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sábado, fevereiro 28, 2009

Patrulhamento ateísta



Ainda sobre a discussão levantada pelo Reinaldo Lopes, o patrulhamento ateísta que certos cientistas ou divulgadores de ciência têm exercido, ou não, sobre seus colegas. Se você tiver dúvida sobre se é patrulhamento mesmo, basta verificar o grau de "seriedade" que o ateu assume, achando que tal coisa é um assunto decisivo, que 100% dos cientistas deveriam ser ateus (militantes?) e que é impossível ser bom cientista e ter visões religiosas (de qualquer tipo). Isso nao te lembra os chatolinos da LibeLu ou PC do B antes da queda do muro? OK, eu estou usando ad Hominen, mas num sentido humorístico... Mas em todo caso, precisamos avaliar se é patrulhamento mesmo (pressao social para conformidade de opinioes) ou críticas sérias a serem respondidas. Mas quantos ateus leram dois ou três livros de sociologia da religião (Durkhein, Peter Berger ou mesmo O que é religião, Colecao Primeiros Passsos!)? Então, como podem suas críticas desinformadas serem tomadas seriamente? é que nem conversar com New Ager sobre o significado da Mecânica Quântica, nao dá pé!

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Como o debate se ampliou, resolvi ampliar meu comentário sobre incompatibilidade entre ciência e religião.

1. A situação dos defensores do criacionismo/design inteligente/causa eficiente é no mínimo curiosa. Na literatura ocidental, Mefistófeles é “aquele que nega”, e nega especialmente a Divindade. A ironia do estado de negação é que justamente os criacionistas vivem negando os fatos, as teorias científicas que já foram experimentadas etc., assumindo rigorisamente a posição de Mefistófeles. De outro lado, contrariamente, nunca provam absolutamente nada do que afirmam.

2. A ciência está subordinada ao rigor experimental. À possibilidade de repetição e à veracidade dos fatos. Como se demonstra pela conduta dos religiosos, estes não se ocupam com a veracidade, nem mesmo com sinceridade de suas afirmações. Por isso, suas assertivas tendem a ser falsas, inverossímeis ou inverificáveis.

3. O discurso de Darwin é especialmente interessante na medida em que retira Deus e insere o acaso na seleção natural. A partir daí, a ciência evolui. Graças a isso, estuda-se a origem dos homens e dos demais animais. Calcula-se o tempo próximo da vida dos dinossauros etc. Em sentido totalmente oposto, a religião permanece estática e nega, por exemplo, a idade do planeta Terra e, também, a idade do Universo. E continua sustentando que o planeta Terra surgiu há 6.000 anos. Portanto, do meu ponto de vista, o acaso é muito mais relevante que Deus.

4. A Bíblia é só um livro. E minha biblioteca está cheia deles. Normalmente os religiosos nada sabem de literatura e vivem querendo nos dar aula de citação de textos que não conseguem compreender.

5. Os religiosos nunca colaboraram com a formação de sociedades produtivas, criativas e/ou democráticas.

6. Depois de queimar Giordano Bruno na fogueira, pelo que me lembro, o Papa não disse: ups … pisei no tomate!!!!

7. Os métodos mais bárbaros de coerção humana foram criados por religiosos. Por exemplo, a tortura foi inserida no processo medieval como forma de obter a verdade do indivíduo. Após a purificação de sua alma, o indivíduo era queimado para que pudesse subir aos céus. Isso é fato, não é ficção.

8. A religião é dogmática. Ou seja, não permite discussão sobre seus termos. Daí porque se adequa a teocracias. A ciência é dialética. Daí porque se adequa a democracias.


Entao aqui vai meu comentário:

Paulo é um ateu razoavelmente culto. Mas se arvorou como paladino nao apenas do ateismo filosofico, mas sim da ciencia e da modernidade. Entretanto, algumas de suas afirmativas sao primárias, precarias ou, caridosamente falando, inverdades. Outras sao apenas manifestacoes retoricas e falácias (tipo Straw Man ou Ad Hominen).

Cientistas, em principio, nao deveriam se expressar desta forma. Assim, fui dar uma olhada no curriculo Lattes do Paulo, apenas para prevenir (vai que o cara se torne meu proximo parecerista no CNPq!).

Nao encontrei o nome lá. Acho que Paulo nao é cientista, e portanto nao deveria se colocar como porta-voz dos cientistas praticantes (eu sou um deles). O Google apena me informa que Paulo parece ser um (ótimo) advogado, e isso explicaria sua capacidade de argumentacao e articulacao. Explicaria tambem sua tendencia em usar retorica e falacias (desde que passem despercebidas) pois imagino que para um advogado o importante é ganhar a discussao (advogados sao sofistas) e nao ganha-la usando apenas raciocinios logicos com pouca retórica (como no ideal cientificio).

Espero que Paulo me entenda: nao estou querendo desqualifica-lo, seus argumentos devem ser respondidos pelo que sao, nao estou apelando a argumento de autoridade. Mas estou questionando sua aparente autoproclamacao como defensor da pratica cientifica, pratica da qual ele nao é praticante, nao tem experiencia nem é perito. Paulo nunca seria chamado em um tribunal para emitir pareceres sobre filosofia da ciencia, metodo cientifico ou história da ciência.

