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sexta-feira, abril 27, 2007

Ora, bolhas!



Do G1:

Não é nada fácil a vida dos pesquisadores Robert MacPherson e David Srolovitz. Os dois passam boa parte do tempo de olho nos colarinhos espumantes dos copos de cerveja, mas sem poder entorná-los. Graças a esses esforços, MacPherson, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, e Srolovitz, da Universidade Yeshiva (ambas nos Estados Unidos), chegaram a uma formulação matemática que explica como o colarinho da bebida se desfaz ao longo do tempo.

A dupla seguiu uma equação resolvida nos anos 1950 por John von Neumann, um dos pioneiros da computação. O trabalho dele se referia à formação e ao desaparecimento de estruturas em duas dimensões, mas agora os pesquisadores conseguiram transformá-lo numa ferramenta matemática que descreve estruturas tridimensionais -- justamente o caso das bolhas num colarinho de cerveja.

Em síntese, as bolhas de gás num colarinho de cerveja ou chope estão separadas por "fronteiras" de líquido, que se movem ao longo do tempo. As bolhas tendem a se fundir e a ficar mais grosseiras, até desaparecerem da bebida.

Os pesquisadores americanos descobriram que a taxa segundo a qual esse fenômeno acontece -- ou seja, a taxa de desaparecimento do colarinho -- não depende do número de bolhas, mas sim da largura de cada uma delas. A idéia é que, manipulando essa propriedade, seria possível controlar a duração e o tipo do colarinho nas bebidas.

A pesquisa etílica está na edição desta semana da revista científica "Nature".

quinta-feira, abril 26, 2007

O pequeno lógico


Todo físico que tem filhos têm um desejo secreto de que um deles seja seu sucessor, um físico melhor do que ele mesmo foi. OK, OK, eu sei que estou generalizando. Em todo caso, na minha amostra de n=1 (ou seja, eu mesmo), estou achando que o físico da família pode ser o Raphinha, quatro anos recém completos.

Não apenas ele adora montar quebra-cabeças mas tem também um espírito de desafio à opinião de autoridade (no caso, eu) que ficaria bem em um cientista. Esses dias ele me perguntou por que as estrelas brilham e quando eu vim com o papo de que eram bolas de fogo ele me contestou pois eram as estrelas cadentes que eram "bolas de fogo".

Semana passada fui com ele pegar dinheiro no banco para comer pastel na feira (programão de domingo, heim?) e ele me perguntou por que precisava de dinheiro. Sem muita vontade de responder, disse: "Ora, pra tudo se precisa de dinheiro".

Ele ficou pensativo e quando entramos no carro, ele insistiu: "Prá entrar no carro precisa de dinheiro? Porque se prá entrar no carro não precisa de dinheiro, então não é "prá tudo" que precisa de dinheiro!"

"OK, OK, Raphinha, você venceu!" Eu sei que eu poderia apelar e falar sobre o custo da gasolina, mas acho que a lógica dele estava correta.

O Rapha é chatinho assim, gosta sempre de provar que estou errado. E é isso que me faz ficar orgulhoso dele.

Seleção de ações


Via Infoneuro, de Antônio C. Roque:
Os leitores deste blog devem achar interessante a edição online deste mês da centenária revista inglesa Philosophical Transactions of the Royal Society B. Biological Science, que trata da modelagem computacional de um problema que afeta a todos nós: a escolha do que fazer no próximo instante (chamado de problema de seleção da ação). Leiam abaixo um trecho do texto de apresentação do volume online citado acima: Action selection, at its simplest, is the problem that every human and animal faces at each instant of "what to do next?". To scientists this problem raises a plethora of further questions: How do we know how to do the right thing? Why is it that we sometimes make poor choices? How do we plan ahead for complex tasks and remember what we are trying to do as we go along? Are there central decision-making mechanisms in the brain or do actions somehow 'select themselves' through the interaction of many concurrent brain processes? What happens when different parts the brain want to do different things? How do the actions selected by individuals shape and change the social groups in which they live?

segunda-feira, abril 23, 2007

Red Square Nebula


This is an image of the newly-discovered Red Square nebula, detailed in last week's issue of the journal Science. A nebula is an interstellar cloud of gas, plasma, and dust. At the heart of the Red Square nebula is a dying star identified as MWC 922. This infrared image was taken at Palomar and Keck Observatories (Credit: Peter Tuthill). Apparently, the Red Square is one of the most symmetrical objects ever spotted by astronomers. From Space.com:

“If you fold things across the principle diagonal axis, you get an almost perfect reflection symmetry,” said study leader Peter Tuthill from the University of Sydney in Australia. “This makes the Red Square nebula the most symmetrical object of comparable complexity ever imaged.” The Red Square’s extreme symmetry suggests the star’s surroundings are extremely still and not buffeted by external stellar winds or other turbulence...The new findings suggest the system’s perfect form results from an even outflow of gas. “The reason the Red Square remains so symmetrical is that there is no material that has interfered with the outflow, so it has preserved the symmetry it was born with,” (said researcher James Lloyd of Cornell University).

Pensamento do dia




Research means going out into the unknown with the hope of finding something new to bring home. If you know in advance what you are going to do, or even find there, then it is not research at all: then it is only a kind of honourable occupation. (Albert Szent-Gyorgyi).

sexta-feira, abril 20, 2007

Para os meus amigos que gostam da Escola de Frankfurt





Title:
Adorno and Horkheimer: Diasporic Philosophy, Negative Theology, and Counter-Education
Authors:
Gur-Ze'ev, Ilan
Descriptors:
Theology; Philosophy; Judaism; Jews; Critical Theory
Source:
Educational Theory, v55 n3 p343-365 Aug 2005
Peer-Reviewed:
Yes
Publisher:
Journal Customer Services, Blackwell Publishing, 350 Main Street, Malden, MA 02148. Tel: 800-835-6770 (Toll Free); Fax: 781-388-8232; e-mail: subscrip@bos.blackwellpublishing.com.
Publication Date:
2005-08-00
Pages:
23
Pub Types:
Journal Articles; Reports - Evaluative
Abstract:
From a contemporary perspective, the work of the Frankfurt School thinkers can be considered the last grand modern attempt to offer transcendence, meaning, and religiosity rather than "emancipation" and "truth." In the very first stage of their work, Adorno and Horkheimer interlaced the goals of Critical Theory with the Marxian revolutionary project. The development of their thought led them to criticize orthodox Marxism and ended in a complete break with that tradition, as they developed a quest for a unique kind religiosity connected with the Gnostic tradition and emanating, to a certain extent, from Judaism. This religiosity offers a reformulated Negative Theology within the framework of what I call "Diasporic philosophy." In his later work, Horkheimer explicitly presented Critical Theory as a new Jewish theology. Rearticulating Critical Theory is of vital importance today, both for understanding the current historical moment and for going beyond the oppressive dimensions of Critical Pedagogy. This article does not satisfy itself by offering a new reconstruction of Critical Theory; its goal is to offer a blueprint for a Diasporic counter-education that transcends Critical Pedagogy and goes beyond the emancipatory dimensions of Judaism itself.

Hinode




Do G1: Imagens inéditas feitas pela sonda da Nasa que estuda o Sol, a Hinode, revelam que o campo magnético da estrela é ainda mais turbulento do que os cientistas imaginavam. As fotografias revelam pequenos grânulos de gás quente subindo e descendo na atmosfera solar. Segundo o diretor do departamento de Heliofísica da Nasa, Dick Fischer, as imagens devem abrir uma nova era de estudos dos processos solares que afetam a Terra, os astronautas, os satélites artificiais e todo o Sistema Solar. A Hinode (“nascer do Sol”, em japonês), anteriormente chamada de Solar-B, foi lançada em 23 de setembro de 2006. Segundo os astrônomos, suas imagens terão o mesmo impacto no estudo da física solar que o Hubble teve na astronomia.

quinta-feira, abril 19, 2007

Vendo o Mundo Filogeneticamente



A pedido do Departamento de Biologia, divulgamos a palestra:

"Vendo o Mundo Filogeneticamente: A Abordagem da Biologia Comparada na Pesquisa em Biologia"
Dr. Dalton de Souza Amorim - Depto. de Biologia - FFCLRP-USP
Data: 24 de abril de 2007 (terça-feira) - às 16 horas
Local: Anfiteatro André Jacquemin - FFCLRP-USP

Link: http://www.ffclrp.usp.br/divulgacao/db/palestradalton.doc

Informações: Secretaria do DB - ramal 4445 - db-secretaria@ffclrp.usp.br

Blog pode ser futuro da publicação científica


Renato Tinós me enviou esta notícia do G1:


Stevens Rehen Especial para o G1.

