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segunda-feira, janeiro 29, 2007

O Guia Cético para assistir a “Quem somos nós?"


Há alguns dias atrás, meu amigo *** quis saber minha opinião sobre o filme aparentemente científico "Quem Somos Nós?" ("What the Bleep do We Know?") . Widson Porto Reis, do Dragão da Garagem, teve a paciência de fazer dois longos posts (outros virão) comentando o filme.

Citando o Dragão da Garagem:



Quem também aparece no filme é o físico David Albert, professor na universidade de Columbia, nos EUA. David é um físico respeitável com credenciais sólidas. Por isso ficou chocado ao ver como as entrevistas que deu foram editadas de maneira a dar a entender que coaduna com as opiniões místicas dos produtores do filme:


Eu fui editado de maneira a suprimir completamente meus verdadeiros pontos de vista sobre o assunto que o filme trata. Eu sou, na realidade, profundamente contrário às tentativas de unir física quântica a consciência. Mais ainda, eu expliquei tudo isso, com grandes detalhes, em frente à câmera, para os produtores do filme. Se eu soubesse que eu poderia ser tirado do contexto tão radicalmente eu com certeza não teria aceitado participar do filme.


Estou meio sem tempo de comentar o filme, mas na versão DVD estendida que assisti (não sei se esta é a versão que o Widson viu) existe nos "Extras" uma entrevista com David Albert, na qual ele deconstrói a premissa do filme, lembrando que as tais idéias ligando colapso da função de onda (um termo já envelhecido) com a presença essencial de uma consciência é uma tese caduca, que esteve um pouco em moda na década de 50, mas que hoje ninguém mais leva em conta. Esse extra precisa ser assistido por todos os que apreciaram o filme. Já a entrevista com o quiroprático, também nos extras, é dispensável... (:o))


Entretanto, eu também tenho um reparo ao Dragão de Garagem: Widson, a Física Quântica, que apresenta fenômenos realmente estranhos como o emaranhamento quântico, não pode ser reduzida a uma visão clássica do mundo: lembre-se da citação de Feynman que você mesmo colocou. Assim, frases como:



Concluindo, dizer que uma bola não é sólida somente porque os átomos que a constituem possuem um monte de espaços vazios é quase a mesma coisa que dizer que ela não é sólida porque é oca. É falso. (...) Já na escala atômica um átomo exerce sobre seus vizinhos uma forte força de natureza eletromagnética. Estas forças são como as vigas invisíveis (ou molas rígidas como preferem os físicos) da estrutura molecular que mantém o edifício da matéria em pé. (...) Até hoje a superposição quântica nunca foi observada em objetos maiores do que algumas dezenas de átomos e há bons motivos para acreditar por que nunca será, conforme veremos. (...)


dão a impressão que você quer reter uma visão de mundo baseada em bolinhas de massa compacta, visão que precisa ser superada. E, afinal de contas, uma bola oca macroscópica também não é sólida, não é mesmo? Bom, pelo menos na sua cavidade oca, ela é um gás...


Uma ótima introdução a uma visão mais sofisticada da física de partículas, que evita esse estereótipo de bolinhas de massa, é dada pelo livro da Maria Cristina Abdalla, O discreto charme das partículas elementares.


Então cuidado: não é verdade que a Física Quântica afeta o comportamento apenas no nível microscópico. Um exemplo recente de Física Quântica macroscópica pode ser encontrado aqui, onde efeitos quânticos fortes são observados em circuitos elétricos macroscópicos (ok, usando supercondutores...). Mas, em todo caso, parabéns pela iniciativa, pois você conseguiu em linguagem simples realmente explicar coisas como funções de onda, decoerência quântica etc.



quinta-feira, janeiro 25, 2007

Uma solução criativa para as bactérias nas esponjas de cozinha


Vendo esta notícia, fica patente a diferença entre pesquisas de alto custo dirigidas (ok, incentivadas) por agências estatais de fomento e as simples brincadeiras experimentais dos cientistas tipo "faça você mesmo na sua cozinha". Afinal de contas, quanto a este grave problema das bactérias nas nossas cozinhas, por que ninguém pensou nesta solução antes? Será que alguém consegue calcular o impacto na saúde da população, diminuição de custos hospitalares, proteção às crianças (que são mais vulneráveis a tais bactérias) etc? Que tal alguém aqui no Brasil pegar um aluno de iniciacão científica para estender o estudo para o caso de esterilização de mamadeiras? Eu não posso fazer isso porque não sou biólogo, e também não entendo nada de microondas, mas contribuí dando a idéia, isso já é alguma coisa, não é mesmo?

Da BBC:

Cientistas americanos descobriram uma nova arma contra os germes que causam o apodrecimento da comida: o forno de microondas. Colocar esponjas de lavar pratos e panelas por dois minutos dentro do forno de microondas pode matar 99% dos microorganismos, de acordo com um estudo publicado no Journal of Environmental Health. O calor, e não a radiação, é responsável pela esterilização de esponjas, disseram pesquisadores dos Estados Unidos.

Esponjas e panos de prato são freqüentes fontes de microorganismos causadores de intoxicação alimentar porque vírus e bactérias provenientes de ovos, carne e vegetais crus se propagam em condições de umidade. Estima-se que uma esponja de cozinha possa conter 10 mil bactérias, inclusive E. coli e salmonella, em pouco mais de dois centímetros quadrados.

Gabriel Bitton, um perito em engenharia ambiental da Universidade da Flórida, e seus colegas contaminaram esponjas em água suja que continha bactéria fecal, vírus, parasitas e esporos de bactérias. Em seguida, eles colocaram o material contaminado em um forno de microondas durante períodos de tempo diferentes. Depois de dois minutos com potência total, 99% das bactérias haviam sido mortas. A bactéria E. coli foi morta depois de apenas 30 segundos.
Esporos de Bacillus cereus - que são associados amplamente com vegetais e alimentos com contato com o solo e são normalmente muito resistentes a radiação, calor e substâncias químicas tóxicas - foram completamente erradicados depois de quatro minutos dentro do microondas.


Calor
Britton disse que o calor se mostrou mais fatal do que a radiação porque microondas trabalham agitando moléculas de água.
Ele recomendou que se coloque esponjas úmidas - e não secas - dentro do microondas para minimizar o risco de incêndio e que não se coloque no forno esponjas de metal do tipo bombril.
Dois minutos todos os dias serão suficientes para pessoas que cozinham regularmente, disse ele.
"Basicamente, o que constatamos é que nós podemos matar a maioria das bactérias em dois minutos."
"As pessoas costumam lavar esponjas no aparelho de lavar louça, mas se o que elas querem é descontaminá-las e não apenas limpá-las, deveriam usar o forno de microondas", afirmou.
A equipe também examinou se os microondas poderiam ser usados para esterilizar seringas contaminadas.
Constatou-se que este é um método eficaz, mas que o tempo de esterilização é muito maior: até 12 minutos para os esporos de Bacillus cereus.

Update: Na verdade, neste site em português, já se recomenda faz tempo o uso do microondas para esterilização de esponjas, tábuas de corte, panos de prato etc. Então , talvez a novidade noticiada pela BBC seja apenas a de que sua eficácia foi experimentalmente testada. Ah, mas agora entendi porque esse tipo de pesquisa não é patrocinada... Como todo mundo pode ter acesso a um microondas (R$ 324 nas Casas Bahia), este tipo de conhecimento não gera patentes...
Update 2: A Maria Guimarães, do Ciência e Idéias, também gostou da história. Veja aqui.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Cometas decidem sua vida...


Ainda sobre o assunto dos eventos ao acaso que influenciam decisivamente sua vida. Foi por causa do cometa Bennet de 1969, citado no final desta entrevista - junto com a descida dos humanos na Lua, claro! - que meu pai acabou comprando um telescópio para mim. Este telescópio, junto com meu cachorro "Dog" e meu amigo Sinézio, formam a base de minhas lembranças dos 9 aos 13 anos de idade.