Assim, gostaria de arrolar aqui quatro afirmacoes de Paulo que sao historicamente ou logicamente falsas, o que suscita a dúvida sobre se outras de suas colocacoes, tao taxativas, tambem poderiam sê-lo:

0. Paulo expressa nos itens 1 e 2 a filosofia da ciencia chamada de Verificacionismo ou Positivismo Lógico, que foi totalmente derrubada e superada pelo Falseonismo de Popper, Lakatos e seguidores. E mesmo o Popperianismo foi parcialmente refutado por Thomas Kuhn, Feyrabend e outros filósofos e sociologos da ciência (gente como Bruno Latour que realmente estudaram a prática da ciância in vivo. Conclusão: Paulo nao tem a menor idéia sobre o método científico como realmente praticado pelos cientistas...

1. Giordano Bruno nao era cientista nem pode ser considerado martir da ciencia. Era um mago renascentista que acreditava que a religiao egipcia de Aton (o Deus Sol) iria renascer na Europa e superar o Cristianismo. Era por isso que defendia Copérnico (O deus SOL-Aton deveria estar no centro do Universo!). Hoje, Giordano seria considerado um New Ager, um Erick von Daniken ou coisa pior (sua frase sobre muitos mundos habitados é mais do tipo de um ufólogo do que de um cientista). Foi queimado em uma era de intolerancia contra opinioes radicais, especialmente politicas como as dele. Mas nao creio que Paulo, com seu racionalismo cientifico, apoiaria ou defenderia Giordano hoje. Talvez pudesse ser o advogado de acusacao, dadas suas antipatias com a pseudociência (da qual Giordano era e ainda é um expoente).

2. - ”Os religiosos nunca colaboraram com a formação de sociedades produtivas, criativas e/ou democráticas.”
Acho que o livro “A ética protestante e o espírito do capitalismo", de Max Weber refuta a tese de Paulo. Mas se Paulo for anti-capitalista, podemos lembrar que Nietzsche afirma que foi o judeo-cristianismo que constituiu no Ocidente a raiz ideológica de todos os males (para Nietzsche, claro!), ou seja, do iluminismo, socialismo, do feminismo, do anarquismo e da idéia de que todos os seres humanos são irmãos, filhos do mesmo Pai, e que divisões em sociedades de castas ou fortes classes (como na Índia, Japão, Inglaterra, ou no código de Manu que Nietszche adorava) são contrárias a uma autoridade que está acima de qualquer autoridade ou poder terreno.

3. “O discurso de Darwin é especialmente interessante na medida em que retira Deus e insere o acaso na seleção natural. A partir daí, a ciência evolui. Graças a isso, estuda-se a origem dos homens e dos demais animais. Calcula-se o tempo próximo da vida dos dinossauros etc. Em sentido totalmente oposto, a religião permanece estática e nega, por exemplo, a idade do planeta Terra e, também, a idade do Universo. E continua sustentando que o planeta Terra surgiu há 6.000 anos. Portanto, do meu ponto de vista, o acaso é muito mais relevante que Deus.”

Atualmente, com excessao de uma minoria (dentro do próprio criacionismo), nenhum teólogo defende a Teoria da Young Earth (6000 anos). Entao, a afirmativa é falsa. (Importante, sou um físico que nao acredita nem em criacionismo nem em Inteligente Design, mas sim no Darwinismo Cosmológico de Lee Smolin).

Outro problema com esse tipo de afirmativa de colocar Darwin com divisor de aguas é que fica a pergunta: antes de Darwin os ateus eram irracionais ou pseudocientíficos por defenderem o ateismo, já que não havia resposta para os argumentos de desígnio de Thomas Paley na evolucão?

E talvez toda a discussão entre religiosos e ateus seja apenas que os religiosos personificam o acaso (por exemplo afirmando que ele não é totalmente desfavorável aos humanos mas é uma forca criativa, todo-poderosa (em princípio qualquer coisa pode ocorrer por acaso, tipo o Big-Bang), importante na história do universo e em nossas pequenas histórias individuais - o espírito mágico e mesmo a ciência se originam desse desejo de se proteger ou controlar o deus-acaso).

4. “A religião é dogmática. Ou seja, não permite discussão sobre seus termos.” eu nao sei nao, atá nas Escolas Dominicais existe muita discussao… e certamente nas faculdades de Teologia a coisa pega fogo (basta ver a diferenca entre Tradicionalismo, Teologia da Libertacao e Movimento Carismático).

Segundo o físico e filósofo da ciência Thomas Kunh, existe mais liberdade de debate em uma aula de Teologia do que em uma aula de Física (ver A Estrutura das Revolucoes Científicas). E o debate dentro da própria comunidade é muito lento, é preciso um grande acúmulo de anomalias antes que uma visão estabelecida (um paradigma) seja superado. É por isso que a evolucão das idéias cientéficas é bastante lenta, especialmente na Biologia, menos na Física onde se cultiva certa liberdade especulativa, não é qualquer experimento ou evidência que derruba teorias estabelecidas.

E não podemos dizer que tais teorias foram estabelecidas apenas por fatores cognitivos, pois fatores sociais modulam a velocidade de aceitacão das mesmas (sem o interesse de Bohr pelo Orientalismo e de Heisenbeg pelo Positivismo Lógico, talvez a visão de Copenhagen nao teria se estabelecido como “dogma” entre as interpreacões da mecânica quântica (e o livro de MQ do Cohen Tanoudji teria outro formato).