Dois milhões e quinhentos mil artigos científicos são publicados anualmente em 34 mil revistas científicas internacionais. Esse número, apesar de expressivo, não representa nem a metade do conhecimento científico gerado nas universidades e centros de pesquisa ao redor do mundo. Partindo-se do pressuposto que a rápida divulgação da informação é crucial para o avanço do conhecimento, é um contra-senso, num mundo com tantas possibilidades criadas pela internet, qualquer limitação ao acesso e discussão pública da ciência.


O sistema vigente para a avaliação de mérito dos artigos científicos a serem publicados foi implementado há 70 anos e merece ser rediscutido. Baseado na avaliação por pares, na qual revisores anônimos da área de pesquisa abordada pelo artigo discutem sua validade, é um processo laborioso e muitas vezes lento, no qual aproximadamente 70% dos artigos submetidos são rejeitados. Além disso, apesar de envolver a participação de avaliadores anônimos, não impede injustiças, duplicação de resultados já publicados ou até mesmo fraudes.


Na busca por alternativas ao processo tradicional de avaliação e publicação de artigos relacionados às ciências da vida, editores de revistas científicas e 100 jovens pesquisadores convidados de todos os continentes reuniram-se no Fórum Mundial de Ciências da Saúde da Próxima Geração (BioVision.Nxt), realizado mês passado em Lyon, na França. Das discussões, saíram algumas sugestões, como a disponibilização imediata de todos os artigos científicos submetidos em blogs especializados (que funcionariam como as atuais revistas científicas), nos quais ocorreria a avaliação pública e certificação de seu conteúdo por revisores especializados, além da inclusão de comentários e sugestões não anônimas por membros da comunidade científica.


Com isso, 100% da produção científica mundial passaria a estar disponível online. Ao mesmo tempo, injustiças, duplicações de dados e fraudes seriam mais facilmente e rapidamente identificadas. A qualidade e mérito de cada artigo poderiam ser mensurados tanto pelo tradicional número de citações obtidas quanto imediatamente, pelos comentários e apreciação dos artigos postados nos blogs. Uma versão menos audaciosa dessa proposta foi lançada recentemente pela Public Library of Science (PLoS), com o nome de PLoS One (www.plosone.org).

Para continuar a ler, clique aqui.

Sua última chance!


Lembrando a todos: o visitante 25.000 ganhará um livro da Ursula Le Guin. Fiquem de olho no contador!

Preciso ler isso

Unifying Evolutionary and Network Dynamics
Authors: Samarth Swarup, Les Gasser
(Submitted on 13 Apr 2007)
Abstract: Many important real-world networks manifest "small-world" properties such as scale-free degree distributions, small diameters, and clustering. The most common model of growth for these networks is "preferential attachment", where nodes acquire new links with probability proportional to the number of links they already have. We show that preferential attachment is a special case of the process of molecular evolution. We present a new single-parameter model of network growth that unifies varieties of preferential attachment with the quasispecies equation (which models molecular evolution), and also with the Erdos-Renyi random graph model. We suggest some properties of evolutionary models that might be applied to the study of networks. We also derive the form of the degree distribution resulting from our algorithm, and we show through simulations that the process also models aspects of network growth. The unification allows mathematical machinery developed for evolutionary dynamics to be applied in the study of network dynamics, and vice versa.
Comments:
11 pages, 12 figures, Accepted for publication in Physical Review E
Subjects:
Quantitative Methods (q-bio.QM); Populations and Evolution (q-bio.PE)
Cite as:
arXiv:0704.1811v1 [q-bio.QM]

Deus joga dados?


OK, OK, eu sei que o livro vai demorar ainda alguns meses para ficar pronto, mas estou colocando aqui um de seus capítulos (ver capítulo15.pdf) para eventualmente receber algum feedback. Abaixo, coloco o sumário provisório do livro, mais um trecho para quem estiver com preguiça de ir ler o pdf.

A proposta deste livro, a Teologia do Acaso (TA), pode ser resumida assim:
· Existem inúmeros pontos de contato entre a idéia científica de Acaso e a idéia religiosa de Deus.
· Esses pontos refletem não uma coincidência superficial, mas uma identidade de natureza filosófica profunda.
· Todo ser humano precisa se relacionar com o Deus-Acaso: sendo indiferente a ele (agnosticismo), temendo-o e tentando controlá-lo (religiões mágicas, tecnologia), tentando compreendê-lo (filosofia e ciência), celebrando nossa incrível “sorte” por estarmos vivos em um universo belo e complexo (adoração e louvor místicos), tentando alinhar nossas ações com uma idéia de Deus que supere a idéia de Acaso: uma vontade divina de justiça e bem estar para os homens (religiões éticas).
· Esta última posição, porém, não supera realmente a idéia de Deus-Acaso, pois toda a evidência dessa Vontade benévola se baseia em uma interpretação de padrão, em uma filtragem, que mantém na memória os eventos do Acaso que nos favoreceram (individual ou coletivamente) e minimiza ou reinterpreta os eventos desfavoráveis.
· Existe porém uma posição teológica alternativa: aprofundar a idéia de que Deus é o Acaso interpretado e personalizado, e que a espiritualidade reflete nossa atitude e relacionamento individual com o Acaso, sendo a Religião, entre outras coisas, uma formalização de nossa atitude coletiva frente a Ele.

O que ganharíamos com tal mudança de perspectiva? Listo algumas das possíveis vantagens da TA:
· Ela lança uma nova luz sobre inúmeros textos bíblicos, desde o uso do jogo de dados para a manifestação da vontade divina até as lamentações de Jó ao formular o problema do mal, ou mesmo a formulação de Jesus: “Ele manda a chuva igualmente sobre justos e injustos”.
· Ela resolve o problema do mal sem apelar para uma “Queda da Natureza” que degrada seu status como jardim a ser preservado pela humanidade, idéia tão necessária para os dias de hoje.
· O problema do mal é resolvido também sem culpabilizar o ser humano, uma solução extremamente cruel para quem sofre. Tal solução é popular em certos circulos espiritualistas onde se culpa a própria vítima por sua desgraça (como testemunha o livro de Jó). Apenas o mal que é fruto direto da ação do homem (por exemplo, a injustiça social) é sua responsabilidade.
· Ela resolve, ou pelo menos se mostrar um caminho promissor para a solução, o dilema entre a visão religiosa e a visão científica do Universo. Na Teologia do Acaso, enfatiza-se a convergência, não a divergência entre estas visões de mundo.Ela até mesmo promove um possível diálogo com os ateus: a afirmação básica do ateísmo é a de que não existe Deus, apenas Acaso. A visão da TA é a de que Deus é o Acaso interpretado, o Acaso é uma força todo-poderosa (um Deus) que rege o Universo.


Foto: Do interessante tópico da Wikipedia Roda da Fortuna.

terça-feira, abril 17, 2007

Pesquisa: 23% 'julgam pessoas pelos filmes que elas gostam'


OK, OK, eu sei que preciso colocar aqui temas científicos mais sérios. Mas esta notícia aqui é para meus alunos de Estatística e o pessoal do Cineclube DFM:

Da BBC Brasil: Uma pesquisa divulgada na Grã-Bretanha apontou que 23% dos entrevistados, ou quase um quarto do total, dizem que julgam as pessoas com base nos filmes que elas gostam.

