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quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Psicofísica da Compaixão


Encontrei um novo blog com posts gerais, fotos da Angelina Jolie adolescente e também divulgação científica: 100nexos, do Kentaro Mori. Retiro dali um trecho do interessante post sobre psicofísica da compaixão:

Se eu olho para uma massa [de pessoas], nunca tomarei uma atitude. Se olhar para apenas uma, sim“. A frase de Teresa de Calcutá é citada pelo psicólogo Paul Slovic em seu paper “If I Look at the Mass I Will Never Act” (PDF) sobre o paradoxo da compaixão humana: “A maior parte das pessoas se importa e fará grandes esforços para salvar vítimas individuais cujo apelo lhe alcance. As mesmas boas pessoas contudo não raro se tornam indiferentes ao apelo de indivíduos que são ‘um entre muitos’ de um problema muito maior. Por que isto ocorre? A resposta a esta questão nos ajudará a responder a questão relacionado que é o tópico deste paper: Por que, ao longo do último século, boas pessoas repetidamente ignoraram assassinatos em massa e genocídios? (…) Isso requer explicações que podem refletir uma deficiência fundamental em nossa humanidade — uma deficiência que, uma vez identificada, talvez possa ser superada”.

Para ler mais, clique aqui.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Lily Safra


Ok, ok, deixa eu continuar minha série de posts sobre o Simpósio do IINN-ELS. Eu estava aqui verificando no Google se tinha escrito o nome de Lily Safra direito (não tinha, eu havia posto Lili) quando apareceu esta reportagem sobre as 200 mulheres mais ricas do mundo.

Como eu já mostrei num post anterior que se perdeu, os ricos são diferentes, ou seja, a estatística dos mais ricos segue uma lei de Pareto muito equalitária, muito socialista podemos dizer: o primeiro colocado possui apenas 10 vezes mais do que o centésimo colocado, em contraste com as leis de potência para a população geral, que são muito mais desigualitárias. Eu não entendo de onde vem esse socialismo dos bilionários, deve ser do fato de que eles tem poder suficiente para não deixar que todo o capital fique na mão de apenas alguns poucos.

Aprendi nessa reportagem que Lily Safra é brasileira de verdade, gaúcha, ou seja, suas atividades filantrópicas não advém dela ter sido criada em uma cultura diferente da nossa. Isso dá um ânimo, uma esperança de que nossa elite, um dia, esteja competindo para mostrar quem faz mais filantropia do que mostrar quem faz o casamento mais chique ou a festa de aniversário do cachorro mais cara.

Mas o que quero deixar registrado aqui foi o fato inesperado (para mim, certamente não para quem conhece Lily) de que ela não apenas esteve presente na cerimônia de inauguração do IINN-ELS mas sim que assitiu com paciência e interesse várias das palestras científicas. Achei muito curioso, na verdade aí sim minha admiração por essa senhora decolou!

As pessoas vivem desejando a imortalidade. Como a doação ao IINN-Edmond e Lyli Safra, os Safras se tornaram imortais, não porque fizeram a maior doação particular para um projeto desse tipo (eu espero e acredito que outras maiores virão) mas porque foram os primeiros que o fizeram de forma marcante (me desculpe se estou esquecendo filantropos anteriores, sei que eles existem). Eles deram o exemplo. Se outros brasileiros (não precisam ser bilionários, podem ser milionários apenas) também derem o exemplo, isso vai percolar pela sociedade inteira. Afinal, o exemplo vem de cima...

De um box da reportagem da Dinheiro:

“Não gosto de aparecer”

A “completamente brasileira” Lily Safra, como frisou à DINHEIRO, brilha em 11o lugar no ranking das mulheres mais ricas do planeta, elaborado pela revista inglesa Eurobusiness. Aos 64 anos, viúva do banqueiro Edmond Safra e dona da rede de lojas Ponto Frio, ela possui uma fortuna pessoal de US$ 4,7 bilhões. Radicalmente discreta, empenhada em patrocinar obras de caridade pelo mundo, circula pelos endereços em que têm propriedades: Nova York, Londres, Monte Carlo, Genebra, o sul da França e, claro, Paris, de onde, pelo telefone, concedeu esta rara entrevista:

DINHEIRO – A sra. gostou de estar na lista das mais ricas?
Lily Safra – Não gosto de ficar posando de milionária. Prefiro o meu cantinho, não sou uma mulher pública. Existem pessoas que gostam de publicidade e eu não critico, não tenho nada contra. Mas eu não estou procurando publicidade. Tem a questão dos netos, da segurança. Não gosto de ficar aparecendo. É contra os meus princípios.
DINHEIRO – A sra. já viu a revista?
Lily – Ainda não, mas vou ver se encontro por aqui, mandar comprar. Uma amiga comentou comigo que escreveram que eu sou inglesa.
DINHEIRO – O que a sra. achou?
Lily – Olha, eu sou completamente brasileira, gaúcha.


segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Voltando do Simpósio do IINN-ELS


Olá, blogando aqui em Recife, do Laboratório de Física Teórica e Computacional do DF-UFPe. Cheguei hoje de manhã vindo do Simpósio do Instituto Internacional de Neurociência de Natal Edmond and Lily Safra.

No final do Simpósio, Mauro me perguntou se havia valido a pena:

1. Bem, as palestras foram boas e mesmo ótimas. Eu até me senti um neurocientista, pois dava para entender a maioria delas...
2. Novos contatos, novas possíveis colaborações. Junto com um estudante de doutorado do Sidarta Ribeiro, o Wil, eu e o Mauro tentaremos fazer (ou pelo menos ajudar a fazer) modelos de migração de memórias do hipocampo para o cortex.
3. Também encontrei um psicólogo que trabalha com EMDR - Eye Movement Desensitization and Reprocessing. Se tudo der certo, talvez aquele paper não-publicado sobre Endocanabinoides, teoria de sonhos de Crick-Mitchison e extinção de memórias emocionais na amigdala venha a ser aproveitado.
4. Também conheci mais um pesquisador em neurociência computacional, o Leonel da UFSC, a ser convidado para um seminario em Ribeirão Preto.
5. Foi interessante ver pessoalmente o Henrique Meireles falar.
6. O tempo livre no Simpósio permitiu que Mauro, Leonardo e eu começassemos a escrever os artigos com os resultados da tese do Leo.
7. Descobri que neurocientistas também não dançam, mesmo todas aquelas meninas bonitas, de modo que meu complexo de físico ficou um pouco atenuado...
8. Nicolelis me disse que sim, tentará com firmeza manter seu blog no G1 ativo. Acho que isso é importante para o fortalecimento da blogosfera científica brasileira. Não que eu torça para o Palmeiras...

Bom, como sempre, as diárias que recebi não vão cobrir as despesas de hotel, taxi e alimentação. Vou ter que tirar dinheiro de casa, a Nice vai ficar brava comigo...

Depois coloco aqui uma lista das palestras, com comentários, para quem não pôde ir. E fotos, claro, se o Sameshima me mandar algumas...

Sim, valeu! Valeu, Miguel, Sidarta, Cláudio e equipe! Abraços a todos.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

As Máquinas do Prazer de Deus

Post mensal da Roda de Ciência. Por favor, deixe os comentários lá.

Como vocês devem ter notado (e me perdoar), este mês eu apenas coloquei aqui alguns posts sobre ciência e religião com material não original. É que eu pretendia escrever um post longo sobre a questão de que uma precondição para se ser um bom cientista seria o de ser ateu (uma afirmativa que acredito que Richard Dawkins endossaria).
Obviamente tal afirmativa é absurda por deixar muita gente boa de fora, desde Newton, Maxwell e Faraday até, na atualidade, o cosmólogo George Ellis (quaker) e mesmo meu avô em doutorado (o orientador do meu orientador), Barry Simon (judeu ortodoxo).

Mas fica para outra vez. Estou indo para o Simpósio do IINN daqui a pouco, não sei quando poderei blogar de novo. Fica aqui algo que escrevi um tempo atrás.

Não seremos nós as máquinas do prazer de Deus?

Poeta cujo nome não me lembro, citado por Ray Bradbury no livro As Máquinas do Prazer (The Machineries of Joy).


DENNIS OVERBYE, do New York Times:


DISPLAYING ABSTRACT - I was a free man until they brought the dessert menu around. There was one of those molten chocolate cakes, and I was suddenly being dragged into a vortex, swirling helplessly toward caloric doom, sucked toward the edge of a black (chocolate) hole. Visions of my father's heart attack .... There was one of those molten chocolate cakes, and I was suddenly being dragged into a vortex, swirling helplessly toward caloric doom, sucked toward the edge of a black (chocolate) hole. Visions of my father's heart attack (...)

