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terça-feira, setembro 30, 2008

Cassandra, crash global, neofacismos


Por que meu post anterior sobre a ascenção da extrema direita na Áustria?

Bom, modéstia a parte, acho que tenho vocação para Cassandra. Isso não importa. Ninguém me escuta mesmo! Os trechos abaixo foram escritos há quase 10 anos, para o livro O Beijo de Juliana: Quatro físicos teóricos conversam sobre crianças, ciências da complexidade, biologia, política, religião e futebol... (Juliana é minha filha, ao lado). Se alguém tiver interesse em editar o livro, sem custos para este ppobre professor, me contate...


04/Janeiro/1999

Bom, faz tempo que eu chamo atenção para esse tema de que a cultura mundial pode evoluir para um estado bastante refratário à perspectiva científica. Ou melhor, um mundo onde a ciência será usada apenas como suporte da tecnologia, mas não como fonte de uma visão de mundo (isto é proposto no livro The Making of a Counter Culture de Theodore Roszack). De certa forma, esse mundo já existe (especialmente na França, dizem...). O elemento novo talvez seja o de que a Universidade (que considero mais um gueto do que um bastião do racionalismo) talvez venha a se tornar um dia no bastião do Irracionalismo (pós-moderno)... Atualmente, só o Papa, com sua última encíclica, ainda acredita nos poderes da Razão...

Acho que está se formando um consenso entre diversos analistas de que o século XXI será marcado não apenas por guerras religiosas e culturais, mas principalmente pela guerra de todas as religiões contra a Ciência... Encaro tudo isso numa perspectiva bastante impessoal, de competição e acomodação de memes, todos lutando por espaço num mundo com um número finito de cérebros. A Ciência é muito incômoda, fica querendo usar inseticida nos memes dos outros. Mas agora vai ter que passar para a defensiva, pelo menos em termos políticos. Eu preferia a acomodação e cooperação, mas acho que vai ser guerra mesmo. Essa lógica Darwiniana cultural escapa aos nossos desejos, pelo menos por enquanto...

Mas agora ando mais tranqüilo com relação a isso. Primeiro, porque não vejo muito o que se possa fazer, ou o que fazer sem que se cometa injustiças (como as de Bunge em relação a Bayes. Segundo, remar contra a maré é uma maneira besta de se desperdiçar a vida. É preciso usar estratégias mais inteligentes, estratégias que ainda não sei quais são. Além disso, desconfio que estamos numa situação em que todos os lados têm um pouco de razão.

Em todo caso, é curioso observar a passagem do tempo, as notícias dos jornais, e pensar se esses pequenos fatos que estamos observando têm um significado mais permanente, sinais de grandes tendências culturais, ou se são apenas uma simples flutuação de espuma que desaparecerá em breve no rio da história. Por exemplo, ontem deu no Fantástico uma reportagem sobre a grande campanha que alguns evangélicos estão promovendo pelo direito dos pais de retirar seus filhos das escolas públicas, transferindo-os para escolas confessionais ou para o aprendizado em casa. O argumento desses pregadores para os pais cristãos é de que eles não têm o direito de arriscar a alma de seus filhos colocando-os em contato com o ambiente secularista das escolas.

E isso acontece mesmo com todo o “esforço” que as escolas públicas americanas tem feito em “adequar” seu ensino às “necessidades da comunidade”, reintroduzindo o ensino de religião, procurando não ofender as diversas opiniões religiosas e culturais envolvidas etc. etc... De algum modo isso se parece com a quebra de algum principio bastante fundamental (originário do Iluminismo) sobre educação laica para todas as crianças. Como o Iluminismo e a Modernidade são os grande vilões da história atualmente, a contestação desse princípio é vista como um grande ato libertário...

Bom, mas talvez isso seja apenas uma espuma que se dissipe daqui a alguns anos. Ou então uma das pequenas nuvens negras (existem outras) que anunciam a tempestade. Quem pode dizer? Se tentarmos, talvez não façamos um trabalho muito melhor que os astrólogos durante a passagem do ano...

30/Janeiro/1999.

Caros amigos,

Que bela manhã chuvosa de sábado, não é Jean ?

Gostaria de continuar a limpeza do meio de campo (embora temendo que isso ainda possa gerar muito ruído emocional). Como não tenho diferenças grandes em relação ao Noam vou continuar a limpeza dos entraves no diálogo apenas em relação ao Richard e Jean. Mas antes uma pequena observação sobre o Noam. Basicamente, o interesse central do Noam parece ser o de incutir em nossas discussões filosóficas, ou pelo menos não nos deixar esquecer, a dimensão política: “Lembrem-se, crianças estão morrendo de fome, será que vale a pena discutir emergentismo, origem da vida, etc., dado esse quadro social urgente e deprimente”. Já o Jean chama esse quadro trágico de grande piada elaborada pelo Deus inexistente.

