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sexta-feira, novembro 14, 2008

Onde nenhum ser humano jamais esteve



Isis Nóbile Diniz, do blog Xis-Xis, agora escreve para o Portal G1. Aqui vai um link para uma de suas primeiras reportagens (a primeira?):

Portal G1: esquisadores captaram pela primeira vez a imagem de três planetas em torno de uma estrela diferente do Sol. E, em outro estudo, conseguiram a imagem ótica do possível objeto mais frio e de menor massa corporal já "fotografado" fora do Sistema Solar. As “fotos” foram feitas com telescópios terrestres e com o espacial Hubble. Com essas fotografias, os cientistas poderão observar os planetas diretamente. Tornando o estudo mais prático do que supor, por meio da matemática e outros instrumentos, que os planetas estão lá. Os trabalhos foram publicados na revista “Science” desta semana [na forma de Science Express, ou seja, publicação on-line antecipada]. Ver mais aqui.

É interessante verificar como (certo tipo) de pessoas religiosas se sentem incomodadas por (certo tipo) de notícias científicas - um exemplo claro é uma notícia sobre o LHC no Portal G1 que gerou 167 comentários, a maior parte negativos, e que Isis, Angélica e eu estamos estudando, visando entender justamente o que são esses "certos tipos": que tipos de temas científicos não são palatáveis por uma população medianamente educada (que lê jornais na Internet!) por afrontarem sua visão de mundo? Será que a divulgação científica faz com que essas pessoas se aproximem ou se afastem de vez da cultura científica?


segunda-feira, novembro 10, 2008

Discreto charme das partículas elementares


Livro sobre partículas elementares vira programa da TV brasileira 

Via SBF: O discreto charme das partículas elementares, título publicado pela Editora Unesp, foi adaptado para a televisão e o resultado pode ser conferido no próximo dia 10 de novembro (segunda-feira), às 19h30, na TV Cultura. O objetivo, tanto do programa quanto do livro, é tornar acessível ao público leigo a Física das Interações Fundamentais. A data para a exibição da atração coincide com o “Dia Mundial da Ciência pela Paz e Pelo Desenvolvimento”, que leva o selo da ONU (Organização das Nações Unidas). 

Em O discreto charme das partículas elementares, a história das partículas elementares, as “pequeninas” como carinhosamente as trata a autora, Maria Cristina B. Abdalla, é reconstruída desde as primeiras descobertas na área e a alvorada da teoria quântica até as novas manifestações da matéria. Refaz, assim, a trajetória da mudança de modelos, que acontece sempre quando da descoberta de uma partícula, levando a Física das Partículas a se transformar no que é hoje denominado Modelo Padrão da Física de Partículas. 

Uma caminhada que persegue o mundo invisível dos quarks e léptons e avança até as grandes estruturas cosmológicas, sempre por meio de um estilo agradável, auxiliado por inúmeras ilustrações. Neste enlace do micro e do macrocosmo, Maria Cristina Abdalla nos desvenda as fascinantes “pequeninas” a partir das quais toda a matéria do universo observado é formada. 

No programa da TV Cultura de São Paulo, Marcelo Tas atua como um apresentador de TV, do tipo chapeleiro maluco, e leva a personagem principal, Rafael (Giovanni Delgado), para uma viagem em um mundo paralelo, com informações sobre átomos, elétrons, quarks, léptons e bósons mediadores e também sobre a teoria do big bang (uma das explicações para a origem do universo). Neste cenário, onde 70% dos espaços são digitais, os atores interagem quase que o tempo todo com o virtual, como se fosse um videogame onde o protagonista precisa passar por diferentes níveis. “O programa utiliza uma linguagem moderna e lúdica para tratar de um assunto que costuma ser árido para os jovens. Tudo isso, construído com uma diversidade de computação gráfica que contribui para ensinar e tornar a atração bem interessante visualmente”, comenta Ricardo Elias (dos premiados “De Passagem” e “Os 12 Trabalhos"), diretor da atração. 

Sobre a autora – Maria Cristina Batoni Abdalla é professora livre-docente do Instituto de Física Teórica da Unesp, em São Paulo. Foi professora associada do ICTP-Trieste, na Itália, e trabalhou no CERN, em Genebra, na Suíça. 

domingo, novembro 09, 2008

O Presidente Negro


"Nada revela mais sobre uma época do que sua visão do futuro" (não lembro quem disse isso).

Como o tema da Roda da Ciência ainda é sobre Ficção Científica e Divulgação Científica, vou fazer mais um post sobre o tema, aproveitando a coincidência entre a eleição de Barak Obama e o tema do único romance (por sinal, de FC) de Monteiro Lobato.