Humpft! Meses atrás eu li este artigo por completo no NYT, mas agora ele está protegido e inacessível. O pessoal do CopyRight de jornal podia ser mais camarada, não?

Bom, o artigo do NYT era sobre o livre arbítrio, ou sua ausência, segundo alguns neurocientistas que talvez precisassem ler o artigo de Maxwell para perceber que a Física não é tão de terminista assim - na verdade, a Física contemporânea não é determinista de forma alguma, algo que parece que vai demorar décadas para o pessoal absorver...)

Acho que Maxwell está correto: ao contrário do que Sartre dizia, somos livres em apenas cerca de 0,1 por cento de nosso comportamento. É claro que isso faz uma grande diferença, pois é nesses pontos críticos que você decide a sua vida. Agora, tente provar que você é livre interrompendo o sexo com sua mulher... Não, amigos, somos todos cativos, a maior parte do tempo.

Então, acredito que não existe problema nenhum em uma religião como o judaismo e cristianismo primitivos sugerirem que somos máquinas, entes puramente materiais, que respiram ("ruah", vento, traduzido infelizmente por "espírito") e dependem essencialmente do sangue (traduzido do hebraico como "alma").

Somos todos cilônios! É isso o que a ciência diz. Ou "criaturas", como diz a Bíblia, feitas de humus ("homo") e que retornarão ao humus. E é por isso que os cilônios estão certos. Eles, como nós, somos as máquinas do prazer de Deus.

PS: Retiro o que eu disse em parte: aqueles soldados torturadores da Galactica não são nada humanos...

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Big Bang Brasil


Salvador Nogueira, do Mensageiro Sideral, escreveu uma divertida peça (teatral?) onde os participantes do BBB são Einstein, Friedman, Lemaitre, Hubble, Hoyle, Gamow, Dicke, Penzias e Smoot. Bom, metade dos leitores o críticou muito por usar o formato BBB, a outra metade elogiou sua criativiade em produzir um texto curioso que atinge um público bem maior que o usual. Como eu adoro ler lixo (livros de FC antigos), assistir filmes-lixo (qualquer FC que encontro em locadoras), séries-lixo (Friends, Galactica) etc, tudo visando a nobre arte de permanecer no mundo real em vez de se encastelar numa torre de marfim, é claro que fiquei do lado dos que elogiaram.




Coloco aqui um pedaço do texto e o link para posterior degustação.




Einstein - Você sabe, na relatividade geral eu costurei espaço, tempo, matéria, energia e gravidade, tudo no mesmo pacote. Aí, sabe como é, sem muita coisa para fazer aqui dentro da casa, decidi iniciar uma continha. Coisa simples, para flexionar os músculos cerebrais -- eu adoro malhar, sabe?

Bial - Noooossa... que conta foi essa, seu Einstein?

Einstein - Bem, decidi aplicar as equações da relatividade geral ao universo inteiro -- como se eu fosse calcular o que acontece com o cosmos todo se ele for representado pela minha teoria. E aí aconteceu uma coisa bem desconfortável.

Bial - Eita, esse alemão, viu...

Einstein - Pois é, o que minhas contas mostraram é que o universo não podia estar parado -- ele devia estar ou se contraindo, ou se expandindo.

Bial - Que absurdo, alemão!

Einstein - Concordo. Tanto que decidi mudar a teoria no ano seguinte para impedir isso, incluindo uma letra lambda nas equações, de modo a fazer com que o universo ficasse paradinho, do jeito que devia...

Friedmann - Mas alemão, as suas contas estavam certas! A equação original era a mais bonita, você deveria ter acreditado no que ela sugeria... eu mesmo conferi os cálculos.

Bial - Nossa, que polêmica, hein? Para resolver, vamos chamar agora um brother zen, o nosso monge... George Lemaître! E aí, George?

Lemaître - Fala, Bial!

Bial - Tudo bom aí?

Lemaître - Mais ou menos, Bial.

Bial - Por quê?

Lemaître - É o alemão, Bial. Ele andou me colocando contra todo mundo. Diz que as minhas idéias são absurdas. E olha que elas nasceram da própria teoria dele!

Bial - Ih, alemão, o que aconteceu?

Einstein - O nosso querido padre belga devia ficar mais no confessionário, isso sim. Depois de fazer cálculos com base na minha relatividade, em vez de adotar a versão com o lambda, ele apostou na versão original da teoria e agora defende a idéia de que o universo inteiro nasceu de algo como um "átomo primordial", que explodiu e deu origem a tudo que vemos. Uma bobagem.

Lemaître - Alemão, pára com isso. Você me magoa quando diz que minhas conclusões não têm valor.

Bial - Vish, que bagunça. Fecha o som da casa! Agora vamos ver uma coisa que aconteceu em 1931, com um dos nossos brothers mais queridos, Edwin Hubble.



Para ler todo o texto, clique aqui.

Estou lendo o catatau do Big Bang do Simon Singh. Não comprei, aluguei numa locadora de livros porque vocês já sabem que com salário de professor não dá para ficar comprando livros. Mas recomendo, você pode encontrar o livro aqui.

sábado, fevereiro 17, 2007

Faces, Faces Everywhere



Este artigo do NYT comenta sobre o fato de que parece que temos um módulo especializado para reconhecimento de faces. Uma coisa interessante, ligada ao tema do Roda de Ciência deste mês, é o porque grande parte dessas faces são interpretadas como tendo significado religioso (a foto acima é chamada de "face de Deus". As faces usualmente são interpretadas como a Virgem Maria, Jesus Cristo, Abraham Lincoln ou mesmo um ET (no caso da face marciana em Sidônia, que desapareceu quando fotos melhores foram obtidas).

Hipótese: Outra pesquisa mostra que temos neurônios especializados ("neurônio de Jennifer Aniston") para rápida detecção de personalidades bem conhecidas. Juntando as duas coisas, teriamos então que as faces mais facilmente identificadas em padrões aleatórios seriam as ligadas a esses neurônios.

Previsão: deve existir um(s) neurônio(s) especializados na detecção da face - historicamente construida - de Jesus Cristo (nos católicos, além disso, um neurônio da Virgem Maria).

Update: Daniel Doro Ferrante indicou na Roda de Ciência um interessante link sobre reconhecimento de padrões em estímulos aleatórios: apophenia.

Einstein e Newton autistas?


Uma notícia antiga, mas fica para registro para minha pesquisa sobre gênios científicos. En passant, a visão da História como um processo crítico, onde um pequeno "grão de areia" pode desencadear uma grande avalanche (ou interromper uma) parece resolver de forma satisfatória aquele velho debate sobre o papel dos "grandes homens" na História.

Marx e Engels defenderam uma visão mais molar da história, como um processo onde os agentes principais eram agregados de pessoas em vez de pessoas individuais, em paralelo com os historiadores de ciência que acreditam que esta é fruto principalmente do trabalho de milhares de cientistas médios e não de personalidades excepcionais. Nos modelos de mudança histórica como processo de avalanches críticas, as avalanches em si são o fruto da interação de indivíduos "normais". Mas o início das avalanches (ou seu prosseguimento ou não em certos momentos especiais) se deve a indivíduos específicos, "grãos de areia que estavam no lugar certo na hora certa".

Se esse indivíduo se torna, além disso, um hub (centro) em uma rede scale-free de contatos sociais, seu efeito será ainda maior. Se é um cientista obsessivo, capaz de pensar no mesmo problema anos a fio (como os Aspengers, as pessoas com TOC e os bipolares têm mais facilidade de fazer), então isso aumenta ainda mais a probabilidade dele se tornar um grão catalizador de uma avalanche. Ou seja, indivíduos e massa são igualmente agentes da História, a probabilidade de sua vida ter um impacto relevante na sociedade provavelmente segue uma lei de potência. Os grandes gênios não são separados da humanidade. São apenas a cauda da distribuição.

  • 19:00 30 April 2003
  • Exclusive from New Scientist Print Edition.
  • Hazel Muir

They were certainly geniuses, but did Albert Einstein and Isaac Newton also have autism? According to autism expert Simon Baron-Cohen, they might both have shown many signs of Asperger syndrome, a form of the condition that does not cause learning difficulties.

Although he admits that it is impossible to make a definite diagnosis for someone who is no longer living, Baron-Cohen says he hopes this kind of analysis can shed light on why some people with autism excel in life, while others struggle.