No levantamento, realizado em fevereiro para o site myfilms.com, foram ouvidos quase 3 mil britânicos, que revelaram detalhes da influência da Sétima Arte sobre o comportamento dos cinéfilos.
Os jovens mostraram ser as pessoas com maior tendência a avaliar as outras pelo seu gosto por filmes: 37% daqueles entre 18 e 24 anos admitiram o hábito.
Por outro lado, os britânicos revelaram que tendem a esconder os filmes que realmente gostam.
Entre as "paixões secretas" dos ouvidos, o filme mais citado é A Noviça Rebelde, seguido de Ghost – Do Outro Lado da Vida e Dirty Dancing – Ritmo Quente.
Segredos... e mentiras
A pesquisa também revelou que 10% das pessoas na Grã-Bretanha costumam mentir a respeito dos filmes que dizem ter visto.
Os entrevistados confessaram que inventam ter visto filmes para impressionar os outros e porque julgam que deveriam ter visto algumas produções que acabaram não assistindo.
Os filmes A Lista de Schindler, O Código Da Vinci e O Poderoso Chefão lideram a lista dos que as pessoas fingem ter visto.
O levantamento revelou ainda que os homens tem em média 17% mais probabilidade de mentir sobre o assunto que as mulheres.
Os homens também são maioria entre as pessoas que, para impressionar, procuram mencionar em conversas com amigos filmes que realmente viram.
Um em cada sete dos ouvidos admitiu fazer isso, mas estatisticamente o costume mostrou ser duas vezes mais comum entre as pessoas do sexo masculino.
Nesse quesito, os filmes mais escolhidos para serem mencionados nas conversas são Um Sonho de Liberdade, citado por 20% dos "exibidos", seguido de À Espera de Um Milagre e da trilogia O Senhor dos Anéis, de acordo com a pesquisa.

Por falar nisso, deixa eu conhecer melhor os leitores do SEMCIÊNCIA: Deixe aí nos comentários o seu filme favorito. Só não vale mentir...

Nu Wa



Certa vez li em um livro o seguinte mito chinês:

Conta-se que Nu Wa existia desde o começo do mundo. Sentindo-se solitária, cria os animais e seres humanos para lhe fazer companhia. Os homens são feitos a partir de argila amarela. Vendo-os, porém, fracos e desprotegidos, ela lhes dá o conhecimento do fogo, das ferramentas e das artes. Acredita ter feito uma obra maravilhosa e sobe aos céus para relatar seus feitos ao Imperador Celeste. Este porém, ao verificar o feito, mostra-se contrariado. Explica a Nu Wa: “Estas criaturas agora detêm um conhecimento próprio dos deuses. Não haverá limites para suas obras, tudo farão com orgulho crescente, e um dia negarão até mesmo a existência de um imperador celeste!”

Gostaria de citar este mito em meu livro, mas perdi a referência. A Wikipedia fornece várias informações sobre Nu Wa, mas esta versão do mito não é citada. Se algum de vocês encontrar na rede informações sobre esta versão, me mande um comentário que eu recompenso com um livro (repetido) da Coleção Argonauta, OK?

Minha tese: acho que Nu Wa é a versão oriental de Inana ou Ishtar, deusa dos conhecimentos secretos, alvo do mito da Queda hebreu, tendo em comum com estas o símbolo da serpente e que até hoje decora o caduceu de Hermes.

PS: Não, não, essa figura não representa Nu Wa e Fuxi subindo aos céus em um disco voador...

segunda-feira, abril 16, 2007

Formigas saltadoras



OK, OK, eu sei que o que vou relatar agora pode parecer meio estranho. É que, às vezes, dou uma de naturalista, acho. Por exemplo, ficar observando as borboletas coletando néctar em um arbusto no quintal da casa do Marcelo Tragtenberg, tentando verificar se elas usam uma estratégia parecida com a do turista estocástico. Ou, no caso presente, ficar às três da manhã no banheiro acompanhando as peripécias de uma formiga da madeira.

Tudo aconteceu anos atrás, quando um referee reclamou que a caminhada deterministica do turista não tinha aplicações práticas. Tudo bem que o Stanley, num News and Views para a Nature, discordou dele. Bom, como na primeira vez que eu pensei sobre o turista eu falei em termos de uma formiga visitando pontos no espaço, fiquei um dia observando, insone, a trajetoria de uma formiga lá no banheiro de casa (que mais tarde, por e-mail, Carlos Brandão me informou ser uma formiga da madeira - das quais existem mais de mil espécies).

Primeiro notei que uma das formigas percorria sempre a mesma trajetória na parede do box do banheiro, em um ciclo fechado. Até hoje não sei porquê. Depois observei outra que repetiu cinco vezes (sim, cinco!) um trajetoria de Sísifo onde ela subia na privada e, ao chegar na borda, pulava lá do alto.

Eu achei que a formiga fazia isso porque era mais rápido pular do que andar. Notei outra que, na parede, pulava toda vez que eu aproximava meu dedo dela. Também achei que era uma boa estratégia para escapar de um predador.

Aquelas formigas, com suas cabeças e cérebros enormes, sempre me intrigaram. A Nice me contou que observou duas formigas aparentemente "conversando" na forma de uma dança. Bom, contei para algumas pessoas mas é claro que ninguém acreditou em mim. O Fontanari me disse que a formiga "caía de susto" quando o dedo se aproximava, que não era intencional, mas que mesmo assim funcionava como estratégia de fuga a ser selecionada pela evolução. Sim, há controvérsias sobre o problema de intencionalidade em formigas. Mas a Wikipedia me informa que:
Some ants are even capable of leaping. A particularly notable species is Jerdon's jumping ant, Harpegnathos saltator. This is achieved by synchronized action of the mid and hind pair of legs.[19]

É interessante que as formigas lá de casa são muito parecidas com a foto da Harpegnathos saltator e, como estas, andam sozinhas ou em pequenos grupos e suas colônias também são pequenas. Será que a saltator emigrou (com os portuguêses) da Índia para cá?

Um dos mistérios que observei é que tais formigas andam, andam, mas não parecem estar carregando nada. Mariana, futura bióloga, fez experimentos para determinar o que elas comiam e concluímos que elas preferiam Tekitos com coca-cola...

Mas por que estou relembrando tudo isso? Bom, recebi o seguinte aviso hoje, e acho que vou levar a Mariana para assistir esta palestra:


"Ecologia de comunidades de formigas da Mata Atlântica"
Prof. Dr. Carlos Roberto F. Brandão - Museu de Zoologia - USP
Data: 17 de abril de 2007 (terça-feira) - às 16 horas
Local: Anfiteatro André Jacquemin - FFCLRP-USP

Link: http://www.ffclrp.usp.br/divulgacao/db/palestramataatlantica.doc

Informações: Secretaria do DB - ramal 4445 - db-secretaria@ffclrp.usp.br



A novel mechanism for jumping in the indian antHarpegnathos saltator (Jerdon) (Formicidae, Ponerinae)

Cellular and Molecular Life Sciences (CMLS)
Volume 50, Supplement 1 / February, 1994
Category: Research Articles
DOI 10.1007/BF01992052
Pages 63-71
C. Baroni Urbani1, G. S. Boyan1, A. Blarer1, J. Billen2 and T. M. Musthak Ali3
(1)
Zoological Institute, University of Basel, Rheinsprung 9, CH-4051 Basel, (Switzerland)
(2)
Zoological Institute, University of Leuven, B-3000 Leuven, (Belgium)
(3)
Department of Entomology, University of Agricultural Sciences, GKVK, 560065 Bangalore, (India)


Abstract
The Indian antHarpegnathos saltator may be unique among insects in using its jumping capacity not only as an escape mechanism but also as a normal means of locomotion, and for catching its prey in flight. High-speed cinematography used to analyse the various phases of the jump suggests thatHarpegnathos employs a novel jumping mechanism to mediate these behaviours: namely the synchronous activation of its middle and hindlegs. Electrophysiological recordings from muscles or nerves in pairs of middle and hindlegs show remarkably synchronous activity during fictive jumping, supporting the synchronous activation hypothesis.Harpegnathos is not the only ant to jump, and a cladistic analysis suggests that jumping behaviour evolved independently three times during ant evolutionary history.

domingo, abril 15, 2007

Dia do Beijo


OK, OK, eu sei que esta notícia parece óbvia. Mas fica aqui o registro do Dia do Beijo, sexta-feira passada.


Beijar pode ser alívio rápido para depressão
Terapeuta britânica diz que beijar estimula o bem estar de forma fácil e rápida. Segundo ela, o beijo é um dos primeiros a serem deixados de lado nas horas difíceis.

Marília Juste, do G1:

Anda deprimido? A vida não sorri para você? Está vivendo problemas conjugais? A britânica Denise Knowles tem a resposta: beije na boca. Para a terapeuta e sexóloga do instituto terapêutico Relate, do Reino Unido, o beijo pode ser uma das maneiras para combater a depressão. Infelizmente, no entanto, ele, que faz tão bem, costuma ser uma das primeiras coisas a serem deixadas de lado nos momentos difíceis.