Eu quase não leio ficção científica atual, meu autor mais recente é Philip K. Dick. Mas gosto de colecionar FC antiga, justamente para conhecer as utopias e distopias de cada época, e perceber a incrível limitação da imaginação humana.

O livro de Monteiro Lobato deve ser lido pois revela uma época de relativismo cultural (anos 1900-30). Eistein ficou pop por causa do termo "Relatividade" em sua teoria. Se a mesma fosse chamada de "Teoria da Invariância" (como seria adequado) seu apelo popular não seria tão grande. As teses relativistas de Monteiro Lobato (na verdade não dele, mas de sua época) são:
  • As raças (etnias, culturas) possuem valores incomensuráveis;
  • Homens e mulheres também possuem valores incomensuráveis
  • A visão da modernidade democrática é ingênua: existem grupos dentro da sociedade que são fundamentalmente antagônicos e uma luta sem limites morais é o único caminho.
  • Dado que o diálogo e a negociação não são possíveis, por serem mecanismos burgueses, os conflitos se resolvem pela luta: que vença o mais forte.
Se você achar alguma semelhança com teses relativistas pós-modernas, não é acaso. Isso vem da tradição de Nietzsche e Heiddegger e depois de seus discípulos que as formalizaram como uma tese de esquerda (em contraste com toda a história do pensamento universalista de esquerda).

Lobato propõe humoristicamente uma "solução final" para o problema do negro nos EUA. Se arrependeu bastante quando uma solução final mais violenta foi aplicada aos judeus, quinze anos mais tarde.


Da wikipédia:

O Presidente Negro (originalmente denominado O Choque das Raças ou O Presidente Negro, e posteriormente, O Presidente Negro ou O Choque das Raças: romance americano do ano 2228), é o único romance (e de ficção científica) escrito por Monteiro Lobato.

Ayrton, desastrado cobrador da empresa Sá, Pato & Cia. sofre um acidente automobilístico na região de Friburgo (Rio de Janeiro) e é resgatado pelo recluso professor Benson, que o leva para sua residência. Ali, ele trava contato com a grande invenção de Benson, o "porviroscópio", um dispositivo que permite ver o futuro, e com Miss Jane, a bela e racional filha do cientista.

Através de Jane, Ayrton é posto a par da disputa pela Casa Branca nos Estados Unidos da América do ano 2228, onde a divisão do eleitorado branco entre homens (que querem reeleger o presidente Kerlog) e mulheres (que pretendem eleger a feminista Evelyn Astor), transforma o candidato negro, Jim Roy, no 88° presidente dos EUA.

A alegria dos negros, contudo, dura pouco. Incapazes de aceitar esportivamente a derrota, os brancos (agora novamente unidos) elaboram uma "solução final" para o "problema negro", muito mais sutil e eficaz do que aquela elaborada por Hitler para os judeus, pouco mais de uma década e meia após o lançamento do livro de Lobato.


Em 2008, a coincidência de dois pré-candidatos, um negro (Barack Obama) e uma mulher branca (Hillary Clinton) disputando a Casa Branca contra um candidato branco, despertou novamente a atenção da mídia brasileira para "O Presidente Negro". O livro ganhou nova edição da Editora Globo e, em algumas resenhas foi citado que Lobato teria previsto o surgimento da internet. Uma leitura atenta do livro revela que o autor falava de algo bem mais modesto, o "tele-trabalho": "em vez de ir todos os dias o empregado para o escritorio e voltar pendurado num bonde que desliza sobre barulhentas rodas de aço, fará ele o seu serviço em casa e o radiará para o escritorio. Em suma: trabalhar-se-á á distancia".[11]

Programa do EWCLiPo


I ENCONTRO DE WEBLOGS CIENTÍFICOS EM LÍNGUA PORTUGUESA



INSCRIÇÕES AQUI

LOCAL: Auditório André Jacquemin – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto – USP



11/12 – Quinta-feira



14:00h – Abertura do Encontro

14:15h – “Breve História da Blogosfera” – Gustavo Miranda Forte (USP) – Laboratório de Blogs Científicos.

15:00h – “Condomínios de blogs de ciências: do Lablogatórios ao Science Blogs” – Carlos Takeshi Hotta (USP) – blog Brontossauros em meu Jardim e Portal de blogs Lablogatórios.

15:45h – Coffee Break

16:15h – “Ciência 2.0 - uso de ferramentas web 2.0 no ensino e pesquisa no Brasil” - Mauro de Freitas Rebelo (UFRJ) – blog Você que é Biólogo.

