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sábado, janeiro 31, 2009


Um amigo sempre diz que os resultados da pesquisa inovadora devem ser avaliados em bloco e no longo prazo (muitas formiguinhas procurando o açúcar). Não é apenas a pergunta de Faraday "Para que serve um bebê?", mas sim: "É preciso gerar muitos bebês para que surjam alguns Einsteins, alguns Ronaldinhos e algumas Gisele Bundchen". Caminhadas estocásticas ou deterministas visando otimização de localização de alvos aleatórios, uma área que eu estudo e que "não serve para nada" mas...


Nova técnica faz curativo a vácuo barato para facilitar cicatrização

Estratégia foi desenvolvida no Hospital Universitário da USP. Custo semanal cai de R$ 3.000 a R$ 4.000 para R$ 30.

Da escova usada para lavar as mãos é aproveitada a esponja esterilizada. As mangueiras plásticas e a rede de vácuo são as mesmas sobre os leitos de qualquer hospital. Foi com materiais simples que o médico Fábio Kamamoto desenvolveu um curativo capaz de mudar a vida dos pacientes.

Carlos correu o risco de perder a perna depois de um acidente de moto. O corte profundo e infeccionado não cicatrizava. O quadro mudou em sete dias com o uso do novo curativo. Foi um alívio? "Com certeza, porque eu podia perder minha perna, né? Graças a esse curativo eu estou com ela aí, firme e forte para outra", diz.

Kamamoto demonstra como o curativo funciona. Feridas provocadas por acidentes, queimaduras ou diabetes são cobertas pelas esponjas e envolvidas com plástico adesivo. Um tubo ligado à rede de vácuo faz uma sucção constante. Essa drenagem impede infecções e promove a multiplicação de vasos e a regeneração do tecido.

A novidade ajudou João a se livrar do corte de uma cirurgia complicada que não fechava. "Depois de três dias que foi instalado esse sistema, você já percebe a diferença, que o corte vai se fechando, porque ele fecha de dentro para fora."

O curativo a vácuo desenvolvido aqui no Hospital da Universidade de São Paulo tem o mesmo resultado do similar importado usado em hospitais particulares. O que muda, e muito, é o preço -- que faz uma grande diferença na hora de tratar quem não pode pagar.

De R$ 3 mil a R$ 4 mil por semana, o preço dos curativos cai para cerca de R$ 30. O sistema, aperfeiçoado com ajuda de engenheiros da Escola Politécnica, foi patenteado e já pode ser usado por qualquer um que precisar.

"A ideia é divulgar conhecimento, difundir um tratamento que vai ser mais eficiente, que vai ter um custo mais acessível para todas as pessoas do país inteiro", diz Kamamoto.

Hospitais que se interessem podem entrar em contato com o Hospital Universitário da USP, que se dispõe a dar o treinamento necessário. Interessados podem entrar em contato pelo telefone (11) 3091-9200. O Hospital Universitário da USP fica na Avenida Professor Lineu Prestes, nº 2565, na Cidade Universitária, em São Paulo.

sexta-feira, janeiro 30, 2009

Pérolas perdidas


Comentei com minha ex-orientada de doutorado Mônica que eu me achava muito narcisista, vide o SEMCIÊNCIA. Mas ela me deixou muito feliz ao comentar que "Não, é claro que não, você tem apenas um alter-ego narcisista que se manifesta no SEMCIÊNCIA". Sim, alter-egos são interessantes (vide Fernando Pessoa), eles te permitem viver várias vidas ao mesmo tempo...

En passant, alguns posts do SEMCIÊNCIA andam meio misóginos (ou será chauvinistas, preciso procurar no dicionário). Mas se você perceber o tom irônico, é uma pseudomisoginia bem humorada (você percebe quando as pessoas estão se tornando fanáticas quando ccomeçam a clamar por seriedade e perdem o bom humor). Afinal, eu quase fui militante feminista na década de 80, caso minhas amigas deixassem homem participar. No final, pude apenas dar apoio moral...

Bom, voltando, como o objetivo explícito do blog é ser um diário sobre a (minha) vida científica, não posso parar no meio do caminho, não é mesmo? Então aqui começa uma série de posts sobre minhas pérolas preferidas, ou seja, meus artigos publicados que nunca receberam nenhuma citação (nem de mim mesmo!) mas que eu considero ótimos artigos, com idéias originais que deveriam ser continuadas (os artigos que não foram citados por serem péssimos não comentarei :D).

Verifiquei que tais papers em geral não foram citados porque:

  1. O artigo é sobre um tema tão esquisito (ou se você quiser ser benevolente, "original") que ninguém até agora teve coragem que continuar a mesma linha de pesquisa;
  2. Mudei de área de trabalho logo após a publicação do paper, ou seja, saí daquela comunidade específica de pesquisadores (é preciso estar dentro do meio, participar das conferências etc., para ser citado);
  3. A área de pesquisa do paper estava saindo de moda: a pesquisa científica na minha área (ainda) é uma atividade artesanal como o garimpo. Quando alguem localiza um bom filão, o pessoal vem com tudo, depois chegam de trator, só sobra uma Serra Pelada no panorama das possibilidades teórico-computacionais. O que sobra ou são problemas muito complexos ou muito complicados (o que não é a mesma coisa) e as pessoas vão embora em busca de novas áreas de forrageamento mais recompensadoras.
No próximo post comentarei o primeiro artigo pérola perdida, o Dynamical phase diagrams of neural networks with asymmetric couplings publicado no Physical Review E. Agora preciso fazer comida para as crianças...

Comunidade Blogs de Ciência no Orkut

Amigos

A comunidade Blogs de Ciência está muito parada. Gostaria que vocês participassem mais, pois o objetivo dela é a troca de experiências e o surgimento de ideias novas para aplicação nos blogs.
Aguardo vocês lá!
Abraços!

Alcione

Esta mensagem foi enviada por Alcione Torres. Para ver o perfil de Alcione, clique aqui .

quinta-feira, janeiro 29, 2009

Distribuição de tempos de vida de casamentos


Gostaria de saber... Será uma distribuição exponencial (similar ao decaimento de um estado ligado atômico)? Com que meia-vida? Ou tem uma cauda estendida? Se for exponencial, isso significa que o fator principal é o acaso e não qualquer esforço dos cônjuges? Cuidado para não usar a calculadora e criar uma profecia auto-realizadora...


A economista americana Betsey Stevenson desenvolveu uma 'calculadora do casamento' que poderia prever as chances de divórcio.

A ferramenta, disponível na internet , funciona com uma comparação de estatísticas dos divórcios realizados nos Estados Unidos com os dados fornecidos pelos usuários.

O "cálculo" resulta da análise de informações como idade, tempo de casamento, número de filhos e grau de escolaridade do usuário.

Essas informações são então comparadas com estatísticas do Censo americano sobre os divórcios realizados no país. Dessa forma, o usuário da calculadora recebe uma estimativa do percentual de pessoas com perfis similares que se divorciaram no passado e faz projeções sobre as chances de divórcio dentro de cinco anos.

"Com a calculadora do casamento, você pode descobrir como muitas pessoas com perfil parecido se divorciaram", explica Stevenson.

"Em resumo, o passado está sendo usado para determinar o futuro com essa calculadora", disse G.Cotter Cunninghma, diretor do site que hospeda a ferramenta .

Riscos

Segundo Stevenson, pesquisadora da Universidade da Pensilvânia e especialista em casamentos e divórcis, o risco de divórcio é menor para pessoas que possuem pelo menos grau superior de escolaridade e se casam mais velhas.