Mentes dogmáticas aparecem em todos os lugares, seja na ciência, seja na religião. Para quem tem experiencia prática no convívio do dia a dia com cientistas, eu não saberia dizer se eles são realmente não-dogmáticos (cada um se aferra a suas idéias preferidas!). A comunidade como um todo, por ser grande e feita de pessoas inteligentes, tende a ser menos dogmática (e olha que nem artigo em Science e Nature na década de 60 conseguiram convencer os neurocientistas   de que gap junctios eram importantes (isso foi feito 40 anos depois).

Ou seja, filosofia não pode ser reduzida a ciência. Muito do que existe nas religiões é filosofia (filosofia de vida, filosofia política, ética, auto-terapia e terapia de grupo etc). Da mesma forma, existe muita filosofia na ciência (na Epistemologia, na filosofia da física, biologia, matemática, lógica), e muitas posicões são filosóficas, nao podem ser decididas empiricamente (por exemplo, o longo debate entre Probabilistas Bayesianos e Probabilistas tradicionais, ou a discussão se a base do universo é feita por grandezas contínuas ou discretas… As pessoas podem tomar posicão, sem ter argumentos ou evidências científicas decisivas, apenas por gosto estético ou filosófico, e isso não as prejudica como cientistas (até ajuda!).

Eu acho que foi isso que o Reinaldo quis dizer: cientistas religiosos tem argumentos filosóficos para se manterem religiosos, mas não tem argumentos científicos decisivos e portanto preferem manter suas crencas em foro privado (ao contrário de certos neo-ateus…)


segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Perturbando a Blogosfera II


Reinaldo Lopes continua sua campanha heróica e mesopotâmica, como diria o Zé Simão, contra os Dom Quixotes do Ateísmo Radical (se sua luta contra os moinhos de vento da religião fosse baseada em análises antropológicas e sociológicas sérias, eu as respeitaria, mas como são apenas baseadas em "medinhos" de intelectual em torre de marfim, não posso respeitá-las). Neste sábado publicou no seu blog Visões da Vida:

Imagine que você é um cientista de renome, autor de um dos melhores livros didáticos de biologia do mundo. Você dedicou boa parte da carreira a explicar a teoria da evolução para um público amplo, com grande sucesso. Seu testemunho no tribunal foi decisivo para impedir que a chamada hipótese do Design Inteligente, uma forma de criacionismo com roupagem disfarçada, ganhasse a chance de ser ensinada como ciência nas escolas públicas. Diante desse currículo quase impecável, o que os seus colegas fazem? Condecoram você? Pedem que o governo o agracie com uma bolsa vitalícia por serviços prestados à ciência? Nada disso. Ultimamente, eles têm preferido dizer que você é igualzinho aos criacionistas.

Qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência, nobre leitor. A historinha do parágrafo acima espelha à perfeição o que tem acontecido com o biólogo americano Kenneth Miller, da Universidade Brown. Sob quase todos os aspectos, Ken Miller é um paladino da compreensão pública da teoria da evolução e um inimigo feroz da pseudociência. Mas, para alguns biólogos evolutivos proeminentes, como Jerry Coyne, da Universidade de Chicago, e P.Z. Myers, um dos cientistas-blogueiros mais populares do mundo, Miller tem o defeito imperdoável de ser católico e acreditar que não existe incompatibilidade essencial entre a teoria da evolução e a fé em Deus.


Enfatizo aqui: tenho ótimos amigos ateus e religiosos, e não quero perder nenhum deles. Mas, em termos de estratégia nessa Guerra Cultural, eu acredito firmemente que Dawkins e amigos estão equivocados e irão produzir em breve uma grande rejeição cultural (ainda mais?) da Ciência. 
Afinal, como dizem quase todo mundo, a Tecnologia destruiu o Ambiente e armou a arapuca do Terrorismo Nuclear (terrorista religioso armado de estilingue não faz mal a ninguém - com excessão de Davi contra Golias). 

Agora a Ciência (desde o Acaso e a Necessidade de Monod, na verdade) escancara a quatro ventos que o valores (por exemplo os Direitos Humanos) não tem fundamentos - OK, já sabiamos disso - e que um Hitler bem sucedido é o objetivo da evolução (pois seu grupo-comunidade teria maior fitness  - maior espaço vital e mais descendentes) enquanto que os judeus, sorry, tinham menos fitness (pois se tivessem mais fitness, teriam adotado a filosofia da Vontade de Nietzsche e teriam sobrevivido melhor aos campos de concentração...).

Assim, fico aqui de artilheiro ao lado de Reinaldo Lopes, nessa estúpida Guerra cultural onde as pessoas que deveriam estar juntas não estão, e o fogo amigo está matando muita gente boa...
Lembremos também que nossas posições (Reinaldo e eu) são bastante diferentes: ele é um católico progressista com teologia liberal, eu sou um autor de ficção-científica que acha que Teologia fornece ótimos roteiros para a FC (vide VALIS (1981), The Divine Invasion (1981), The Transmigration of Timothy Archer (1982) de Philip K. Dick). Ou seja, eu apenas acho que cientista quando fica rigorista e pede o bom humor e a autocrítica filosófica, é porque está precisando de uma dose de Freeman Dyson e talvez umas cervejas da Cervejaria Colorado de Ribeirão Preto.

PS: Reinaldo, acho que o conceito de "fé" está mais relacionado ao conceito jurídico de "confiança" ("dou fé", etc) e no sentido do relacionamento familiar (os amantes tem fé um no outro, se entregam um ao outro sem reservas - Amar a Deus de todo coração, de toda alma etc parece ser um ato erótico - e isso pode ser observado tanto na poesia mística como na moderna música Gospel).