17:00h – Mesa Redonda “A questão da qualidade de informação na blogosfera científica” – Charles Morphy Dias dos Santos (USP, blog Um Longo Argumento), Mauro de Freitas Rebelo (UFRJ) e Dulcídio Braz Jr. (UniFEOB e Colégio Anglo, blog Física na Veia).



Noite: Confraternização.



12/12 – Sexta-feira



9:00h – Leandro Tessler (Unicamp, blog Cultura Científica ).

9:45h – “Lost in translation - Divulgando biologia evolutiva quando quase ninguém está prestando atenção” Reinaldo José Lopes (Portal G1, blog Visões da Vida).

10:30h – Coffee Break

11:00h – Mesa Redonda – “Perspectivas para a blogosfera científica brasileira” – Átila Iamarino (blog Rainha Vermelha e Portal Lablogatórios), Osame Kinouchi (Anel de Blogs Científicos – USP, blog SEMCIÊNCIA) e Isis R. Nóbile Diniz (blog Xis-Xis) (a confirmar).



12:00h – Almoço.



14:00h – “Ciência, Manipulação e Sociedade” Desidério Murcho – UFOP, Blog De Rerum Natura.

14:45h – Ildeu de Castro Moreira (UFRJ) - Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia do Ministério da Ciência e Tecnologia.

15:30h – Coffee Break

16:00h – Mesa Redonda – “Divulgar a cultura científica para que(m)?” – Desidério Murcho (UFOP, blog De Rerum Natura), Ildeu de Castro Moreira (UFRJ, MCT), Reinaldo José Lopes (Portal G1, blog Visões da Vida).



Noite – Confraternização.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Cientistas apoiaram Obama


Eu sempre achei que Gell-Mann fosse um conservador... Mas acho que nem ele conseguiu aguentar George Bush.

Via Ars Physica:

Um fenômeno interessante está ocorrendo no cenário científico internacional: vários profissionais e instituições estão publicamente se manifestando a favor do candidato a presidência dos Estados Unidos Barack Obama, mesmo aqueles não residentes nos EUA. Ontem, a revista Nature declarou suporte ao candidato. A revista é britânica, e segundo Sean Carroll, é a primeira vez que ela apoia um candidato a presidência dos EUA. O primeiro parágrafo do editorial diz:

O valor da investigação científica, e não uma posição da política científica em particular, sugere uma preferência para o candidato à presidência dos EUA.

Em 23 de agosto deste ano, 61 prêmios Nobel de física, química e medicina, residentes dos EUA, escreveram uma carta aberta em apoio ao candidato Obama, na qual dizem:

O país urgentemente necessita de um líder visionário que pode garantir o futuro de nossos tradicionais pontos fortes em ciência e tecnologia e que pode fazer uso destas forças para atacar vários dos nossos principais problemas: energia, doenças, mudança climática, segurança e competitividade economica. (…) Nós observamos a postura do senador Obama nestes assuntos com admiração.

Em 29 de outubro, a carta foi atualizada para conter a assinatura de 76 laureados. Entre os físicos que assinaram a carta, encontram-se: Murray Gell-Mann, Sheldon Lee Glashow, David Gross, Frank Wilczek, Yochiro Nambu, Philip Anderson, Leon Cooper, James Cronin, Val Fitch e Walter Gilbert, pilares da ciência moderna. Gell-Mann fez ele próprio um vídeo no YouTube:


Além disso, é público que os blogueiros do Cosmic Variance estão alinhados com Obama, são eles pesquisadores de instituições como CalTech, Stanford, Los Alamos, Washington University, Syracuse University, Pennsylvania University e outros.

Há várias razões para esse suporte. John McCain e Sarah Palin já fizeram comentários criticando gastos comciência e educação. Já Obama defende publicamente mais gastos nessas áreas. O partido Republicano, nos últimos 8 anos na Casa Branca, diminuiu o suporte a ciência, redirecionou dinheiro da NASA de pesquisa científica para projetos supérfluos de viagens espaciais tripuladas e permitiu que decisões sobre legislação científica, como o uso de embriões para extração de células-tronco ou o ensino de educação sexual nas escolas, que deveriam ser feitas com base em dados técnicos, fossem contaminadas por lobby religioso.

A eleição de 2008 nos EUA tem uma importância para a ciência que transcende o território norte-americano. Os EUA responde por muito do investimento em pesquisa, e uma retirada de investimentos, ou legislações que impeçam estudos, tem um impacto global.

segunda-feira, novembro 03, 2008

DNA transmite informação?