Ela afirma que, entre as pessoas que se casaram nos últimos anos, a taxa de divórcio é menor entre aquelas que se casaram depois dos 30 anos. Ela explica ainda que, quanto mais cedo se casa, maiores são as chances de divórcio.

"Apesar de ser difícil identificar o que está causando essa relação, a partir dessas informações eu aconselharia meus amigos a casarem quando estiverem mais velhos", disse a economista.

Science Blogging 2009?


Ildeu de Castro Moreira nos chamou atenção para esta conferência, ocorrida ano passado. Será que o evento se repetirá em 2009? Algum blogueiro de ciência brasileiro participou?

Science Blogging 2008


On 30th August Nature Networks in collaboration with the Royal Institution are hosting the inaugural science blogging conference: Science Blogging 2008 London. The Department for Innovation, Universities and Skills is delighted to be suporting this event which aims to bring together science bloggers from around the world to discuss the pressing issues in science, science communication, publishing and education.


The science blogging community is growing rapidly and reaching larger audiences. What can science bloggers do to maximise their impact? Can blogging contribute to scientific research and careers? How can blogs be used to help educate the public about science? What other emerging online tools will play a role in science?


Bloggers, science writers and scientists will be gathering at the Royal Institution of Great Britain in London on Saturday to spend a day discussing these issues. The event was very popular and is fully booked now, but you can check out the
website.

Program
8:30 - 9:45

Coffee/Breakfast; Proposal of unconference sessions
9:45 - 10:00
Opening remarks: Naomi Temple, Royal Institution; Matt Brown/Corie Lok, Nature Network
10:00 - 10:30
Keynote: Ben Goldacre
www.badscience.net
10:30 - 11:30
Panel: The scientific life, exposed
Jenny Rohn, Grrl Scientist, Anna Kushnir. Moderated by Mo Costandi. Mistrust of scientists is common, and misinterpretation of scientific results rampant. Science blogs can serve as a bridge between scientists and the general public. Blogs build a community of scientists in which they can discuss the peculiarities of their jobs, their work, and their results. More than that, science blogs have the power to demystify the scientific process for the public and to reverse deeply held stereotypes of scientists. In this session, we will discuss how science blogs can change the public’s perception of scientists and provide a support framework for scientists themselves.
11:30 - 11:45
Short break; Voting on unconference sessions
11:45 - 12:30
Morning breakout sessions. Three parallel sessions of 45 minutes, with option to go 15 minutes longer.

Breakout 1: There's a giraffe on my unicycle: Can blogging unlock your creativity? Clare Dudman, Brian Clegg and Henry Gee. Poincaré talked about ideas like gas molecules colliding in the room of his mind; Einstein talked about dreams; and Archimedes was in his bath when it hit him...that lightbulb going on, that great insight, that EUREKA MOMENT when two apparently unrelated ideas come together. Can blogging be a useful catalyst for creativity? Using a few examples from our own experiences as a springboard, we intend this to lead to a workshop/discussion on how blogging can help us create. Please bring your giraffe and your unicycle along with you.

Breakout 2: How to make friendfeeds and influence people Matt Wood. An introduction to microblogging and aggregation services (such as Friendfeed, Twitter, Tumblr etc), before opening things up to a discussion on their use in science, open notebooks, etc.

Breakout 3: How to enhance your blog Maxine Clarke and Euan Adie. Once you have decided to blog, what kind of blog do you choose? Blogging within a network, blogging on a stand-alone platform, group blogging, or microblogging all have advantages and disadvantages, as we will outline.However you blog, it is all about communication and conversation, and we'll be revealing some of the things you can do to increase your nternet presence, whether you are just a bit of a magpie (Maxine) or a bedroom coder (Euan), or at some point in between. We hope to have a lively discussion with participants about these topics.
12:30 - 1:45
Lunch and networking; Announce afternoon unconference sessions
1:45 - 2:30
Afternoon breakout sessions. Three parallel sessions of 45 minutes, with option to go 15 minutes longer.

Breakout 4: Science in Second Life: a virtual tour Jo Scott. Jo will take you on a tour of the key sites of relevance to scientists in the virtual world Second Life. A group discussion will then look at how useful such environments are (or could become) for disseminating scientific ideas and holding virtual conferences.

Breakout 5: Science blogs and online forums as teaching tools Martin Fenner, Oliver Obst and Jeff Marlow. We will discuss the role that science blogs and online forums are having in teaching science today. In a panel discussion we will look at practical examples and examine their potential as well as their shortcomings. To foster the use of these online tools in teaching, we hope to come up with a list of suggestions for both educators and software developers at the end of the session. (Other panellists to be decided.)

Breakout 6: Communicating Primary Research Publicly Heather Etchevers, Jean-Claude Bradley and Bob O’Hara. New web technologies afford unprecedented opportunities to share scientific data and results before official publication in a traditional journal. What are the benefits and drawbacks for a scientist to use these tools? Could the role of traditional publishers change as more scientists adopt increasingly diverse mechanisms to disclose research? How might this change the way science is done in the future?
2:30 - 3:15
Coffee and networking
3:15 - 4:15
Unconference sessions: 3 parallel sessions to be decided on the day by vote. If you’d like to speak, or lead a discussion, pitch your ideas in the morning before the first talk. You can begin discussing potential sessions in the
conference forum.
4:15 - 5:30
Wrap-Up Panel: Embracing change: Taking online science into the future.The panelists summarise the key themes of the day and provide a look into the future of online communication and collaboration in science. The goal is for attendees to come away with things they can do to enhance communication of science online.
Richard Grant, Cameron Neylon and Peter Murray-Rust. Moderated by Timo Hannay.
5:30 - 5:40
Closing remarks Matt Brown/Corie Lok/Royal Institution
5:45
Drinks and networking at the RI, to be continued at a local pub (location to be announced).


Algumas observações sobre o formato, comparando com o EWCLiPo:


1. As "unconferenced sessions" são curiosas, talvez pudessemos adaptar isso. Em todo caso, as várias mesas redondas do EWCLiPo deram um tom de informalidade ao Encontro.

2. A conferência foi realizada em apenas um dia, no sábado. O EWCLiPo durou dois dias, na quinta e sexta, mas muita gente só podia estar presente em um dia (especialmente os jornalistas). A sugestão para o próximo EWCLiPo é realizar o evento em um final de semana (em Búzios?).

3. Notei várias palestras dadas por dois ou mais autores. Um formato interessante, que poderíamos adotar.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

Redes sociais e evolução



A popularidade de uma pessoa e sua habilidade de formar grupos sociais é, em parte, influenciada pela herança genética, sugere pesquisa das universidades de Harvard e da Califórnia, nos Estados Unidos.
Segundo os pesquisadores, os genes não apenas afetam a personalidade, mas também têm impacto sobre a formação e a estrutura do grupo social de um indivíduo.
"Nós conseguimos mostrar que nossa posição específica em vastas redes sociais tem uma base genética", disse Nicholas Christakis, da Universidade de Harvard. "Na verdade, o belo e complicado padrão das conexões humanas depende de nossos genes em uma medida significativa."
Participaram da pesquisa 1.110 gêmeos, tanto idênticos quanto fraternos. Os pesquisadores descobriram uma maior semelhança entre as redes sociais e conexões dos gêmeos idênticos.
Explicação evolucionária
Os pesquisadores acreditam que pode existir uma explicação evolucionária para que uma pessoa fique no coração de um grupo ou à sua margem.
Se uma infecção letal se propagar por uma comunidade, aqueles que estiverem à margem terão menor possibilidade de contrair a infecção e sobreviverão.
Mas, em outras circunstâncias, como no caso de escassez de alimentos, estar no centro da comunidade e ter acesso a informações pode ser uma vantagem.
"Uma das coisas que este estudo nos diz é que redes sociais são uma parte fundamental da nossa herança genética", disse James Fowler, da Universidade da Califórnia. "Pode ser que a seleção natural esteja atuando não apenas em coisas como se nós podemos ou não resistir ao resfriado comum, mas também quem vai entrar em contato com quem."
O estudo foi publicado na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences".
Pergunta: Por que você usa fotos de mulheres em seus posts científicos?
Resposta: Por que você parou para olhar esse post?