Assim, discordo do seu conceito cognitivo (ou melhor, gnóstico) de fé como intuição de uma verdade profunda. Sei que os cientistas possuem esse tipo de fé quando perseguem uma linha de pesquisa mesmo quando ela ainda não deu resultados - é uma "aposta de fé" em que a idéia é promissora, mas não me parece ser o uso mais adequado quando você cita a Bíblia: o Jesus histórico lembra mais um budista anarquista Mahayana, não um budista gnóstico Theravada.  


Para que serve um blog de ciências sobre a sua vida científica?


Carlos Hotta, do Brontossauros em meu Jardim, sabendo que minha linha de pesquisa é de redes complexas, me avisou sobre este paper muito interessante, que me tinha passado despercebido mas que agora vou ler no feriado.


Também registro que meus dois estudantes de mestrado, Sandro e Adriadne, me acharam (ou pelo menos me conheceram melhor) via este blog. Entre trinta e um candidatos para o programa de pós-graduação FAMB - Física Aplicada à Medicina e Biologia do DFM-FFCLRP-USP, eles ficaram em primeiro e segundo lugar respectivamente, e ganharam as duas únicas bolsas disponíveis no semestres!



Phys. Rev. Lett. 102, 058701 (2009)




Download: PDF (261 kB)


Marián Boguñá1 and Dmitri Krioukov21Departament de Física Fonamental, Universitat de Barcelona, Martí i Franquès 1, 08028 Barcelona, Spain 2Cooperative Association for Internet Data Analysis (CAIDA), University of California, San Diego (UCSD), 9500 Gilman Drive, La Jolla, California 92093, USA


Received 18 September 2008; published 3 February 2009


Random scale-free networks are ultrasmall worlds. The average length of the shortest paths in networks of size N scales as lnlnN. Here we show that these ultrasmall worlds can be navigated in ultrashort time. Greedy routing on scale-free networks embedded in metric spaces finds paths with the average length scaling also as lnlnN. Greedy routing uses only local information to navigate a network. Nevertheless, it finds asymptotically the shortest paths, a direct computation of which requires global topology knowledge. Our findings imply that the peculiar structure of complex networks ensures that the lack of global topological awareness has asymptotically no impact on the length of communication paths. These results have important consequences for communication systems such as the Internet, where maintaining knowledge of current topology is a major scalability bottleneck.

segunda-feira, fevereiro 16, 2009

Escrever faz bem?


Os tempos de sobrevida em pacientes com câncer segue uma distribuição exponencial (cada tipo de câncer tendo seu tempo médio de sobrevida). Isso significa que, se o tempo médio é 5 anos, não quer dizer que você vai viver isso e pode com alguma probabilidade ter uma sobrevida de 20 anos ou mais.

Stephen Jay Gould conta que quando soube que estava com câncer, examinou essa distribuição exponencial de sobrevidas e "decidiu" que ficaria nos 2% superiores da curva de distribuição. Acho que efetivamente ele conseguiu isso. Será que o fato de escrever tanto (e tão bem!) o ajudou nessa empreitada?

Via Twitter do Vitor Pamplona:

The Oncologist, Vol. 13, No. 2, 196-204, February 2008; doi:10.1634/theoncologist.2007-0147 
© 2008 AlphaMed Press

Implementing an Expressive Writing Study in a Cancer Clinic

Nancy P. MorganKristi D. GravesElizabeth A. PoggiBruce D. Cheson

Lombardi Comprehensive Cancer Center, Georgetown University and Georgetown University Hospital, Washington, DC, USA

Key Words. Expressive writing • Cancer clinic • Emotional disclosure • Feasibility • Leukemia • Lymphoma

Correspondence: Nancy Morgan, M.A., Arts and Humanities Program, Lombardi Comprehensive Cancer Center, 3800 Reservoir Road NW, Georgetown University, Washington, DC 20007, USA. Telephone: 202-444-7228; Fax: 202-444-7889; e-mail: npm2@georgetown.edu

Received August 13, 2007; accepted for publication December 18, 2007.



Patients at a comprehensive cancer center have participated in a weekly writing program for 7 years. Anecdotal evidence following writing in this clinical setting appeared congruent with the results of expressive writing studies conducted in laboratory settings. To move expressive writing research beyond the laboratory, we evaluated the feasibility of engaging a clinicalpopulation in a structured expressive writing task while they waited for an appointment in a cancer clinic. Adult leukemia and lymphoma patients (n = 71) completed a baseline assessment,20-minute writing task, postwriting assessment, and 3-week follow-up; 88% completed the writing task and 56% completed the follow-up. Participants reported positive responses to the writing, and immediately postwriting about half (49.1%) reported that writing resulted in changes in their thoughts about their illness, while 53.8% reported changes in their thoughts at the 3-week follow-up. Reports of changes in thoughts about illness immediately postwriting were significantly associated with better physical quality of life at follow-up, controlling for baseline quality of life. Initial qualitative analyses of the texts identified themes related to experiences of positive change/transformation following a cancer diagnosis. Findings support the feasibility of conducting expressive writing with a clinical population in a nonlaboratory setting. Cancer patients were receptive to expressive writing and reported changes in the way they thought about their illness following writing. These preliminary findings indicate that a single, brief writing exercise is related to cancer patients' reports of improved quality of life.

domingo, fevereiro 15, 2009

Blogar vicia?