Ou seja, se não fosse o cometa Bennet, eu bem que poderia ser hoje um engenheiro civil ou arquiteto, como meu pai queria desejava. Teria mais grana (será?), mas não teria um currículo Lattes tão extenso (pobre consolação...). Não teria conhecido a Nice nem tido minhas crianças (pois teria acabado minha graduação mais cedo e provavelmente não teria feito pós). Não teria conhecido meus amigos Fernando Cachucho, Alexandre Martinez, Nestor Caticha, Mauro Copelli e Antônio Carlos Roque (por ordem de encontro histórico).

Ou seja, tudo por causa de um cometa... Quem disse que os astros não influenciam nossa vida?


Folha - Fale um pouco sobre sua carreira. Como o sr. virou um caçador de cometas? McNaught - Eu me interesso por astronomia desde muito jovem e me tornei um astrônomo amador. Sempre fui ávido por isso, sair por aí para fazer observações com meu próprio telescópio. Então eu tive oportunidades que me levaram nesta direção. Mas não sou pesquisador, sou um observador.

Folha - Em que o sr. se formou?
McNaught - Em psicologia, mas nunca trabalhei com isso. Assim que me formei, há uns 20 anos, consegui um emprego em astronomia. Sempre foi minha paixão.

Folha - Por que o sr. não se matriculou em física, ou algum curso ligado à astronomia?
McNaught - Eu fiz isso, mas eu larguei o curso porque minhas notas estavam péssimas. Eu fui para psicologia porque gostava do assunto, mas nunca trabalhei na área.

Folha - O sr. acha que a passagem de um cometa como este pode tornar os jovens de hoje interessados em astronomia?
McNaught - Eu já tinha interesse em astronomia antes de ver o cometa Bennet em 1969, mas foi a partir dali que eu fiquei deslumbrado. Aquele cometa era espetacular e certamente aumentou meu interesse em astronomia.

Tradições culturais nos macacos pregos


Bom, seguindo o princípio (axioma) ético de que não se deve comer ou fazer experimentos com animais capazes de desenvolver tradições culturais - princípio que justificaria nossa postulação de que as civilizações galácticas não deveriam, por motivos éticos, usar os humanos como alimento ou realizar experimentos com eles - acho que precisaremos incluir o macaco prego na lista dos animais com direitos humanos... Afinal, se gente também é macaco, então macaco também é gente... (uma falácia lógica moralmente defensável...).

terça-feira, janeiro 23, 2007

Prazo adiado para Natal


O prazo para inscrição de resumos para o II Simpósio de Neurociências de Natal do IINN foi estendido para primeiro de fevereiro. Ainda bem! Como vocês podem ver, parece ser um acontecimento excepcional:



O IINN tem o prazer de anunciar a realização do seu segundo Simpósio, de 23-25 de Fevereiro de 2007, no Hotel Sehrs da cidade de Natal, RN. Renomados neurocientistas de todo o mundo se reunirão por três dias para apresentar os avanços mais recentes na pesquisa sobre o cérebro, desde os níveis molecular e celular até a neurobiologia de sistemas, comportamento e neuroengenharia. O Simpósio será aberto pelo Dr. Torsten Wiesel, prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina e Presidente Emérito da Universidade Rockefeller.


Estão confirmados os seguintes palestrantes:
Henrique Meirelles, Presidente do Banco Central - Brasil
Patrick Aebishert, Escola Politécnica Federal de Lausanne - Suíça
Ivan de Araujo, Universidade Duke - EUA
Timothy Bliss, Instituto Nacional para Pesquisa Médica – Reino Unido
Martin Cammarota, Pontifícia Universidade Católica RS – Brasil
Guillermo Cecchi, Centro de Pesquisa IBM T.J. Watson - EUA
Yves Fregnac, Instituto de Neurobiologia Alfred Fessard – França
Raul Gainetdinov, Universidade Duke - EUA
Wagner Gattaz, Universidade de São Paulo – Brasil
Ivan Izquierdo, Pontifícia Universidade Católica RS – Brasil
Claudio Joazeiro, Instituto de Pesquisa Scripps – EUA
Jon Kaas, Universidade Vanderbilt – EUA
Johannes Le-Coutre, Centro de Pesquisa Nestle - Suíça
Rick Lin, Centro Médico da Universidade do Mississippi - EUA
Pedro Maldonado, Universidade do Chile – Chile
Henry Markram, Escola Politécnica Federal de Lausanne - Suíça
Claudio Mello, Universidade de Saúde e Ciências do Oregon- EUA
Michael Merzenich, Universidade da California em San Francisco - EUA
Alysson Muotri, Instituto Salk de Estudos Biológicos– EUA
Miguel Nicolelis, Universidade Duke - EUA
Marco Prado, Universidade Federal de Minas Gerais – Brasil
Stevens Rehen, Universidade Federal do Rio de Janeiro – Brasil
Sidarta Ribeiro, Instituto Internacional de Neurociências de Natal - Brasil
Isaac Roitman, Ministério da Ciência e Tecnologia - Brasil
Alan Rudolph, Rede Fundação Internacional de Neurociências & Adlyfe - EUA
Koichi Sameshima, Universidade de São Paulo – Brasil
Idan Segev, Universidade Hebraica – Israel
Gordon Shepherd, Universidade Yale – EUA
Sidney Simon, Universidade Duke - EUA
Mriganka Sur, Instituto Tecnológico de Massachusetts – EUA
Eilon Vaadia, Universidade Hebraica – Israel


Comitê Organizador do Simpósio:
Miguel A. L. Nicolelis
Sidarta Ribeiro
Claudio V. Mello
John F. Araujo
Henry Markram
Alan Rudolph
Koichi Sameshima
Idan Segev
Sidney Simon


TAXAS DE INSCRIÇÃO – II SIMPÓSIO DO IINNA taxa de inscrição no Simpósio variará conforme o estágio acadêmico dos participantes:Estudantes de graduação: R$ 50,00 até 01/02/2007, depois R$ 100,00.Estudantes de pós-graduação: R$ 100,00 até 01/02/2007, depois R$ 200,00.Profissionais: R$ 200,00 até 01/02/2007, depois R$ 400,00.As taxas de inscrição poderão ser pagas antecipadamente mediante depósito identificado para “Associação Alberto Santos Dumont de Apoio à Pesquisa”, no Banco do Brasil (código 001), agência 3525-4, conta número 15.409-1. No início do Simpósio, estudantes de graduação e pós-graduação deverão comprovar a condição de estudante por meio de carta da instituição de ensino à qual estão afiliados.


CHAMADA PARA INSCRIÇÃO DE RESUMOS – II SIMPÓSIO DO IINN. Cada partipante inscrito no Simpósio poderá inscrever um resumo científico para apresentação de poster durante o Simpósio. Inscrições de resumos serão aceitas de 1 de Novembro a 01 de fevereiro. Os resumos deverão ser redigidos em inglês e conter título, nome(s) do(s) autor(es) e de sua(as) instituição(ões) e um texto de no máximo 250 palavras. Haverá um limite de um resumo por primeiro autor. Os resumos serão avaliados pelo Comitê Organizador do Simpósio, que poderá aceitá-los ou não. Cada resumo deverá ser enviado no corpo da própria mensagem para o email IINN2007@gmail.com, Assunto: Resumo. Solicitamos aos participantes que optem pelo pagamento antecipado da taxa de inscrição, e que informem sobre este pagamento no mesmo email usado para enviar o resumo.

sábado, janeiro 20, 2007

Prêmio para o 20000 visitante


Olá, para não deixar passar em branco este número redondo, o 20000-ésimo visitante receberá um exemplar do livro de FC anarquista "Os Despossuídos: Uma Utopia Ambígua", capa dura do Círculo do Livro (usado, ok?).

Se você foi o feliz contemplado, entre nos comentários e registre o fato, mandando um endereço de correio (isso poderá ser feito através de e-mail particular também). Depois é só esperar para curtir um dos melhores livros de Ursula K. Le Guin.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Lei de potência nos Top 100 Celebrity da Forbes


Ok, ok, eu não fiz o gráfico ainda, e convido qualquer um interessado e com mais tempo do que eu a fazê-lo. Basta ir nesta página da Forbes (ou usar os links abaixo) e coletar os valores dos ganhos anuais das celebridades (cuidado, é preciso ordenar a lista por "payment") e plotar isso num gráfico log-log em função do rank da pessoa.