domingo, janeiro 25, 2009

Redes Bipartidas em Ecologia e Economia


Nature 457, 463-466 (22 January 2009)


doi:10.1038/nature07532;


Received 5 June 2008; Accepted 10 October 2008; Published online 3 December 2008


A simple model of bipartite cooperation for ecological and organizational networks


Serguei Saavedra1,2,3, Felix Reed-Tsochas2,4 & Brian Uzzi5,6




  1. Department of Engineering Science, University of Oxford, Oxford OX1 3PJ, UK

  2. CABDyN Complexity Centre,

  3. Corporate Reputation Centre,

  4. James Martin Institute, Saïd Business School, University of Oxford, Oxford OX1 1HP, UK

  5. Kellogg School of Management and Northwestern Institute on Complex Systems, Northwestern University, Evanston, Illinois 60208, USA

  6. Haas School of Business, University of California, Berkeley, California 94720, USA

Correspondence to: Felix Reed-Tsochas2,4 Correspondence and requests for materials should be addressed to F.R-T. (Email: felix.reed-tsochas@sbs.ox.ac.uk).



In theoretical ecology, simple stochastic models that satisfy two basic conditions about the distribution of niche values and feeding ranges have proved successful in reproducing the overall structural properties of real food webs, using species richness and connectance as the only input parameters1, 2, 3, 4. Recently, more detailed models have incorporated higher levels of constraint in order to reproduce the actual links observed in real food webs5, 6. Here, building on previous stochastic models of consumer–resource interactions between species1, 2, 3, we propose a highly parsimonious model that can reproduce the overall bipartite structure of cooperative partner–partner interactions, as exemplified by plant–animal mutualistic networks7. Our stochastic model of bipartite cooperation uses simple specialization and interaction rules, and only requires three empirical input parameters. We test the bipartite cooperation model on ten large pollination data sets that have been compiled in the literature, and find that it successfully replicates the degree distribution, nestedness and modularity of the empirical networks. These properties are regarded as key to understanding cooperation in mutualistic networks8, 9, 10. We also apply our model to an extensive data set of two classes of company engaged in joint production in the garment industry. Using the same metrics, we find that the network of manufacturer–contractor interactions exhibits similar structural patterns to plant–animal pollination networks. This surprising correspondence between ecological and organizational networks suggests that the simple rules of cooperation that generate bipartite networks may be generic, and could prove relevant in many different domains, ranging from biological systems to human society11, 12, 13, 14.

Neurônios são células inteligentes?


Preciso achar a referência deste trabalho. Parece ser importante para aquela idéia do cérebro funcionando como uma blogosfera biológica. Tem também a questão filosófica de se seus neurônios têm acesso empírico ou percepção da existência de um ser superior (no caso, você!).

Biólogo descobre som de neurônios se comunicando

Ford prolongou a gravação para mostrar como os neurônios aparentemente se comunicam uns com os outros.

O pesquisador compara o áudio gravado ao som emitido por aves marinhas e alega que sua gravação demonstra uma propensão destas células à resolução de problemas, um comportamento inteligente.

Em um estudo apresentado nesta segunda-feira na Universidade de Cambridge, Ford afirma que uma única célula é capaz de pensar sozinha e até de se comunicar com outra.

De acordo com o biólogo, um organismo unicelular como uma ameba, por exemplo, não apenas flutua como também é capaz de construir uma "casa", juntando grãos de areia para formar uma proteção.

Complexidade
Segundo Brian Ford, a manifestação de habilidade mental não é algo que ocorre a partir da complexidade de organismos mais evoluídos, e sim inerente em cada célula individualmente.

O cientista afirma que é preciso analisar as células humanas como um maestro vê uma música, não como um grupo individual de notas musicais, mas como uma sinfonia.

O professor e biólogo diz ainda que muitos organismos unicelulares são capazes de, além de construir proteções elaboradas, fazer reparos em si próprios e até mesmo caçar alimentos.

Ford conclui que, quando a importância destas observações é levada em conta, é preciso reconhecer que estas células estão tomando decisões, se adaptando a situações e descobrindo o que fazer quando têm algum problema.

Isso, mais do que ação em grupo, seria a base da inteligência, de acordo com o biólogo.

Uma gafe estatística


Uma das maiores gafes que cometi na vida foi fazer uma pergunta para uma pró-reitora (que espero que apenas meus amigos saibam quem é) que apresentava dados otimistas sobre a produção científica da USP na década de 90. Ela expunha dois gráficos: um de aumento do número de trabalhos científicos e outro de aumento do número de doutores. No final da palestra eu, ingenuamente (realmente não quis criar nenhuma saia justa), peguntei se não seria melhor dividir o número de trabalhos pelo número de pesquisadores, a fim de ver se a publicação per capita estava aumentando ou diminuindo (estava claramente diminuindo...).

Agora, lendo a notícia abaixo, fiquei na dúvida: quem disse que o número de publicações P devesse ser proporcional ao número de pesquisadores? Talvez os efeitos de escala em uma Universidade sigam outro tipo de lei de potência, tipo P = c D^a, com a <> 1, mas vá lá!).

Será que o expoente a foi estudado em outras universidades (internacionais)? Quem sabe não estamos tão mal assim. Além do mais, dado que o tempo dos docentes-pesquisadores-orientadores é finito, realmente teríamos que colocar o fator número de alunos em algum lugar. Onde?

Bom, imagino também que o número N de alunos atendidos, nas universidades do mundo inteiro, não é proporcional ao número de docentes doutores D, mas deve valer algo como N = c´ D^b (c e c´são apenas constantes pouco importantes). É por isso que é absurdo calcular o número de alunos por docente. Infelizmente, imagino que também b < 1.

Aos 75, USP tem mais alunos e menos produção científica

FÁBIO TAKAHASHI

da Folha de S.Paulo

A USP chega hoje aos 75 anos como a melhor universidade do país e com uma forte expansão em matrículas na graduação nos últimos anos. Por outro lado, há indicadores de produção de pesquisa em queda.

Segundo o anuário estatístico da instituição, o número de trabalhos científicos por docente vem caindo desde 2003. Era de 6,9 e chegou a 4,8 em 2007 (dado mais recente), uma redução de 30,4%.

O dado abrange atividades como publicações em revistas científicas e trabalhos em congressos. Ou seja, é um indicador amplo, que inclui as atividades nas diferentes áreas.

Pesquisadores apontam como um dos motivos para a queda na produção o crescimento das matrículas na graduação (27,7% nos últimos cinco anos), puxada principalmente pela criação da USP Leste, em 2005.

"O orçamento é finito. É preciso definir prioridades, tanto financeiras quanto de energia" afirma o ex-reitor Roberto Lobo, que preside um instituto de pesquisas sobre ensino superior. "Na pesquisa, a universidade atingiu um alto patamar e agora parece acomodada."

O presidente da Comissão de Planejamento da USP, Glaucius Oliva (grupo formado pela reitoria), afirmou que a queda "preocupa a universidade".