Embora nos casos de depressão clínica, o acompanhamento médico e a medicação não possam ser dispensados, Knowles afirma que o beijo pode ser uma maneira fácil e rápida de obter um pouco de bem-estar a curto prazo. Isso porque beijar, como qualquer atividade física, ativa a liberação de endorfinas no cérebro, substância ligada às sensações de prazer. E beijar é muito mais interessante que correr na esteira.

Para o psicólogo e pesquisador da Universidade de São Paulo Thiago de Almeida, a proposta da terapeuta faz todo o sentido. “A endorfina é o antídoto da depressão e tudo que estimula sua produção vai ajudar a reverter quadros depressivos”, afirmou ele ao G1. Segundo o psicológo, além do efeito físico, há também um potencial positivo psicológico. “O contexto do beijo na nossa cabeça tem a ver com o amor e relacionamentos amorosos. Mesmo hoje em dia, quando jovens beijam sem envolvimento, ainda assim ele está ligado ao amor e esse sentimento tem o poder de recuperar o bem-estar de alguém.”

Apesar disso, no entanto, o beijo é uma das primeiras ‘atividades’ a serem abandonadas em momentos de crise. “Nosso tempo de lazer está cada vez mais contado, o que diminui o número de horas que os casais passam juntos,” diz Denise Knowles. “Beijar pode ser tão recompensador quanto o sexo e é muito mais fácil e rápido de fazer tanto em casa quanto em público”, diz ela. Para Thiago de Almeida, o ato de beijar, e o próprio amor, têm sido cada vez mais relegados, criando pessoas mais infelizes. “Hoje em dia, admitir o amor muitas vezes é visto como sinal de fraqueza. Queremos sempre que o outro ame mais, que esteja em nossas mãos,” diz ele. “É preciso beijar mais para sermos mais felizes”, aconselha.

sexta-feira, abril 13, 2007

WHAT'S NEXT?


Contam que o matemático Paul Erdos costumava vira e mexe chamar seus desafetos de facistas. Um dia, xingou até um gato de facista. "Mas como um gato pode ser facista?", lhe perguntaram. Ele respondeu: pergunte a opinião do rato...
LEFT VERSUS RIGHT
defined the 20th
WHAT'S NEXT?


100 Prospect contributors answered our invitation to respond to the question on the left in no more than 250 words. An edited selection of their responses is printed here — the rest are on our website. (Thanks to John Brockman for allowing us to borrow his Edge website idea). The pessimsm of the responses is striking: almost nobody expects the world to get better in the coming decades, and many predict it will get much worse.


Anthony Giddens, sociologist

“The future isn’t what it used to be,” George Burns once said. And he was right. This century we are peering over a precipice, and it’s an awful long way down. We have unleashed forces into the world that it is not certain that we can control. We may have already done so much damage to the planet that by the end of the century people will live in a world ravaged by storms, with large areas flooded and others arid. But you have to add in nuclear proliferation, and new diseases that we might have inadvertently created. Space might become militarised. The emergence of mega-computers, allied to robotics, might at some point also create beings able to escape the clutches of their creators. Against that, you could say that we haven’t much clue what the future will bring, except it’s bound to be things that we haven’t even suspected. Twenty years ago, Bill Gates thought there was no future in the internet. The current century might turn out much more benign than scary. As for politics, left and right aren’t about to disappear—the metaphor is too strongly entrenched for that. My best guess about where politics will focus would be upon life itself. Life politics concerns the environment, lifestyle change, health, ageing, identity and technology. It may be a politics of survival, it may be a politics of hope, or perhaps a bit of both.


Todd Gitlin, sociologist

The coming cleavage is between zealots and realists. Zealots think the world will yield to their strenuous, righteous will. These include Islamists, utopian free traders, neoconservatives, purists of all stripes. Realists think that you work with the world you have, not the world you wish you had. Realists are often greyer, more lethargic. They look for non-zero-sum games, buildings constructed from crooked timbers. Zealots are, well, thrillingly zealous about their final solutions.

Esquenta o clima mundial nos blogs


A percentagem de posts relativos ao aquecimento global está aumentando, segundo o Blogpulse. As pequenas oscilações são semanais. Qualquer comentário, colocar na Roda de Ciência.

Sunshine

Confira aqui uma resenha da New Scientist.

SÃO PAULO (Reuters) - "Sunshine -- Alerta Solar", estrelado pelo irlandês Cillian Murphy, é uma ficção científica com toques filosóficos e metafísicos, que tenta (e muito) remeter ao clássico "2001 -- Uma Odisséia no Espaço", de Stanley Kubrick.
Murphy estréia neste final de semana outro filme no Brasil, o drama político "Ventos da Liberdade", de Ken Loach.
Dirigido por Danny Boyle ("Trainspotting", "Extermínio"), "Sunshine" também recorre a um mito grego e se revela uma fábula moral.
O nome da espaçonave em que viajam os personagens é Ícaro II -- em uma referência à lenda grega do rapaz que se encantou com o sol e voou para muito próximo dele, teve as asas de cera derretidas e acabou morrendo.
Desde a primeira cena, "Sunshine" destaca que o sol não é apenas um astro, é também um elemento que seduz seus personagens. Um homem dentro da nave espacial olha encantado a estrela, enquanto um narrador diz que o sol está morrendo e que ele e sua equipe foram enviados para uma tentativa de reavivá-lo, que é vital para a sobrevivência da Terra.
Dentro da nave, há uma equipe formada por oito pessoas das mais diferentes origens e experiências, desde um psicólogo Maori (Cliff Curtis) até um capitão japonês (Hiroyuki Sanada), passando por um físico irlandês (Cillian Murphy), uma piloto norte-americana (Rose Byrne) e uma botânica chinesa (Michelle Yeoh, de "Memórias de uma Gueixa").
O confinamento e os pequenos sacrifícios em favor de um bem maior fazem lembrar o Big Brother (o programa da TV, e não o de George Orwell). Além de reativar o sol, a tripulação deve descobrir o que houve com Ícaro I, a nave que tinha a mesma missão deles, mas foi perdida ao longo da jornada.
Boyle e seu roteirista, o escritor inglês Alex Garland (autor de "A Praia"), deixam claro que estão em busca de algo bem maior do que explorar as diversões comuns ao gênero de ficção científica.
Aqui, eles buscam combinar explosões e correrias com questionamentos filosóficos e metafísicos -- o que dá mais densidade ao filme. A bordo da nave também está o computador Ícaro, que com sua voz doce e feminina mais parece uma descendente de Hal, de "2001".
Se o roteiro começa a ficar confuso em sua última parte -- com a introdução de um novo personagem e a soma de um novo gênero, o terror -- os efeitos visuais nunca perdem a expressividade. A trama, porém, vai deixando de lado o equilíbrio de sua primeira hora para se tornar apenas um filme de perseguição e sustos.
(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)

quarta-feira, abril 11, 2007

Prêmio enviado hoje, com algum atraso


Gustavo,


Acabei não achando o meu Clãs da Lua Alfa, por isso vai outro do Philip K. Dick, surpresa.


Olá


Tudo Bem Prof. Osame? Gosto muito do seu blog, principalmente das noticias de ciencia brasileira (Briga de cientistas no brasil essa rende) e mundial e dos antigos posts sobre ficçao cientifica. Mesmo gostando muito de ciencia (principalmente neurociencia) fico boiando nos textos sobre redes exitaveis de neuronios e caminhadas deterministas...bom mas toh te mandando esse email pq soh eu o visitante 24000 (tem ateh uma ss ai mostrando o ocorrido) e eu irei ganhar um PKD uhuuuuu :).

Abraço
Gustavo Parfitt

O visitante 24.500 ganhará um livro do Stanislaw Lem!



OK, OK, ainda reciclando posts.



Eu sei que a grana do SEMCIÊNCIA está curta (afinal, este blog não tem patrocínio) mas isso não é motivo para que você, caro leitor, não reivindique seu prêmio na promoção "Aniversário do SEMCIÊNCIA". Até agora, os leitores número 23.000 e 23.500 não apareceram! Quanto ao Mauro Copelli e a Juliana do Valle, já devem ter recebido os livros (sim, ok, o livro foi por carta comum tipo "impresso", não foi por SEDEX, claro). Já para o Gustavo Parfitt, visitante 24.000, estou mandando amanhã...