Autism is heritable, and there are clues that the genes for autism are linked to those that confer a talent for grasping complex systems - anything from computer programs to musical techniques. Mathematicians, engineers and physicists, for instance, tend to have a relatively high rate of autism among their relatives.

Baron-Cohen, who is based at Cambridge University, and mathematician Ioan James of Oxford University assessed the personality traits of Newton and Einstein to see if they exhibited three key symptoms of Asperger syndrome: obsessive interests, difficulty in social relationships, and problems communicating.

Newton seems like a classic case. He hardly spoke, was so engrossed in his work that he often forgot to eat, and was lukewarm or bad-tempered with the few friends he had. If no one turned up to his lectures, he gave them anyway, talking to an empty room. He had a nervous breakdown at 50, brought on by depression and paranoia.

Repeated sentences

As a child, Einstein was also a loner, and repeated sentences obsessively until he was seven years old. He became a notoriously confusing lecturer. And despite the fact that he made intimate friends, had numerous affairs and was outspoken on political issues, Baron-Cohen suspects that he too showed signs of Asperger syndrome.

"Passion, falling in love and standing up for justice are all perfectly compatible with Asperger syndrome," he says. "What most people with AS find difficult is casual chatting - they can't do small-talk."

Glen Elliott, a psychiatrist from the University of California at San Francisco, is not convinced. He says attempting to diagnose on the basis of biographical information is extremely unreliable, and points out that any behaviour can have various causes. He thinks being highly intelligent would itself have shaped Newton and Einstein's personalities.

"One can imagine geniuses who are socially inept and yet not remotely autistic," he says. "Impatience with the intellectual slowness of others, narcissism and passion for one's mission in life might combine to make such an individuals isolative and difficult." Elliott adds that Einstein had a good sense of humour, a trait that is virtually unknown in people with severe Asperger syndrome.

But Baron-Cohen thinks the idea is still worth considering - there may be certain niches in society where people with AS can flourish for their strengths rather than their social skills, he says. "This condition can make people depressed or suicidal, so if we can find out how to make things easier for them, that's worthwhile."

Mais 3 mil bolsas de iniciação científica


Opa, mais bolsas do CNPq. Qualquer aluno interessado, entrar em contato por e-mail (estou viajando até dia 27, Natal e Recife) bem antes de 4 de março, por favor. Edital aqui.

Agência FAPESP - O Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) anunciou que destinará 3 mil bolsas de iniciação científica para pesquisadores com Bolsas de Produtividade em Pesquisa (PQ) e de Produtividade em Desenvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (DT) níveis I e II.

A concessão será feita por cotas, por meio de seleção pública, conforme edital em aberto. O formulário eletrônico, por meio do qual deverá ser feita a proposta de solicitação de bolsas, estará disponível na página do CNPq na internet a partir de 12 de fevereiro e as solicitações poderão ser feitas até 4 de março.

As bolsas concedidas serão implementadas em julho, com vigência a partir de agosto. A duração das bolsas corresponde ao período de vigência do projeto de pesquisa aprovado e até um máximo de 36 meses.

Segundo o CNPq, as bolsas de iniciação científica são destinadas a alunos de graduação com o objetivo de despertar a vocação científica e incentivar talentos potenciais, mediante participação do estudante em projeto de pesquisa, orientado por pesquisador qualificado.

Além das cotas para pesquisadores, as bolsas são concedidas a instituições, por meio do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic).

Mais informações: www.cnpq.br/editais/ct/2007/001.htm

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

'Maconha do cérebro' alivia mal de Parkinson


Para minha pesquisa sobre Endocanabinóides.

Marília Juste, do G1: Compostos produzidos pelo cérebro, que regulam os processos cotidianos do organismo, como comer e dormir, e que agem como uma “maconha natural” quando funcionam acima do normal, são capazes de aliviar os sintomas do mal de Parkinson. A descoberta é uma de duas boas notícias desta semana para os pacientes com a doença. A outra veio de um estudo que envolveu os laboratórios da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto e que encontrou um mecanismo que pode explicar as causas da doença.

Foto: Divulgação
Nature/A. Kreitzer
Imagem de microscópio mostra neurônios produtores de dopamina de camundongos (Foto: Nature/A.Kreitzer

A "maconha natural" do cérebro são receptores conhecidos como "endocanabinóides". Nos pacientes com Parkinson eles exitem em menor quantidade, devido à falta de dopamina -- molécula que controla a transmissão de informações entre neurônios, relacionada com sensações de prazer e que também ajuda a gerar endocanabinóides. Nas pessoas com a doença, os neurônios que produzem dopamina são destruídos.

A maconha natural faz efeito, mas isso não significa que a planta em si dê o mesmo resultado. E os autores do estudo Robert Malenka e Anatol Kreitzer, da Universidade Stanford, são enfáticos ao fazer a afirmação. “É muito importante ressaltar isso: fumar maconha ativa todos os receptores de canabinóides ao mesmo tempo em todas as partes do cérebro. Não funciona”, afirmou Malenka ao G1. “O resultado só é obtido quando impulsionamos a ação dos endocanabinóides especificamente nas áreas onde eles estão em falta”, explica Kreitzer.

No trabalho que está na revista “Nature” desta semana, os dois pesquisadores combinaram um remédio já usado para o tratamento do mal de Parkinson com outro composto, experimental, que aumenta os níveis dos endocanabinóides no cérebro. Em camundongos, o tratamento deu resultados em apenas 15 minutos e os animais passaram a se movimentar normalmente.

Os seres humanos com a doença, no entanto, precisam esperar bem mais que 15 minutos. Apesar do sucesso do tratamento com as cobaias, há ainda um longo caminho a ser percorrido antes do composto de Kreitzer e Malenka chegar às pessoas com a doença. “O uso em pacientes ainda deve demorar mais uns 10 anos”, diz Kreitzer. “Precisamos testar se o tratamento é tóxico, se tem efeitos colaterais e descobrir qual é a dosagem certa”, explica.

A causa

Enquanto a equipe de Stanford focava no tratamento do mal de Parkinson, outro grupo se debruçava sobre as causas da doença. No estudo, descobriu-se que a destruição de neurônios observada nos pacientes com a doença tem causas muito mais complexas do que se imaginava.

Os cientistas já sabiam há algum tempo que uma molécula tóxica, a MPP+, causa a morte de células. O que não se sabia era como ela induzia a destruição dos neurônios produtores de dopamina, causando o mal de Parkinson. Estudando os neurônios de lulas (que são grandes o suficiente para facilitar a pesquisa), o grupo do qual fez parte o argentino Jorge Moreira, da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto, descobriu pelo menos um desses mecanismos.

“Quando injetamos MPP+ nos neurônios de lula, algumas dezenas de minutos depois, eles começaram a apresentar problemas”, explica Moreira. Segundo o cientista, a molécula causa um “distúrbio de transporte” -- que ele e seus colegas batizaram de disferopatia, baseado na palavra “fero”, que em grego significa transporte -- que vai acabar matando o neurônio.

“A MPP+ desacelera o envio de proteínas fundamentais para a formação de neurotransmissores a uma área específica do neurônio. Ao mesmo tempo, acelera a saída de outras proteínas dessa mesma área. Com as proteínas demorando para chegar e saindo rapidamente, essa área morre e, logo a seguir, o neurônio”, diz o cientista.

A descoberta desse distúrbio de transporte não é a explicação definitiva para o mal de Parkinson, alerta Moreira. “Explicamos apenas um dos mecanismos envolvidos”, diz ele. “Mas é um passo importante para o futuro das pesquisas.”

Moreira cuidou de todo o processamento do material usado na pesquisa liderada por Scott Brady e Rodolfo Llinás, da Universidade de Illinois em Chicago e do Laboratório de Biologia Marinha de Woods Hole, nos Estados Unidos, que está publicada na edição desta semana da revista “PNAS”, da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.

No Brasil desde 1976, quando fugiu da ditadura em seu país, ele acredita que o quebra-cabeças do mal de Parkinson pode estar próximo de ser resolvido. “O mal de Parkinson, e as doenças degenerativas do sistema nervoso com um todo, são um problema social muito grande. Por isso há uma grande quantidade de recursos disponíveis para a pesquisa nessa área”, afirmou ele ao G1. “Acredito que é uma questão de tempo”.

At the Edge


Via Ciência em Dia: Um interessante post sobre Dawkins e o debate Ciência, Ateísmo e Religião foi colocado no Cosmic Variance. Recebeu até agora 75 comentários. Vale a pena dar uma olhada.