"Em parte é natural, pois os novos docentes demoram um tempo para se adaptar. Também há uma preocupação em publicar melhor. Mas isso não é a explicação toda. Talvez estejamos um pouco lenientes."

A redução no número de trabalhos por docente, porém, não foi uniforme. O Instituto de Física de São Carlos cresceu 20% em quatro anos -foram 17 trabalhos por professor.

A média na USP é de 4,8. Houve queda em unidades tradicionais, como as faculdades de Medicina (-68,7%) e de Direito (-78,7%) -especialistas ressalvam que a produção tem ritmos diferentes em cada área.

O total de trabalhos publicados também caiu -de 29,1 mil para 26,2 mil. O número de docentes cresceu 9,7%.

Por contrato, os professores com dedicação exclusiva (82,2% do total) são obrigados a fazer pesquisa, além das atividades de ensino. Os salários variam de R$ 3.000 a R$ 9.000.

Por outro lado, em indicadores mais focados, como o número de artigos na base ISI (que abrange 12 mil revistas científicas internacionais), há aumento de 55% de 2003 a 2007. Essa base abrange principalmente as ciências básicas (física e química, por exemplo).

Prioridades

A USP é cobrada, especialmente por movimentos sociais, a elevar a cobertura do ensino superior público no Estado (são 15% das matrículas, ante 85% do sistema privado).

Especialistas divergem sobre o papel da universidade na expansão na graduação. "A USP utilizaria melhor seus recursos se focasse na pesquisa, onde é líder. A massificação da graduação pode ser feita por instituições como as Fatecs", diz Lobo.

A USP recebe percentual fixo da arrecadação de impostos do Estado. A previsão neste ano é que o valor chegue a R$ 3 bilhões (duas vezes os orçamentos somados das secretarias de Cultura e Meio Ambiente).

"A questão é o que a USP pretende ser. Ela vem da tradição de formar profissionais de alto nível e da pesquisa e pós-graduação", diz Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE e membro do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade. "Ultimamente, tem incorporado característica de universidade de massa, o que é um erro."

Já o professor titular da USP Renato Janine Ribeiro, ex-diretor da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), defende a expansão. Para a sociedade, diz, a universidade é uma formadora de graduandos. "Se não aumentar sua graduação, há o risco de diminuir sua legitimidade política. Mas claro que não pode prejudicar a pesquisa."

Dois especialistas afirmaram que os dados presentes no anuário não são suficientes para concluir que há queda na produção da universidade.

Rogerio Meneghini, especialista em cienciometria (que estuda a produtividade em pesquisa), diz que o ideal é utilizar o número de trabalhos publicados na base ISI, "um dos sistemas mais confiáveis".

Ribeiro diz que a redução pode tanto indicar uma "preocupante queda na produção quanto um empenho em só considerar as publicações mais respeitadas da área".

sábado, janeiro 24, 2009

Portal ABC atinge 100 blogs científicos brasileiros!


O Portal ABC está mais amigável, com blogs de ciência classificados em grandes categorias e visualização por Snapshots. Atingimos hoje uma listagem de cem blogs brasileiros. Dê uma visitinha. Semana que vêm será instalada a página de blogs de Portugal e demais países de língua portuguesa. Em especial, estamos procurando blogs de ciência em paises africanos. Você conhece algum?

  1. Se você não está satisfeito com a classe onde foi colocado seu blog, escreva nos comentários na própria página do ABC.
  2. Se você quer sugerir um blog, coloque o link nos comentários para nossa avaliação.
  3. Se você quer uma outra redação para a descrição do seu blog, igualmente entre em contato através dos comentários.

Pedimos duas contrapartidas:

  1. Você deve cadastrar seu blog no site do Technorati, para obtermos dados estatísticos sobre ele.
  2. Você deve colocar um link para o ABC no seu blogroll de seu blog.


Música dos Terremotos



Neurofisiólgos costumam ouvir os spikes de neurônios em aplificadores em em vez de apenas visualizá-los em osciloscópios. Dizem que isso se faz porque o ouvido humano é mais sensível a detetar padrões do que o sistema visual.

Idéia: imitando este vídeo, faça uma escala associando magnitudes dos terremotos com tons, de um modo psicofisicamente significativo. Em princípio, se os eventos são descorrelacionados, deveriamos ter apenas uma "música fractal", ou seja, notas musicais tiradas de uma distribuição tipo lei de potência.

Mas os pre-shocks, os after-shoks e os terremotos correlacionados ou disparados em avalanches globais produzirias assinaturas que poderiam ser facilmente detetáveis acusticamente. Ou não?

O sangue de Gaia



Uma simulação interessante sobre tráfego aéreo mundial. Lembra um fluxo de corrente sanguínea global, levando matéria, energia, informação e doenças... Via Rede Ecoblogs (não achei o permalink!).

Ondes estão os blogs de Tecnologia?

Foto: Coelhinhas da Playboy no Campus Party 2009.

Aprendo através do Rafael Soares (RNAMensageiro), que cita uma pesquisa de Alex Primo, que os posts sobre ciência somam apenas 0,33% em uma amostra de 5218 posts publicados no mês de agôsto de 2007 pelos 50 blogs brasileiros mais bem colocados no rank Technorati.

OK, OK, eu sei que todo mundo vai reclamar aqui do rank Technorati (assim como os alunos reclamam das notas que damos a eles nas provas - afinal elas não avaliam qualitativamente o que eles pretendiam dizer, mas apenas o que eles efetivamente disseram!). Bom, se um dia implementarem o índice de Hirsch para blogs de forma automática, as coisas melhoram (um pouquinho!).

Rafael sugere que deveriamos nos alegrar, pois temos um nicho totalmente inexplorado na blogosfera brasileira. Sim, eu gosto desse tipo de otimismo! Mas notei uma coisa curiosa: estamos lá no Anel de Blogs Científicos dividindo os blogs por classes, por exemplo Ciências da Vida, Ciências Exatas (o que quer que isso signifique), Humanidades (blog de Humanidades é científico?), Tecnologia etc.

Mas ao longo deste último ano, embora a pesquisa do Alex diga que 25% dos posts dos top 50 blogs são sobre tecnologia, não encontramos muitos blogs dedicados à Tecnologia. Talvez seja uma questão interpretativa: não estamos (muito) interessados em blogs sobre gadgets tecnológicos, mas sim sobre Tecnologia no sentido amplo, como na sigla C&T.

Se você conhece bons blogs de Tecnologia (não vale blogs de computação ou de gadgets), sugira alguns aí nos comentários!






Ler quando sobrar tempo...


Neural Networks as dynamical systems

Authors: B. Cessac
Abstract: We consider neural networks from the point of view of dynamical systems theory. In this spirit we review recent results dealing with the following questions, adressed in the context of specific models.
1. Characterizing the collective dynamics; 2. Statistical analysis of spikes trains; 3. Interplay between dynamics and network structure; 4. Effects of synaptic plasticity.
Comments: Review paper, 51 pages, 10 figures. submitted
Subjects: Adaptation and Self-Organizing Systems (nlin.AO); Biological Physics (physics.bio-ph); Neurons and Cognition (q-bio.NC)
Cite as: arXiv:0901.2203v1 [nlin.AO]

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Prêmio SEMCIÊNCIA


O visitante número 50.000 irá ganhar um livro de divulgação científica no valor de R$ 100 reais (na base binária). O número de visitantes está na barra lateral, role para baixo. Se você foi o felizardo, declare-se aí nos comentários.