Como eu acho dificil que os leitores desaparecidos apareçam, vou estender a premiação até o leitor 25.000


Preste atenção no contador ai na barra lateral, estamos chegando hoje no 24.500!

Premiação:

Leitor número 24.000: Algum livro do Philip K. Dick que estiver sobrando por aqui.
Leitor número 24.500: "Congresso Futurológico" de Stanislaw Lem
Leitor número 25.000: "Os Despossuídos" de Ursula K. Le Guin.

Fotos: Para quem não conhece, é o Lem e o PKD.

Ciência É Cultura


Localizado um novo blog de ciência: Ciência É Cultura, assim mesmo, com É maíusculo, do jornalista científico Igor Zolnerkevic. A conferir aqui.
Ali tem links também para sites de FC. Ufa, até que enfim, eu andava achando que jornalista científico não gosta de ficção científica...
Para degustação:

O artigo científico que inspirou minha última matéria apareceu em um periódico online publicado pela fundação sem fins lucrativos PLoS (Public Library of Science). O conteúdo dos periódicos da PLoS são de acesso livre. No lugar de “copyright”, há a lincença Criative Commons, que permite ao usuário copiar, distribuir e utilizar a obra desde que seus fins não sejam lucrativos e que cite os autores originais.

Um que levanta a bandeira do Criative Commons é o webguru e escritor de ficção científica Cory Doctorow. Doctorow publicou todos seus romances e contos no esquema da Criative Commons. Qualquer um pode baixar suas obras de graça, em seu website. Em artigo na Forbes, Doctorow estimula outros a fazerem o mesmo, afirmando que, se isso afetou as vendas nas livrarias, provavelmente foi aumentando a procura por suas obras.

terça-feira, abril 10, 2007

InfoNeuro


OK, OK, sim, eu sei que não devia ficar participando de n blogs consumidores de tempo. Mas este novo blog será mais de responsabilidade do Roque, do Dráulio e do Zedy. Infoneuro chegou para ficar, um blog especializado em Neurociência Computacional mas que comenta notícias de neurociências em geral (porque ninguém é de ferro, não é mesmo?)


OK, eu sei que precisamos de um nome melhor e de um visual melhor, estamos providenciando isso. Mas, mesmo assim, nesta fase beta, você já pode acessá-lo aqui. Eis o primeiro post:

Olá, seja benvindo. Estamos iniciando o InfoNeuro, um blog especializado em Neurociência Computacional (referências: aqui e aqui).

Nossa Missão: Divulgar a Neurociência Computacional no Brasil e em outros paises de língua portuguesa. Ser um ponto de encontro para pesquisadores dessa área em todo o Brasil. Criar uma barra lateral com links apontando para outros blogs, sites, livros, revistas, congressos e workshops da área, visando um acesso rápido para estudantes e pesquisadores.

OK, sabemos que nosso público será pequeno se nos restringirmos apenas à neurociência computacional. Sendo assim, também serão comentadas aqui notícias, artigos, livros e filmes com temas relacionados às neurociências, neurobiologia, neuropsicologia, neuropsiquiatria, neuroengenharia, neurofilosofia e talvez até neuroteologia!



Knut, Knut, Knut


Urso polar Knut vira marca registrada na Europa

da France Presse, em Berlim

Ele virou capa de revista e atrai a cada dia milhares de fãs. Sua história virou tema de canções e suas fotos estampam camisetas e pôsteres. Knut, um bebê de urso polar, transformou-se em ídolo número um do momento e astro inconteste do zoológico de Berlim.

O sucesso é tanto que o zôo registrou o nome Knut como marca comercial, pois é um atrativo para as vendas: agora, há caramelos, dois CDs em sua homenagem e sua foto estará em breve em cartões de crédito de um banco berlinense.

Rejeitado pela mãe ao nascer, em 5 de dezembro passado, e alimentado desde então com mamadeira por funcionários do zôo, o adorável bichinho tinha tudo para conquistar o público, mas desde sua primeira aparição, em 23 de março, despertou uma verdadeira paixão.
Naquele dia, 500 jornalistas, entre os quais uma centena de funcionários de emissoras de televisão de todo o mundo, se espremeram em frente ao recinto onde Knut mora para vê-lo brincar.

Desde então, a loucura pelo ursinho se espalhou pelo país e pelo mundo. A edição alemã da revista "Vanity Fair" pôs o ursinho na capa, com a legenda: "eu, Knut, astro mundial surgido na Alemanha". Na semana passada, a capa da revista foi dedicada à chanceler alemã, Angela Merkel.

No zoológico, o recinto onde o ursinho mora atrai cada vez mais pessoas entre as 11h e as 12h e, depois, entre as 14h e as 15h, quando o astro dá o ar de sua graça.

Em meio a uma gritaria impressionante, as crianças, nos ombros dos pais, fotografam o ursinho com seus telefones celulares, enquanto os adultos sobem nos banquinhos levados especialmente para poder vê-lo melhor. Até mesmo os idosos se derretem.

"É tão bonito, tenho vontade de pegá-lo nos braços", disse Inge, uma berlinense de 75 anos, que foi ao zôo "especialmente por Knut". As crianças, é claro, não agem diferente.

"É adorável, parece um ursinho de pelúcia", contou Paulina, de 10 anos, que veio com a família desde a região de Dortmund (oeste) para passar férias na capital alemã e convenceu sua mãe a levá-la a um passeio no zôo.

"Para minhas filhas, é um grande dia. Em casa só falam de Knut e cobriram as paredes do quarto com suas fotos", disse Robin Hoeher, de 37 anos, ao lado de Toyah e Leonie, de 5 e 8 anos.

A "knutmania" também tem seu lado comercial. Em março, a freqüência do zoológico dobrou com relação a março de 2006, com 200 mil visitantes, e uma loja especialmente montada perto do recinto do ursinho vende camisetas, cartões postais e, sobretudo, ursos de pelúcia.

"Até meados do ano ou no mais tardar, no fim do ano, esta loucura possivelmente terá acabado", prevê Andre Schüle, um dos veterinários do zoológico.

"Em dezembro, Knut pesará entre 80 e 100 quilos e se tornará perigoso para seus tratadores. Ele não será mais um adorável ursinho de pelúcia", afirma.

Evolução para todo mundo


Published: April 8, 2007

This is a book of tall claims about evolution: that it can become uncontroversial; that the basic principles are easy to learn; that everyone should want to learn them, once their implications are understood; that evolution and religion, those old enemies who currently occupy opposite corners of human thought, can be brought harmoniously together.

Can these claims possibly be true? Isn't evolution the most controversial theory the world has ever seen? Since it's a scientific subject, isn't it hard to learn? If the implications are benign, then why all the fear and trembling? And how on earth can the old enemies of evolution and religion do anything other than come out of their opposite corners fighting?

I might be an optimist, but I am not naive. Allow me to introduce myself: I am an evolutionist, which means that I use the principles of evolution to understand the world around me. I would be an evolutionary biologist if I restricted myself to the topics typically associated with biology, but I include all things human along with the rest of life. That makes me an evolutionist without any qualifiers. I and my fellow evolutionists study the length and breadth of creation, from the origin of life to religion. I therefore have a pretty good idea of what people think about evolution, and I can report that the situation is much worse than you probably think. Let me show you how bad it is before explaining why I remain confident about accomplishing the objectives of this book.


Para ler mais, clique aqui no NYT.

segunda-feira, abril 09, 2007

Doação


E-mail recebido da diretoria da FFCLRP:


Prezados colegas,

Em 12 de fevereiro de 2006 vários alunos da FFCLRP sofreram um lamentável acidente na Universidade Estadual de Londrina. Alguns perderam a vida e outros tiveram parte da perna amputada. Num primeiro momento, a Reitoria da USP, através do Gabinete da Reitora, informou que a Direção da FFCLRP tomasse as providências para que os alunos recebessem o tratamento adequado.