Bom, o meu argumento, que parece que o Noam absorveu de certa forma, é de que toda política é informada por uma filosofia, que a filosofia é fortemente influenciada pela visão científica de uma dada época, que a derrocada do socialismo nos obriga repensar seus fundamentos e que o tipo de política que emerge apenas da praxis, tão venerada até a década de 80, mostrou-se cega, curta, eventualmente tornando-se reduto de picaretas e oportunistas. Nesse sentido, vale a pena discutir Monod, tanto por suas visões científicas (o cara ganhou aquele prêmio Nobel de forma merecida!) como filosóficas e políticas (ele é um crítico feroz do marxismo, que chama de animismo político).

(...) Mas é bom ter o Noam por perto porque eu realmente tenho a tendência de sobrevalorizar discussões exóticas (Guerra de Memes, ascensão do neofascismo após o futuro crash global, relativismo romântico como facilitador para a transição para a extrema direita etc.) em detrimento de questões concretas (o desemprego que, mais cedo ou mais tarde, também vai nos pegar...).

segunda-feira, setembro 29, 2008

Áustria, de novo...


O partido Social-Democrata da Áustria deve conquistar a maioria dos votos nas eleições legislativas antecipadas de domingo (28), mas os partidos de extrema-direita tiveram um avanço significativo nas urnas, de acordo com dados do Ministério do Interior do país.

Resultados preliminares oficiais indicam que os social-democratas obtiveram 29,7% dos votos e os partidos de extrema-direita, 29% --18,01% para o Partido da Liberdade e 10,98% para a Aliança para o Futuro da Áustria.

O Partido do Povo, de tendência conservadora, que fez parte de uma coalizão com os social-democratas --e que se dissolveu depois de 18 meses no governo-- conquistou 25,6% dos votos.

Analistas dizem que é difícil prever como será formada a próxima coalizão que deve governar o país. Um total de 183 assentos no Parlamento esteve em jogo nas eleições de domingo.

As eleições antecipadas foram convocadas após o colapso da coalizão entre o Partido Social-Democrata e o Partido do Povo.

Descontentamento

A correspondente da BBC em Viena, Bethany Bell, disse que a boa votação da extrema-direita se deve a um sentimento contrário à União Européia, à imigração e a um descontentamento em relação aos dois partidos centristas tradicionais.

Segundo Bell, o avanço da extrema-direita foi "um tapa na cara" dos partidos centristas, que tiveram o seu pior resultado nas urnas desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Os resultados finais da eleição só serão divulgados no dia 6 de outubro, depois de apurados os votos enviados pelo correio.

Pela primeira vez em um país da União Européia (UE), jovens de 16 e 17 anos puderam votar. Este grupo representou cerca de 200 mil pessoas em um colégio eleitoral de 6,3 milhões.

As últimas eleições haviam sido realizadas em outubro de 2006. A formação do gabinete de governo demorou seis meses.

O desempenho da extrema-direita nestas eleições foi o melhor desde 1999, quando o Partido da Liberdade conquistou 28% dos votos e garantiu um lugar na coalizão de governo com os conservadores.

O cenário da época despertou indignação em várias partes da Europa e, durante vários meses, a Áustria foi submetida a sanções da UE.

De acordo com analistas, a extrema-direita pode agora voltar a integrar o governo, mas só depois que todas as demais opções se esgotarem.

Entre estas opções está uma ampla coalizão --opção que desagrada a maioria dos austríacos-- ou a formação de pactos com o Partido Verde ou dois outros partidos menores.

sábado, setembro 27, 2008

Você prefere ser um lobo ou um cão?


O Homem é um animal social, cultural e sexual, e isto é um fato biológico: Humanos colocados em celas solitárias (ou seja, em um estado de repressão da sociabilidade, da cultura e da sexualidade) em geral adoecem.  E a plasticidade do cortex cerebral e do comportamento humano, responsável pela variabilidade cultural, está inscrita em nossos genes. 

Mas o ser humano é um bicho estranho, pois encontramos exemplos de indivíduos que rompem laços familiares de curto alcance em prol de laços culturais de longo alcance, defendem o anarquismo (a não-hierarquização) social, o pacifismo, a defesa de outros animais, o feminismo, o cuidado com os idosos etc, comportamento que contrasta com várias tendências inatas dos primatas. Não está claro se essa luta cultural contra instintos humanos é inglória. Dawkins já mostrou que os memes podem ser mais fortes que os genes, portanto não dá para saber quem vencerá. 