UPDATE: Sem vencedores, acho que o post ficou muito lá em baixo na hora H. Agora, o ganhandor será o visitante de número 50.100, OK?

Loterias Pseudoaleatórias?


Os geradores de números pseudoaleatórios foram desenvolvidos por décadas de pesquisa por computólogos e físicos (não tenho certeza que matemáticos tenham entrado nessa), ver aqui, aqui e aqui. No caso dos físicos, um dos objetivos era simular modelos em física estatística. E agora estão usando isso para a Loteria da Nota Fiscal Paulista! Quem disse que a ciência básica não tem aplicações? Será que isso foi bancado pela FAPESP?

A distinção entre um evento puramente aleatório e um pseudoaleatório muitas vezes não pode ser feita. Ou seja, dado uma sequência de números, eu posso testá-la e e eventualmente mostrar que é pseudoaleatória. Mas eu não posso provar que ela é de origem puramente aleatória. Acho essa assimetria filosoficamente intrigante: provar que uma sequência é aleatória se torna uma questão metafísica ou mesmo metamatemática. E agora que percebi isso, até me animei para me inscrever no programa da Nota Fiscal Paulista...


Sorteio eletrônico

6/1/2009

Agência FAPESP – Técnicos do Centro de Tecnologia da Informação, Automação e Mobilidade do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) desenvolveram o software e a metodologia para o sorteio eletrônico da Nota Fiscal Paulista, programa da Secretaria da Fazenda de incentivo à exigência de documento fiscal em estabelecimentos comerciais.

O primeiro sorteio mensal do programa foi realizado em dezembro e premiou um milhão de bilhetes de consumidores. Em janeiro, serão R$ 12 milhões em prêmios, que variam de R$ 10 a R$ 50 mil.

Segundo o IPT, a confiabilidade do sorteio é garantida pelo software de acordo com a geração de números aleatórios que não são previsíveis. Para isso foi utilizado o algoritmo de criptografia AES (Advanced Encryption Standard, na sigla em inglês), recomendado pelo Instituto de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos. Trata-se de uma fórmula matemática, com valor inicial de 16 dígitos, designada para gerar um milhão de combinações numéricas de 0 a 9, que representam os bilhetes sorteados.

Os quatro últimos dígitos dos quatro primeiros prêmios da Loteria Estadual Paulista compõem o valor inicial de 16 dígitos, chamado de “semente”. Ao digitar esses 16 números no programa, gera-se um milhão de combinações e o processo como um todo dura apenas 19 segundos. Com o total de bilhetes participantes, a “semente” e o número de prêmios possibilitam conferir na tela do computador o resultado do sorteio.

O Programa Nota Fiscal Paulista devolve 30% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) efetivamente recolhido pelo estabelecimento a seus consumidores. Os consumidores que informarem o CPF ou CNPJ no momento da compra escolhem como receber os créditos e ainda concorrem a prêmios em dinheiro.

Mais informações sobre o programa: www.fazenda.sp.gov.br

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Eu aposto R$ 10.000 reais que passaremos de 2012 e R$ 1.000 que Lula chega lá em 2014!


Não aposto mais de R$ 10.000 porque não tenho esse dinheiro... E você?


Seria Lula a besta do apocalipse?

Do Yahoo Respostas: Desde que lula entrou na presidência venho meio desconfiada dele, desde o início comentei com meu marido e minha irmã que lula poderia ser a besta do apocalipse, por que, se vc prestar atenção ele vem conquistando um grande espaço. o dólar caiu muito, quando ele pegou o Brasil estávamos no pior momento do desemprego. e dizem que já estão se preparando para acontecer um terceiro mandato. O banco do Brasil já está começando a fazer propaganda com mensagem"subliminar". reparem quando verem o nº 3 que quer dizer o terceiro mandato. cheguei até comentar isso na minha igreja depois achei que estava sendo ridícula mas de um tempo pra cá venho ouvindo muitas coisas que me deixarão com a pulga atrás da orelha. PODERIA DIZER E ESCLARECER MUITAS COISAS MAS NO MOMENTO NÃO É POSSÍVEL. O que vc acha disso tudo?


“PROFECIAS QUE NÃO ACONTECERAM

Gilberto Schoereder

Por motivos que merecem uma análise profunda, profetas e outros visionários vêm falando sobre o fim dos tempos, que nunca chega. Alguns mudam datas previstas quando o evento não ocorre; outros simplesmente caem no ridículo e desaparecem.

Profecias vêm sendo feitas há milhares de anos, e sempre que uma data específica se aproxima elas são lembradas e novas profecias se multiplicam, como ocorreu na virada do milênio por exemplo. O final dos tempos, a destruição do mundo, a volta de Jesus – os temas são variados.

No entanto, quase nunca é lembrado que a maior parte das profecias não se cumpre. Aqui registramos algumas das mais famosas profecias não cumpridas ao longo dos séculos.

30/30
Uma interpretação literal do Novo Testamento levou algumas pessoas a entender que Jesus Cristo previra que o Reino de Deus iria chegar num período de tempo curto, na verdade durante a vida das pessoas que o escutavam. Em Mateus 16:28, por exemplo ele diz que o Filho do Homem chegaria durante o período de vida das pessoas que o ouviam. Em Mateus 24:34, ele repete que as coisas que está dizendo irão ocorrer naquela geração. Como a expectativa de vida na época era de pouco mais de 30 anos, Jesus teria predito sua segunda vinda ainda no século 1.

Seguindo o mesmo raciocínio, por volta do ano 60, Paulo de Tarso também profetizou que Jesus estaria para voltar.

90
São Clemente prevê que o fim do mundo pode ocorrer a qualquer momento.

365/ 375 a 400
Santo Hilário, também chamado Hilário, bispo de Poitiers (c. 300-367), anunciou que o mundo acabaria em 365. São Martin de Tours (c. 316-397), que estudou com Hilário, anunciou que o mundo acabaria antes do ano 400.

500
Hipólito de Roma (século 2), um antipapa (que não reconhecia o direito do papa eleito,e sim o seu), e o acadêmico cristão Sextus Julius Africanus (século 2) profetizaram o Armagedom para aquele ano. O pânico do fim do mundo iria acompanhar as chamadas datas redondas, ou cheias, como o ano 1000 e 2000.

1º de Janeiro de 1000
Na Europa, muitos cristãos profetizaram o fim do mundo nessa data e, quando mais próximo dela, exércitos cristãos entraram em guerra contra alguns dos países pagãos do norte da Europa, para convertê-los ao cristianismo à força antes que Cristo retornasse. Além disso, muitos cristãos doaram suas posses à Igreja.

1033
Tido como o milésimo aniversário da morte e ressurreição de Jesus, esperava-se sua segunda vinda.

1205
Gioacchino da Fiore (c. 1135-1202) previu, em 1190, que o Anticristo já estava no mundo e que o rei Ricardo I da Inglaterra iria derrotá-lo.

1284
O Papa Inocêncio III (1198-1216) chegou a essa data como o fim do mundo somando 666 anos à data de fundação do Islã.

1346 e anos seguintes
A Peste Negra, também chamada Morte Negra, devastou a Europa, vinda da Ásia. Calcula-se que até dois terços da população européia morreu, e no mundo todo, 75 milhões de pessoas, na maior pandemia da história humana. Esse evento foi considerado o prelúdio do fim imediato do planeta.

1496
Calculando a data de 1.500 anos após o nascimento de Cristo, alguns místicos profetizaram que o milênio iria começar nesse ano.