Entretanto, com o passar do tempo, fomos informados pela RUSP que, em caráter absolutamente excepcional e em atenção aos alunos acidentados durante o evento em Londrina, os alunos foram transferidos para o hospital as clínicas de RP, acompanhados de seus familiares e foram liberados recursos para pagamento de despesas emergenciais, tanto dos alunos como de seus familiares que não residiam em RP, liberação esta que não seria mais possível, uma vez que a legitimidade para o pagamento de despesas seria do causador do danos, que até o momento não se sabe qual é, ou o ressarcimento de danos seria dos alunos que foram vítimas no acidente, os quais poderiam fazê-lo de forma administrativa , ou judicialmente, requerendo indenização por danos morais e materiais ao autor do dano. Assim, foram cessados os pagamentos de qualquer despesa.

Enquanto isso, várias tentativas foram feitas junto à UEL, para o reembolso das despesas pagas e também para o pagamento das próteses para os alunos, no que não tivemos sucesso. Até então, haviamos conseguido a liberação de recursos para o pagamento da prótese de um dos alunos e, quando de nossa solicitação à FUSP, para o pagamento da prótese para a aluna Claire, recebemos a informação da RUSP sobre a cessação da liberação dos recursos.

Desta forma, solicitamos a colaboração de toda a comunidade para que possamos angariar recursos (R$3.000,00) para o pagamento de parte da prótese para a srta. Claire, nossa aluna de Ciências Biológicas. Conseguimos, junto ao revendedor do fabricante, o empréstimo de parte da prótese até que se consiga a indenização. Mesmo assim, é necessário o pagamento de uma peça da prótese, no valor de R$3.000,00.

A doação poderá ser feita na Diretoria da FFCLRP (bloco 1 - sala 3 - das 08h às 12h e das 13h30min às 17h30min).

Caso você possa colaborar, favor entrar em contato com a Diretoria da FFCLRP (
adm-diretoria@ffclrp.usp.br ramal 3670).

Agradecemos a colaboração.

A Direção
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto-USP-DIRETORIA FFCLRPAvenida dos Bandeirantes, 3900 - Bloco 1 - 14040-901 - Ribeirão Preto – SPFones: (16) 3602-3644 / 3602-3670 - Fone/fax: (16) 3633-2660E-mail:
adm-diretoria@ffclrp.usp.br / ffclrp@usp.br Homepage: http://www.ffclrp.usp.br

A direita anti-ciência

Não é apenas a esquerda que é anti-ciência. A direita também. Nós, cientistas, estamos ferrados...


A direita tacanha


Pedro Doria, do No Mínimo:


Quando Carlos Lacerda começava a falar, todo mundo escutava. Ele às vezes era rábico, alguns sugeriam até que desequilibrado. Mas se Lacerda falava, escutava-se. Governador da Guanabara, sozinho, dentro do pátio, impôs ordem num presídio que se rebelava. O homem, durante anos, encarnou a direita tupinambá.


Teve uma boa gente, uma gente respeitável, esta direita. Roberto Campos, por exemplo. Sujeito astuto, inteligente, de idéias claras. Podia-se discordar de tudo o que dizia, mas lá estava Bob Fields com seu sorrisinho ligeiro de quem se julga superior. E, bem, eram poucos que conseguiam argumentar com ele. Na imprensa, havia Paulo Francis, culto até dizer chega, por vezes leviano, um homem sensível e, para os de coração fraco, insuportável.


A seu modo, não faz muito, a direita brasileira contava com homens brilhantes. É verdade que havia aqueles generais – mas, mesmo dentre eles, sempre se podia pinçar um Golbery, o ‘gênio da raça’ como genialmente sugeriu Glauber Rocha. (Pois é: seus filmes podem deixar a desejar, mas era um grande frasista; também a esquerda teve homens melhores.)


Sobrou o quê?


Uma das qualidades da boa direita brasileira era que, dentre outras coisas, era cética. Não é preciso muito para imaginar prazenteiramente a piada que Francis escreveria se alguém lhe perguntasse o signo. Ou se sugerisse compor seu mapa astral. Mas é uma das modas correntes na direita tupinambá. São, como pode, astrólogos.


E, como astrólogos, têm sérios problemas com a ciência. Se uma turma da esquerda gosta de fazer pseudo-discursos que parecem – e não se sustentam além da aparência – sofisticados que envolvam mecânica quântica, a nova direita olha Einstein com assombro. Acreditam na bomba atômica mas acham o Big Bang esquisito. Gostam de dizer que Darwin ‘é só teoria’. E alguns, às vezes parece, acreditam mesmo que a Evolução é dúvida. Se o assunto é aquecimento global, então, aí é festa. A nova direita tem certeza de que o aquecimento global é coisa de comunista.
(Como sente falta dos velhos inimigos, os comunistas, a nova direita.)


Direita anti-ciência sempre houve. Era aquela turma mais tacanha, preconceituosa e, em geral, muito católica. Faz tempo. Hoje eles não são mais a classe-média que marcha com Deus pela liberdade. Hoje são libertários.


Não que sigam à risca o credo libertário, o laissez-faire deles tem limite. Pois, veja bem: liberdade para todos? Claro. Mas casamento homossexual é um pouco demais. Liberdade? Evidentemente. Mas aborto, de jeito nenhum, a mulher não manda em seu corpo e a vida é inviolável. Inviolável? Em termos, compreenda-se, nalguns casos o Estado pode decidir matar quem aprontou.
Timidamente, lá consigo, a nova direita quer o Estado mínimo (não tem dúvidas a este respeito) mas se a Igreja puder dar um jeitinho nas leis, assim de leve, bem que ajudava na lida com estes sem vergonhas.


A direita velha tinha uma qualidade excepcional que o velho Nelson Rodrigues incorporava como ninguém: o sarcasmo. Esta é uma qualidade que a nova direita manteve. Aquilo que a velha direita tinha e a nova não tem é a habilidade de rir-se de si mesma. Paulo Francis não escrevia tanto por convicção; escrevia pelas reações que sabia que despertaria dos bobos que o levavam a sério. A nova direita é sarcástica mas convicta de suas razões.


A turma convicta de que está certa é sempre a mais chata. Gente que não muda de idéia raramente tem algo a dizer.


A nova direita é tão incrivelmente triste que, fora uma meia dúzia de seguidores que amealha, não consegue qualquer representação política. Verdade: os seguidores falam alto; continuam poucos. E, cá entre nós, é só olhar em volta: a esquerda no poder é tão ruim que não deveria ser difícil desbancá-la em dois tempos. O povo brasileiro é conservador. Pintasse um novo Lacerda, seguiam rapidinho.


Mas Lacerda não há mais.


Publicado por Pedro Doria - 31/03/07 12:01 AM

sábado, abril 07, 2007

Curinga

Comentários do Curinga (biólogo brasileiro tenured nos EUA) sobre meu comentário no post "Promessas do Genoma" no blog do Marcelo Leite. Para registro. Está na ordem inversa, OK?

Curioso. Procurando uma ilustração para este post, o Google me levou para este livro ao lado. O comentário de alguem do IME-USP me fez ficar interessado. Valerá a pena usa-lo no meu livro?

Em O Dia do Curinga , o autor Jostein Gaardner nos conduz a uma visão semiótica de VIDA a qual é concebida como um jogo de cartas, um jogo de sorte, um jogo de azar. Porém, o autor não descarta a idéia de um DESTINO (lâminas do Tarot): as ações e as decorrentes emoções parecem estar intrinsecamente impulsionadas por um pré-destino, ou algo similar, onde as relações entre os personagens são dotadas de variáveis. No entanto, a fatalidade se faz sentir na conclusão da narrativa histórica. O destino já fora traçado aos personagens quando da manipulação das idéias, das ações e das conseqüentes emoções, onde o personagem fundamental é : - O Curinga.


[Curinga]
como elementos na decisão do tipo de arsenal terapêutico a ser usado em algumas doenças, como novos alvos em potencial para desenvolvimento de estratégias terapêuticas. É curioso ver como ela omite tudo isto para se ater exclusivamente à inadequação da estratégia usada, ridicularizando a ingenuidade de se procurar leis universais para explicar fenômenos díspares, ignorando que há um sem número de idéias sendo utilizados para abordar o problema da constru,cão e modelagem de sistemas biológicos complexos. Foi precisa a colocação do Osame de que tem gente que precisa de ocupar o nicho de polemicista para sobreviver, e Fox Keller é uma delas. Marcelo, o seu livro é excelente e (geralmente) fundamentado em argumentos sólidos e (sempre) honestos para alertar sobre o perigo de um ramo de ciência que se desenvolve sem freios e com estilo mercantilista. Mas você não bebe da fonte – de fácil acesso e abundante - que Keller usa para refrescar-se com falácias baratas a la Diogo Mainardi.