Eu aposto que vai dar uma bela reta, uma lei de potência com expoente baixo (afinal, entre a sociality existe socialismo e o dinheiro é bem distribuido...).



Update: Ok, não resisti e acabei fazendo o gráfico, e coloquei acima. Interessante que o cut-off exponencial aparece já para o rank por volta de 60. Ou seja, a lei de potência mais igualitária (expoente 0.63) só vale para a nata das celebridades... Nelson Alves disse que isso é um efeito de tamanho finito: em uma economia infinita, a lei de potência se estenderia para a direita. Não tenho certeza sobre isso.


A lista completa:


The Celebrity 100
1. Tom Cruise 2. Rolling Stones 3. Oprah Winfrey 4. U2 5. Tiger Woods 6. Steven Spielberg 7. Howard Stern 8. 50 Cent 9. Cast of The Sopranos 10. Dan Brown 11. Bruce Springsteen 12. Donald Trump 13. Muhammad Ali 14. Paul McCartney 15. George Lucas 16. Elton John 17. David Letterman 18. Phil Mickelson 19. J.K. Rowling 20. Brad Pitt 21. Peter Jackson 22. Dr. Phil McGraw 23. Jay Leno 24. Celine Dion 25. Kobe Bryant 26. Michael Jordan 27. Johnny Depp 28. Jerry Seinfeld 29. Simon Cowell 30. Michael Schumacher 31. Tom Hanks 32. Rush Limbaugh 33. Denzel Washington 34. Cast of Desperate Housewives 35. Jennifer Aniston 35. Angelina Jolie 37. The Olsen Twins 38. Nicole Kidman 39. The Eagles 40. Rod Stewart 41. Shaquille O'Neal 42. Jerry Bruckheimer 43. David Beckham 44. Jessica Simpson 45. Andrew Lloyd Webber 46. LeBron James 47. Neil Diamond 48. Alex Rodriguez 49. Will Smith 50. Dick Wolf 51. Dave Matthews Band 52. Tom Brady 53. Ronaldinho 54. Jodie Foster 55. Ray Romano 56. Paris Hilton 57. Adam Sandler 58. Derek Jeter 59. Jennifer Lopez 60. Rick Warren 61. Scarlett Johansson 62. Katie Couric 63. Maria Sharapova 64. Valentino Rossi 65. Halle Berry 66. James Patterson 67. Leonardo DiCaprio 68. Kiefer Sutherland 69. Jim Carrey 70. Cameron Diaz 71. Gisele Bundchen 72. Renee Zellweger 73. Carson Palmer 74. Michelle Wie 75. Reese Witherspoon 76. Bill O'Reilly 77. Kate Moss 78. Diane Sawyer 79. Sean (Diddy) Combs 80. John Grisham 81. Rachael Ray 82. Dave Chappelle 83. Larry the Cable Guy 84. Tyra Banks 85. George Lopez 86. Regis Philbin 87. Serena Williams 88. Ryan Seacrest 89. Wolfgang Puck 90. Venus Williams 91. Annika Sorenstam 92. Matthew Broderick/ Nathan Lane 93. Mel Brooks 94. Emeril Lagasse 95. Nicole Richie 96. Heidi Klum 97. Mario Batali 98. Eric Idle/ Mike Nichols 99. Adriana Lima 100. Ty Pennington

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Milagres

Minha definição de milagre: evento extremal de uma distribuição com cauda em lei de potência (preferencialmente com expoente entre 1 e 2).

Ok, ok, sim, eu interpreto tudo em termos estatísticos. Afinal, o ajuste fino dos parâmetros cosmológicos poder ser um milagre estatístico, o surgimento da vida pode ser um milagre estatístico e o surgimento da linguagem e cultura humana pode ser um milagre estatístico. Mas não descarto a hipótese de que tais milagres se devam a processos evolutivos de seleção natural ou mesmo artificial, dado que nós, seres humanos, o faríamos se tivéssemos tecnologia suficiente.

Já ganhar na loteria ou no bingo não seriam milagres, pois a cauda da distribuição é binomial, acho. Embora, quem ganhe na Loteria, sempre agradece a Deus...

Vocês já perceberam que sou uma espécie de detetor ambulante de coincidências. Sim, elas despertam minha curiosidade mais profunda, mas imagino que o mesmo ocorra com todo mundo. E eu sempre tento encontrar uma explicação para elas a fim que que elas não nos cegem e dominem pelo seu fascínio. Afinal, acho que essa é a tarefa básica do cientista.

Sendo assim, aqui vai mais uma que ocorreu agora, a dez minutos: Alexandre apareceu na minha sala para dizer que o conceito de persistência inicia-se a partir do trabalho de Flory em polímeros. Eu discordei, achando que tem a ver com o problema da ruina do jogador (quanto tempo um jogar leva para perder todo seu dinheiro no bingo, por exemplo).

Daí eu me toquei de que, por coincidência, o meu trabalho antigo sobre persistência de estrelas não visitadas pela civilização galática está de certa forma relacionado à minha presente curiosidade sobre as séries temporais produzidas por máquinas caça níqueis, despertada por causa do novo emprego da Nice (sim, a Nice está envolvida na origem de cerca de metade das minhas idéias científicas...).

Coincidência? Nem tanto. Acho que a explicação é a seguinte: eu, minha consciência, sou apenas a pontinha do iceberg dos processos que estão tendo lugar no meu cérebro. Ou seja, o nosso cérebro é maior que nós, mais inteligente, incrivelmente capaz de detetar correlaões estatísticas e fica computando direto em modo automático. Jung diria que existem ali arquétipos vivos, tipo as Musas, ou seja, processos cerebrais parcialmente auto-conscientes mas não acessíveis à consciência de vigília comum. Isso não é de se estranhar: a maior parte das coisas que fazemos é de modo inconsciente (dirigir, conversar - ou você fica planejando a sua conversa de barzinho? - caminhar, usar talheres etc.).

Sendo assim, o que seriam os milagres de inspiração artística, sabe aquelas histórias de pessoas que criaram sinfonias, livros ou teorias científicas em apenas um dia, cuja fonte são as Musas (que, aposto, habitam nosso hemisfério não verbal) ? Bom, minha aposta inspirada seria que tais milagres são eventos extremais, super-avalanches ou terremotos mentais em um preparadas por longo período de acumulação de tensao (incubação) em um sistema de processamento de informação na borda da criticalidade... :o))

Ok, ok, a idéia não é original minha, mas de Turing.
A.M. Turing, Computing machines and intelligence, Mind 59 (1957) 236.

A ser lido:


The brain near the edge
Dante R. Chialvo
Department of Physiology, Feinberg Medical School, Northwestern University, 303 East Chicago
Ave. Chicago, IL 60611, USA
Abstract.
When viewed at a certain coarse grain, the brain seems a relatively small dynamical system composed by a few dozen interacting areas, performing a number of stereotypical behaviors. It is known that, even relatively small dynamical systems can reliably generate robust and flexible behavior if they are possed near a second order phase transition, because of the abundance of metastable states at the critical point. The approach pursued here assumes that some of the mostfundamental properties of the functioning brain are possible because it is spontaneously possed at the border of such instability. In this notes we review the motivation, the arguments and recentresults as well as the implications of this view of the functioning brain.
Keywords: Brain, critical phenomena, complex networks
PACS: 87.19.La, 89.75.-k , 89.75.Da

Foto: Urânia, musa da Astronomia. Não estou conseguindo postar fotos neste Blogger velho. Alguem sabe como é que se transfere um blog inteiro para o novo Blogger?

PS2: Não publiquei meu artigo de Darwinismo Cosmológico Forte por medo do ridículo... e sendo assim publicaram primeiro...

Louis Crane has proposed a meduso-anthropic principle, which suggests that universes could be fine-tuned for life by intelligent beings themselves manufacturing new universes. He argues that the destiny of highly evolved intelligence (perhaps our distant progeny) is to infuse the entire universe with life (similar to what Ray Kurzweil proposed in The Singularity is Near, eventually to accomplish the ultimate feat of cosmic reproduction by spawning one or more “baby universes,” which will themselves be endowed with life generating properties.