1524
Melchior Hoffman (c. 1495-1543), profeta anabatista e líder visionário do norte da Alemanha, disse que Jesus iria retornar em 1533 e que a Nova Jerusalém seria estabelecida na cidade de Estrasburgo, então parte da Alemanha.
1669
Os Velhos Crentes, na Rússia, acreditavam que o fim do mundo ocorreria nesse ano, e 20.000 deles queimaram a si mesmos entre 1669 e 1690, para se proteger do Anticristo. Os Velhos Crentes (staroveri, em russo) são vistos como os fundamentalistas cristãos ortodoxos russos.

1689
O Batista Benjamin Keach (c. 1640-1704) prediz o fim do mundo para esse ano.

1736
O Teólogo e matemático britânico William Whitson prevê um dilúvio semelhante ao de Noé, para o dia 13 de outubro daquele ano.

1792
Segundo alguns shakers, o mundo terminaria nesse ano. Shakers, na verdade, era um nome pejorativo para os protestantes da United Society of Belivers in Christ’s Second Appearing, devido à forma como se movimentavam em seus rituais, dançando, tremendo e sacudindo-se.

1830
A profetisa escocesa Margaret McDonald disse que o socialista galês Robert Owen seria o Anticristo. Ela fazia parte da congregação de Edward Irving e acreditava que todos os cristãos da Terra seriam arrebatados aos céus para juntar-se a Cristo.

21 de março de 1843 a 21 de março de 1844/ 18 de abril de 1844/ 22 de outubro de 1844
Segundo estudos que fez da Bíblia, William Miller (1782-1849), fundador do movimento Millerista, predisse que Jesus iria voltar no período entre março de 1843 e 1844. Como nada ocorreu naquela data, ele estendeu o prazo para abril do mesmo ano. A outra data passou e Miller confessou publicamente seu erro. Posteriormente, Samuel S. Snow apresentou outro estado e disse que a data seria 22 de outubro de 1844.

1850/ 1856
Ellen White (1827-1915), fundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, fez várias profecias relacionadas ao fim do mundo. Acredita-se que sua primeira visão surgiu em 1844, logo após o Grande Desapontamento, o evento pelo qual ficou conhecido o fiasco das previsões de William Miller. Em junho de 1850, Ellen White previu que o mundo iria durar só mais alguns meses. Em 1856, após uma conferência da Igreja, em fez sua última profecia, dizendo que alguns dos que estavam presentes iriam ver a chegada de Jesus.
1891
Segundo profecia feita por Joseph Smith, fundador da Igreja Mórmon, em fevereiro de 1835, Jesus iria retornar dentro de 56 anos, ou seja, em fevereiro de 1891.

1914
As testemunhas de Jeová (Watchtower Bible and Tract Society) apontaram o ano de 1914 como o inícioda guerra do Armagedom, chegando à data após estudo do Livro de Daniel. Quando o ano terminou e o mundo continuou, apesar da guerra, 1914 passou a ser o ano em que Jesus invisivelmente começou seu reinado. Outras datas para o final dos tempos surgiram posteriormente: 1915, 1918, 1920, 1925, 1941, 1975 e 1994.

1919
O meteorologista Alberto Porta previu que uma conjunção de 6 planetas iria gerar uma corrente magnética que faria o Sol explodir, envolvendo a Terra, no dia 17 de dezembro. Falhou.

1936
Herbert W. Armstrong (1892-1986), fundador da Worldwide Chirch of God (Igreja Mundial de Deus), predisse que Jesus iria voltar em 1936. Depois, mudou a data para 1975.

1948
Durante o ano em que foi fundado o Estado de Israel, alguns cristãos acreditaram que esse acontecimento era o requisito que faltava para a volta de Jesus.

1953
No livro The Great Pyramid, Its Divine Message, o piramidologista David Davidson prevou que o fim do mundo ocorreria em 1953. Para chegar à data, realizou uma série de cálculos com as medidas das pirâmides.

Abril de 1957
Mais uma vez, a revista WatchTower citou um pastor, Mihran Ask, segundo o qual o mundo iria terminar entre 16 e 23 de abril de 1957.

1960
Charles Piazzi Smyth (1819-1900), astrônomo real da Escócia, foi o autor deo livro Our Inheritance in the Great Piramid (1864), e considerado como aquele que deu início à chamada ‘piramidologia’ em todo o mundo. Ele acreditava que segredos estavam escondidos nas pirâmides e, após muitas pesquisas, propôs datas para a segunda vinda de Cristo e o final dos tempos, datas que iam de 1882 a 1960.

1967
Durante a guerra dos seis dias o exército israelense tomou toda a cidade de Jerusalém e alguns cristãos entenderam que o arrebatamento logo ocorreria. O requisito final seria que os judeus realizassem um sacrifício de animal no Templo, o que, ao que se sabe, não ocorreu.
1970
David Brandt Berg (1919-1994), também conhecido como Moses David, fundador do grupo Meninos de Deus (The Children of God), previu que um cometa iria atingir a Terra, provavelmente em meados dos anos 1970, e destruir toda a vida nos Estados Unidos. Disse ainda que a segunda vinda de Cristo ocorreria em 1993. Nos anos 1970, Os Meninos de Deus atuaram bastante no Brasil, parando as pessoas na rua para propagar sua mensagem de paz e amor. Eram chatíssimos.

1978
Chuck Smith, pastor da Calvary Chapel, previu o arrebatamento para 1981.

1980
Leland Jensen, líder da Comunidade Mundial fé Baha’i, predisse que um desastre nuclear ocorreria nesse ano, o que poderia ser seguido por duas décadas de conflito, terminando com o estabelecimento do Reino de Deus na Terra.

1981
O reverendo Moon, da Igreja da Unificação, previu que o Reino dos Céus seria estabelecido nesse ano.

1982
O físico e escritor John Gribbin e o astrônomo Stephen Plagemann publicaram o livro Efeito Júpiter, em 1974. Nele, previam um alinhamento planetário para 1982 que iria provocar uma série de catástrofes como interrupções nas ondas de rádio, chuvas, distúrbios nas temperaturas, terremotos violentos, inclusive na falha de San Andréas, na Califórnia. O alinhamento realmente ocorreu, mas nada aconteceu.

1986
De novo Moses David, dos Meninos de Deus, previu que aBatalha do Armagedom iria ocorrer em 1986. A Rússia iria derrotar Israel e os Estados Unidos, estabelecendo uma ditadura comunista mundial. Em 1993, Cristo voltaria à Terra.

1987 a 2000
No livro I Predict 2000 AD, Lester Sumrall (1913-1996), fundador do lester Sumrall Evangelistic Association, previu que Jerusalém seria a cidade mais rica do planeta, que o Mercado Comum iria governar a Europa e que uma guerra nuclear iria ocorrer, envolvendo a Rússia e, talvez, os Estados Unidos.

1988
O escritor evangélico norte-americano Hal Lindsey previu, em seu livro The Late, Great Planet Earth, que o arrebatamento estava chegando em 1988 – uma geração ou 40 anos após a criação do estado de Israel.

A partir dos anos 1980 até hoje

Centenas, talvez milhares de previsões de pessoas ligadas aos mais diversos grupos religiosos e esotéricos fazem referência ao fim do mundo, catástrofes globais, a volta de Cristo, a chegada dos extraterrestres e sabe-se lá o que mais. “As datas freqüentemente vão sendo alteradas à medida que as previsões falham.” (Profecias e Profetas, Revista Sexto Sentido Especial, 2008, pág. 16-21).