Revista Mente e Cérebro


edição 192 - Janeiro 2009
Quando o remédio é escrever

Efeitos terapêuticos de manter blogs atraem atenção de pesquisadores por Jessica Wapner

A busca por uma vida mais saudável pode ser um dos motivos do enorme aumento do número de blogs. Estima-se que sejam cerca de 3 milhões por todo o planeta. Cientistas e escritores há anos conhecem os benefícios terapêuticos de escrever sobre experiências pessoais, pensamentos e sentimentos. Mas, além de servir como um mecanismo para aliviar o stress, expressar-se por meio da escrita traz muitos benefícios fisiológicos. Pesquisas mostram que com a prática da escrita é possível aprimorar a memória e o sono, estimular a atividade dos leucócitos e reduzir a carga viral de pacientes com aids e até mesmo acelerar a cicatrização após uma cirurgia. Um estudo publicado na revista científica Oncologist mostra que pessoas com câncer que escreviam para relatar seus sentimentos logo depois, se sentiam muito melhor, tanto mental quanto fisicamente, em comparação a pacientes que não se deram a esse trabalho.

Pesquisadores empenham-se agora em explorar as bases neurológicas em jogo, especialmente levando em conta a explosão dos blogs. De acordo com a neurocientista Alice Flaherty, da Universidade Harvard e do Hospital Geral de Massachusetts, a teoria do placebo para o sofrimento pode ser aplicada a esse caso. Como criaturas sociais, recorremos a uma variedade de comportamentos relacionados à dor. A reclamação, por exemplo, funciona como um “placebo para conseguir satisfação”, afirma Flaherty. Usar o blog para “botar a boca no mundo”, expressar insatisfações e partilhar experiências estressantes pode funcionar da mesma forma.

Flaherty, que estuda casos como a hipergrafia (desejo incontrolável de escrever) e também o bloqueio criativo, analisa modelos de doenças que explicam a motivação por trás dessa forma de comunicação. Por exemplo, as pessoas em estado de mania (pólo oposto à depressão, característico do transtorno bipolar) geralmente falam demais. “Acreditamos que algo no sistema límbico do cérebro fomente a necessidade de a pessoa se comunicar”, explica Flaherty. Localizada principalmente no centro do cérebro, essa área controla motivações e impulsos relacionados a comida, sexo, desejo e iniciativa para resolução de problemas. “Sabemos que há impulsos envolvidos na criação de blogs, pois muitas pessoas agem de forma compulsiva em relação a eles. Além disso, o hábito de mantê-los atualizados pode desencadear a liberação de dopamina, os estímulos são similares aos que temos quando escutamos música, corremos ou apreciamos uma obra de arte”, diz Flaherty.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

Você confia em blogueiros científicos anônimos?


Estudos revelam que o anonimato na Internet baixa o nível de civilidade das pessoas: basta ver as flame wars e trolls mesmo em blogs de ciência. 

Mas você acredita que a questão do anonimato é indiferente na blogosfera científica? Você lê blogs de cientistas anônimos? Não deveriam os estudantes, cientistas e jornalistas científicos sempre se identificar? Afinal, se os blogueiros são análogos a colunistas opinativos de pequenos jornais, você acreditaria em um colunista anônimo? Posts como editorias jornalisticos não assinados?

Eu gostaria de formar uma opinião a respeito. Acho que existem várias razões para um estudante ou cientista ser um blogueiro anônimo (medo de ser ridicularizado pelos pares, medo de seu orientador ver que você está gastando seu tempo, medo de futuros empregadores).

Mas será que a razão do anonimato é sempre o medo? Ou outras emoções e justificativas racionais?  Gostaria de receber algum feedback sobre isso nos comentários. De preferência, comentários não anônimos...

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

O papel dos blogs na divulgação científica no Brasil

Entrevista na IPTV Cultura na Campus Party com blogueiros que participaram do I EWCLiPo (Átila Iamarino, Isis Nóbile Diniz) e outros. Link encontrado via Xis-Xis

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

To Bayes or not to Bayes


Bayesian Inference from Scratch

Jakub Mielczarek, Marek Szydlowski, Pawel Tambor
(Submitted on 26 Jan 2009)

We study epistemological and philosophical aspects of the Bayesian approach in different areas of science. The basic intuition as well as pedagogical introduction to the Bayesian framework is given for a further discussion concerning Bayesian inference in physics. We claim Bayesian inference to be susceptible to some epistemic limitations. We also point out paradoxes of confirmation, like Goodman's paradox, appearing in Bayesian Theory of Confirmation in the context of cosmological applications.

Comments: RevTeX4, 21 pages, 8 figures
Subjects: Data Analysis, Statistics and Probability (physics.data-an); History of Physics (physics.hist-ph); Popular Physics (physics.pop-ph)
Cite as: arXiv:0901.4075v1 [physics.data-an]

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Netwars


Pois é, não tem jeito não: qualquer coisa que você inventar (fogo, faca, roupa, botas, comida em lata, penicilina...) pode ser utilizada como tecnologia de guerra. Mesmo as idéias. Principalmente as idéias.

Do Blog NetWars, recentemente encontrado:

Welcome

Here’s a brief background: I’ve just completed my masters in International Relations and have been selected for Army OCS. I intend to serve as a career military officer.

So while waiting for BCT and OCS, I’m going to blog.

The focus of this blog is the concept of 4th generation warfare as well as other topics in international relations and political science.