Smolin's fecund universes theory was the subject of a science fiction short story by David Brin, entitled "What Continues, What Fails ...", and was a common theme in Stephen Baxter's novel Manifold: Time and the rest of the manifold trilogy.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Para resolver o paradoxo de Fermi é preciso persistência

OK, OK, acabei de falar com o Roberto da Silva por Skype e ele me contava que estava a fim de retomar nosso trabalho nos modelos de colonização difusiva com fenômenos de persistência local aplicados ao Paradoxo de Fermi. Engraçado a coincidência, hoje a tarde eu havia combinado com Juliana e Thiago uma colaboração para estudarmos diversas alternativas para a resolução do Paradoxo de Fermi, centradas na idéia de uma difusão anômala capaz de produzir um cluster percolante fractal de estrelas visitadas cheio de bolhas vazias persistentes (conjuntos de estrelas não visitadas).

Disse o Roberto que essa vontade de retomar esse trabalho se deveu a uma conversa que teve com um aluno, alguns dias atrás, em que explicava os assuntos que já havia estudado usando a noção de persistência (não sei se deveria dar alguma referência aqui).

Do meu lado, também a cerca de uma semana, eu vi que a Wikipédia Inglesa citava o meu paper do ArXiv como se fosse uma importante referência nessa área. Bom, minha consciência começou a pesar, pois o paper, na melhor das hipóteses, é incompleto (e por isso mesmo nunca foi publicado). Que pena, pois é um de meus paper mais citados!

Por falar nisso, vocês já devem ter notado que os posts deste blog não prestam serviço nenhum à comunidade, são totalmente self-centered, como diz o Cosma Shalizi, ou seja, fico escrevendo como um alter ego com um ego realmente grande (faça um dowload do personagem B. B. Jenitez no conto Mulah de Tróia XXIV para um exemplo extremo). Espero que vocês leitores entendam que isto é uma espécie de brincadeira pessoal: ou seja, acredito que é importante saber rir de si mesmo.

Bom, vamos ver no que vai dar. Sexta feira começaremos as simulações computacionais do processo de colonização galática, Roberto irá fazer no espaço contínuo e eu em uma rede quadrada, ambos seguindo uma regra de colonização similar às caminhadas do turista estocástico estudadas junto com o Alexandre e o Sebastian. Ops, esqueci de dizer, o Alex também vai entrar neste projeto...

PS: A revista Astrobiology parece ser um lugar legal para se publicar. Em particular, fornece aqui um exemplar totalmente free, com o interessante Astrobiology Primer.
PS2: Por persistência entendemos que a probabilidade de uma estrela permanecer não visitada decai com o tempo lentamente, na forma de uma lei de potência p(t) = Const/t^θ.
Da Wikipédia:
In Physics the concept of persistence is very recent. It refers to the survival property of a physical quantity. For example, we consider a random walker and we ask the question that if the walker started from a point x0 then what is the probability that it will not cross the origin in time t. In other words whether the walker has survived. Such a phenomenon is a persistence phenomenon and the survival probability p(t) goes as p(t) ~ 1/t^θ where θ is called the persistence exponent.

domingo, janeiro 14, 2007

Nostalgia de Planeta

Todas as pessoas que são "da década", como diz a Mariana, ou seja, que eram adolescentes nos anos setenta, foram mais ou menos influenciadas pelo clima Revista Planeta pós-68, onde o ativismo político dava lugar ao passivismo contracultural. Mas tenho boas lembranças dos tempos em que meu amigo Sinézio hipnotizava seu primo para que este fizesse uma viajem astral a fim de localizar a base de UFOs que, tinhamos certeza, estava situada na Serra do Roncador. De nossas experiências com as cartas de Rhine (meu primeiro contato com cálculos de variança, distribuição do qui-quadrado e testes de significância, aos 13 anos de idade). Do fanzine Novos Horizontes e do UFO-boletim, que escreviamos numa pequena máquina de escrever Remington (lembra?), imprimiamos em mimeográfo de rolos (lembra??) com tinta púrpura (lembra???) para os membros do CEFA (Centro de Estudos de Fenômenos Aéreos) Regional Sudeste - sim, fomos nós, ele com 13 e eu com 12 anos, que propomos ao CEFA da Bahia, composto por estudantes universitários, que se organizasse em todas as regiões do Brasil. E acho que eles e os outros membros do CEFA (por exemplo, um prefeito de Três Lagoas, MG) nunca desconfiaram que eramos apenas dois pirralhos disfarçados...

Sim, nostalgia. Colecionavamos a Revista Planeta, faziamos observações astronômicas e vigílias ufológicas, juntos com outros colegas, realizávamos experimentos com pirâmides (foi nessas experiências que aprendi como os grupos de controle são importantes!). Traçavamos nossos biorritmos, aprendendo a usar séries temporais senoidais e discutindo o efeito de auto-sugestão que nossos gráficos de biorritmos produziam em nós mesmos...
Saudades da primeira fase da Planeta, editada por Ignácio de Loyola Brandão, e que, ainda no espírito de Louis Powells e Jacques Bergier do Despertar dos Mágicos (lembra?) propunha um Realismo Mágico que não era necessariamente anti-científico.

Mas tudo mudou nos anos posteriores, conforme a equipe editorial era trocada, a Planeta trafegando por fases mais espiritualistas, ou mais New Age, ou mais de um esoterismo quase-nazista, ou mais um simples Espiritismo Kardecista.

No post anterior eu disse que a Planeta agora era, basicamente, uma revista de eco-turismo. Talvez seja melhor eu documentar isso, portanto vai um resumo da última edição, pego neste site, com as reportagens eco-turísticas assinaladas em verde.

Chegou a newsletter revista PLANETA
A revista que desvenda os segredos do universo agora oferece o serviço de newsletter. Sempre que uma edição chegar às bancas, um e-mail com os destaques da nova edição será enviado para você, leitor. Para cadastrar-se neste serviço, basta clicar aqui. Bom proveito!

CAPA
Inevitável mundo novo
O fim da privacidade
Acorde! Você está sendo vigiado
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CLUBE DE VIAJOLOGIA
Cuzco, umbigo do mundoHaroldo Castro visita Cuzco, no Peru, a antiga capital di império inca.
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REPORTAGENS DO MÊS

ENTREVISTA - FUNDAMENTALISMO
Quando o apego a Deus se transformou em ódio
Mário Sérgio Cortela, PhD em educação, explica o que é o fundamentalismo. Diferente do que muitos pensam, esse movimento tem origem nas igrejas cristãs norte-americanas...


ILHAS LOFOTEN
No reino do bacalhau
No remoto arquipélago de Lofoten, situado dentro do Círculo Polar Ártico, no norte da Noruega, a vida gira em torno da pesca do bacalhau.

CONSERVAÇÃO INTERNACIONAL / PLANETA
Em busca dos répteis do cerrado
O desmatamento descontrolado ameaça uma das biodiversidades mais ricas do planeta: o Cerrado do Brasil central.

UNESCO / PLANETA
Cemitério onde a vida continua
Existe um cemitério, em Paris, que é também parque florestal e museu a céu aberto: o Père Lachaise

CUBA PÓS-FIDEL
Futuro incerto para a ilha das contradições
A recente doença de Fidel Castro traz à baila o possível fim do regime cubano. O que será de Cuba após a morte de Fidel?

SUSTENTABILIDADE
Revolução na economia - Parar de crescer já!
Em São Paulo, o ativista Ross Jackson explica por que as metas de crescimento precisam ser urgentemente revistas.

PSICOLOGIA - CEM ANOS DE PSICANÁLISE
Um século depois, Freud continua vivo!
As idéias de Sigmund Freud continuam criando pol~emica. sinasl de que o criador da psicanálise permanece mais vivo do que nunca.

REPORTAGEM
Festival mundial da paz celebra uma vida melhor
De 1º a 6 de setembro, Florianópolis se transformou na capital mundial da paz.