O autor do apanhado de previsões disse: “nunca é lembrado que a maior parte das profecias não se cumpre”. Eu, agora, pergunto: se a maior parte das profecias não se cumpre, alguém sabe me informar sobre alguma que se cumpriu? Pelo menos até hoje, em todas as que dizem ter-se cumprido, não consegui ver nenhum cumprimento.

A mil chegarás, de dois mil não passarás!


Depois de ter sobrevivido aos cataclismas apocalípticos de 1982 (o grande alinhamento planetário) e 2000 (que chegou e passou), além do Big Brother de 1984 e todos os apocalípses da FC do século XX, toca agora esperar 2012. Leandro Tessler do blog Cultura Científica revela que os seguidores de José Arguëlles reconhecem que o tal calendário Maia não é Maia afinal de contas... Como é dito na página do movimento:

O Dr. José Argüelles e sua esposa Lloydine (hoje conhecidos mundialmente como Valum Votan e Bolon Ik), desenvolveram um trabalho exaustivo na investigação do erro que há no calendário que utilizamos, resultando na descoberta da “Lei do Tempo”. Foi através do entendimento da natureza do tempo que eles deram início ao Plano de Paz do Calendário de 13 luas. Eles concluiram que, através da compreensão do tempo natural, nós podemos retornar a uma existência que é espiritual na natureza. Eles preparam o caminho para um novo paradigma de amor e igualdade. Este calendário é o veículo que possibilita essa transformação e é inteiramente baseado em informações providas pelos Argüelles.

O princípio básico da Lei do Tempo é embasado na certeza de que “o tempo é a 4ª dimensão”. Este fato foi também descoberto por Einstein. Entretanto, ele não foi capaz de expandir essa assertiva.

A antiga cultura maia vivenciava o tempo tanto sob o aspecto físico quanto sob o aspecto espiritual. Sua compreensão do tempo ultrapassava qualquer entendimento que temos atualmente. Este calendário é baseado na percepção do tempo assimilada pelos Argüelles em razão de seus estudos sobre os antigos Maias. Cabe ressaltar, no entanto, que este não é o calendário maia. Nem tampouco constitui-se numa tentativa de reviver a cultura maia. De acordo com o Dr. Argüelles, este calendário constitui-se na “nova dispensação do tempo”. Portanto, trata-se de um calendário galáctico, para toda a humanidade, que serve para a sincronização dos seres humanos no tempo natural.

Meu Deus, depois dizem que os cientístas é que são arrogantes e megalomaníacos...

PageRank e outros Ranks...


Esses caras trabalham mais rápido do que nós... Mas o Pablo diz que voltaremos a trabalhar nisso em fevereiro...

How Google’s PageRank predicts Nobel Prize winners

Ranking scientists by their citations–the number of times they are mentioned in other scientists’ papers– is a miserable business. Everybody can point to ways in which this system is flawed:

  • not all citations are equal. The importance of the citing paper is a significant factor
  • scientists in different fields of study use citations in different ways. An average paper in the life sciences is cited about six times, three times in physics, and about once in mathematics.
  • ground-breaking papers may be cited less often because a field is necessarily smaller in its early days.
  • important papers often stop being cited when they are incorporated into textbooks

The pattern of citations between papers forms a complex network, not unlike the one the internet forms. Might that be a clue that point us towards a better way of assessing the merits of the papers that it consists of?

Sergei Maslov from Brookhaven National Laboratory in New York state and Sidney Redner at Boston University have asked themselves just that question and suggest that Google’s PageRank algorithm might throw some light on the matter.

In essence, PageRank counts the number of citations a paper receives (or the number of links that point to a webpage). The more a paper receives, the higher it is ranked. But a citing is also weighted according to the ranking of the citing paper. So citations from important papers make another paper more important.

Maslov and Redner have applied the algorithm to 353,268 articles published by the American Physical Society since 1893 in journals such as Physical Review Letters . And the results are a breath of fresh air.

The top 10 papers by Google Pageranking are:

  1. Unitary Symmetry & Leptonic Decays by Cabibbo
  2. Theory of Superconductivity by Bardeen, Cooper & Schrieffer
  3. Self-Consistent Equations . . . by Kohn & Sham
  4. Inhomogeneous Electron Gas by Hohenberg & Kohn
  5. A Model of Leptons by Weinberg
  6. Crystal Statistics . . . by Onsager
  7. Theory of the Fermi Interaction by Feynman & Gell-Mann
  8. Absence of Diffusion in . . . by Anderson
  9. The Theory of Complex Spectra by Slater
  10. Scaling Theory of Localization by Abrahams, Anderson, et al.

That’s an impressive list, not least because most of these authors are Nobel Prize winners. (Curiously the author of the top paper, Nicola Cabibbo, is not. That ought to be of interest to the Nobel committee who awarded Makoto Kobayashi and Toshihide Maskawa the 2008 Nobel Prize for physics for work that was heavily based on Cabibbo’s ideas.)

All of which suggests an idea. Mining the later entries in this list might be an good way of predicting future prize winners. So get your bets in before the bookies get wind of it.

Redner and Maslov conclude: “Google’s PageRank algorithm and its modifications hold great promise for quantifying the impact of scientific publications.”

Can’t argue with that.

Ref: arxiv.org/abs/0901.2640: Promise and Pitfalls of Extending Google’s PageRank Algorithm to Citation Networks

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Por que criticar falácias é importante?


OK, OK, eu explico. Eu não sou um chato de galochas que gosta de catar ciscos de falácias nos olhos dos outros. Afinal, devido aos bias cognitivos implementados em nós pela evolução, somos todos em princípio irracionais (e só a muito custo e treinamento, racionais). Não, não é esse o ponto.

O ponto é que os divulgadores de ciência, quando não estão a par das discussões de filosofia da ciência do século XX, tendem a acreditar que a questão de delimitar o que é ciência e o que é pseudociência é algo fácil e auto-evidente. Às vezes apelam para algum catecismo de método científico (método que nenhum cientista praticante usa) ou uma frase de algum cientísta famoso definindo ciência (ao mesmo tempo que afirmam que a ciência não se baseia em argumentos de autoridade).

Quando você examina a questão com cuidado, quando você vai ao fundo do poço, você percebe que não dá para definir ciência, mas apenas criticar más práticas argumentativas e/ou métodos empíricos. Ou seja, no discurso científico, é mais importante a forma do que o conteúdo. Explico.

Em ciência, o que importa não é a verdade, mas o método de obter as evidências e o tipo de argumentação lógica. Swift, no livro as viagens de Gulliver, afirma que Marte possui dois satélites, uma afirmativa verdadeira mas cientificamente inválida nos termos da argumentação que ele usou: que Vênus tinha zero satélites, a Terra tinha 2^0 = 1 e Jupiter tinha 2^2 = 4, logo Marte deveria ter 2^1= 2 satélites por estar entre a Terra e Jupiter. Sim, que Marte tenha dois satélites é uma afirmativa verdadeira mas, na época, não científica. Que Swift sabia disso porque algum ET lhe contou é uma afirmativa falsa e não científica.

Por outro lado, se você faz um experimento com cuidado, usa estatística adequada, quadros teóricos inteligíveis, raciocínios lógicos sem falácias ou retórica excessiva (um pouquinho de retórica talvez seja necessária para "vender o peixe científico"), então você é um cientísta embora as conclusões do seu paper podem estar completamente erradas ou pelo menos ele ser totalmente irrelevante: 90% dos artigos científicos nunca são citados, nem mesmo pelos próprios autores...