Foto: De pé, a partir da esquerda: Steven Pinker, Jeff Bezos e John Brockman. Sentados: Katinka Matson, Daniel C. Dennett, Richard Dawkins e W. Daniel Hillis.


quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Mamar no peito ajuda ascensão social, diz estudo


Continuo aqui com minha faraônica acumulação de material para o curso de Estatística Aplicada I para Psicologia. Pessoal de Estatística para Economia, esperem um pouco que já começo o dossiê de vocês.

Bebês que foram amamentados pela mãe têm maior probabilidade de ascensão social quando adultos, sugeriu estudo da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha.

Da BBC Brasil: Os pesquisadores acompanharam 1,4 mil bebês nascidos de 1937 a 1939 durante 60 anos.

Os que foram amamentados no seio da mãe tiveram uma probabilidade 41% maior de subir de classe social do que os alimentados com mamadeira.

Especialistas disseram que o estudo publicado em Archives of Disease in Childhood sustentam a idéia de que aleitamento materno leva a resultados melhores para crianças no longo-prazo.

As pessoas que participaram da pesquisa tinham, originalmente, sido incluídas no Estudo Boyd Orr de Saúde na Grã-Bretanha no Pré-Guerra, realizado no período entre 1937 e 1939.

Elas foram acompanhadas até uma faixa etária de 73 anos em média.

Segundo o estudo, não havia diferença na prática de aleitamento materno quando os pesquisadores levaram em conta renda familiar ou classe social.

QI

As crianças que foram amamentadas pela mãe tiveram uma chance 58% maior de ascensão social comparado com 50% em relação às que foram alimentadas com o uso de mamadeira - uma diferença relativa de 41% quando as estatísticas foram ajustadas para levar em conta outros fatores que podem ter influenciado o resultado.

Quanto mais tempo uma criança era amamentada pela mãe, maior a sua chance de mobilidade ascendente, de acordo com os resultados.

E em famílias onde uma criança foi amamentada pela mãe e um irmão foi alimentado com mamadeira, ainda foi verificada uma diferença nas chances de mobilidade social - o bebê que mamou do peito da mãe tinha uma chance 16% maior de subir de classe.

Richard Martin, chefe da pesquisa, disse: "Nós achamos que se o aleitamento materno aumenta o QI (Quociente de Inteligência) e a saúde no longo prazo, pode também ter um impacto no status social."

Mas ele acrescentou que "a questão é se este é um efeito do aleitamento materno - algo a ver com o processo biológico que tem um impacto no desenvolvimento do cérebro, ou sobre a própria atividade - tal como melhora na relação com a mãe, ou que as pessoas que foram amamentadas pela mãe foram criadas em um ambiente social melhor".

Martin disse que são necessárias mais pesquisas para uma explicação mais específica.

Mary Fewtrell, especialista em nutrição infantil do Instituto de Saúde da Criança, disse que "evidências sugerem que aleitamento traz benefícios".

"A ascensão social pode ser devido a um efeito da amamentação em uma destas conseqüências, ou seja, o aleitamento materno pode permitir a um indivíduo subir de classe ao aumentar sua estatura, melhorar seu estado geral de saúde ou aumentar diretamente seu QI."


  • Elabore outras hipóteses para explicar este resultado.
  • Idealize uma pesquisa para testar as diferentes hipóteses.

Complemento: Amamentação e Puritanismo nos EUA

Para registro: A Nice amamentou em média 2,5 anos cada um de nossos bebês. Mariana, Juliana, Leonardo e Raphael, dêem valor a isso, por favor.

Lembrar até 12 de março: PIBIC


Alunos de Física Médica ou Informática Biomédica ou Matemática Aplicada a Negócios interessados em concorrer a bolsas PIBIC sob minha orientação podem me procurar (sala 235) ou e-mail que está na página do departamento. Apenas não deixem para fazer isso no dia 11 de março, ok?

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Senhores Professores,

A Comissão de Pesquisa informa que estão abertas, até 12 de março de 2007, das 9h00 às 11h00 e das 14h00 às 17h00, na Secretaria de Apoio Científico - SEAC, no bloco 1 da Administração da FFCLRP/USP, as inscrições para o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica - PIBIC/USP/CNPq - 2007-2008.

O Edital está disponível neste link.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Drosophilia


Drosophilia
Jean-Baptiste Boule, Matthieu Coppey, and Thomas Gregor
Department of Molecular Biology
VIDEO PRIZE WINNER [Veja o vídeo aqui]
Recent advances in microscopy and in fluorescence labeling of proteins allow the observation of complex biological processes in living organisms. This movie shows the early stages of embryonic development of a fruit fly egg, which is half a millimeter in size. In the first part of the movie, the observation of fluorescently labeled histones (proteins that help packaging the chromosomes into a compact nucleoprotein structure in the cell) reveals the dynamics of the mitotic divisions of the nuclei that occur in the egg during the first two hours of development. Following the synchronous nuclear divisions, cellular membranes form and cell movements initiate a process called gastrulation, during which cells invaginate in the embryo to form tissue layers and organs following a genetically determined developmental program. Early steps of gastrulation are shown in the second part of the movie through fluorescence labeling of membrane proteins. As suggested in the movie by the biophysicist writing down differential reaction-diffusion equations on a blackboard, the ability to observe these kinds of processes at the molecular level and in real time has opened new venues in modern biology, by applying tools from mathematics and physics to understand complex biological processes in a quantitative manner.




Suicídio é maior entre mulheres com implantes nos seios


Ainda seguindo minha coleta de material para o curso Estatística Aplicada I para Psicologia.



Da BBC Brasil: Mulheres com implantes de silicone nos seios têm entre duas e três vezes mais probabilidade de cometerem suicídio, de acordo com uma série de estudos publicados pela revista médica New Scientist. [Ops, a New Scientist não é uma revista médica, mas de divulgação! Ela deve ter apenas comentado a pesquisa.]


Os estudos incluem uma pesquisa americana que acompanhou 13 mil mulheres e um estudo canadense, com 24 mil pacientes. Esses dois estudos inicialmente procuravam supostas ligações entre os implantes de silicone e doenças como câncer e problemas do sistema imunológico. "A única descoberta consistente de todos os estudos foi a inesperada ligação com o suicídio", disse Joseph McLaughlin, diretor do Instituto Internacional de Epidemiologia em Rockville, nos Estados Unidos, que coordenou alguns dos estudos.


Mistério


Os cientistas não sabem a razão da maior probabilidade de mulheres com implantes nos seios cometerem suicídio. Uma das hipóteses é que as mulheres que sentem a necessidade de fazer a cirurgia têm mais chances de sofrerem de problemas psiquiátricos e tendências suicidas. Esses problemas não seriam detectados, ou seriam ignorados por cirurgiões, colocando essas mulheres sob maior risco. Um estudo dinamarquês sugere que 8 por cento das mulheres que tiveram implantes haviam sido admitidas em hospitais psiquiátricos antes da cirurgia, principalmente por "neurose e distúrbios de personalidade", além de "abuso de álcool e substâncias". Das mulheres com implantes que cometeram suicídio, metade havia passado por instituições psiquiátricas antes da cirurgia.


Transtorno dismórfico


Outro problema comum entre pessoas que passaram por cirurgias plásticas é o transtorno dismórfico corporal (TDC), em que os pacientes são obcecados por falhas pouco perceptíveis ou inexistentes de sua aparência física. Cerca de três quartos das pessoas com TDC buscam intervenções como cirurgias plásticas e procedimentos dermatológicos. Acredita-se que entre 6 e 15 por cento dos pacientes de cirurgias plásticas nos Estados Unidos sofram da doença. Segundo os cientistas, os pacientes com TDC tem um risco muito maior de se auto-mutilarem, e por isso mais riscos de se matarem. Outra teoria, mas que é considerada muito remota, é que vazamentos nos implantes poderiam alterar a química do cérebro, despertando tendências suicidas em algumas mulheres.


Um bom exemplo onde correlação não implica causação. Na sua opinião, qual a hipótese mais provável? Ou você teria alguma outra hipótese para explicar isso? Como sua hipótese poderia ser testada?