ALMA BRASILEIRA - PERCÍLIO DOS FALCÕES
O sertanejo que conversa com os pássaros
No parque dos falcões, em Sergipe, José Percílio Costa possui um pequeno exército de aliados incondicionais: os pássaros. O segredo da amizade: carinho e muita conversa.


Já a Planeta eletrônica parece ser comandada pelo antigo time esotérico-espiritualista (ou será que isto tem a ver com o público de Internet?). Olhem só o que obtive no "jogo de dados mágicos" (um programa de computador de Inteligência Artificial acoplado a um gerador de números pseudoaleatórios?) com a minha pergunta: Qual será o nível de sucesso de meu novo livro?

Inovações, transformações e possível mudança são benéficas. Siga em frente com convicção e com uma proposta diferente que chame a atenção.


Bom, neste caso, deixa eu parar de postar aqui e ir escrever logo o meu livro...!

Cinco teses sobre o recente jornalismo científico


1. A revista PLANETA (de papel, não a eletrônica) ficou menos Esotérica e mais Eco-Turística. Mas que saudade de sua fase inicial de Realismo Fantástico editada pelo Ignácio de Loyola Brandão...
2. Pressionada pelo padrão Scientific American, e tentando ocupar o nicho deixado pela Planeta, a SUPERINTERESSANTE se torna cada vez mais New Age, fazendo propaganda subliminar romântico-religiosa sob o nome de "consciência crítica da ciência".
3. Ninguém lê a Galileu.
4. A SciAm está cada vez melhor, mas os artigos nacionais da Viver Mente e Cérebro deixam um pouco a desejar (inclusive o meu, que infelizmente NÃO aparece neste índice da SciAm especial sobre Sonhos..!). Bom, excluindo o Sidarta e o Nicolelis, claro...
5. As melhores reportagens da Revista FAPESP são assinadas pela... Maria Guimarães.

Alguém discorda?

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Foto



Preciso do URL desta foto para colocar meu perfil. Desculpem postá-la aqui... (Hummmm... "postá-la" tem acento????).

Não, ela não é realista a respeito de meu "estado" atual. Foi tirada para meu passaporte para a Alemanha, em 1999, e acho que é a única foto minha neste computador. Além do mais, a câmera digital da Mariana está quebrada, de modo que novas fotos vão demorar um pouco...

Parece divertido


How to calculate the fractal dimension of a complex network: the box covering algorithm

Comments: 16 pages, 14 figures
Subj-class: Disordered Systems and Neural Networks; Statistical Mechanics


Covering a network with the minimum possible number of boxes can reveal interesting features for the network structure, especially in terms of self-similar or fractal characteristics. Considerable attention has been recently devoted to this problem, with the finding that many real networks are self-similar fractals. Here we present, compare and study in detail a number of algorithms that we have used in previous papers towards this goal. We show that this problem can be mapped to the well-known graph coloring problem and then we simply can apply well-established algorithms. This seems to be the most efficient method, but we also present two other algorithms based on burning which provide a number of other benefits. We argue that the presented algorithms provide a solution close to optimal and that another algorithm that can significantly improve this result in an efficient way does not exist. We offer to anyone that finds such a method to cover his/her expenses for a 1-week trip to our lab in New York (details in this http URL).


Full-text: PostScript, PDF, or Other formats

Para ler depois:

Paradoxes of Randomness

Authors: G. J. Chaitin (IBM Research)
Subj-class: History and Overview; Logic


I'll discuss how Goedel's paradox "This statement is false/unprovable" yields his famous result on the limits of axiomatic reasoning. I'll contrast that with my work, which is based on the paradox of "The first uninteresting positive whole number", which is itself a rather interesting number, since it is precisely the first uninteresting number. This leads to my first result on the limits of axiomatic reasoning, namely that most numbers are uninteresting or random, but we can never be sure, we can never prove it, in individual cases. And these ideas culminate in my discovery that some mathematical facts are true for no reason, they are true by accident, or at random. In other words, God not only plays dice in physics, but even in pure mathematics, in logic, in the world of pure reason. Sometimes mathematical truth is completely random and has no structure or pattern that we will ever be able to understand. It is NOT the case that simple clear questions have simple clear answers, not even in the world of pure ideas, and much less so in the messy real world of everyday life.
Full-text: HTML

Concerning Dice and Divinity

Authors: D.M.Appleby
Comments: Contribution to proceedings of Foundations of Probability and Physics, Vaxjo, 2006


Einstein initially objected to the probabilistic aspect of quantum mechanics - the idea that God is playing at dice. Later he changed his ground, and focussed instead on the point that the Copenhagen Interpretation leads to what Einstein saw as the abandonment of physical realism. We argue here that Einstein's initial intuition was perfectly sound, and that it is precisely the fact that quantum mechanics is a fundamentally probabilistic theory which is at the root of all the controversies regarding its interpretation. Probability is an intrinsically logical concept. This means that the quantum state has an essentially logical significance. It is extremely difficult to reconcile that fact with Einstein's belief, that it is the task of physics to give us a vision of the world apprehended sub specie aeternitatis. Quantum mechanics thus presents us with a simple choice: either to follow Einstein in looking for a theory which is not probabilistic at the fundamental level, or else to accept that physics does not in fact put us in the position of God looking down on things from above. There is a widespread fear that the latter alternative must inevitably lead to a greatly impoverished, positivistic view of physical theory. It appears to us, however, that the truth is just the opposite. The Einsteinian vision is much less attractive than it seems at first sight. In particular, it is closely connected with philosophical reductionism.


Full-text: PostScript, PDF, or Other formats

How Does God Play Dice? (Pre-)Determinism at the Planck Scale

Authors: Gerard 't Hooft (Utrecht)
Comments: An Essay in honour of John S. Bell. 8 pages TeX, no figuresReport-no: SPIN-2001/09 / ITP-UU-01/15


In deterministic theories, one can start from a set of ontological states to formulate the dynamical laws, but these may not be directly observable. Observable are only equivalence classes of states, and these will span a basis of "beables", to be promoted to an orthonormal basis of Hilbert Space. After transforming this basis to a more conventional basis, a theory may result that is fundamentally quantum mechanical. It is conjectured that the quantum laws of the real world may be understood from exactly such a procedure.

Full-text: PostScript, PDF, or Other formats

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Devemos ser lacônicos ou lacânicos?

Obs: Este texto faz parte da rodada de janeiro da Roda de Ciência, sobre o tema "Escrever de modo simples". Os comentários devem ser colocado lá na Roda.

Não, o texto a seguir não foi gerado pelo Postmodernist Generator, pois afinal é só ler devagar que você o entende perfeitamente. Em outro post defenderei minha tese de que o pessoal de Humanidades, devido a seu largo treino de leitura e discussão escrita e oral, desenvolve regiões específicas de seu cortex que ampliam sua memória de trabalho para leitura de frases longas na voz passiva intercaladas com sentenças nuançadas, condicionais e ambíguas, uma capacidade cerebral profissional similar a dos matemáticos quando usam expressões matemáticas longas. Ok, desculpem pela longa frase anterior, foi sem querer querendo.