Como eu já comentei em outro post, basta que as mulheres valorizem culturalmente homens mais pacíficos ("faça amor, não faça guerra!") que em breves gerações haveria uma mudança genética em prol da não-violência via coevolução cultura-genes. Isso na verdade já aconteceu: em nossa vida social, somos mais parecidos com cachorros do que com lobos, e homens com cara de bebê, comportamento infantil e maturação tardia foram selecionados ao longo da evolução via seleção sexual, ou como dizem, "os homens crescem mas a única diferença é que seus brinquedos se tornam maiores". Eu imagino que isso visou um maior controle social por parte das fêmeas rumo a uma sociedade mais bonobo-like do que gorila-like.

A busca de transcêndencia em relação aos instintos biológicos, a busca de uma Utopia humana, está presente tanto na Religião como na Ciência, na verdade é seu fator comum. Pois o(a) cientista é um(a) intelectual, e isso significa por definição que ele(a) quer viver usando a Razão e não apenas os instintos. E os líderes religiosos (não o povão) também não rejeitam a Razão, pois durante 99 % da história da humanidade eles foram os intelectuais de suas respectivas comunidades: os pagés e xamãs que guardavam o conhecimento acumulado de seu povo, os astrólogos sumérios, os sacerdotes egípcios, os filósofos pitagóricos, os monges de todos os tipos,  os religiosos fundadores de Oxford, Cambridge e Harvard são os antepassados dos cientistas. 

Sendo assim, não devemos nos impressionar pelo recente debate "irracional" entre alguns cientistas ateus e alguns religiosos fundamentalistas, ou seja, um debate apaixonado onde slogans, falácias tipo Homem de Palha (ver abaixo) etc são usadas livremente com fins retóricos. Devemos apenas lembrar que um discurso falacioso em defesa de uma teoria científica não torna tal discurso ele mesmo científico - o discurso científico, idealmente, é um discurso não falacioso. Um bom curso de lógica faria um bem enorme a certos divulgadores de ciência.

Precisamos também eliminar nossos preconceitos de que líderes religiosos e teólogos sejam anti-intelectualistas ou irracionalistas. Tirando fora os teólogos racionalistas, existencialistas, céticos e mesmo ateus (e eles existem aos montes, escondidos nas faculdades de Teologia),  muitos líderes religiosos apenas divergem do Iluminismo 2.0 sobre a questão de se a Razão é uma condição suficiente para uma vida individual e social satisfatória (condição necessária eles reconhecem que ela o é) . 

Nisso são acompanhados pelos românticos de todos os naipes. Exemplo concreto: a Razão é uma condição necessária e suficiente para você alcançar um relacionamento amoroso satisfatório? Se não, então você pode se entregar à forças irracionais? A paixão romântica humana, dada que é uma força irracional, deveria ser eliminada da face da Terra para glória do Iluminismo 2.0? Apenas porque alguns (na verdade muitos, mas do que religiosos!) apaixonados matam por amor, devemos eliminar a paixão romântica, talvez usando Prozac? 

Eu tenho uma tese de que o aparente antagonismo da Bíblia em relação à ciência (aos "sábios e escribas") é que ela é um conjunto de livros românticos, contraculturais, que contêm as tradições orais de povos marginais semi-nômades (os Habiru), com um forte tom de crítica social ao que eles encaravam como a degradação da sociedade urbana Sumérica, Egípcia e Babilônica. Como os Habiru, aparentemente deram origem aos Hebreus,  me parece que a crítica social romântica (Escola de Frankfurt, Marcuse, Roszack, Rubem Alves etc.) sofreu uma grande influência da cultura bíblica. Sua crítica não é dirigida à ciência em si, mas sim aos "sábios e escribas" enquanto classe intelectual subserviente aos reis, nobres, comerciantes e defensores do status quo

Eu sinceramente acredito que o apoio dos intelectuais aos poderosos (os tais intelectuais orgânicos) tem mais chance de ser a "origem de todos os males" (em conjunção com a busca de poder e capital), do que as religiões em si, como defendido por Dawkins num recente documentário da BBC. Lembremos que os ateus greco-romanos eram aristocratas que não acreditavam que todos os homens eram irmãos e filhos do mesmo Deus pai (e é aqui que a idéia de um Deus Pai se torna politicamente importante). 

Parodiando a frase de Bill Clinton: "It is the sociopolitics, stupid!" O reino de Deus não se refere ao após-morte, mas como viver aqui e agora: numa sociedade sem castas nem nacionalismos, como proposta pelos primeiros anarquistas (os judeus) ou numa sociedade aristocrática Nietzscheniana, como proposta pelos brâmanes e cientistas darwinistas sociais. E, para quem tiver muito medo de islâmicos terroristas, sugiro que assistam o segundo episódio da terceira temporada da série Galáctica...  

Agora, voltando ao tema da seleção artificial de humanos, via cultura, eu fico pensando se as dramáticas mudanças já conseguidas na evolução canina (ver este artigo do Reinaldo Lopes no G1) não sinalizam o potencial inexplorado de uma evolução humana onde o homem deixe de ser o lobo do homem para se tornar o seu cão, ou seja, o seu melhor amigo. Why not?