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Why Evelyn Fox Keller is wrong


Meu irmão me disse que muita gente em filosofia faz sua carreira achando um nicho de polêmica de tal modo que possa publicar bastante fazendo apenas o trabalho de crítico. Mas fica a pergunta: quando se dá respostas adequadas ao crítico e mesmo assim ele não as leva em conta ou finge que as não entende, não seria isso um sinal de que o mesmo precisa daquele nicho de polêmica para sobreviver? Se sua vida intelectual depende dessa polêmica, como poderá o crítico aceitar uma derrota?

É mais provável que ele, pouco a pouco, comece a se desviar do assunto, e buscar um outro nicho polêmico para colocar seus escritos. Enquanto isso, temos que aguentar o crítico repetindo suas críticas ad-nausean... A única coisa que posso dizer de Evelyn Fox é que parece ser bem intencionada e ter um sorriso bonito. Mas boas intenções não bastam quando o objetivo é ser intelectualmente honesto.


A clash of two cultures
Evelyn Fox Keller


Nature 445, 603 (8 February 2007) doi:10.1038/445603a; Published online 7 February 2007

Abstract
Physicists come from a tradition of looking for all-encompassing laws, but is this the best approach to use when probing complex biological systems?


Biologists often pay little attention to debates in the philosophy of science. But one question that has concerned philosophers is rapidly coming to have direct relevance to researchers in the life sciences: are there laws of biology? That is, does biology have laws of its own that are universally applicable? Or are the physical sciences the exclusive domain of such laws? (...)

Physicists' and biologists' different attitudes towards the general and the particular have coexisted for at least a century in the time-honoured fashion of species dividing their turf. But today, with the eager recruitment of physicists, mathematicians, computer scientists and engineers to the life sciences, and the plethora of institutes, departments and centres that have recently sprung up under the name of 'systems biology', such tensions have come to the fore.

For example, a rash of studies has reported the generality of 'scale-free networks' in biological systems. In such networks, the distribution of nodal connections follows a power law (that is, the frequency of nodes with connectivity k falls off as k-, where is a constant); furthermore, the network architecture is assumed to be generated by 'growth and preferential attachment' (as new connections form, they attach to a node with a probability proportional to the existing number of connections). The scale-free model has been claimed to apply to complex systems of all sorts, including metabolic and protein-interaction networks. Indeed, some authors have suggested that scale-free networks are a 'universal architecture' and 'one of the very few universal mathematical laws of life'.

But such claims are problematic on two counts: first, power laws, although common, are not as ubiquitous as was thought; second, and far more importantly, the presence of such distributions tells us nothing about the mechanisms that give rise to them. 'Growth and preferential attachment' is only one of many ways of generating such distributions, and seems to be characterized by a performance so poor as to make it a very unlikely product of evolution.

How appropriate is it to look for all-encompassing laws to describe the properties of biological systems? By its very nature, life is both contingent and particular, each organism the product of eons of tinkering, of building on what had accumulated over the course of a particular evolutionary trajectory. Of course, the laws of physics and chemistry are crucial. But, beyond such laws, biological generalizations (with the possible exception of natural selection) may need to be provisional because of evolution, and because of the historical contingencies on which both the emergence of life and its elaboration depended.

Perhaps it is time to face the issues head on, and ask just when it is useful to simplify, to generalize, to search for unifying principles, and when it is not. There is also a question of appropriate analytical tools. Biologists clearly recognize their need for new tools; ought physical scientists entering systems biology consider that they too might need different methods of analysis — tools better suited to the importance of specificity in biological processes? Finally, to what extent will physicists' focus on biology demand a shift in epistemological goals, even the abandonment of their traditional holy grail of universal 'laws'? These are hard questions, but they may be crucial to the forging of productive research strategies in systems biology. Even though we cannot expect to find any laws governing the search for generalities in biology, some rough, pragmatic guidelines could be very useful indeed.


Minhas respostas telegráficas (depois desenvolvo isso):

1) As duas culturas não são a Física e a Biologia, mas sim os experimentais e os teóricos. Os Físicos teóricos conversam muito bem com os Biólogos teóricos. Os físicos experimentais são quase tão exasperantes quanto os biólogos experimentais.

2) Os modelos de Física Estatística nunca pretenderam dar informação sobre a dinâmica real dos sistemas estudados, ou sobre sua natureza microscópica. Uma simulação de Monte Carlo necessariamente usa uma dinâmica falsa. O objetivo é estudar classes de universalidade. Não devemos pedir aos modelos aquilo que eles não foram feitos para fazer. Infelizmente Evelyn Fox parou de fazer física antes do advento do Grupo de Renormalização.

3) O conhecimento provido pelos toy models na física estatística é Popperiano: são os modelos refutados aqueles mais informativos, por mostrarem que certo conjunto de ingredientes de modelos biológicos apenas verbais, tidos como suficientes para o entendimento de uma questão biológica, na verdade não funcionam quando se tenta modelar o sistema. Assunções tácitas aparecem. Os modelos matemáticos forçam os biólogos a explicitá-las.

4) Fitar distribuições com caudas em leis de potência não é tão fácil assim. Especialmente porque, na região onde se têm mais estatística, a distribuição não tem forma de lei de potência. Então, na verdade, os modelos simples tipo Barabasi-Albert não funcionam tão bem, e a busca da razão de porque não funcionam é que faz avançar o conhecimento.

5) Os físicos estudam hoje dinâmicas fortemente dependentes de acasos congelados e acidentes históricos. São as dinâmicas vítreas, fora do equilíbrio, não ergódicas. Modelar a evolução Darwiniana e o surgimento de espécies acidentais e únicas toma meia página de Fortran. Fenômenos únicos, acidentais e históricos são, sim, um tópico de pesquisa da Física Contemporânea. Basta examinar a Cosmologia moderna: o Universo acessível é único, acidental e histórico.

6) A epistemologia da Física mudou muito desde que Evelyn Fox era física na década de 60. A revolução da Modelagem Computacional, quer na Física, quer na Biologia, veio para ficar.

7) Primeira lei das leis científicas: não se deve confundir, como faz Evelyn Fox, leis dinâmicas com leis estatísticas. A lei dos grandes números, a distribuição Gaussiana e as leis de potência não estão na mesma classe da Eletrodinâmica Quântica ou da Relatividade Geral. E, sim, existem regularidades e leis estatísticas na Biologia, especialmente na Biologia de Sistemas. E uma regularidade estatística não precisa ser invariante no tempo para que seja interessante e mereça uma explicação. Explicação que nunca virá se estudarmos apenas espécies isoladamente.

8) Se você não entende um modelo simples, então não entenderá um modelo mais complexo. Para reconhecer um rosto, mais vale uma caricatura do que uma fotografia tirada no microscópio. Modelos biológicos verbais continuam sendo modelos, e sempre contêm menos informação que os modelos matemáticos correspondentes.

9) A melhor maneira de ver se os físicos terão sucesso no ataque de problemas biológicos é deixá-los trabalhar em paz. Afinal, Pasteur era físico, Fechner era físico, Stevens era físico, Delbruck era físico, Crick era físico. Os biólogos que não gostam de fazer teoria e simulações computacionais podem deixar isso para os físicos, que estão precisando muito de empregos. Fazer teoria e modelo computacional não vai gastar (muito) dinheiro público, na verdade é baratíssimo: basta papel, um PC e idéias novas.

10) Criticar é fácil. O duro é criar.

A ler: Physics and the emergence of molecular biology: A history of cognitive and political synergy EF Keller - Journal of the History of Biology, 1990 - Springer

Modelos são menos felizes e satisfeitas, diz pesquisa


Ok, ok, deixa eu esclarecer porque fico colocando notícias aparentemente banais aqui. Primeiro, estou juntando uma série de pesquisas estatísticas curiosas que possam despertar o interesse das minhas turmas de Estatística deste ano. Acredito que a notícia abaixo, por juntar Psicologia e Estatística, cai como uma luva para a minha turma de Estatística Aplicada I para Psicologia.


Segundo, temas do cotidiano (e fotos de mulheres bonitas) atraem leitores para este blog. Como o objetivo do mesmo é divulgar ciência para um público geral (e não ficar falando para sissudos professores da USP), vale como estratégia inovadora de divulgação, na linha "Anything Goes" de Feyrabend (claro que sem exageros). Pois eu acredito sinceramente que se a Playboy publicasse artigos de divulgação científica (ela já publica FC!), as vocações científicas seriam multiplicadas por dez. Não fui eu quem disse isso, mas Monteiro Lobato (se referindo ao bem que o livro Theresa Philosofa fez pela alfabetização do Brasil).