Da Wikipedia: Although Lacan is often associated with it, he was not without his critics from within the major figures of what is broadly termed postmodernism. (Several writers, such as Slavoj Žižek, have argued specifically against considering Lacan a poststructuralist theorist.) Along these lines, Jacques Derrida (though Derrida did not endorse nor associate himself with postmodernism) made a considerable critique of Lacan's analytic writings, accusing him of taking a structuralist approach to psychoanalysis, but this is hardly surprising. In particular, Derrida criticises Lacanian theory for an inherited Freudian phallocentrism, exemplified primarily in his conception of the phallus as the "primary signifier" that determines the social order of signifiers. It could be said that much of Derrida's critique of Lacan stems from his relationship with Freud: for example, Derrida deconstructs the Freudian conception of "penis envy", upon which female subjectivity is determined as an absence, to show that the primacy of the male phallus entails a hierarchy between phallic presence and absence that ultimately implodes upon itself.
Nonetheless, Lacan can be said to enjoy an awkward relationship with feminism and post-feminism in that, while he is much criticised for adopting (or inheriting from Freud) a phallocentric stance within his psychoanalytic theories, he is also taken by many to provide an accurate portrayal of the gender biases within society. Some critics accuse Lacan of maintaining the
sexist tradition in psychoanalysis. Others, such as Judith Butler and Jane Gallop, have offered readings of Lacan's work that opened up new possibilities for feminist theory, making it difficult to seriously reject Lacan wholesale due to sexism - although specific parts of his work may well be subject to criticism on these grounds. In either case, traditional feminism has profited from Lacan's accounts to show that society has an inherent sexual bias that denigratingly reduces womanhood to a status of deficiency.
Critics from outside psychoanalysis, critical theory and the humanities have often dismissed Lacan and his work in a more or less wholesale fashion. François Roustang, in The Lacanian Delusion, called Lacan's output "extravagant" and an "incoherent system of pseudo-scientific gibberish".
Noam Chomsky described Lacan as "an amusing and perfectly self-conscious charlatan". In Fashionable Nonsense (1997), Alan Sokal and Jean Bricmont accuse Lacan of "superficial erudition" and of abusing scientific concepts he does not understand (e.g., confusing irrational and imaginary numbers). Defenders of Lacanian theories dispute the validity of such criticism on the basis of Sokal's misunderstanding of Lacan's texts. According to Lacanians, the dismissal by Sokal and his allies precludes any valid criticism of his theories, and is instead motivated by a desire to "police the boundaries" of what constitutes an appropriate use of scientific terminology.

Foto: Um esquema dos neurônios receptores da mucosa nasal mandando seus axônios para a camada glomerular do bulbo olfatório? Não. Da correspondência Jacques Lacan - Pierre Souri, legenda alemã traduzida pelo Babel Fish:
Generalized Borromaeer in the closer sense 6-3. Soury formed a generalized borromaeische chain according to our method in the case of six rings. It is necessary and sufficient to pull three rings out so that it dissolves. Its attached comment illuminates and confirms our interest in the reading of the Pascal' triangle.

Quem puder me ajudar com uma melhor tradução do alemão, já agradeço.
Não consegui colocar o diagrama do sistema olfatório (sempre me policiando em escrever olfatório, como querem os biólogos, em vez de olfativo...) aqui noBlogger, mas a figura muito bonita e esclarecedora (e incrivelmente parecida com o desenho Lacaniano :o)) está aqui.
PS: Lembre-se, os comentários devem ser colocado lá na Roda de Ciência.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Cientista prevê 'direitos humanos' para robôs




The greatness of a nation can be judged by the way its animals are treated. Mohandas Gandhi


Da BBC:

Um relatório do governo britânico afirma que robôs podem e devem, no futuro, gozar do que hoje se consideram direitos humanos, diz matéria do diário econômico Financial Times. A previsão, segundo o jornal, foi apresentada pelo cientista do governo, David King, em um relatório de 270 páginas no qual elabora projeções para o mundo dentro de 50 anos.

Em 2056, "chineses andarão sobre a Lua, o mundo terá que ser dividido em blocos monetários depois de um choque de câmbio, e até robôs terão de votar", diz a matéria. A idéia de robôs totalmente integrados à vida social humana, como nos clássicos do escritor de ficção científica Isaac Asimov, segue o que os cientistas acreditam ser o futuro da inteligência artificial.

"Se criarmos robôs conscientes, eles vão querer ter direitos, e provavelmente deveriam tê-los", diz ao FT um pesquisador do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos Estados Unidos. "É também lógico que tais direitos correspondam a obrigações cidadãs, incluindo votar, pagar impostos e prestar serviço militar obrigatório", acrescenta o jornal.


Entre os benefícios estariam ainda auxílios de complementação de renda, auxílio-moradia e, possivelmente, um sistema de saúde de robôs, para consertar as máquinas desgastadas pelo tempo. "Seria aceitável chutar um cachorro-robô sendo que não devemos chutar um cachorro de verdade?", indaga ao jornal o pesquisador. "Haverá quem não saiba distinguir entre uma coisa e outra. Precisamos de regras éticas para assegurar que humanos interajam com robôs de forma ética, e não modifiquemos as fronteiras do que consideramos aceitável."


Primeiro foram os escravos, depois os negros, depois as mulheres, as crianças e adolescentes, os homossexuais, os idosos, os indígenas, os deficientes físicos e os fetos com mais de três meses.


Os direitos dos animais serão o próximo passo (basta ver como tratamos nossos pets - você já tem plano de saúde para seu cachorro?). Já existem retiros para aposentadoria de primatas superiores e imagino que elefantes, cetáceos e polvos estão na linha de frente da humanização animal.


Depois virão os direitos dos robôs e androides (se você não sae a diferença entre eles, então já não existe salvação para si, meu amigo....). Se bem que, depois de ter trabalhado uns dez anos em Inteligência Artificial, e ver como as pessoas falam sobre robôs sencientes sem conhecimento de causa, subestimando a vasta complexidade do cerebro, eu duvido que cheguemos a qualquer coisa perto do IA de Spielberg antes do ano de 2300. Que tal primeiro produzirem um robô com a capacidade intelectual de uma abelha?


Em seguida teremos os direitos dos artefatos culturais (objetos artísticos tipo Mona Lisa ou cidades históricas) e ambientes naturais (parques nacionais, redutos florestais etc.): direito à existência, direito à preservação, direito à restauração, proteção contra arbitrariedades caso sejam propriedade particular etc.


Ops, incrível, na verdade já possuímos isso, embora nuitas vezes não na forma legal de "direitos civis" dos atores ou objetos envolvidos, por que aparentemente só podem ter plenos direitos legais seres humanos plenamente responsáveis. Isso deixa de fora, parcialmente, as crianças, os deficientes mentais, as pessoas com problemas psiquiátricos graves e os indigenas - caso estes não possuam cidadania brasileira.


Acho que tudo isso envolve, na aplicação do Direito, a distinção (preconceito?) primária sujeito/objeto ou pessoa/objeto, que talvez sejam entulhos filosóficos de velhas teologias: pessoas têm "almas" e "direitos divinos", animais, robôs e objetos não. Mas será mesmo?


O que a ciência têm mostrado cada vez mais é o quanto nossas ações são pulsionais, inconscientes e "robóticas", e que nosso livre arbítrio é mais aparente do que real. E, da mesma forma, o quanto animais e robôs podem apresentar comportamento inteligente, autônomo, inesperado e aparentando certo grau de aparente livre-arbítrio. Mas isso é o tema do próximo post...

PS: Foto de uma robô-feminina japonesa.

domingo, janeiro 07, 2007

O Índice de Hirsch das Redes Complexas

Não sei se vocês notaram, mas a Web of Science (para quem tem acesso), com seu novo módulo de análise, fornece não apenas o índice de Hirsch (e outras medidas estatísticas) dos pesquisadores mas também de tópicos científicos (definidos por palavras chaves), de universidades e de países. Basta, para isso, que você coloque no campo adequado da página de busca o que você deseja.

Por exemplo, se você fizer a busca por "complex networks", encontrará hoje (07-jan-2007) que existem 1728 artigos no ISI (com essa expressão no título, resumo ou palavras-chave, imagino), com média de 12.17 citações por artigo ( o que é enganoso, pois a maior parte é pouco citada) e índice de Hirsch de 56. Os gráficos de número de publicações e número de citações foram colocados acima, e podemos notar em 2005-2006 o início de uma curvatura sigmoidal indicando a possível saturação do assunto em mais alguns anos. Já a curva de citações ainda não apresenta saturação.

Agora, se você colocar Brazil or Brasil no campo de busca, encontrará que o Brasil publicou 130 artigos na revista Nature e 189 em todas do grupo Nature (incluindo a Nature original). Neste último caso, parece que está havendo um crescimento exponencial não saturado (ver figura abaixo contendo publicações e citações). Indice de Hirsch-Nature do Brasil: h = 49 para Nature, h = 64 para o grupo Nature. Ou seja, o Brasil, ao longo de toda sua história científica, obteve 64 artigos do grupo Nature com pelo menos 64 citações. Cuidado, isso náo mede a maturidade da ciência brasileira, mas principalmente seu grau de internacionalização na forma de colaborações entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros.

