos sexuais nos 12 meses anteriores à pesquisa.
Entre os homens, 10,3% afirmaram ter feito sexo com ao menos um parceiro que conheceu pela internet durante o período -- para as mulheres, a taxa é de 4,1%.
Segundo a "Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas", os jovens são os que mais procuram parceiros sexuais pela internet. Entre a população de 15 a 24 anos, 10,5% afirmam ter mantido relações sexuais com "amigos virtuais". Para os entrevistados entre 24 e 49 anos de idade, esse índice cai para 5,4%, e para 1,7% entre as pessoas com 50 a 64 anos.

Gripe suína chegou em Ribeirão


Perdi a aposta que fiz com minha filha Juliana. Eu apostei R$ 30,00 reais que a gripe suína chegava antes do dia 15 aqui em Ribeirão Preto. O primeiro caso confirmado foi divulgado hoje, dia 19. Errei por quatro dias... e ela ganhou R$ 30 para gastar na Feira do Livro.


Mas continuo apostando que a gripe sairá de controle até o final do mês. É tudo uma questão de equações de dinâmica epidemiológica. Falar que a gripe não está se propagando de forma autócne hoje é verdade, mas sugerir que isso deveria ser fator de alívio ou segurança é apenas desinformação. Como dizem, jornalismo é a arte de falar mentiras dizendo apenas a verdade...


PS: Pelo gráfico, no último mês o crescimento de casos confirmados cresce exponencialmente, com duplicação a cada 14 dias, mesmo com vários países deixando de contabilizar os casos leves.
No final do inverno (final de agôsto) seriam atingidos 1 milhão de casos. Faltaria multiplicar pelo fator que dá a razão entre casos totais por caso reportado (um fator de 20?).

quinta-feira, junho 18, 2009

Desígnio Inteligente: filosofia e ficção científica


Continuando o debate:

Marco,

Deixa eu estender a discussão através do conto (Demiurgo, ver aqui) que estou submetendo a um concurso de ficção científica. Gostaria que você desse um forward para o Jeferson.

Nele eu mostro que é possível ser ateu e mesmo assim acreditar em desígnio inteligente, bastando ter um pouquinho de imaginação.

Ou seja, o ateísmo não é equivalente à afirmação de que o Universo surgiu por acaso. São duas posições filosóficas distintas. Arthur C. Clark era ateu mas o filme 2001 - Uma Odisséia no Espaço é uma tese de desígnio inteligente, que Clark concebeu como possibilidade lógica compatível com a ciência.

Isaac Asimov, cético e ateu, tem um conto muito famoso no mesmo sentido: "A última pergunta".

Então, o argumento contra o ensino de desígnio inteligente nas escolas não é que ele é religioso per si ou incompatível com a ciência (o conto mostra que não é!).

O argumento deve ser: DI (ou mesmo evolução teísta) não devem ser ensinados nas aulas de ciência porque não são teorias bem fundamentadas mas sim especulação científica (ou seja, idéias que poderiam eventualmente ser compatíveis com a ciência mas cujas evidências a favor são fracas, questionáveis, prematuras ou inexistentes).

Agora, se os defensores da DI ou evolução teísta proporem que as mesmas sejam ensinadas em aulas de filosofia, acho que não tem problema. Afinal, os estudantes aprendem em aulas de filosofia sobre o Ceticismo de Hume, o Solipcismo e o Idealismo de Berkeley, que são bem mais radicais (e não científicos) que a DI...

Abraços, e esperando uma nova rodada de comentários...

Osame

PS: Não adianta dizer que os proponentes do DI tem uma agenda religiosa secreta (ou não tão secreta) . Em termos de análise lógica isso tanto faz e afirmá-lo é cair em uma falácia ad hominen bem conhecida. Popper diz que mesmo se uma teoria for concebida devido a uma viagem de LSD, ela deve ser criticada por seus méritos (ou falta de) e nunca por sua origem.