Nota: falácia do homem de palha (também falácia do espantalho) é um argumento informal baseado na representação enganosa das posições defendidas por um oponente. "Armar um 'homem de palha'" ou "tramar um argumento 'homem de palha'" é criar uma posição que seja fácil de refutar, e em seguida, atribuir essa posição ao adversário. Uma falácia do homem de palha pode ser de facto uma técnica de retórica bem-sucedida (isto é, pode conseguir convencer as pessoas) mas, é realmente uma falácia desinformativa porque a argumentação real do oponente não é refutada.

O nome da falácia deriva da prática de se usar espantalhos no treinamento de combate. Em tal prática, um "homem de palha" representa o inimigo, e é criado apenas para que possa ser atacado.[1]

A seleção sexual acelerou a evolução da inteligência humana?


OK, OK, eu sei que a humanidade não descende dos chimps, mas sim ambos somos "primos",  o homo sapiens é o terceiro chimpanzé, ou melhor ainda, por uma mudança taxonômica recentemente proposta, o Bonbobo e o Chimpanzé-comum  deveriam  ser colocados no gênero Homo (com direito a direitos humanos etc e tal). Com nossos primos chimps, compartilhamos com eles características sociais (laços familiares, hierarquização social, formação de vínculos de amizade), culturais (educação dos filhotes, uso de ferramentas - vulgo "tecnologia"), violência intergrupal - vulgo "guerra") e sexuais (sexualidade forte, poligamia, homossexualismo).  

É claro que tais instintos coevoluem e são reforçados por nossa estrutura social: se as regras da sociedade mudarem, é possivel mudar o ser humano através da seleção artificial, tornando-o equalitário, pacifista, monogâmico etc. (esse tipo de seleção artifical  fizemos muito bem com os cães, veja este delicioso artigo de Reinaldo José Lopes do blog Visões da Vida do Portal G1).

Mas o que precisa ficar claro é que, tanto na pré-história como mesmo na história, a principal força seletiva no caso dos humanos não é a seleção natural mas sim a seleção sexual, como desconfiava Darwin. Ou seja, são as mulheres que escolhem quais serão as características futuras dos seres humanos através da seleção sexual de seus parceiros. Se elas, por tradição ou moda cultural, derem preferência a machos guerreiros (o tal efeito sexy dos uniformes), teremos na próxima geração mais machos guerreiros. Se as mulheres preferirem nerds (ahahahah), os nerds dominarão a Terra um dia. A notícia abaixo sugere que elas podem preferir nerds provedores (tipo Bill Gates) em vez de apenas machos alfa.

É por isso que o Patriarcalismo foi inventado: para que as mulheres perdessem essa possibilidade de escolha. O Patriarcalismo é uma invenção cultural dirigido a sufocar um instinto feminino básico: que, no mundo animal, quem escolha é a fêmea, e o estrupo é excessão (por exemplo, dois golfinhos machos adolescentes podem se juntar para estrupar uma fêmea, mas apenas um não consegue). O patriarcalismo também é uma forma dos machos guerreiros sufocarem o potencial reprodutivo dos nerds... (OK, eu estou sendo irônico, sorry).

Um grupo internacional de cientistas descobriu que os chimpanzés da África Ocidental roubam alimentos para se apresentar à sociedade e conquistar as fêmeas, revelou um estudo divulgado hoje pela revista "PLoS ONE".

Segundo Kimberley Hockings, da Universidade de Stirling, na Escócia, os machos roubam hortas e fazendas para depois se vangloriar de suas proezas, especialmente exibindo-se para o sexo oposto.

Na realidade, segundo os cientistas, os primatas parecem imitar o ser humano, que há milhares de anos usa os alimentos como moeda de troca para formar grupos sociais ou chamar a atenção.

"Esse comportamento atrevido nos chimpanzés parece ser uma característica atraente. Possuir um alimento muito saboroso, como uma papaia, atrai a atenção das fêmeas", disse Hockings.

O estudo, realizado na aldeia de Bossou, na Guiné, é o único que registra o ato de compartilhar alimento entre chimpanzés selvagens.

"É uma conduta estranha, embora a maior parte da dieta dos chimpanzés seja de vegetais. É algo que não ocorre com freqüência. No entanto, em comunidades de chimpanzés dedicadas à caça, compartilhar carne é um instrumento social para forjar alianças e vínculos sociais", apontou Hockings.

Os pesquisadores descobriram que os machos adultos compartilhavam o botim de suas incursões em hortas e fazendas somente com fêmeas em idade reprodutiva. Especialmente com aquelas que já tinham estabelecido um contato prévio.