De novo, o que distingue a ciência é a forma da argumentação, o tipo de evidência que conta. Mas se você começa a usar falácias, a não notar que seu discurso é falacioso, a baixar a guarda apenas porque você está discutindo política ou religião (e assim acha que os padrões intelectuais podem ser menores), bem... OK, você pode fazer isso, mas a sua opinião terá tanto valor quanto a do Zezinho da esquina, e você usar seu título de PhD para impressionar alguém é, além de falacioso, realmente desonesto...

Obama é do Bem?


Eu tenho um amigo que na década de 90 viajou para Cuba. Ele tinha um jeito de classificar as pessoas que eu achava ingênuo, mas que a cada ano que passa reconheço conter uma grande sabedoria. Ele não perguntava se o cara era de esquerda ou direita, se crente ou ateu, ou qual sua opção sexual, mas apenas inquiria: "Mas afinal, o cara é do Bem ou do Mal?"

Um outro amigo reclamava que ele precisava ler o Além do Bem e do Mal, de Nietzsche (um livrinho que eu acho que justifica o Holocausto, mas vá lá...). E eu, com meus escrúpulos relativistas (sim, eu sou um realista com escrúpulos relativistas), que não consigo escrever a palavra "verdade" sem usar aspas, também ficava incomodado com as categorias mais ainda relativas do Bem e do Mal... Afinal, até Darth Vader se reconciliou com Luke Skywalker...
Mas... pensando bem... é isso o que importa. No futuro, em breve, serão levantadas barricadas para defender o estado laico e será importante que pessoas de bem, se unam para defendê-lo das teocracias galopantes. Não importa que sejam ateus, agnósticos ou reverendos metodistas... Importa que sejam do Bem...

Do G1: O presidente de Cuba, Raúl Castro, desejou "sorte" nesta quarta-feira ao novo presidente dos EUA, Barack Obama. Castro disse que Obama "parece um bom homem".

A declaração foi feita a jornalistas em Havana durante evento com a participação da presidente da Argentina, Cristina Kirchner.

Recentemente, Castro havia reiterado sua disposição de dialogar com Obama "sem intermediários" e "em igualdade de condições". Mesmo assim, disse que o novo presidente americano trouxe "esperanças excessivas".

Campus Blog Party 2009


Recebido do Átila Iamarino:


Senhores,
fui convidado para montar um debate sobre divulgação científica no estande da TV Cultura no Campus Party ( http://campus-party.com.br/). Estou pensando em mudar o título para algo como "Divulgação científica no Brasil: o papel dos Blogs" ou algo parecido, acho que vai ser mais produtivo. Acho uma boa oportunidade para expormos o que foi discutido em Riberão e da nossa experiência.

O estande da TV Cultura está no pavilhão Imigrantes (tem um mapa no site do CParty e para chegar tem um ônibos levando o pessoal de graça do metrô jabaquara), e fica fora da área dos blogs, então pode ser visitado por quem não está inscrito. Quem não puder comparecer mas quiser acompanhar, dá para mandar perguntas, opiniões e tal pelo twitter do sesc (http://twitter.com/sescsp ) e assistir pelo IPTV Cultura (http://www.iptvcultura.com.br/ ).
Abraço,
Atila

Provavelmente ateus fundamentalistas não existem


OK, OK, eu sabia que isso ia dar discussão. Vitor e Luciana, não me entendam mal...


Eu me considero um cientista agnóstico fã de ficção científica (ou seja, alguém com muita imaginação) que não tem medo nem trauma de religião. Mas eu acho importante defender os agnósticos e ateus pois eles são uma minoria oprimida na sociedade atual: nenhum ateu declarado vai chegar a presidente do Brasil e os teólogos ateus são muito discriminados dentro da Igreja. Eu até defendo cotas para eles em partidos políticos e sites de relacionamentos (dado que 99% das mulheres quer um companheiro com pelo menos "um lado espiritual").


Mas não é sobre os agnósticos que o Reinaldo reclamou no seu recente post no G1. Afinal, ele também é um agnóstico, ou seja, ele sabe que não sabe, que não tem certezas e por isso precisa de fé e esperança. Reinaldo reclama é dos ateus mal humorados (não usarei a palavra fundamentalista porque fundamentalista sempre é o outro...) com tendências autoritárias, tipo o Richard Dawkins que quer botar na cadeia, usando leis de proteção ao consumidor, qualquer um que faça promessas mas não cumpra, ou apenas minta para as criancinhas (em particular os astrólogos, os pastores e o próprio Deus, caso a probabilidade dele exitir aumente). Mas daí teríamos que por na cadeia todos os políticos, 99% dos cientístas que escrevem projetos de pesquisa para agências de financiamento, todos os pais que se vestem de papai noel e 90% dos conjuges que fazem votos matrimoniais... É muita gente prá pouco Gulag, sir Dawkins!


Ou seja, Reinaldo se dá bem com agnósticos e ateus não (verbalmente) violentos, livre-pensadores que pensam em vez de repetir slogans. Agora, é preciso ter paciência de Jó para aguentar salsinhas em sua caixa de comentários sem um mínimo de cultura histórica e que fazem declarações peremptórias absurdas tipo "a religião é a origem de todas as guerras" (mesmo da I e II Guerras Mundiais?) ou "centenas de ateus foram mortos pela Inquisição" (faça uma lista de três que eu dou um livro de presente prá você! Não adianta citar o mago New Age adorador de do deus-sol Aton chamado Giordano Bruno). Ou ainda "os religiosos sempre defendem o status quo" (ué, Gandhi, Martin Luter King e a Teologia da Libertação não contam mais?). Eu acho que quem defende o status quo é o PSDB!


Pior ainda é usar como título de um documentário "The Root of all Evil". Acho que o apóstolo Paulo era mais sensato ao afirmar que a origem de todos os males (ou pelo menos de todas as crises econômicas) era o amor ao dinheiro... É o Capital, meu filho, o Capital!


Eu também ando meio cansado desses pseudo-ateus (pois acho que um verdadeiro ateu deveria ser racional e não usar falácias) que são também pseudo-cientístas: nunca leram um livrinho de sociologia da religião (prá começar, que tal o "O que é Religião?" da coleção Primeiros Passos?), esquecem que existe mesmo a disciplina de ciências da religião, e ficam emitindo opiniões bombásticas na base do achismo, do anedótico, da filosofia de barzinho. São como os pseudocientístas New Age que acham que sabem tudo de Mecânica Quântica sem nunca ter aberto um livrinho que não seja um livro New Age sobre Mecânica Quântica...

Preciso comprovar isso? Bom, no próximo post listarei todas as falácias anti-religiosas usadas nos 160 comentários que o Reinaldo recebeu até agora. Não adianta listar as falácias religiosas, porque por definição o raciocínio religioso é falacioso (Ops, isso também é uma falácia, sorry!).


Ou seja, o problema dos ateus não esclarecidos é que nada no seu ateísmo difere do ateísmo dos marxistas ingênuos (e olha que eu sou fã de Engels!). E se esse ateísmo ingênuo gerou no passado perseguições e violências contra os religiosos, então seria importante que cada neo-ateu esclarecesse quais são as garantias e salvaguardas que ele dá para que a perseguição religiosa não se repita. Agora, se ele acha que a religião é a raiz de todos os males, então a conclusão lógica e racional é que se queremos extirpar os males da humanidade pela raiz, devemos eliminar a religião. Daí para uma política de queima de livros religiosos, atentados terroristas contra igrejas e Gulags religiosos é apenas um passo. Como evitar este passo?


PS: O último parágrafo é um claro exemplo de raciocínio falacioso, o assim chamado argumento da rampa deslizante. Evite usá-lo em suas discussões, OK?