Netwar by John Arquilla and David Ronfeldt provides a introduction to 21st century warfare:

The information revolution is leading to the rise of network forms of organization, with unusual implications for how societies are organized and conflicts are conducted. “Netwar” is an emerging consequence. The term refers to societal conflict and crime, short of war, in which the antagonists are organized more as sprawling “leaderless” networks than as tight-knit hierarchies. Many terrorists, criminals, fundamentalists, and ethno-nationalists are developing netwar capabilities.

Technology amplifies the military capabilities of small social networks and allows them to catastrophically disrupt economies and civilian networks. However, it is possible to target and eliminate hostile networks. We can use many tools such as game theory, network theory, and systems analysis to understand the threat and counter it.

The motto of this blog is nil desperadum. Victory is possible.

Psicofísica do Dilema dos Prisioneiros


E agora, Alexandre? Como colocar esse efeito nos parametros do modelo?

Do Portal G1:

Você provavelmente nunca trairia um amigo por cinco dólares. Mas por 500 centavos? Agora, sim!



É claro, os valores são os mesmos, mas pesquisadores descobriram que as pessoas são muitas vezes atraídas a tomar decisões por números que parecem maiores do que realmente são.



Em artigo publicado na edição de janeiro da publicação "Psychological Science", Ellen E. Furlong e John E. Opfer, da Universidade Estadual de Ohio, sugeriram que a falha no pensamento pode levar pessoas a se aventurar em atividades tão distintas como barganhar e apostar.



Os pesquisadores solicitaram a voluntários que participassem de um teste comportamental conhecido como o dilema do prisioneiro, no qual dois parceiros recebem diversas recompensas por trabalhar juntos ou contra.



A ideia é que, em longo prazo, os participantes ganhem o máximo de dinheiro através de cooperação. Mas, em qualquer rodada arbitrária do jogo, eles ganham mais se decidirem se voltar contra seu parceiro enquanto ele se mantém leal. A recompensa é mais baixa se os dois parceiros traem.



Quando a recompensa pela cooperação foi aumentada de 3 para 300 centavos, descobriram os pesquisadores, o nível de cooperação aumentou. Mas quando a recompensa foi de 3 centavos para 3 dólares, o nível continuou igual.



Enquanto o teste mediu como números mais altos aumentavam a cooperação, a lição também provavelmente se aplica a estímulos para que as pessoas traiam, disse Opfer.



As descobertas estão em consonância com estudos sobre como o cérebro lida com cálculos envolvendo quantidades. Estudos descobriram que as pessoas tendem a superestimar diferenças entre pequenas quantidades e subestimar diferenças entre as grandes.

Lei de Clausewitz vale para ataques terroristas


Via Physics ArXiv Blog (quem será o KFC? Um físico desempregado? É impossível que um professor ou estudante tenha tanto tempo para ler os papers, blogar e escrever bem assim!):


Plot the number of people killed in terrorists attacks around the world since 1968 against the frequency with which such attacks occur and you’ll get a power law distribution, that’s a fancy way of saying a straight line when both axis have logarithmic scales.

The question, of course, is why? Why not a normal distribution, in which there would be many orders of magnitude fewer extreme events?

Aaron Clauset and Frederik Wiegel have built a model that might explain why. The model makes five simple assumptions about the way terrorist groups grow and fall apart and how often they carry out major attacks. And here’s the strange thing: this model almost exactly reproduces the distribution of terrorists attacks we see in the real world.

These assumptions are things like: terrorist groups grow by accretion (absorbing other groups) and fall apart by disintegrating into individuals. They must also be able to recruit from a more or less unlimited supply of willing terrorists within the population.

Being able to reproduce the observed distribution of attacks with such a simple set of rules is an impressive feat. But it also suggests some strategies that might prevent such attacks or drastically reduce them in number . One obvious strategy is to reduce the number of recruits within a population, perhaps by reducing real and perceived inequalities across societies.

Easier said than done, of course. But analyses like these should help to put the thinking behind such ideas on a logical footing.


Ref: arxiv.org/abs/0902.0724: A Generalized Fission-Fusion Model for the Frequency of Severe Terrorist Attacks

Queremos educar nossas crianças para que produzam armas termobáricas?


(teclado com problemas nos acentos aqui...)

OK, OK, todo mundo sabe que a Ciencia, especialmente a patrocinada pelos militares,  é feita por homens brancos, machistas e ocidentais (Hummmm... eu sempre achei que os homens orientais é que fossem machistas!). Assim, achei curiosa uma reportagem que vi esta semana no canal Turbo (esses canais americanos obcecados por máquinas e tecnologia hard).

A reportagem era sobre as armas termobáricas, especialmente desenvolvidas para desencavar Osame Bin Laden (meu xará, o nome dele é com "e" final sim, busque no Google!) das cavernas do Afeganistão.

A chefe do Laboratório, que se orgulhava de descrever todo o processo de desenvolvimento da nova arma, é uma mulher vietnamita, ou seja, amarela feminista ocidental! Curioso, curioso, nada New Age...

O que falta a muitos cientistas que acham que a associação entre ciencia e tecnologia militar é natural é uma análise do impacto cultural dessas práticas no longo prazo: sim, voce pode ganhar a batalha - contra os terroristas ou o que for - mas perderá a guerra pelos coraçoes e mentes dos jovens: cada vez mais a ciencia será vista como associada às armas, às forças da morte, aos países poderosos, às grandes corporações... Basta ver os desenhos animados e filmes de Holywood, onde onde o cientísta é sempre o vilão ou  pior, empregadinho ingenuo ou vendido do vilão... Não se desperta verdaderias vocações científicas assim!