O macho que compartilhava a maior parte de seu alimento com essa fêmea entrava em cortejo e recebia dela mais contato físico que outros machos, mesmo que fossem mais fortes.

"Portanto, os chimpanzés machos parecem exibir as suas habilidades e trocam o fruto proibido por outro bem, que pode ser o sexo", disse a científica.

O estudo teve a participação de cientistas das Universidades de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, Oxford, no Reino Unido, e Lisboa, em Portugal.



sexta-feira, setembro 26, 2008

Geek = Nerd com namorada

Campus Party abre inscrições para a próxima edição em janeiro

Qui, 25 Set - 18h22

Por Roberta Silva


Para a alegria de geeks, blogueiros, gamers e entusiastas da internet, o maior encontro de tecnologia do país já tem data marcada para acontecer.

De 19 a 25 de janeiro de 2009, a 2ª edição da Campus Party Brasil promete agitar São Paulo com tudo em dobro: a Bienal do Ibirapuera, sede da edição passada, dá lugar ao Centro de Exposições Imigrantes para abrigar cerca de 6 mil campuseiros, que ficarão conectados 24 horas por dia, durante uma semana, com uma banda de 10 GB.

Como na edição passada, cada participante pode levar seu próprio equipamento ou alugar um por lá. Além de tribos de Design, Software Livre, Games, Blog, Modding, Robótica, Música, Vídeo, Astronomia, Simulação e Desenvolvimento se reunirem, haverá palestras e atividades sobre nas áreas, como a construção do robô open source CP1.

Quem está com saudades das festinhas noturnas da primeira edição, pode ficar despreocupado. Desta vez, haverá um Sarau Digital, um palco próprio para a exibição de shows e espetáculos, com artistas de todas as regiões, para preencher as noites da Campus.

Como houveram reclamações na edição passada, a organização do evento promete mais estrutura dessa vez. Terá mais espaço para as barracas, melhor acústica para as palestras (que acontecerão no meio de cada área) e melhores banheiros e chuveiros.

As inscrições começam à meia noite desta sexta-feira apenas quem foi à edição passada, por R$ 100. Campuseiros novatos poderão garantir o seu ingresso a partir de 7 de outubro, pelo mesmo preço. Após 1º de novembro o ingresso passa a custar R$ 150.

A Campus Party (http://campus-party.com.br), evento que acontece na Espanha há 11 anos, ganhou o mundo em 2008 quando fez a primeira edição por aqui, em fevereiro deste ano. De lá pra cá, a Colômbia também já ganhou sua edição e El Salvador vai ser a casa dos aficcionados por tecnologia durante a Cúpula Ibero-americana de Chefes de Estado no final de outubro.

E se você ainda está em dúvida se deve acampar na próxima Campus Party, o diretor de conteúdo do evento, Sérgio Amadeu, dá o recado: "Geek, que é o nerd com namorada, não perca essa oportunidade!".

quinta-feira, setembro 25, 2008

Suíços canibais e a evolução da culinária

Sejamos otimistas: se até os Celtas se tornaram eco-pacifistas, então existe esperança para o Humus que sabe que sabe (Homo Sapiens Sapiens).


Do G1: Descoberta arqueológica sugere que os suíços praticavam canibalismo


Restos de corpos humanos de 2.000 anos foram queimados e mutilados.
'De um jeito ou de outro, foram tratados como animais', diz arqueólogo.


A descoberta de dois corpos de mais de dois mil anos, mutilados e queimados na Suíça, pode confirmar algo que os arqueólogos supunham há algum tempo: que os antigos suíços praticavam canibalismo, informou a imprensa do país europeu nesta quinta-feira.


Os dois corpos de adultos exumados estavam deitados de bruços, sem o braço e a perna direitos, e os restos tinham indícios de queimaduras, declarou um dos arqueólogos do sítio de Mormont, situado entre Lausanne e Yverdon les Bains. "Pode-se supor que foram assados. Por isso, é provável que tenham sido comidos. Em todo caso, foram tratados como animais", explicou.


Textos romanos permitem achar que os celtas - dos quais os suíços são um dos povos descendentes - praticavam sacrifícios humanos, mas até agora nenhuma prova arqueológica permitiu provar atos desse tipo. A agência de pesquisas arqueológicas Archeodunum, que trabalha nesse sítio, assinalou que não pode confirmar informações sobre a descoberta por ora.


Em 2006 foram iniciadas escavações em Mormont, um dos maiores santuários do mundo celta, com mais de 250 valas onde foram encontrados restos de animais e fragmentos humanos.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Dawkins e a Tolerância


Richard Dawkins expressou frequentemente a opinião de que, no debate entre Ciência e Religião, os fundamentalistas religiosos seriam "sinceros" (pois reconhecem que a Religião faz afirmativas ontológicas), enquanto que os religiosos moderados, por sua ênfase no conteúdo político e ético das religiões, seriam mais perniciosos e deveriam ser mais combatidos na sua "cruzada" pela Ciência. 