Da BBC Brasil: Modelos são menos felizes e satisfeitas do que pessoas que exercem outras profissões, de acordo com dois estudos realizados pela City University, em Londres.
As pesquisas revelaram ainda que modelos têm auto-estima mais baixa e se sentem mais sozinhas e isoladas.
A divulgação dos estudos, nesta segunda-feira, coincide com o início da Semana de Moda de Londres.
O primeiro estudo analisou dois grupos de pessoas entre 18 e 35 anos de idade, 56 modelos (entre mulheres e homens) e 53 não-modelos.
As modelos foram submetidas a um questionário baseado na teoria da auto-determinação, segundo a qual só é possível alcançar felicidade e bem-estar mental quando se satisfazem três necessidades tidas como pré-requisitos: a de se conectar com outras pessoas, de se sentir livre para tomar decisões e a de se sentir competente e eficaz nas atividades diárias.
As modelos apresentaram níveis significativamente mais baixos de satisfação, o que foi interpretado pelos pesquisadores como um sinal preocupante.
O coordenador da pesquisa, Björn Meyer, disse: "Os resultados não significa que as modelos são mentalmente perturbadas, mas eles são preocupantes e apontam para um problema sério".
"Às vezes nós estereotipamos modelos como produtos, úteis apenas para mostrar roupas, mas elas também são seres humanos, com as mesmas necessidades e preocupações que o resto das pessoas. A indústria precisa garantir que as condições de trabalho não minem a satisfação e o bem-estar psicológico das modelos", disse Meyer.
"Alguns trabalhos trazem um senso de competência e desafio, sua natureza complexa dá a sensação de que é necessário talento para fazer o serviço bem", disse .
"Se seu trabalho te valoriza apenas pela sua aparência e habilidade de andar para cima e para baixo, as oportunidades de experimentar esse senso de competência podem ficar limitadas."
Isolamento
Duas modelos formadas em psicologia pela City University também participaram da condução do estudo.
Segundo Kristin Enström, o isolamento e a falta de controle são problemas comuns em sua experiência como modelo.
"Eu sempre estive ciente da falta de satisfação em ser modelo. Além disso, é comum sentir solidão durante as viagens de trabalho, quando não há tempo de formar laços com ninguém", disse Enström.
“Em termos de autonomia, modelos não pensam muito no que precisa ser feito já que elas estão sempre recebendo ordens sobre o que fazer e para onde ir.”
O segundo estudo realizado pelos pesquisadores britânicos analisou apenas mulheres - 35 modelos e 40 não-modelos.
Novamente, as modelos apresentaram níveis mais baixos de bem-estar e felicidade, além de terem menor auto-estima.
Apesar de reportarem que as modelos têm baixa auto-estima, as pesquisas não estudaram especificamente o risco de distúrbios alimentares no mundo da moda e o impacto do aumento de celebridades 'tamanho zero' (equivalente ao 32 no Brasil).

domingo, fevereiro 11, 2007

Bafana Ciência


Mais um blog em português de divulgação científica adicionado ao sidebar: Bafana Ciência, de Ronaldo Angelini, que está morando em Cape Town, África do Sul (que raios você está fazendo aí, Ronaldo?). Segundo o autor, o Bafana Ciência é um...



Blog de divulgação científica com ênfase em ecologia. A África do Sul e o Brasil também são temas de interesse. Bafana Bafana é o nome carinhoso que se dá a seleção de futebol sul-africana e quer dizer "Moleques e Moleques", o leitor tem, então, liberdade para interpretar o nome deste blog.



Recomendo os posts "The Sun" nasce pra todos, incluindo os cientistas e Bagres da Amazônia ("et eu" 1) , onde aprendi, aos 44 anos de idade, que et al. significa et alicui, ou seja, e colaboradores. Ok, eu sabia o significado, mas qualquer físico que já sabia que al = alicui que atire a primeira pedra...

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Minha teoria foi por água abaixo


Contei para a Nice sobre minha teoria sobre as mulheres, ou melhor, sobre porque o "sagrado feminino" ou o aspecto Yin das pessoas não é uma propriedade mística desse nosso universo, dada de forma absoluta, irreversível e a-histórica, mas sim uma construção histórico-social onde a divisão de trabalho produz uma seleção artificial da personalidade feminina (as amazonas morreram todas, segundo a lenda).

Como sempre, ela me contestou: "Mas onde eu me encaixo nesta história?" Fiquei desarmado, pois é verdade: a Nice é racional, pragmática, não se apaixona por nada, não é dada a magias e superstições, perto do agnosticismo prático dela eu seria considerado um espiritualista.

Ela me deu outros argumentos: o comportamento da astronauta é uma exceção, pois afinal os crimes passionais (passionais mesmo, e não apenas os crimes de "honra") são praticados principalmente por homens. Além disso, em todo ato de apaixonamento feminino existe um cálculo racional, talvez inconsciente, de custo-benefício (acho que ela concorda com a frase "quem gosta de homem é gay, mulher gosta mesmo de dinheiro"). Além disso, ela me disse que as mulheres são fortes no âmbito familiar, e sempre foram, as matronas de todas as épocas sempre foram influentes e determinantes. Talvez muito do machismo dos rapazes se deve a sua tentativa de escapar da autoridade das mulheres (no caso, da mãe e das irmãs mais velhas).

Me lembrei também de uma frase que ouvi num congresso de Física e que gosto de repetir, para constrangimento de meus colegas: "Na Física as mulheres são fortes e os homens são fracos". A frase é interessante porque (além de ser bastante descritiva) implica que em uma das disciplinas intelectuais mais "masculinas", os homens não são tão machos assim. E isso faz sentido, porque fazer ciência é coisa de intelectual e professor, que são os descendentes dos padres nas universidades, enquanto que os machos alfa normalmente vão querer ser políticos, militares, capitães de indústria, advogados etc.

Ou seja, minha hipótese evolucionária caiu por terra em 24 horas. Os homens querem ser racionais mas na verdade são profundamente irracionais. As mulheres fingem ser passionais, mas na verdade são extremamente racionais. O Yang e o Yin estão trocados... E mesmo esta nova generalização, como todas, está errada.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Ela me parecia normal...




No nosso mundo pós-feminista muitas mulheres se orgulham de não serem racionais (afinal, ser racional é ser limitado, tapado, masculino e cartesiano). Tirei isso de um livro recente:

"Todas As Mulheres São Bruxas", lançamento da Editora Soler, é o meu quinto livro publicado. Mas não é um guia de feitiçaria. Nele você encontra algumas dicas, que aprendi na vida e na Ordem Rosacruz, para desenvolver este maravilhoso dom que a natureza deu as mulheres: o seu famoso sexto-sentido. E, ainda, várias histórias sobre as muitas bruxarias que as mulheres praticam, consciente ou inconscientemente, no cotidiano. A proposta, do que eu consideraria um novo feminismo, é levar a nossa contribuição, do hemisfério direito do cérebro, para o mundo construído pelos homens, onde predomina a testosterona, a agressividade, a competição bruta e a guerra. O mundo anda precisando da sabedoria feminina, de mais paz e mais docilidade. Os homens descobrem segredos feminos e as mulheres redescobrem a bruxa que há em cada uma delas. Leia. Você vai gostar. Em todas as livrarias.


Isabel Vasconcellos




Argh... Tudo bem. Sendo assim, vou assumir essa posição (a de que ser bruxa não é demérito) para propor uma hipótese evolutiva sobre a origem da irracionalidade (ou enfase na intuição e nos sentimentos) feminina. Como toda historinha evolucionária, esta provavelmente é falsa (e pior que isso, não é testável), mas nessa área de pesquisa, parece que o que importa é se é bene trovata. Mas antes disso, uma pausa para a fofoca que todo mundo está comentando...

RAFAEL GARCIA da Folha de S.Paulo

O astronauta brasileiro Marcos Cesar Pontes disse ter achado "estranho" o comportamento de Lisa Nowak. Ela e Bill Oefelein foram colegas de Pontes no curso de formação de astronautas do Centro Johnson, da Nasa. "Ela é da turma de 1996, e eu sou da turma de 1998, a mesma do Billy O. [Oefelein]", disse Pontes à Folha. Ele descreveu Nowak como "completamente normal". "É como se o comportamento não se encaixasse à pessoa que conheci."Os astronautas passam por uma triagem psicológica rigorosa na seleção, e depois por um treinamento para lidar com situações de estresse, mas não há como prever atitudes no plano afetivo. "O comportamento para vida social só é enfatizado no aspecto de trabalho em equipe, não no sentido de relacionamento amoroso", disse. "As linhas do amor fogem do normal."