23/03/2007 13:20

[Curinga] [Evelyn FOX NEWS Keller]
Osame, nota 10! Há outro ponto sobre as argumentações de Evelyn Fox Keller que você educadamente não revelou: elas são de uma desonestidade incrível. Alguns dos insights mais excitantes em biologia nos últimos anos têm surgido da aplicação de modelos físicos e estatísticos que procuram dar ordem à complexidade de sistemas biológicos ou encontrar padrões escondidos nestes sistemas – ouve-se nomes como “Cadeias de Markov”, “Monte Carlo” em corredores que até 2-3 anos atrás só ecoavam palavras como ribossomo e citoplasma. O estabelecimento de arquiteturas de interações biológicas em ampla escala está na sua infância, e nenhum biologista, físico ou estatístico diria o contrário. Mas da sucessão de tentativas e erros experimentados já surgiram modelos suficientemente robustos revelando características antes insuspeitadas em vias metabólicas, de sinalização celular, de organiza,cão genômica. Várias destas marcas JÁ estão sendo usadas como armas diagnósticas para alguns tipos de câncer,

23/03/2007 13:20

[osame kinouchi] [osame@ffclrp.usp.br] [www.comciencias.blogspot.com]
Marcelo, recentemente postei algo sobre a Fox Keller no SEMCIENCIA, sobre o recente ensaio dela na Nature, dê uma olhada quando puder.

23/03/2007 11:51

Complexidade é simples!


Alexandre, que tal comprar este livro para dar para os estudantes lerem?

Uma resenha na Amazon:

26 of 27 people found the following review helpful:

The science of chaos and complexity explained clearly--FINALLY!!!, January 26, 2006
Reviewer:Stephen Pletko "Uncle Stevie" (London, Ontario, Canada) - See all my reviews
(TOP 1000 REVIEWER) (REAL NAME)
+++++

This book, by astrophysicist John Gribbin, gives us insight into the concepts of "chaos" and "complexity." Chaos occurs when a small change in the starting conditions of a process produces a big change in the outcome of that process. A complex system is one that is chaotic, and in which the way the system develops feeds back on itself to change the way it is developing.

Is there an order or a simplicity that underlies chaos and complexity? According to Gribbin, there is. He states, "the great insight is that chaos and complexity follow simple laws-essentially the same simple laws discovered by Isaac Newton more than three hundred years ago." Gribbin goes on to make this startling statement:

"Chaos begets complexity, and complexity begets life."

So what is the theme of this book? Answer: "It is the simplicity that underpins complexity, and thereby makes life possible, that is the theme of this book."

The first three chapters tell us about Chaos. They are titled as follows:

(1) Order (or simplicity) out of chaos
(2) The return of chaos
(3) Chaos out of order

The next chapter introduces another important concept. It's titled:

(4) From chaos to complexity

The next two chapters introduce and discuss the most complex system of all. They're entitled:

(5) Earthquakes, (mass) extinctions, and emergence (of life)
(6) The facts of life

The final chapter looks into the biggest question facing science today: "Is there life beyond Earth, elsewhere in our Solar System, or out in the Universe at large?" The title of this chapter is:

(7) Life beyond

Throughout the book, Gribbin reveals how these revolutionary theories of chaos and complexity have been applied over the last two decades to explain all sorts of different, seemingly unrelated phenomena: from traffic jams and the stock market to weather patterns, the formation of galaxies, and the evolution of life. To make the book even more readable and interesting, all these ideas are put in their proper historical context.

There are over 35 illustrations (in the form of graphs, diagrams, etc.) that I found were helpful in visually describing key concepts.

There is also a short but invaluable glossary that I found to be very beneficial. In fact, it is from here that I obtained the above definitions of chaos and complexity.

Who is this book written for? I would say anybody interested in chaos and complexity. However, because Gribbin includes a wide range of scientific disciplines-from biology to physics and computing, meteorology to cosmology-I would recommend having a general scientific background. As well, knowledge of basic mathematics would help.

Finally, the only problem I had with this book is that each chapter is written as one, long narrative with no breaks. I feel that it would have been beneficial to have each chapter divided into subsections to ease reading.

In conclusion, this is a well-written book on what can be a difficult subject. If you want to learn the principles behind chaos and complexity, then this is the book to read!!

(first published 2004; acknowledgements; list of illustrations; introduction; 7 chapters; main narrative 250 pages; glossary; references; index)

Michele



OK, OK, concordo. É melhor colocar aqui a Michele Pfeiffer do que a JZKnight.

Recomendo:

The Russia House (1990)

Se não me engano, um dos heróis era um físico que namorava a Michele Pfeiffer... Hummmm :')

Three notebooks supposedly containing Russian military secrets are handed to a British publisher during a Russian book conference. The British secret service are naturally keen to learn if these notebooks are the genuine article. To this end, they enlist the help of the scruffy British publisher Barley Blair, who has plenty of experience with Russian and Russians. Barley, an unconventionaly character who doesn't respond well to authority, finds himself in a game more complex than he first thought when he digs into the origin of the notebooks. Written by Murray Chapman

O Clima mudou



Parece que vai ocorrendo um clima de mudança sobre a questão da mudança de clima (OK, OK, desculpem o horrível trocadilho, não resisti). Aqui, gostaria de enfatizar algo que coloquei em um comentário no Roda de Ciência. Me parece que dado a complexidade e presença de inúmeros laços de feedback, aparecimento de bifurcações devido a processos não lineares, etc, realmente a única coisa que pode se fazer, cientificamente, é propor (e melhorar) cenários de mudança climatica. Ou seja, não será possivel nunca se chegar a um consenso científico: o consenso não pode ser um pré-requisito para a ação.

Mas você, leitor, já está acostumado com isso. A meteorologia é tão complexa quanto a economia, mas isso não implica que os governos e as pessoas caiam no laissez-faire simplesmente porque não podem prever seus rumos. Você faz seguros, faz poupança, se prepara para dias onde o "clima da sua vida" irá mudar. Os governos fazem politicas econômicas, industriais, sociais etc. Mesmo na ausença de consenso. Mesmo quando os cenários não são unânimes entre os economistas. Pois você tem que agir baseado na melhor informação disponível, não na verdade absoluta (coisa que não existe em ciência).

Sem dúvida, um "clima" de alarmismo (desculpem de novo) também pode ser prejudicial, por jogar as pessoas ou no ceticismo ou na resignação sem esperança (as pessoas, especialmente os céticos, passam convenientemente de uma atitude a outra). Por outro lado, a teoria de decisão estatística diz que é melhor acreditar em um falso positivo do que um falso negativo. Este é o dilema, que todos enfrentamos no dia a dia: se alguém grita "FOGO!" no seu prédio, você pega suas coisas e sai correndo ou fica esperando por um consenso científico sobre o tema?

Published: April 7, 2007

In its most detailed portrait of the effects of climate change driven by human activities, the panel predicted widening droughts in southern Europe and the Middle East, sub-Saharan Africa, the American Southwest and Mexico, and flooding that could imperil low-lying islands and the crowded river deltas of southern Asia. It stressed that many of the regions facing the greatest risks were among the world’s poorest.

And it said that while limits on smokestack and tailpipe emissions could lower the long-term risks, vulnerable regions must adjust promptly to shifting weather patterns, climatic and coastal hazards, and rising seas.

Without such adaptations, it said, a rise of 3 to 5 degrees Fahrenheit over the next century could lead to the inundation of coasts and islands inhabited by hundreds of millions of people. But if steady investments are made in seawalls and other coastal protections, vulnerability could be sharply reduced.

The group, the United NationsIntergovernmental Panel on Climate Change, also noted that the climate shifts would benefit some regions — leading to more rainfall and longer growing seasons in high latitudes, open Arctic seaways and fewer deaths from the cold.

The 1,572-page report, finished here on Friday, was prepared by more than 200 scientists, and a 21-page summary was endorsed by officials from more than 120 countries, including the United States.

The conclusions came after four days of revisions by scientists and then an often rancorous all-night debate with government officials. In a sign of shifting geopolitics on global warming, scientists who worked on the report criticized China for weakening some language in the summary, while they credited the United States, which had for years stressed uncertainty in the science, with playing a mostly constructive role.