Eu sempre achei que atacar o meio termo é, no caso de Dawkins, uma estratégia perigosa. Me parece que nessas "culture wars", seria muito melhor que todas as pessoas "razoáveis", quer religiosas quer seculares, que aceitam o príncípio de um Estado laico estivessem do mesmo lado. 

Mas Dawkins, com suas visões extremistas tipo "qualquer pai de família que criar uma criança em uma dada religião é um estrupador mental, um criminoso pior que um pedófilo", não deixou nenhuma porta aberta ao diálogo. Afinal, na sua concepção, qualquer pessoa que tiver sentimentos religiosos é, por definição, não racional, um ser inferior do qual devemos ter pena (ou medo?) mas que está por definição desqualificado para a conversação racional.

Agora parece que Dawkins está se arrependendo do monstro (a nova vaga de intolerência científica) que criou...


Creationism row forces out UK educator

The director of education at Britain's Royal Society has been forced to resign after a massive outcry in the wake of widespread misreporting of comments he made about creationism in the classroom.

Michael Reiss, a professor at London's Institute of Education and an ordained minister in the Church of England, made the remarks at the British Association for the Advancement of Science's annual Festival of Science on 11 September in Liverpool. Three Nobel-prizewinning society fellows wrote to the society's president, Martin Rees, saying that they were "greatly concerned" at media reports of Reiss's talk. They are Richard Roberts, chief scientific officer of New England BioLabs in Beverly, Massachusetts; Harold Kroto of Florida State University in Tallahassee; and John Sulston of the University of Manchester, UK.

The Royal Society initially insisted that Reiss had been misrepresented and that his views do not differ from the society's position that "creationism has no scientific basis and should not be part of the science curriculum". After the letter of complaint and with the reported statements continuing to receive press coverage, including hostile opinion pieces, the society announced Reiss's departure on 16 September.


“To call for his resignation ... comes a little too close to a witch-hunt for my squeamish taste.”

Richard Dawkins 
University of Oxford

C&T, Cultura Científica e Tecnocultura


Este post pertence à Roda da Ciência:


OK, OK, o mês está quase acabando, então vamos lá com este post, que fiquei adiando. É que eu detesto discutir Ciência e Tecnologia (C&T), porque o principal ataque dos românticos, anticientistas e outros criptonazistas à Ciência universalista "liberal-judaico-cristã" se dá justamente via a crítica da Tecnociência, do laço indissolúvel entre ciência, tecnologia e controle (estupro) da Mãe Natureza, e por aí vai...

E o cientista ingênuo (ou espertalhão), querendo mais financiamento das agências de fomento, fica enfatizando na mídia as "potenciais" (?) aplicações das ciências no desenvolvimento tecnológico e ecônomico (ou seja, na contramão das críticas ao desenvolvimentismo anti-ecológico). Espertalhão porque ele sabe que existe um LONGO caminho entre uma idéia científica, uma aplicação, um protótipo que funcione, uma patente, um processo de P&D, e a final comercialização. E, é claro, que essa comercialização, se houver,  se dará por que no meio do caminho o cientista e sua Universidade venderam a patente para alguma multinacional...   Ou seja, retorno claro, volumoso, direto, para a sociedade que financiou a pesquisa, neca das pitibiribas... 

O retorno para a sociedade (civil) é "indireto", o governo pagando laboratórios, pesquisadores e estudantes nas Universidades públicas para se fazer pesquisa aplicada que em princípio as empresas é que deveriam deveriam fazer (montando laboratórios industriais que empregariam os futuros pesquisadores). Ou seja, o retorno é principalmente para as SA (pois pesquisa é uma coisa arriscada e empresas tentam maximizar os lucros e minimizar os riscos), não a SC (sociedade civil). Mesmo nos USSA (United Socialists States of America, segundo uma recente crônica no NYT sobre a estatização do sistema financeiro), basta aparecer uma turbulência que a primeira coisa que fecha nas empresas são os laboratórios de pesquisa.

Assim, para não perder de vista o quadro geral, lembremos e enfatizemos que ciência, tecnologia e cultura possuem intersecções, e também regiões de não intersecção. Qual a relevância da Paleontologia, Cosmologia, Paleoantropologia, Arqueologia, Astrobiologia, Planetologia etc para a Tecnologia? Nenhuma. Mas então elas não são ciências? 

E dado que 99% da matemática é irrelevante para a Física, e que 99% da Física (teórica) é irrelevante para a Tecnologia, como ficamos? Que raios de Tecnociência é essa?