Análise de longo prazo: o gap tecnológico (em armamentos) entre os EUA e os outros países está aumentando, de modo que nenhum exército convencional pode lhe fazer frente. Ou seja, os EUA podem impor sua vontade, mesmo que esta seja injusta, mesmo que países razoáveis como Canadá ou a Noruega discordem veementemente, por exemplo! 

Se em um dado momento o interesse for outro - por exemplo uma nova política militarista Neocon em um governo cripto-teocrático de Jeb Bush, depois que Obama for destroçado pela crise - os países do mundo poderão chorar e mendigar (na ONU), mas o que fazer realmente contra o porta-aviões Nimitz e as armas super-hiper-mega inteligentes? A República Democrática pode virar um Império, lembram? Ou precisamos assistir de novo a Star Wars episódios 1, 2 e 3?

Fica claro o que irá ocorrer: a única tática viável frente a esse gap tecnológico é o terrorismo, com suas vítimas civis. Basta ver o segundo episódio de Battlestar Galactica, terceira temporada... onde os homens-bomba ateus são os mocinhos!

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Perturbando a Blogosfera


Recomendo o livro Perturbando o Universo, de Freeman Dyson, para quem quiser divulgação científica com qualidade literária (aqui por R$ 8,00!).

Quando você faz um hiperlink para outros blogs ou fontes em seu post, você está participando do processo "natural" de crescimento da blogosfera. Esse processo de auto-organização leva a uma estrutura de rede complexa em forma de lei de potência (a tal long tail) com um dado expoente que descreve seu formato - a "concentração de renda" de links - expoente que pretendo descobrir se depende do tempo.

Como apresentei no EWCLiPo, outras práticas correntes na blogosfera como fazer listas top 10 ou top 100 influenciam a curva Autoridade versus Rank (Zipf plot) dos blogs, por exemplo, multiplicando por um fator 10 a autoridade dos blogs que apareceram na lista. Ou seja, se o processo normal de auto-organização é baseado na lei de Mateus ("O rico em links fica mais rico"), a lista produz um efeito Super Mateus "O Top 100 Technorati fica mais rico ainda!".

Existem outras práticas que perturbam a distribuição de links "natural" da blogosfera? Bom, como a blogosfera é uma rede tecnológica, é dificil dizer o que é natural e o que não é, mas uso essa palavra com cuidado no sentindo de distinguir ações intencionais das não intencionais (por exemplo, um ataque intencional na rede definida pela internet visando sua desconexão com o menor número de links ou nodos detonados).

Três tipos de sites podem potencialmente "perturbar a blogosfera" científica (talvez vocês conheçam outros): 

1. Metablogs que contenham uma lista extensa de links de blogs científicos, tais como o Blogs de Ciência e o Anel de Blogs Científicos: eles fazem shortcuts entre blogs, são superhubs, podem talvez fazer com que as pessoas deixem de cuidar adequadamente de seus blogrolls. Isso seria péssimo, pois é importante para a blogosfera a formação dessas comunidades de blogs fortemente linkados. O objetivo do Blogs de Ciência e do ABC é melhorar o acesso do leitor aos blogs de ciência, especialmente aos pequenos e desconhecidos mas que podem ter potencial de crescimento. Por outro lado, listas extensas de blogs científicos poderiam ser úteis pois o blogueiro poderia deixar no seu blogroll apenas os blogs que ele realmente valoriza, ou seja, blogrolls mais enxutos.

2. Condomínios de blogs como o Science Blogs e o Lablogatórios (que em breve carregará a marca Science Blogs Brazil). O Roda da Ciência é um condomínio informal, acho, funcionando como um pequeno hub para posts com temas mensais. Acho que aqui o objetivo é agregar blogs de qualidade na sua peridiocidade, autoridade científica e qualidade de escrita. Nesse sentido, acho que os condomínios se tornam as listas efetivas dos Top Ten ou Top 20 blogs e podem gerar o tal efeito Super Mateus. Evidência a favor disso é o fato de que grande parte dos concorrentes ao Best Blogs Brazil na categoria Ciência pertenciam ao Lablogatórios.

3. Existem metablogs menores, por exemplo especializados apenas em ambientalismo ou geociências. Ainda não sei se eles teriam algum efeito estatístico na blogosfera científica.

É claro que "Perturbar a Blogosfera", ou seja, sua distribuição de autoridade em forma de lei de potência (na verdade, de Zipf-Mandelbrot) não é algo ruim em si, apenas deixa o fenômeno da blogosfera mais complicado. Essas diversas estruturas e fatores hierárquicos deverão então ser levados em conta em um estudo mais aprofundado da blogosfera (científica ou não) no Brasil e no exterior. E como uma recente discussão no Polegar Opositor revelou, existem muitas discussões mais interessantes sobre o blogar científicos do que ficar fazendo estatística de links (basicamente nosso trabalho lá no ABC). Por exemplo, como se profissionalizar, como transformar seu blog em um livro e coisas desse tipo.