Para ler mais:
Machos, fêmeas, câmeras e triângulos
Um pequeno passo no universo da mente
Astronauta tenta seqüestrar rival e acaba presa nos EUA

Triângulo amoroso abala comunidade espacial dos EUA


Minha hipótese bastante convencional é a de que as mulheres têm, supostamente, tendências a serem não-racionais, emocionais e atraídas pela magia, como essas tais "pós-feministas bruxinhas" destacam, devido à seleção bio-cultural machista. Ou seja, vejo dois fatores nisso, o ambiental e o biológico.

No nível socio-ambiental, isso pode ser apenas o reflexo de sua falta de poder (mulher que não chora não mama, e práticas de magia, simpatias, etc, visam a obter algo por meios outros que os da ação racional - ajuste concreto entre meios e fins). Se essa hipótese estiver correta, e se não houver nenhum fator biológico, uma futura sociedade totalmente igualitária irá eliminar esse aspecto "feminino" das mulheres: as mulheres obterão o que quiserem pela ação racional, não pela sedução, pela intriga ou pela sugestão mágica. Dispondo de status e poder igual aos homens, e meninos e meninas sendo educados de maneira idêntica, elas se tornarão psicologicamente iguais aos homens. Que pena, não é mesmo?

Mas é possível que a longa história de divisão de papéis sociais entre homens e mulheres tenha afetado a carga genética de nossas amigas, via coevolução genes-cultura. Ou seja, até recentemente, as mulheres mais racionais, fortes e independentes eram massacradas, não deixaram descendência. Se traços de sua personalidade estão ligados a genética (e, apesar do Marcelo Leite, sabemos que traços de humor e personalidade são herdáveis), então tais tendências podem ter sido selecionadas (ou melhor, as tendências contrárias terem sido eliminadas).

Em todo caso, o cenário de eliminação do "feminino" (note que tanto mulheres quanto homens podem ter personalidades com traços "femininos") talvez nunca se concretize. Isso porque a racionalidade (ou seja, a adequada análise de custo-benefício antes de cada ação) não é uma estratégia evolucionariamente estável. Meu exemplo principal é o seguinte: como toda mãe sabe (e todo pai também), ter filhos traz poucos benefícios no mundo moderno. Você se sacrifica por eles, eles não se sacrificam pela gente (especialmente os adolescentes!). Isso é um fato, não um julgamento moral.

Ora, mesmo no mundo pré-histórico, onde ter filhos talvez tivesse maior valor porque famílias grandes podiam se defender melhor, coletar mais alimentos etc, para a mulher era um risco irracional: a chance de morte no parto era muito grande, a tarefa de cuidar dos filhos é extenuante, etc. As mulheres frias e racionais deveriam ter poucos filhos. As mulheres irracionais, apaixonadas ou que adorassem bebês teriam muitos descendentes.

Colocando isso numa equação logística de dinâmica de populações, fica óbvio que tipo de mulher iria proliferar. Isso não mudou muito hoje: ou você acha que as adolescentes grávidas agem racionalmente?

Enquanto isso, nossas valorosas mulheres feministas não querem ter filhos, o que é uma ação totalmente racional da parte delas. Mas ao fazer isso, privam as futuras gerações de filhas que carreguem seus genes, talvez sua personalidade.

Bom, é claro que uma pessoa que acredita que tudo vem do ambiente e nada vem dos genes (pelo menos nada relativo à personalidade humana), essa minha teoria é pura bobagem. Mas se você perceber bem, essa pessoa está fazendo uma aposta: se a teoria de que o fator mais importante é o ambiente for correta, então as mulheres racionais não correm risco de extinção. Mas se a teoria for limitada e parcial, como toda teoria o é, e se os tais fatores biológicos existirem, as mulheres racionais serão extintas, em um processo de domesticação biológica ou seleção artificial similar ao feito para se obter, a partir de lobos ferozes, cães dóceis que gostam de crianças...

Eu acredito sinceramente que minhas amigas racionais não deveria fazer tal aposta. No atual estágio do nosso conhecimento, tal aposta seria irracional...

Ribeirão.org

O Blog Ribeirão.org, que pelo que entendi é postado por Adriano Quadrado e Laud On (?), colocou o SEMCIÊNCIA em um concurso de blogs de Ribeirão. Eles também fizeram um nice comment (como traduzo isso?) deste blog. Muito lisongeado, Ribeirão.org, obrigado! E já coloquei aqui no Sidebar um link para vocês.

En passant, o Sidebar de vocês está ficando muito para baixo. Isso acontece quando a largura do main text não é compativel com a largura do Sidebar. Para consertar isso, basta ir no Modelo e editar esta parte, colocando menos pixels antes de px (acho eu...).

#main {

width:570px; (acho que é aqui que você tem que mudar!)

float:right;

padding:8px 0;

margin:0; }


quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Para pensar depois: Theil Index


The formula is


T = 1/N \sum (x_i/[x]) ln (x_i/[x])


where x_i is the income of the ith person, [x] is the mean income (não consigo colocar overbar ou brackets aqui), and N is the number of people. The first term inside the sum can be considered the individual's share of aggregate income, and the second term is that person's income relative to the mean. If everyone has the same (i.e., mean) income, then the index = 0. If one person has all the income, then the index = lnN.


The Theil index is derived from Shannon's measure of information entropy. Letting T be the Theil Index and S be Shannon's information entropy measure,T = ln(N) − S.


Shannon derived his entropy measure in terms of the probability of an event occurring. This can be interpreted in the Theil index as the probability a dollar drawn at random from the population came from a specific individual. This is the same as the first term, the individual's share of aggregate income.


Theil's index takes an equal distribution for reference which is similar to distributions in statistical physics. An index for an actual system is an actual redundancy, that is, the difference between maximum entropy and actual entropy of that system.


Theil's measure can be converted into one of the indexes of
Anthony Barnes Atkinson. James E. Foster used such a measure to replace the Gini coefficient in Amartya Sen's welfare function W=f(income,inequality). The income e.g. is the average income for individuals in a group of income earners. Thus, Foster's welfare function can be computed directly from the Theil index T, if the conversion is included into the computation of the average per capita welfare function:
W = exp(-T)


Esse índice de Theil realmente me parece melhor que o índice de Gini. Notar que não é uma entropia (pois x_i se refere a um individuo i em um rank plot). É na verdade uma medida de dispersão em um rank-plot. Porém o uso do termo x_i/[x] parece limitante, pois inviabiliza seu uso para rank-plots com expoentes altos (ou pdfs com expoentes baixos, ou seja, com divergência do primeiro momento ).

Mas por que não usar simplesmente um índice :

T' = - \sum f_i ln f_i /ln R,

onde f_i = x_i/R é a fração da renda total R que o indivíduo i possui. Assim, se apenas uma pessoa possui a renda total, teriamos K = 0 e se todos têm a mesma renda, K = 1.

Hummm... Ok, ok: Temos que R = [x] N , portanto as duas definições são idênticas (a menos de um fator de normalização ln N). A renda total R, assim como [x], depende de forma forte da cauda da distribuição, e diverge quando N cresce para distribuições com leis de potência. Não foi dessa vez que fiquei famoso...

Update: Nova tentativa. E se eu usar y_i = x_i/sigma como medida normalizada de renda. Ou seja, usar a função K (de Kinouchi? que megalomania!)

K = - \sum y_i ln y_i

Aparentemente esta função exige apenas a não divergência do segundo momento (ou da variância), e portanto parece ser mais robusta. Vejamos.

Na completa igualdade temos todos os y_i = R/(N sigma) e K_max = - R/sigma ln(R/(N sigma)) = - N [x]/sigma ln ([x]/sigma). Posso usar K_max como fator de normalização mais tarde, mas eu queria algo independente de [x]. Bom, então parece que, me parece que a dependência em N no denominador faz com que K_max diverge para infinito (pois sigma tende a zero) e não tem jeito.

Quando apenas uma pessoa possue toda a renda, temos K = - ln R/sigma, R = N [x] diverge e sigma também (mostre isso!), e portanto preciso examinar como se comporta R/sigma. Me parece que R cresce com N mais rápido que sigma, e portanto acho que K vai para menos infinito.

Por outro lado, em um caso intermediário onde sigma é finito e [x] divergente (e portanto R = N[x] divergente), a função K diverge também. Ou seja, se [x] diverge, a função K diverge, não importa se sigma diverge ou não. Ou seja, estou confuso e acho que devo desistir. Ou pelo menos, pensar nisso depois.