Esse tipo de medição da ciência brasileira é importante? Bom, talvez no mesmo sentido que copas do mundo e medalhas de olimpíadas retratem nosso nível esportivo, e indicadores IDH e Gini nos ajudem a avaliar nossa qualidade de vida. Ou seja, são apenas índices, não retratos completos de uma situação, pois afinal, nunca temos acesso a retratos completos, mas apenas a mapas em vez de territórios (acho que Kant disse isso, ou algum grego antes dele).

Exemplos:
  • Fazendo a mesma pesquisa para a Argentina, obtenho 61 publicações na Nature (h = 29) e 79 no grupo Nature (h = 35).
  • No caso da Coréia do Sul: 76 Natures (h = 61) e 182 (h = 53).
  • Por outro lado, tenho Israel com 727 artigos na Nature ( h = 162) e 1116 do grupo Nature (h = 188). Não, isso não é conspiração judaica... é que o termo de busca pega todos os artigos com pelo menos um autor com residência em Israel e, é claro, os judeus colaboram mais internacionalmente entre si e com outros povos.
Humpft... Ok, ok, mas quantas copas do mundo Israel ganhou mesmo?

PS: Por favor, compreendam a ironia da frase acima...
PS2: Interessante o software Publish or Perish, dowload aqui. Ele calcula um monte de índices estatísticos inclusive o h e suas variantes. Pena que não calcule (ainda?) o nosso h_I.

Caça Níqueis e Vôos de Levy

Jogos quase-críticos

Ok, ok, eu sei que encontrar fenômenos críticos e quase-críticos [1,2,3,4] é uma de minhas (muitas) obsessões, mas isso não vem ao caso agora. Fica aqui para registro uma coisa que o dono do Bingo Avenida contou para a Nice: o retorno das máquinas eletrônicas dos caça-níqueis é de 98%, ou seja, de cada cem reais apostados, em média, a casa fica com dois reais.

Bom, para os entendidos que sabem como o desenvolvimento da teoria de probabilidades se deve à ambição dos matemáticos em entender os jogos de azar (e talvez ganhar ou pelo menos perder mais devagar), isso não seria novidade. Afinal, um exemplo clássico de passeio aleatório se chama "ruína do jogador" onde se calcula, dado um certo jogo de azar tendencioso, quanto tempo leva para que um jogador com uma quantia inicial R(0) perder tudo.

Eu testei isso em uma máquina caça-níqueis que fazia apostas de 1 centavo. Botei R(0) = dez reais e fiquei medindo (no modo automático da máquina) o passeio aleatório R(t) do meu dinheiro. Isso pode ser visto no gráfico abaixo. Se eu esperasse até retornar ao meu valor inicial, ou seja, até um tempo t* tal que R(t*) = R(0) pela primeira vez, isso definiria o assim chamado tempo de retorno t*. Obviamente, se o seu dinheiro não é infinito, mais cedo ou mais tarde vai ocorrer uma flutuação tal que R(t) = 0 com t menor que t*, ou seja, você tentou recuperar seu dinheiro e perdeu até as calças...

Os matemáticos e físicos costumam calcular, dada uma certa máquina ou situação, o correspondente tempo de retorno médio E[t*] (lê-se "valor esperado de t*"). Ok, não fui bobo, não fiquei jogando até t* ou até perder tudo: uma vez que por acaso minha quantia inicialmente subiu, eu apenas esperei que ela descesse para doze reais (ou seja, minha pesquisa deu lucro neste caso!).


[Ponho o gráfico mais tarde aqui, problemas no Blogger ou no tamanho do arquivo]


Bom, vamos definir a taxa de retorno sigma = dinheiro apostado/dinheiro ganho. Podemos pensar nela como o análogo de uma taxa de reprodução em dinâmica de populações. Se sigma > 1, o seu dinheiro cresceria, em média, exponencialmente com o tempo, o que obviamente a casa de Bingo nunca deixaria acontecer. Mas se sigma for muito menor que 1 então o tempo de ruína do jogador seria muito pequeno, ou seja, as pessoas perderiam tão rápido seu dinheiro que ficaria patente que não vale a pena jogar.

Assim, do ponto de vista da casa, a melhor opção seria um jogo de azar levemente sub-crítico onde as pessoas perdem em média, mas em um prazo longo. Além disso, em um jogo quase-crítico, apareceriam as flutuações críticas, ou seja, tempos de retorno distribuidos aproximadamente em forma de lei de potência, o que significa que, sim, devido a essas flutuações, os ganhos e perdas não são uniformes no tempo e na população: algumas pessoas realmente ganham enquanto que a maioria perde.

Ok, mas isso é conhecido da teoria de passeios aleatórios. Mas o elemento novo do qual não tinha me dado conta era de que forma os bônus e pêmios entram nesse esquema. O que podemos ver no gráfico é que, sim, a máquina tem uma (forte) tendência a tirar dinheiro do jogador no curto prazo (os pequenos passos sempre decrescentes) mas, eventualmente, aparecem os prêmios (bônus, etc) que são grandes passos para cima. Ora, isso me parece um passeio aleatório tendencioso com vôos de Levy, vocês não acham?

Assim, os bônus são vôos de Levy que fazem duas coisas: 1) produzem a recompensa dopaminergica no jogador (e eventualmente seu condicionamento ou mesmo vício patológico); 2) Sem os vôos de Levy, teriamos um jogo fortemente subcrítico, mas os o valor dos bônus (voos de Levy) são calculados de tal forma a tornar a taxa de retorno sigma próxima de um.

Ou seja, eu posso ter um jogo honesto (crítico, sigma = 1) ou que favoreça levemente a casa (sigma quase-crítico) que equivaleriam a passeios aleatórios com flutuações críticas etc. Mas como tais jogos seriam passeios aleatorios com distribuição Gaussiana de passos (perdas e ganhos), imagino que tais jogos seriam muito chatos: você nunca perde muito ou ganha muito, não há muita surpresa, risco ou emoção. Por outro lado, com os vôos de Levy positivos (bônus), as experiências de ganho se tornam memoráveis enquanto que as experiências de perda acabam sendo esquecidas. Mais memoráveis ainda é ganhar o prêmio acumulado, mas discutirei isso em outro post.

Disso concluo o seguinte: aplicar na poupança é como um jogo com sigma levemente maior que um (por exemplo, ganhos de 1% ao mês equivalem a sigma = 1.01) porém sem vôos de Levy; especular na Bolsa, por outro lado, também é um jogo quase-crítico (porque a economia cresce, mas lentamente) porém a presença dos vôos de Levy (positivos e negativos) é essencial. É por isso que as pessoas se viciam a jogar na Bolsa de Valores: sem (grandes) perdas e ganhos, seria uma aplicação financeira tão chata como as aplicações "seguras".


Mas por que eu gastaei tanto tempo com isso? Bom, estou preparando a primeira aula dos cursos de Estatística para Psicologia e Estatística para Economia que darei no próximo semestre. E, desde o meu mestrado, trabalho com teoria de aprendizagem, e fica patente que o prazer (recompensa) intermitente, muitas vezes mesclado com frustrações, é uma das maiores fontes de incentivo ao aprendizado. Afinal, você nunca observou seus filhos aprendendo um jogo novo de video-game? Se o jogo for fácil demais, educativo e politicamente correto, não tem graça. Mas se ele tiver o nível certo de desafio e rebeldia contestatória, então sai da frente...
PS: Como todo mundo diz que Física Estatatística não serve para nada, não tem impacto social ou de mercado etc, fiquei pensando aqui se pelo menos não daria para aperfeiçoar as máquinas caça-níqueis usando-se os princípios da Teoria de Fenômenos Críticos. Que grande "impacto social" isso teria, não é mesmo? Após o devido patenteamento, os brasileiros passariam de importadores a exportadores de máquinas caça níqueis (produzidas atualmente na China comunista).