Lá no ABC nossa intenção é outra. Gostariamos que responder à algumas perguntas:

  1. Qual o tamanho relativo da blogosfera científica brasileira em relação à de Portugal?
  2. Qual a propoção relativa de blogs nas áreas cobertas: Física, Astronomia, Biologia, Química, Matemática etc...
  3. Que áreas ainda não foram cobertas?
  4. Para cada blog científico quantos blogs "pseudocientíficos" existem?
  5. A blogosfera científica está em crescimento? A que taxa? Já demonstra sinais de saturação?
  6. Qual a vida média de um blog científico?
  7. Quantos blogs são feitos por cientistas profissionais? Por pós-docs? Por estudantes? etc
  8. Etc... 
É por isso que precisamos enfatizar os dados quantitativos: números de links, autoridade, fator h etc. As perguntas são outras, perguntas que só podem ser respondidas de forma estatística.

PS: Algumas coisas para referências: aparentemente a Autoridade do BlogBlogs é idêntica à do Technorati, a menos de detalhes de filtragem de links.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Lan houses nas Escolas


Isso parece uma boa ideia: pegar um modelo que já funciona entre os adolescentes e adaptar...


Agencia Estado - 4/2/2009 10:22




A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo vai abrir concurso para a contratação de 840 estagiários para o Acessa Escola, programa que transforma as salas de informática de escolas estaduais em espécies de "lan houses", abertas durante todo o período de aulas. De acordo com a secretaria, as vagas são destinadas às cidades de Bragança Paulista (129), Itu (144), Jacareí (132), Jundiaí (192), São Roque (81) e Sorocaba (162). As inscrições terão início no próximo dia 26 e terminarão em 16 de março. Podem participar do concurso estudantes de 1º e 2º ano de Ensino Médio de escolas estaduais nestas regiões.


O salário é de R$ 340, mais auxílio para transporte, por jornada de quatro horas diárias (sempre no turno inverso aos estudos). A primeira fase do Acessa Escola atendeu escolas da capital e Grande São Paulo - agora o projeto começa a ganhar o interior e o litoral de São Paulo. Além de ser aluno do Ensino Médio da rede estadual, o candidato deve ter 16 anos completos até a data da contratação. A seleção será por intermédio de prova objetiva, avaliando raciocínio lógico e familiaridade com informática.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Cinéfilo


Recebido de Antonio Roque:

Prezados colegas do DFM, 

Gostaria de divulgar aos interessados as atividades do Cineclube para este ano. A programação do Cineclube, que agora se chama CinéFilo, está disponível neste site aqui

Além dos já tradicionais ciclos temáticos das sextas-feiras à tarde no Anfiteatro das Exatas, o CinéFilo passa agora a ter também uma Sessão da Meia-Noite, que ocorre uma vez por mês no Espaço Cultural (antiga Capela). 

Por favor, divulguem o CinéFilo entre amigos, alunos, etc. 

Um abraço, 

Roque 

OBS: O filme inaugural é o, digamos, polemico Birth of a Nation. Em tempos de Obama, é interessante ver como a sociedade americana mudou em 90 anos...

domingo, fevereiro 01, 2009

Liberdade, Igualdade e Fraternidade I


Usamos uma Falácia Naturalista quando, estudando cientificamente como as coisas são na sociedade ou biologia humanas, concluímos que a "descrição" desse estado de coisas implica em como as coisas deveriam ser (em algum sentido filosófico, moral ou político). Em outros termos, a Biologia, as Neurociencias e a Teoria de Jogos Evolucionários determinaria (em vez de apenas constranger ou limitar) as possibilidades (r)evolucionárias das sociedades humanas. Por exemplo, podemos usar o status biológico do homo sapiens como mamífero altamente social para construir um argumento de psicologia evolucionária contra o libertarianismo americano ou a favor de uma sociedade mais igualitária. Podemos também construir falácias naturalistas no outro sentido, o que ficou conhecido como Darwinismo Social.
A contraparte da Falácia Naturalista é a sugestão razoável (base do Conservantism político exposta pelos anti-iluministas clássicos, mas atualmente defendida, de forma travestida, pela esquerda política e conservacionismo ambientalista) de que, dado que a evolução e a tradição (evolução cultural memética) produziu um certo status quo sócio-ambiental, tal estado não deveria ser mudado ou negado sem as devidas precauções. Mudanças deveriam ser introduzidas somente após um estudo cuidadoso de análise de riscos: a introdução de nova tecnolgia e novos conhecimentos deveria ser gradual para dar tempo à sociedade se adaptar à ela...

Resumindo, o conservadorismo pessimista (seja reacionário, esquerdista ou verde) se baseia no medo, e progressimismo otimista (neoliberal, marxista ou anarquista) se baseia na esperança.

Eu não sei onde fica a esperança no cérebro humano (em áreas vizinhas às areas ligadas à religiosidade?) mas sei que o medo é um sentimento forte, que leva à ação - nem que seja à reação - controlado pelo sistema límbico, e que basicamente está fora do controle racional. E muitas vezes, na história da Humanidade, especialmente em épocas de crise como a nossa, parece que o medo acaba vencendo é contagioso: desde o medo dos "terroristas" que tudo justificou no governo Bush até o medo do Apocalipse Nova Era em 2012.
Infelizmente, parece que todos somos filhos daqueles que tiveram medo (e escaparam de predadores e adversários)... É por isso que, em vez de sermos racionais, somos todos um pouco paranóicos, um pouco (ou muito) desconfiados, predispostos a acreditar em boatos e teorias conspiratórias.
Os que tiveram esperança talvez tenham sido grandes líderes e espalharam seus memes, mas filhos mesmo... Estavam muito ocupados para isso.