Update2: Acho que se em vez de eu usar logs, eu usar algo como entropia de Tsalis, talvez eu possa controlar essas divergências e fazer um índice de Theil não divergente para distribuições com caudas longas. Ou então eu posso piorar ainda mais a situação. Vamos ver.

Entropia


Como todo pai blogueiro, é claro que coloco aqui vez por outra algum comentário sobre meus filhotes. Abaixo registro uma versão do poema da Juju, com um upgrade do pai coruja. Ok, eu sei que não fica aos pés das tentativas do João Alexandrino, mas a Juli tem apenas 11 anos...


O vento, a água e as pessoas.


No céu, o vento,
No mar, os peixes.
Na terra, as pessoas.
O vento bate em meu rosto,
a água escorre num momento sem fim
e as pessoas, como peixes, passam por mim.

E tudo é tão repetido,
isso já me incomoda.
Quero mudar, quero ser diferente.
E se eu fizer de traz para frente?

E se eu fizer de traz para frente?
Quero mudar, quero ser diferente.
Isso já me incomoda,
e tudo é tão repetido.

Por mim passam os peixes, como pessoas.
Sem fim, num momento,
escorre o vento,
e em meu rosto bate a água.
Vento, na terra.
Pessoas, no mar.
Peixes, no céu.


segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Como a fé desempatou o jogo


Curiosamente, a Revista Veja desta semana discute o mesmo tema do Roda de Ciência. O texto completo está disponível on-line aqui. Copio apenas um trecho como indicação para quem estiver interessado. O Marcelo Leite deve estar se descabelando com o tal "gene da espiritualidade"...


De Okky de Souza
Os antepassados humanos que desenvolveram a capacidadede crer foram os únicos a sobreviver à Idade do Gelo. Issoexplica por que a fé resiste mesmo quando a ciência prova que o sobrenatural nada mais é do que química e eletricidade.
(...)


A ciência já identificou um gene da espiritualidade e conseguiu mapear os circuitos neurais responsáveis pelas emoções ligadas à fé. A evolução gravou em nosso genoma a necessidade da devoção e isso ajudou a espécie a sobreviver à Idade do Gelo. Como se sabe isso? As pesquisas arqueológicas e antropológicas mostram que diversos tipos de ancestrais humanos conviviam antes da Idade do Gelo, há cerca de 30.000 anos. Quando as geleiras cederam, apenas um tipo predominava, os Cro-Magnon. Eles organizavam-se em famílias, puniam o incesto, enterravam seus mortos, enfeitavam os túmulos, pintavam as paredes das cavernas por deleite estético e espiritual...! Os religiosos enxergam nesse salto evolutivo a interferência direta de Deus nos destinos da humanidade. Os cientistas dizem que a brutal aceleração da competição por recursos escassos e a luta pela sobrevivência em condições climáticas adversas selecionaram os hominídeos de tal forma que restaram apenas aqueles que desenvolveram a capacidade de acreditar. Em quê? Acreditar que aqueles tempos duros iriam passar. Acreditar que uma força superior iria trazer de volta as temperaturas amenas.


Este post faz parte da Roda de Ciência de fevereiro. Por favor, coloque seus comentários apenas aqui.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Bias cut

Alexandre Martinez me mandou este texto (do qual coloco alguns extratos aqui):

Women, it seems, often get a raw deal in science — so how can discrimination be tackled?

Lutz Bornmann is a researcher at the Professorship for Social Psychology and Research onHigher Education at the Swiss Federal Institute of Technology, Zurich.


When it comes to applying for grants, woman seem to be at a disadvantage — they are potentially less likely to succeed than their male counterparts. So suggests a meta-analysis of 21 studies conducted by my colleagues Rüdiger Mutz and Hans-Dieter Daniel and I . The cause of this discrepancy is unknown. It could be that fewer women principal investigators apply for grants. Gender bias — whether implicit or explicit — could come into play. Or the explanation could be institutional; there are more men than women in high-ranking positions, meaning fewer women have a chance to make decisions.

There has been widespread acknowledgement of how gender affects scientific careers. A comprehensive review of the literature on gender differences in the careers of academic scientists by the US National Science Foundation (NSF), concludes: "Taken as a whole, the body of literature we reviewed provides evidence that women in academic careers are disadvantaged compared with men in similar careers. Women faculty earn less, are promoted less frequently to senior academic ranks, and publish less frequently than their male counterparts."

But the NSF doesn’t address peer review as a component of this discrepancy. Conventionally, peer review is regarded as a sure guarantee of good science. It reassures us about the quality of scientific work and that taxpayers’ money is well spent. Our meta-analysis suggests that there are robust gender differences in grant peer-review procedures, and our results line up with the NSF’s broader conclusion on gender differences in the careers of academic scientists. Whatever the cause, our paper also reports some ways to rule out gender bias — whetherintentional or unintentional. One possible way to avoid bias in the grant peer-review process is to mask applicants’ gender. In journal peer review, masking authors’ gender has proved to be a satisfactory precaution against bias.

A few years ago, our team analysed the peer review selection process for the Boehringer Ingelheim Fund (BIF) fellowships (see Nature 430, 591; 2004). Although the selection process proved highly valid in identifying the most promising junior scientists, and there was no gender difference at postdoctoral level, we did find a slight gender bias in the selection of PhD students. The results were thoroughly discussed by the review committee and the foundation continued to monitor its selection process closely. This allowed the BIF to see a considerable increase in female applicants and scholars in the next few years, with nearly 50% of the 2006 PhD scholarships awarded to women. But according to Hermann Fröhlich, managing director of the BIF, the growing number of young women participating and succeeding in one of the most competitive selection processes for scholarships may be due to social change. And as the BIF evaluates young researchers and their projects at the earliest possible phase in the scientific career, its figures may indicate that large numbers of women have started to reach for the top in science.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Algumas razões para ser um cientista

Pois é, a Mariana quer ser bióloga e a Juliana quer ser astrônoma (basicamente para poder viajar para o Chile e o Hawai). Bom, então eu tenho que decidir: ou eu as enconrajo de verdade (o que já faço em parte com a biblioteca de casa e o aluguel de documentários em DVD que elas gostam muito!) ou eu paro de querer incentivar carreiras científicas. Afinal, seria uma hipocrisia querer para os filhos de outros o que não quero para meus filhos...


Encontrei meio por acaso este livro em pdf (existe a cópia em papel também), Algumas razões para ser um cientista, editado pelo CBPF com apoio do governo Lula. Para degustação:

Depoimento de Frank Wilczek (prêmio nobel de Física de 2004)

Meus pais eram crianças na época da Grande Depressão e suas famílias lutaram muito para sobreviver. Esta experiência marcou muitas de suas atitudes, especialmente suas aspirações sobre meu futuro. Eles investiram na minha educação e na segurança que minha habilidade técnica poderia trazer. Diante do meu bom rendimento na escola, fui encorajado a estudar para ser médico ou engenheiro. Quando eu estava crescendo meu pai, que trabalhava com eletrônica, tinha aulas noturnas. Nosso pequeno apartamento vivia cheio de rádios antigos e televisores de modelos primitivos, além dos livros nos quais estudava.

Era o tempo da Guerra Fria. A exploração espacial era um panorama excitante e novo e a guerra nuclear, assustadora. Estes temas estavam sempre presentes nos jornais, na televisão e no cinema. Na escola, treinávamos para a eventualidade de um ataque aéreo. Tudo isso me marcou e impressionou muito. Eu tinha a idéia de que havia um conhecimento secreto que, quando dominado, permitiria que a Mente controlasse a Matéria de modo aparentemente mágico.

Outra coisa que marcou meu pensamento foi o treino religioso. Tive uma formação católica romana. Eu gostava da idéia de que existia um grande drama e um grande plano por trás de nossa existência. Mais tarde, sob a influência da obra de Bertrand Russel e o desenvolvimento da minha consciência científica, perdi a fé na religião convencional. Uma grande parte da minha busca recente foi feita para recuperar algum do senso de propósito que havia perdido.

Freqüentei escolas públicas no Queens e fui afortunado em ter excelentes professores. As escolas eram grandes e assim podiam ter classes avançadas e especializadas. No ensino médio, tínhamos um grupo de vinte estudantes que estudava junto e competia entre si. Pelo menos metade da turma foi bem sucedida em carreiras científicas ou médicas.

Foto: My hero Feynman giving me grief at Murph Goldberger's birthday party in 1983; the devil horns are from Sam Treiman.