Na verdade, o grande impacto atual da Ciência é em termos de visão de mundo, que está se chocando com as visões de mundo tradicionais. Se forçadas a escolher, as pessoas irão escolher suas visões de mundo particulares (em geral religiosas, ou seja, visões de mundo que as "religam" à comunidade, à Natureza, ao seu inconsciente, etc), em vez de visões tipo Monod-Weinberg do tipo "O ser humano é um estranho no Universo, de onde emergimos por puro acaso, o esforço humano (e mesmo a Ciência) não possui nenhum significado, tudo será destruido em breve pela queda de um asteróide ou quando o Sol explodir ou, na melhor das hipóteses, tudo o que nos resta é esperar pela morte térmica do Universo etc e tal". 

Essa visão de mundo (que eu desconfio ser advinda de uma falta crônica e patológica de serotonina nos cérebros de Monod, Weinberg, Dawkins, etc)  se situa não na intersecção C&T, mas na intersecção C&Cultura. E vou avançar a tese de que a divulgação científica atual, inclusive aquela que estamos fazendo nesses blogs, pode ser contraproducente, pois evidencia o conflito C&Cult, de modo que as pessoas se apegamà Cultura (tradicional) e rejeitam a Ciência.

Finalmente, temos a intersecção da T&Cult (Tecnocultura). Isso vai desde a influência da Tecnologia nas Artes (tecnologia na música seria um belo exemplo) até a questão dos gadjets que vocês já comentaram. O importante é ter claro que os três domínios não se sobrepõe: um diagrama tríplice de Venn como o colocado acima ajuda a entender isso.

PS: Fazendo coro com o Daniel: Dado que o governo dos EUA vai gastar 700 bilhões de dólares (na verdade, o total é mais de 1 trilhão, ou seja, 100 vezes o preço do LHC, que é um consórcio internacional!), eu não vejo como é possível comentar (como tenho visto em inúmeros sites) que o dinheiro seria melhor gasto se enviado para a África ou transformado em cestas básicas... 

E quanto o governo brasileiro perdeu nos últimos dias, em suas aplicaçlões financeiras na bolsa, compra de dólares, etc? Compare isso com a verba gasta na colaboração brasileira com os projetos do LHC. E olha que eu não simpatizo com Big Science, hein! Mas reconheço uma falácia quando a vejo...

E finalmente, se alguém ainda acha que se gasta muito com ciência básica no Brasil, então faça o favor de dar uma olhada nos editais do CNPq. Se você quer fazer ciência básica, é quase impossível se encaixar em algum edital do mesmo... 

Por favor, os comentários devem ser deixados na Roda da Ciência.


Número de Erdos

Achei um site que calcula o número de Erdös. Você pode calcular seu número aqui. Engraçado, eu pensava que o número de Erdos consistia no número mínimo de pessoas (nodos) entre Erdös e a pessoa, mas na verdade é o número mínimo de links (papers) entre eles.

MR Erdos Number = 6
Osame Kinouchicoauthored withMarcelo H. R. TragtenbergMR1445900 (98f:92002)
Marcelo H. R. Tragtenbergcoauthored withPedro Castelo FerreiraMR1911167 (2003d:82049)
Pedro Castelo Ferreiracoauthored withRichard J. SzaboMR1911407 (2003f:81190)
Richard J. Szabocoauthored withJonathan M. RosenbergMR2365448
Jonathan M. Rosenbergcoauthored withAndrás HajnalMR1614553 (99k:01056)
András Hajnalcoauthored withPaul Erdős1MR0095124 (20 #1630)

Isso foi o resultado que deu no site, mas acho que está errado, pois Mauro Copelli tem NE = 4, e portanto eu tenho NE = 5!

MR Erdos Number = 4
Mauro Copellicoauthored withManfred OpperMR1748444
Manfred Oppercoauthored withDavid HausslerMR1105510 (92b:92008)
David Hausslercoauthored withNoga AlonMR1328428
Noga Aloncoauthored withPaul Erdős1MR0818591 (87d:11015)


Finalmente, meu Einstein Number é (no máximo) 7:

MR Collaboration Distance = 7
Osame Kinouchicoauthored withNestor CatichaMR1196862
Nestor Catichacoauthored withJuan Pablo NeirottiMR1975709 (2004c:68120)
Juan Pablo Neirotticoauthored withGuido A. RaggioMR1242191 (94j:82012)
Guido A. Raggiocoauthored withJohn T. LewisMR0951075 (89j:82013)
John T. Lewiscoauthored withJames McConnellMR0449364 (56 #7668)
James McConnellcoauthored withErwin SchrödingerMR0010805 (6,73c)
Erwin Schrödingercoauthored withAlbert EinsteinMR0927510 (89b:01075)



Agora, se você acha que esses números são bons, então você não entendeu os tais seis graus de separação...

terça-feira, setembro 23, 2008

Ajuste fino, mas não em um campo de golfe!