Referência: Os Axiomas de Zurich, que o Alexandre Martinez me deu para ver se eu saio do cheque especial e comece a fazer aplicações financeiras (suponho que em 2020...). Sim, os axiomas (na verdade são explicitações do conhecimento tácito de banqueiros suíços) são Maquiavélicos e provavelmente corretos, e alguns são moralmente repugnantes, eu sei, eu sei...

Random number generator


It is a common belief that the odds on a machine have something to do with the number of each kind of symbol on each reel, but in modern slot machines this is no longer the case. Modern slot machines are computerized, so that the odds are whatever they are programmed to be. In modern slot machines, the reels and lever are present for historical and entertainment reasons only. The positions the reels will come to rest on are chosen by a Random Number Generator (RNG) contained in the machine's software. This is called "virtual reel" technology.


The RNG is constantly generating random numbers, at a rate of thousands to millions per second. As soon as the lever is pulled or the "Play" button is pressed, the most recent random number is used to determine the result. This means that the result varies depending on exactly when the game is played. A fraction of a second earlier or later, and the result would be different. Some professional gamblers believe that the RNG does not actually generate random numbers. Some scientists believe that computers can not generate a random number. [Achei estas frases em vermelho muito cheias de relativismo cultural... afinal, os RNG geram ou não números aleatórios? Assim, editei a Wiki explicitando "a crença dos cientistas" de que os números aleatórios criados por RNGs realmente são pseudoaleatórios, mas que isso não importa no caso das máquinas caça-níqueis dado que a seleção de um dado número em uma jogada (em vez da geração da série de números) é devida ao processo de decisão do jogador, que passa por flutuações caóticas e mesmo quânticas desde o processamento de informação cerebral até o acoplamento mecânico-muscular com o botão da máquina etc.] Many cheaters of slot machines have found out an equation for specific gambling machines such as "Keno" and have learned to predict the next set of numbers by inserting the last Keno numbers into the equation.

Payout percentage


Slot machines are typically programmed to pay out as winnings between 82 to 98 percent of the money that is wagered by players. This is known as the "theoretical payout percentage". The minimum theoretical payout percentage varies among jurisdictions and is typically established by law or regulation. For example, the minimum payout percentage in Nevada is 75 percent and in New Jersey is 83 percent. The winning patterns on slot machines, the amounts they pay, and the frequency at which they appear are carefully selected to yield a certain percentage of the cost of play to the "house" (the operator of the slot machine), while returning the rest to the player during play.

Suppose that a certain slot machine costs $1 per spin. It can be calculated that over a sufficiently long period, such as 1,000,000 spins, that the machine will return an average of $950,000 to its players, who have inserted $1,000,000 during that time. In this (simplified) example, the slot machine is said to pay out 95%. The operator keeps the remaining $50,000. Within some EGM-development organizations this concept is referred to simply as "par". "Par" also manifests itself to gamblers as promotional techiniques: "Our 'Loose Slots' have a 93% Pay-back! Play now!" As an aside, the "Loose Slots" actually may describe an anonymous machine in a particular bank of EGMS.

A slot machine's theoretical payout percentage is set at the factory when the software is written. Changing the payout percentages after a slot machine has been placed on the gaming floor requires a physical swap of the software, which is usually stored on an EPROM but may be downloaded to Non-Volatile Random AccessMemory (NVRAM) or even stored on CD-ROM or DVD depending on the technological capabilities of the machine and the regulations of thejurisdiction. Based on current technology, this is a time consuming process and as such is done infrequently. In certain jurisdictions, such as New Jersey, the EPROM is sealed with a tamper-evident seal and can only be changed in the presence of Gaming Control Board officials. Other jurisdictions, including Nevada, randomly audit slot machines to ensure that they contain only approved software.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Poesia científica

OK, ok, o Rogério Silva, do blog Freud Explica, realmente detonou meu comentário postado na Roda de Ciência, onde eu dizia (amigavelmente) que um de seus textos postado na Roda não era apropriado nem para um público com pós-doc. Rogério disse que seu texto era equivalente ao poema abaixo, e que tentar explicar textos é como tentar explicar piadas... faz perder toda a graça.

A PALAVRA

A palavra fala,
Sozinha,
acompanhada,
comanda, manda, demanda...
.
Sublinhada
empolga,
inclinada declina.
Clínica, clinica.
Cria idéias,
cria
assunto.
.
Causo.
Causo de vida,
caso de amor,
vida de
festa, sonho perdido.
Vida vazia!
.
É no discurso
da grande fala
que a fala se
cala.
.
Sem nome
e sem corpo.
Silencia na voz,
silencia no afeto,
silencia na
dor.
Aih! como dói!
.
A palavra,
sempre ela
a palavra.
.
Pa-lavra.
.
Larva que queima,
pá que
recolhe, acolhe...
Texto, testículo, prazer;
gozo, ferida, fenda,
fruição.
.
A
palavra,
sozinha, desacompanhada,
comanda, manda, demanda...
Nomeia,
corporifica.
Re-signi-fica.

Ok, a tecla "blockquote" do Blogger versificou o poema de forma diferente do original, podemos dizer que esta foi uma "releitura interpretativa" do Blogger.

Sim, poemas são exemplos concretos de textos pouco traduziveis (tradutíveis?) que permitem uma vasta gama de leituras (além do prazer de sua fruição) sem que isso signifique que sejam propositadamente obscuros ou maliciosos (vender poesia barrenta por poesia profunda). Ou seja, voltando ao assunto original discutido no Roda de Ciência, embora exista uma forma "canônica" (jornalística) de se fazer textos de divulgação científica, que pode ser encontrada nos manuais de estilo da Folha ou do Estadão, haveria espaço para "heresias" textuais, tais como: textos tão obscuros e densos que despertam o interesse do leitor por sua decifração e interpretação pessoal (e portanto múltipla e não consensual) - um exemplo seria alguns textos de Benjamin, já citado na Roda.

Outro exemplo seriam as poesias filosóficas e/ou científicas, para as quais parece que Rogério e João Alexandrino, do Ciência e Idéias, tem vocação: ok, vou postar uns poeminhas meus aqui também se vocês deixarem... Eu colocaria também neste rol de formas alternativas de divulgação científica certas músicas de Caetano, Lenine etc...

Só ainda não entendi o que significam os versos em HTML no poema do Rogério... Minha interpretação pessoal é de que Rogério quis dizer que o HTML é a poesia do futuro, feita nas entrelinhas de nossos textos... Bom, talvez tenha sido apenas um erro de copy and paste... Melhor ainda, talvez tenha sido as duas coisas ao mesmo tempo, o que seria genial. Tudo bem, Rogério, não precisa me explicar.

Para referência:

(En)canto científico: temas de ciência em letras da música popular brasileira

Scientific enchantment: science topics in the lyrics of popular Brazilian music

Ildeu de Castro Moreira(1); Luisa Massarani(2)
(1) Instituto de Física Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ Praia do Flamengo 200, 8º andar, Flamengo 22210-030 Rio de Janeiro – RJ – Brasil icmoreira@uol.com.br icmoreira@mct.gov.br
(2) Centro de Estudos, Museu da Vida, Casa de Oswaldo Cruz Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz Av. Brasil 4365, Manguinhos 21040-360 Rio de Janeiro – RJ – Brasil cestudos@coc.fiocruz.br


RESUMO
As relações entre ciência e música são muito profundas e têm suas raízes no próprio surgimento da ciência moderna. A música tem uma base física importante: são os sons afinados pela cultura que a constituem. Por outro lado, ela foi utilizada muitas vezes como metáfora e como inspiração para interpretar o mundo físico, em particular nos modelos cosmológicos. Este artigo explora, de forma preliminar, como surgem e se expressam temas e visões sobre a ciência, a tecnologia e seus impactos na vida moderna nas letras de canções da música popular brasileira. O objetivo primordial do trabalho – que constitui uma análise qualitativa não-exaustiva – é proceder a um mapeamento inicial de como temas de ciência, atividade social imersa em determinado contexto cultural, podem surgir na manifestação das artes populares, neste caso a música brasileira.

Palavras-chave: ciência e música; letras musicais; divulgação científica.

Este é um texto da Roda de Ciência. Comentários devem ser postados aqui.