Sempre tive dúvidas sobre o uso da palavra informação em Biologia. A conferir:

The transmission sense of information

Biologists rely heavily on the language of information, coding, and transmission that is commonplace in the field of information theory as developed by Claude Shannon, but there is open debate about whether such language is anything more than facile metaphor. Philosophers of biology have argued that when biologists talk about information in genes and in evolution, they are not talking about the sort of information that Shannon's theory addresses. First, philosophers have suggested that Shannon theory is only useful for developing a shallow notion of correlation, the so-called "causal sense" of information. Second they typically argue that in genetics and evolutionary biology, information language is used in a "semantic sense," whereas semantics are deliberately omitted from Shannon theory. Neither critique is well-founded. Here we propose an alternative to the causal and semantic senses of information: a transmission sense of information, in which an object X conveys information if the function of X is to reduce, by virtue of its sequence properties, uncertainty on the part of an agent who observes X. The transmission sense not only captures much of what biologists intend when they talk about information in genes, but also brings Shannon's theory back to the fore. By taking the viewpoint of a communications engineer and focusing on the decision problem of how information is to be packaged for transport, this approach resolves several problems that have plagued the information concept in biology, and highlights a number of important features of the way that information is encoded, stored, and transmitted as genetic sequence.

Um neurônio chamado Jennifer Aniston

 

 

jennifer-aniston-again

Da Folha Online:

Cientistas descobriram que, entre os bilhões de neurônios presentes no cérebro, existe um que acaba reagindo individualmente quando uma pessoa se depara com a imagem de uma pessoa conhecida. Esse tipo de neurônio, batizado de neurônio Jennifer Aniston --em homenagem à atriz que fez Rachel nos seriado "Friends"--, pode ajudar cientistas a entender como as imagens são processadas no cérebro e transformadas em memória.

O estudo, a ser apresentado na Universidade de Leicester, na Inglaterra, constatou, em testes com voluntários, que quando uma pessoa se depara com a foto de uma celebridade, como Jennifer Aniston, uma célula específica responde com um aumento na atividade de geração de impulsos nervosos.

 

Quando a mesma pessoa depois recebia fotos de outras celebridades --como Hale Berry, Tom Cruise ou Oprah Winfrey-- a resposta vinha em outras células individuais totalmente diferentes.

Segundo o estudo do professor argentino Rodrigo Quiroga, neurônios específicos do cérebro reagem imediatamente à imagens familiares, como de parentes, amigos, ou celebridades.

"Estou examinando como as informações sobre o mundo externo [o que vemos, ouvimos ou tocamos] e nossas próprias representações internas [memórias, emoções, etc] são representadas pelos neurônios no cérebro", disse Quiroga.

"Esses neurônios, normalmente, são bastante silenciosos, mas quando mostrávamos uma fotografia que eles 'gostavam'", sua atividade aumentava em até mil vezes", disse Quiroga.

Ele ainda descobriu que observando esses neurônios em atividade, era possível supor o que os pacientes estavam vendo --eles literalmente conseguiam 'ler' a mente dos pacientes.

Desafios

"Um dos maiores desafios científicos de nossa época é entender como a informação é representada pelos neurônios no cérebro", diz Quiroga. A pesquisa também mostra como nós conseguimos reconhecer uma pessoa instantaneamente, mesmo se vista de costas, ou de um ângulo diferente, com cores diferentes ou em condições diferentes.

"Nesse estudo vimos que os conceitos, ou pessoas, são representados de maneira explícita e de maneira abstrata pela atividade de células singulares. Isso significa que um determinado neurônio vai entrar em atividade por conta da Halle Berry, não interessa como você a veja, mesmo que ela esteja vestida de Mulher-Gato, ou se você apenas ler o seu nome", explica.

"Agora, se um entre bilhões de neurônios reage à Halle Berry, então deve haver outros que reajam a outros conceitos. O que é surpreendente para a comunidade da neurociência é que neurônios particulares podem representar conceitos de modo tão abstrato."

Segundo o professor, na área estudada (o hipocampo), o cérebro "determina" neurônios particulares (não necessariamente um) para coisas diferentes que são relevantes ou conhecidas para o paciente.

"Apesar dos progressos espetaculares das últimas décadas, ainda estamos longe de compreender, por exemplo, como os estímulos visuais são processados para criar uma percepção consciente."

"Mas nós estamos apenas começando a entender como os neurônios do cérebro são capazes de criar representações tão 'abstratas'", disse ele.

O professor afirma que sua pesquisa tem alto potencial clínico para o desenvolvimento de neuro-próteses, como braços robóticos comandados por sinais enviados por neurônios a serem usados por pacientes paralisados.

A descoberta também tem potencial para o tratamento de pacientes de doenças como epilepsia, Alzheimer e esquizofrenia, e deve ajudar a compreender melhor como percepções e memórias são representadas no cérebro.