The panel, which has tracked research on global warming since it was created under United Nations auspices in 1988, has sometimes been criticized for allowing governments to shape the summaries of its periodic reviews of climate science.

But by many accounts, it remains the closest thing to a barometer for tracking the level of scientific understanding of the causes and consequences of global warming. In February, the panel released its fourth summary of basic climate science, concluding with 90 percent certainty that humans were the main cause of warming since 1950.

The new report, focusing on the effects of warming, for the first time describes how species, water supplies, ice sheets and regional climate conditions are already responding to the global buildup of heat. While the report said that assessing the causes of regional climate and biological changes was particularly difficult, the authors concluded with “high confidence” — about an 8 in 10 chance — that human-caused warming “over the last three decades has had a discernible influence on many physical and biological systems.”

At a news conference here, Martin Parry, the co-chairman of the team that wrote the new report, said widespread effects were already measurable, with much more to come.

“We’re no longer arm-waving with models,” he said. “This is empirical information on the ground.”

Reports from the panel are released only every half-decade or so, and this year’s suite of three studies — on basic science, the effects of warming, and options for cutting emissions — are likely to guide policymakers for years to come.

Para continuar, clique aqui. Esta postagem pertence à Roda da Ciência. Clique aqui para colocar comentários.

sexta-feira, abril 06, 2007

Quem são eles?


Não aguento mais as pessoas perguntarem o que achei do filme "Quem somos nós?". Assim, tomando emprestado um post do Dragão na Garagem, vou aqui divulgando "Quem são eles". Talvez em uma crítica eu não fosse tão ácido quanto o Widson Porto (afinal, o filme apenas sinaliza o vazio espiritual das pessoas, que alguns querem preencher com vazio quântico), mas o post do Widson é bastante informativo. Além do mais, se até o místico Ken Wilber achou o filme picareta, quem sou eu para discordar, não é mesmo?


Antes de se perguntar quem somos nós, você deveria perguntar quem são as pessoas que fizeram esse filme. Porque isso pode afetar completamente a experiência de assisti-lo.Um dos principais narradores de “Quem Somos Nós?” é Ramtha, o espírito de um guerreiro da Lemúria. Preste atenção: a pessoa que vai falar pelos próximos 90 minutos com você sobre Biologia, Neurologia e Física Quântica é o espírito de um guerreiro que viveu em um continente mitológico há 35.000 anos, canalizado por um médium! Não sei quanto a você, mas se algum dos meus professores tivesse apresentado essas credenciais no primeiro dia de aula eu teria me retirado da sala e da universidade. Para evitar que você faça o mesmo no cinema essa preciosa informação somente é revelada no encerramento do filme, já nos créditos finais, o que é uma trapaça danada se você pensar bem.

O médium que canaliza Ramtha no filme é a mulher loira conhecida pelo pseudônimo de JZ Knight. Segundo ela Ramtha, um espírito iluminado que, tal qual Jesus, ascendeu aos céus depois de sua morte, se manifestou pela primeira vez na cozinha da sua casa em 1977. De lá para cá, a mulher fundou uma seita, a Ramtha School of Enlightenment e passou a faturar milhões em seminários, cursos, livros, fitas e bibelôs sobre os ensinamentos de Ramtha. Como JZ possui o copyright sobre Ramtha, é pouco provável que o espírito se manifeste para outro futuro milionário por um bom tempo (será que alguém já registrou o domínio intelectual sobre o Dr. Fritz?). Ah sim, por coincidência os produtores e os três diretores de “Quem Somos Nós?” são membros da seita de Ramtha. Você sabe o que isso significa, certo? Que “Quem Somos Nós?” é simplesmente um longo comercial sobre uma lucrativa seita que promove a crença em reencarnação, continentes lendários, UFOS e outras bobagens esotéricas. Se você está apto a aceitar isso será mais um expectador feliz desse filme; na verdade, depois dele, pode até ingressar na seita.

Outro falante em “Quem Somos Nós?” é Jeffrey Satinover. Jeff é um médico que acredita que a homosexualidade é uma doença e que ele tem a cura (http://www.satinover.com/main.htm clique no link “homosexuality”). Além de afirmar que o homosexualismo é um mal psiquiátrico que pode ser tratado com antidepressivos, Satinover afirma que o liberalismo causa danos cerebrais. De acordo com um artigo exposto em seu site (use o link "liberalism"), Satinover acredita que...
“...é possível que dos mais ou menos 70% que apoiaram, digamos, Bill Clinton, uma parte substancial sofresse de retardadamento mental como resultado da influência liberal das universidades e da mídia” Ou seja, basicamente este homem, que logo falará conosco sobre física quântica, consciência global e paz mundial, está dizendo que se você está contra Bush provavelmente é um retardado mental. Se você ainda por cima for gay isso quer dizer que é doente e retardado mental. Não vamos nem mencionar que Satinover também mantém links para sites que tratam do Código da Bíblia (a crenca pseudocientífica de que a Bíblia traz criptografadas previsões sobre o futuro da humanidade).

Temos ainda em “Quem Somos Nós?” o físico PhD, John Hagelin. Hagelin é físico téorico com importantes trabalhos publicados na área das supercordas, embora sua última contribuição decente para a ciência tenha sido em 1994. Desde então Hagelin envolveu-se cada vez mais com a Meditação Transcedental, técnica do guru indiano que-diz-que-pode-levitar-mas-que-ninguém-nunca-viu-levitar Maharishi Mahesh Yogi do qual Hagelin é discípulo, assim como o foram os Beatles. Suas sucessivas tentativas de incorporar o misticismo oriental em suas teorias físicas o deixaram à margem da comunidade científica e o afastaram de seus ex-colaboradores. Seu mais notável trabalho desde então foi um estudo sobre como a meditação coletiva diminuiu a criminalidade na cidade de New York. Por este trabalho irreprodutível Hagelin foi laureado do prêmio Ig Nobel da Paz, uma paródia do prêmio Nobel. Hagelin foi quatro vezes candidato à presidência dos EUA; hoje preside o Instituto de Ciência, Tecnologia e Política Pública da Universidade Maharishi, uma universidade nova-era fundada por seu guru.

Completando o time de "Quem Somos?" vêm o quiroprático Joe Dispenza (só para esclarecer: a quiroprática é uma pseudomedicina sem nenhuma comprovação científica) e Michael Ledwith, ex-quase arcebispo de Dublin, Irlanda. Michael, que mudou seu nome para Miceal, foi afastado da Igreja Católica por defender a tese de que Jesus Cristo tinha um irmão gêmeo idêntico (embora possa ter colaborado para seu afastamento o fato de ter sido acusado de abusar sexualmente de um jovem seminarista, caso que foi resolvido mediante um populdo acordo financeiro). Autor do livro “O Universo Hamburger” (não, eu não estou inventando) Ledwith ministra o curso “Além do Código Da Vinci - Revelando a Vida Quântica de Jesus”, unindo de maneira inacreditável dois dos mais lucrativos filões em voga atualmente. Ambos são discípulos do culto Ramtha, embora isso não seja revelado nos créditos do filme.

Quem também aparece no filme é o físico David Albert, professor na universidade de Columbia, nos EUA. David é um físico respeitável com credenciais sólidas. Por isso ficou chocado ao ver como as entrevistas que deu foram editadas de maneira a dar a entender que coaduna com as opiniões místicas dos produtores do filme:
Eu fui editado de maneira a suprimir completamente meus verdadeiros pontos de vista sobre o assunto que o filme trata. Eu sou, na realidade, profundamente contrário às tentativas de unir física quântica a consciência. Mais ainda, eu expliquei tudo isso, com grandes detalhes, em frente à câmera, para os produtores do filme. Se eu soubesse que eu poderia ser tirado do contexto tão radicalmente eu com certeza não teria aceitado participar do filme.
Um ex-padre que pregava o evangelho do irmão gêmeo de Jesus, um médico que quer curar os gays e acha que os liberais são retardados mentais, outro que exerce uma terapia não reconhecida pela ciência, um físico praticante de levitação, um cara morto há 35.000 anos baixando em uma dona loira e, em má companhia nesta turma, um físico sério enganado pelos discípulos de uma seita maluca.

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