Se o landscape de possíveis universos é do tipo campo de golfe (apenas umas poucas soluções puntuais) então não seria possível um Darwinismo Cosmologico à lá Smolin. Talvez esse novo paper mostre que o landscape é suave e permite um processo evolutivo. Estou testando essas idéias usando automatos celulares, mas é um projeto de final de semana que tem andado MUITO lentamente...

Stars In Other Universes: Stellar structure with different fundamental constants

Motivated by the possible existence of other universes, with possible variations in the laws of physics, this paper explores the parameter space of fundamental constants that allows for the existence of stars. To make this problem tractable, we develop a semi-analytical stellar structure model that allows for physical understanding of these stars with unconventional parameters, as well as a means to survey the relevant parameter space. In this work, the most important quantities that determine stellar properties -- and are allowed to vary -- are the gravitational constant $G$, the fine structure constant $\alpha$, and a composite parameter $C$ that determines nuclear reaction rates. Working within this model, we delineate the portion of parameter space that allows for the existence of stars. Our main finding is that a sizable fraction of the parameter space (roughly one fourth) provides the values necessary for stellar objects to operate through sustained nuclear fusion. As a result, the set of parameters necessary to support stars are not particularly rare. In addition, we briefly consider the possibility that unconventional stars (e.g., black holes, dark matter stars) play the role filled by stars in our universe and constrain the allowed parameter space.
Comments:accepted to JCAP, 29 pages, 6 figures
Subjects:Astrophysics (astro-ph)
Cite as:arXiv:0807.3697v1 [astro-ph]

Um resumo na New Scientist pode ser encontrado aqui.

Darwinismo Cosmológico Forte

Via Brontossauros em meu Jardim

Retângulo: 13.8 bilhões de anos atrás, alguns segundos antes da criação do nosso Universo…

Balão: Tudo certo. Vamos ligar o LHC e ver o que acontece!

Dica do Graveheart via Twitter.

PS: Veja aqui também as câmeras BBB do LHC.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Odores, bulbo olfatório, amigdala, emoções, sonhos e pesadelos


Mais uma peça do quebra-cabeça.


Aromas que você inala enquanto dorme têm o poder de influenciar seus sonhos, diz um estudo apresentado na reunião anual da Academia Americana de Otorrinolaringologia em Chicago, nos Estados Unidos.


Os resultados preliminares sugerem que, ao borrifar essências de flores no travesseiro, você aumenta suas chances de ter bons sonhos.


Liderados pelo professor Boris Stuck, pesquisadores do Hospital da Universidade de Mannheim, na Alemanha, fizeram experimentos usando odores bons, como o perfume de rosas, e ruins, como o cheiro de ovos podres, expondo voluntários a eles durante o sono.


Eles esperaram até que os participantes entrassem na fase REM do sono, estágio em que ocorrem os sonhos mais vívidos, e borrifaram altas doses das fragrâncias no ar durante dez segundos.


Um minuto mais tarde, os voluntários foram acordados e convidados a relatar suas impressões.

 

Sem lembranças

Os participantes raramente se lembravam de haver sentido qualquer cheiro.


Mas os especialistas concluíram que, quando o odor desagradável foi usado, o tipo de emoção vivenciada durante o sonho era predominantemente negativo.


Sob o estímulo do odor agradável, quase todos os sonhos relatados tinham conotações positivas.


Os pesquisadores anunciaram que pretendem agora fazer estudos com pessoas que sofrem com pesadelos constantes.


Segundo eles, informações sobre o funcionamento do olfato durante o sono foram disponibilizadas apenas muito recentemente e o presente estudo seria o primeiro a documentar o impacto do olfato sobre os sonhos.


Dreams, endocannabinoids and itinerant dynamics in neural networks: re elaborating Crick-Mitchison unlearning hypothesis

In this work we reevaluate and elaborate Crick-Mitchison's proposal that REM-sleep corresponds to a self-organized process for unlearning attractors in neural networks. This reformulation is made at the face of recent findings concerning the intense activation of the amygdalar complex during REM-sleep, the role of endocannabinoids in synaptic weakening and neural network models with itinerant associative dynamics. We distinguish between a neurological REM-sleep function and a related evolutionary/behavioral dreaming function. At the neurological level, we propose that REM-sleep regulates excessive plasticity and weakens over stable brain activation patterns, specially in the amygdala, hippocampus and motor systems. At the behavioral level, we propose that dream narrative evolved as exploratory behavior made in a virtual environment promoting ``emotional (un)learning'', that is, habituation of emotional responses, anxiety and fear. We make several experimental predictions at variance with those of Memory Consolidation Hipothesis. We also predict that the ``replay'' of cells ensembles is done at an increasing faster pace along REM-sleep.